sábado, Janeiro 06, 2007

MUCUBAIS E MUITOS MAIS

Mesmo sem ser para aqui chamado vou fazer o que sei melhor:confusão. Mucubais eram, para mim, a gente do deserto de Moçâmedes.Tive de gramar algumas chamadas à ordem por não os diferenciar dos bosquimanos. Quem mais me xingava com isso era o Sebastião Coelho. Mas fossem o que fossem ou quem fossem era gente antiga da antiguidade. Muito apreciados pelos antigos gregos mitológicos, que os compravam alegremente. Vinham de longe, de muita África corrida, os caçadores de escravos, mas a caça era rentável. Façam o favor de notar que me refiro a um tempo passado, antes mesmo dos portugueses aportuguesarem todos os pedaços que gamaram aos mouros.
Seja como for, os bosquimanos e/ou os mucubais ou outros que tais integraram, sim senhor os flechas. Não só eles, mas também eles. Não me recordo da cena com o Farinha, mas eu próprio, com Eduardo Baião, fiz reportagem sobre eles. Fomos acompanhados por dois inspectores da Pide. Assisti à largada na mata de um pequeno grupo, que viria a ser recuperado a quase centena e meia de quilómetros dali, três dias mais tarde. Vi um deles abanar a cabeça e rebuscar de um saco umas quantas fotos, avidamente espreitadas pelos «pides». Não mas mostraram, claro. Depois saberia do que se tratava.
Os do sul, quando eram largados na mata esqueciam quse tudo quanto a «musa» lhes cantara. Sentavam-se e comiam toda a ração que levavam para comer nos dias que se iriam seguir. Depois, sim,depois andavam que se desunhavam. Sabiam o que procurar, como e onde. Impressionante o que podiam andar, onde podiam chegar; impressionantes os resultados que, depois de recolhidos, contavam. A tal ponto que se tornou difícil acreditar. Passaram a ter que levar maquinetas de fotografia instantânea, habituamente utilizadas para cenas mais ou menos escabrosas, experimentadas por timidos e pecaminosos envergonhados.
E quando passaram a exibir , no regresso, fotos de vítimas deixadas para trás, se desvaneceram as dúvidas e a entender o pavor que semearam e o ódio posterior dos angolanos.
As chefias militares não gostavam muito de tomar conhecimento destas facécias. Por essa altura o relacionamento entre a DGS e o Comando militar era pelo menos estranho e se havia matéria que as chefias militares ostensivamente inoravam eram os flechas!
Não era, no entanto,caso virgem. Na Guiné os comandos incluiam guineenses nas suas fileira, que rapidamente se fizeram notar e ser odiados pelos guerrilheiros do PAIGC. Desconheço se houve ou não alguma inveja, mas a forma como os militares portugueses entregaram «os comandos» africanos ao novo poder na Guiné foi, no mínimo, vergonhoso. Foram todos chacinados. Ainda hoje, tantos anos volvidos, sinto dificuldade em respeitar os símbolos das forças armadas do meu país!
Já agora, também conheci o Peyroteo citado, por Leston, a propósito do livro que ele leu. Conheci-o, evidentemente da Huila, nos contorbados dias de ocupação pela Unita e FNLA e portugueses, com apoio sul-africano. E a
última vez que o vi foi em Lisboa, em casa do Carlos Fernandes, artista plástico,um bom amigo, que me recolheu em Luanda e que recordo com saudade.

1 comentário:

mucubal do namibe disse...

António Gonçalves?
O mundo é engraçado...
Andava por aqui a pesquisar algo sobre os mucubais e dou com este post, que presumo ser do António Gonçalves, jornalista do Notícia...
E o Carlos Fernandes? Será o meu grande amigo que passou uns tempos em Moçâmedes e nos ajudou a construir o Kardan?
Para o António sou a ex-mulher do Zé Charula.
Bem gostaria de saber de vós...
O meu mail: ceucastelobranco@gmail.com