domingo, novembro 06, 2005

Uma Estória de Maconginos

De vez em quando alguém me aparece a contar jantares e encontros ,a dar notícia de palácios, de "maconginos" proeminentes. Vou escutando e sorrindo. Hoje não há ninguém que não pertença ao reino de Maconge, assim uma Terra do Nunca inventada pelo César da Silveira, o verdadeiro Rei de Maconge, a que sucedeu Mário Saraiva de Oliveira. Um reino que se vulgarizou com uma facilidade extraordinária e que distribui titítulos nobiliárquicos que muita gente está a levar a sério.
O Reino de Maconge é produto de uma imaginação adolescente fértil, a de César da Silveira, que escreveu as Macongíades, traduzindo um certo espírito que se vivia no Liceu Diogo Cão, um pouco no decalque daquilo que se imaginava seria a academia de Coimbra.
O Reino transformou-se, depois, num local de encontro entre antigos estudantes do Liceu, que se reuniam uma vez por mês, sempre no Lubango, para, em ceias monumentais, sempre regadas a vinho, se lembrar a juventude e discutir outras coisas. A poesia era dona e senhora da noite.
Houve uma primeira fase destes encontros em que não era permitida a presença de mulheres. A Organização era composta por cultores do romantismo em que as mulheres não podiam"descer"ao espectáculo decadente da bebedeira, do arroto, das palavras de sons ásperos.
As ceias eram na Casa Verde, dos Irmãos Guerra, e havia sempre uma festa especial quando o Rei subia de Luanda ao Lubango para confraternizar com os seus súbditos.
Foi ainda na Casa Verde que a primeira mulher foi admitida como participante. Foi uma excepção, porque a senhora em questão - Anabela Araújo - não tinha frequentado o Liceu Diogo Cão. Era aluna da Faculdade de Letras da Universidade de Luanda, sita no Lubango, e mulher de Saraiva de Oliveira, representante do rei, quando este não estava presente. Ele próprio se intitulava de vice-rei.
Este era o único título admitido na altura. Nada de condes, nada de duques. Todos nós éramos súbditos de um reino de fantasia.
Os irmãos Guerra tinham um costume interessante: quando já estavam cansados de nós, encharcavam os churrascos de gindungo, convencidos de que assim deixaríamos de comer e nos iríamos embora. Pelo contrário: não só comíamos mais como o vinho rodava a maior velocidade entre os convivas.
A certa altura, por razões que também tinham a ver com o coração de um dos membros do reino, as ceias passaram a realizar-se no Casino da Senhora do Monte.
Numa dessas ceias tentei, mais uma vez, convencer algumas pessoas de que o reino podia, sem dificuldade, transformar-se num movimento político activo.
As respostas eram invariavelmente uma reprimenda. A nossa política era a saudade e o vinho tinto.
Mas, naquela noite havia um motivo suficientemente forte: tinha sido inaugurado o estádio municipal da Senhora do Monte, um belo estádio, a que foi posto o nome de "estádio Silvino Silvério Marques", um ex-governador-geral de Angola, que haveria de voltar mais tarde.
Toda a população do Lubango detestava o senhor e não queria que o seu estádio se chamasse outra coisa que não "Estádio da Senhora do Monte".
Utilizando este consenso, consegui convencer os convivas da ceia daquela noite a realizar uma operação "comando". Às tantas da noite, lá fomos tirar a placa com o nome do dito Silvério Marques.
Nesta operação lembro-me da participação de Pinto Miranda, muito entusiasmado e do Saraiva de Oliveira, mais cauteloso. Havia ainda alguns mais jovens: O Adrega, que era o bispo da Academia na altura e o Ricardo Fonseca, o presidente da Academia do Liceu. Lamento, mas a minha memória não vai mais longe.
Ora, a placa era muito pesada e foi colocada no meu carro - na altura um Ami8 - que andou durante vários dias com a dianteira levantada, o que provocava as mais disparatadas observações dos amigos.
Depois, lá encontrei um local onde a enterrar. Acho que ainda lá está e só eu sei onde. Quando, num futuro distante, alguém a encontrar, espero que não conclua que ali houve um estádio desportivo...
Como resultado desta operação, aquele recinto desportivo nunca se chamou outra coisa, até porque o próprio presidente da Câmara da altura, José Figueiredo Fernandes (Farrica), não mandou colocar outra placa.

6 comentários:

Mataku-mandante em Xefe disse...

Olá Mô kamba!
Hoje kinsegui de xegárlá mbora na sua bróg sobre as kuenza da nossa África e as konkomitâncias do nossu kimbo Angola!!!
Esse blóg é bala bala! Tá kuiá!! Lhi linkei lá na noça kazerna, toda ela feita de mwangolês. Apareças lá pra fikares bem dispostu!
Bazei!

Kaiser disse...

À Mãe!

César da Silveira, o Neto.

Anónimo disse...

Dei, por mero acaso - a investigar outra matéria - com este artigo...lamentavelmente com muitos factos distorcidos e erros históricos.
Pena!
Anabela de Araújo

Anónimo disse...

Dei, por mero acaso - a investigar outra matéria - com este artigo...lamentavelmente com muitos factos distorcidos e erros históricos.
Pena!
Anabela de Araújo

ANTÓNIO LUIS AFONSO disse...

Mas que grande treta!!!! De onde és tu! Caçador? Pescador?

Leston Bandeira disse...

Quem Sou eu? É um desaforo ! O Sr. deverá ser um dos novos maconginos , uma espécie de "novos-cristãos. O meu nome é conhecido de todos os que alimentaram a ideia do Reino de Maconge, ainda com Sua Majestade,D . César da Silveira IV.
Quem sou eu? Aluno e professor do Liceu Diogo Cão; aluno e Professor da Faculdade de Letras, Jornalista com 15 anos no Lubango, activista e dirigente político. Na linha da frente contra a invasão Sul-africana. Quem sou eu? Eu sou "O" Leston Bandeira!!! E o senhor, senhor António Luís Afonso é o quê?