sábado, agosto 18, 2007

MODOS E MODAS





A modos que andamos confusos, a julgar pelo DN, que confronta ministro e secretário de Estado,
a propósito da vinda ou ausência de Mugabe, chefe de estado de um país africano, que foi colónia
inglesa. O matutino classifica Mugabe como um dos mais ferozes ditadores africanos. Não conheço ditador que se destacasse por ter bom coração, por ser crente da democracia ou por ajudar os velhinhos a atravessar o Rossio, a 5ªAv. ou o Arco do Triunfo! O ditador, coitado, é apenas, e só, ditador, nada mais que isso! Alguns romanos, dos primeiros a ficar para a História, ficaram na memória por serem amigos dos animais: nunca esqueciam de alimentar os pobres leões cativos. Nem por isso deixaram de morrer incompreendidos.
Melhor sorte teve o marquês de Pombal, ditador do reino, que, entre outras maldades, mandou liquidar duas famílias inteiras, até à terceira geração, e tem uma estátua reluzente, em Lisboa, ao lado de um leão. Ou Franco, que recuperou a monarquia da república débil e aleitou o Rei, que lhe sucedeu. Enquanto vivo chacinou uns quantos etarras, nacionalistas incompreendidos, um tudo nada insaciáveis. É verdade que o de Santa Comba foi o que foi, mas em boa e honesta verdade o Zé dos Bigodes ficou a dever-lhe uma data de anos de boa imagem de anti fascita, que não era nem nunca foi, como de resto a História não tardou a revelar!
Não foi um ditador sanguinário que subscreveu o despejo de duas bombas atómicas sobre gente viva, que logo deixou de viver.
Mas a questão existe. Há ditadores. Alguns são presidentes, de países, de bancos, de juntas, de câmaras. É quase absurdo considerar ditador demoníaco, e agravado por não gostar de ingleses, o presidente do Zimbabwe, sem classificar os restantes ditadores de outros países africanos, com os quais, aliás, os países ditos democráticos negoceiam e não raro por ínvios caminhos.
Ontem li que o sujeito que molestou uma criança foi preso. Já tinha sido preso e condenado a 16 anos pelo mesmo motivo. Cumpriu parte da pena e saiu. Voltou a ser preso e condenado, pelo mesma violência e voltaria a sair. Se o jornal não exagerou, ainda voltou a ser preso por molestar outra criança. Dá a ideia de que não é proíbido molestar crianças, desde que haja paciência para ir pagando as facturas. Não sei se não seria melhor ir viver no Zimbabwe...

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