domingo, junho 11, 2006

...E JÁ FOI O ÓPIO DO POVO!

Sim,sim, que bem me lembro! É domingo,ponto final, porra. Estou à espera que o dia corra e a tarde finde. Que venha a bola. Queria ter uma razão para adoçar a ansiedade. Queria uma alegria angolana. Não é que eu não tenha nascido na Alfredo da Costa e por cá tenha sentido o efeito do regime ditatorial. Tenho algum direito de não apreciar ditaduras, onde quer que elas imponham a sua força. Mas o apego ao futebol está para além disso. Foi o futebol que conquistou a atenção do poder, mas acabou, como muitos de nós, a servi-lo.
Foi um extinto diário comuna que alertou com ira: o futebol é o ópio do povo. Azar! Uma semana depois viria a Lisboa uma equipa soviética, para uma eliminatória europeia. Duas dúzias de jornalistas moscovitas de não sei quantos pasquins e de canais de televisão! Fartei-me de gozar com Tavares da Silva (sobrinho), que encontrei no Camões a caminho da Brasileira. Desde Luanda que nos davamos bem e continuamos a dar. Tinha-o encontrado uma noite na Mansarda, onde intelectuais e artistas curtiam a noite. Meses depois habitavamos Angola.
A sorte comum foi o regresso às origens.
Isto lembra-me que estou sem ler jornais lisbonenses desde quinta-feira. Exasperei-me com a moda dos jornais imporem toda a espécie de «lixo» que bem entendem e exigirem que o leitor o pague. Não, definitivamente não. Isto vem a propósito de ter lapsos de informação e à falta de melhor espreitei os jornais de fora. Esbarrei com «Le Monde» e pasmei com («Hookergate» à Washington) um escândalo delicioso na área de residência do sr. Bush. Corrupção em alta escala e como o título insinua envolve não poucas pequenas da vida. Desconheço (e devem perceber porquê!) se os jornais portugueses deram conta do escandalo que envolveu altas personalidades empresariais e de organismos do Estado e que viria a culminar com o rolar de cabeças na CIA. A história tem algumas semelhanças que o escandalo denunciado recentemente sobre a FIFA, pois também
inclui a oferta de serviços de prostitutas e aliciantes partidas de pocker. Receio que o livro sobre
a FIFA, bem como outro anterior sobre o COI tenham tido pouca ou nenhuma divulgação por aqui. Neste caso, claramente político, aconselho a leitura do Le Monde do dia 9 (nove), posto à venda, como se sabe, na véspera. É possível o acesso pela NET. Atenção que, ao contrário do que acontece em várias pátrias, há gente já condenada, há outra em vias de, um manda chuva da CIA já se molhou e há negócios com ramificações sabe-se lá até onde...
Mas onde é que eu fui parar! Estava na bola e zangado! Não aguentei o jogo de Holanda, que eu queria ver. Mas aquela malta dita comentadora não se aguenta. Só falam,falam, arengam, misturam alhos com merdas, desviam a atenção, incomodam. Tinha ouvido o José Augusto Marques e ele, sim, ele ajuda a ver o jogo. É discreto e conciso; não inventa, não se desmarca. Não chateia, mas o jogo não dava para muito. Ainda na SIC ouvi outro, também, suportável. No Cabo, senhores! Fiquem calados. Deixem o Toni falar no fim do jogo. Um dos canais minúsculos de notícias, nem sei qual, incluiu um excelente comentador. Simples mas directo. Fácil de ouvir e de entender: Inácio, é ele. Pode-se aprender a arte do comentário, mas é mais natural quando nasce com a pessoa. O que se lastima é não haver nas televisões, sobretudo nas televisões, gente capaz de escolher quem deva e só faça aparecer quem dá jeito ou quem faz jeitos, sem qualquer critério. E agora uma brincadeira inocente:lembram-se como (e porquê) foi «inventada» a tv por cabo???????
Para nos livrar da pub... Fomos todos comidos, os que acreditaram... Boa tarde. Vou esperar
por um doce tropical. Nada de minúsculo. Por favor não empatem...

2 comentários:

Fernando Alves disse...

(já com o coração apertado, a mais de meia hora do grande e - espero! - belo "sofrimento" )abraço a tua fome de bola, António, e semi-assino por baixo: se tiverem de empatar, que não seja por terem sido "empatas".
Ali ao fundo da rua, há coisa de uma hora, vinha de despachar uns caracóis e umas imperiais, estava um muadié negro ao telemóvel: na cabeça um lenço representando a bandeira portuguesa; a camisola tinha estampada a bandeira de Angola. Fiz-lhe um sinal de ok com a mão. Abriu um sorriso que vale um golo de bandeja. Para que lado? É uma porra!!!!!

Manuel Ricardo disse...

Oh homem!