
Começou por ser um repto, mas pode transformar-se num desafio, num toque a reunir de uma enorme tribo destribalizada mas sobrevivente, num grito de quem reivindica o direito ao passado e, de raízes ao léu, consegue identificar, lá longe, o sítio aonde pertencem. "Essas raízes não mergulharão noutra terra" - dizia a feiticeira das margens do Cunene
domingo, abril 19, 2009
Retornados O Adeus a África

sábado, abril 04, 2009
"Balada do Ultramar"
Manuel Acácio, um nome conhecido no jornalismo radiofónico de qualidade - que já vai rareando -acaba de publicar um livro com um título atrevido, "Balada do Ultramar". Este romance é uma narrativa corajosa, não da sua própria experiência, mas do entendimento que conseguiu perceber do sofrimento atroz que foi para centenas de milhares de portugueses (brancos e também muitos negros) o abandono das terras onde muitos deles já tinham nascido. Alguns foram atirados fora da terra dos seus avós.
sábado, março 28, 2009
27 de Março de 1976
O Lubango vivia momentos de euforia, de reconstrução, de azáfama, de reorganização. Os operários dos Caminhos de Ferro de Moçamedes (CFM) ajudavam os agricultores, fazendo peças para os tractores avariados, noutras fábricas substituia-se o obsoleto sistema de capatazia por métodos de responsabilização na organização da produção.
Quando, a 18 de Fevereiro tínhamos chegado à cidade, no primeiro voo que partiu de Luanda, muitos de nós não contiveram as lágrimas à vista de uma cidade meia destruída. Os retirantes partiram tudo quanto puderam. Os últimos foram os homens da UNITA, já sob a pressão das tropas cubanas, mas à frente dos "bravos" Mucubais comandados pelo Farrusco, que, naquele dia de 18 de Fevereiro nos recebeu no aeroporto num jeep com uma enorme bandeira vermelha que drapejava fortemente ao vento.
Para muitos de nós - para mim, inclusivé - a guerra tinha terminado naquele dia. Depois foi o arregaçar de mangas: ajudar na reorganização da produção, pôr de pé a Faculdade de Letras, refundar a Rádio Popular de Angola, criar o jornal " A Luta Continua", acorrer aos variados chamamentos, alguns dos quais de madrugada, porque um grupo de "faplas" tinha resolvido fazer das suas.
De Fevereiro de 1976 a Março do mesmo ano muitas coisas aconteceram naquela cidade, cinclusivamente a instalação de uma intriga forte, uma espécie de veneno trazido de Luanda. A Comissão Política da Huíla começou a integrar gente que não se percebia donde vinha. De um dia para o outro, percebi que o único elemento que tinha legitimidade democrática, porque eleito na primeira Assembleia Geral de militantes do MPLA era eu.
E eu não tinha tempo para a intriga e passei a ser olhado, primeiro, como a consciência do grupo. Toda a gente queria falar comigo em privado. Depois o mesmo aconteceu, quando os ministros passaram a visitar o Lubango. Mas, depois, mais tarde, era o "branco", isto é, "português".
Todavia, naquele 27 de Março não deixei de vibrar com a oficialização do "fim" da guerra. Finalmente, Angola podia reconstruir-se e cumprir metas de desenvolvimento que beneficiasse a todos.
Finalmente...
Houve comício com o velho Lúcio Lara. No seu discurso atacou sobretudo a posição de Portugal que ainda não tinha reconhecido o Estado Angolano, proclamado pelo MPLA às 00H00 de 11 de Novembro de 1975.
Emílio Braz, entretanto nomeado Comissário Provincial, também botou discurso e, no final, teve uma expressão que me alertou: " Viva o Povo N'Hanheca Humbe" - o Povo da Huíla.
Fiquei desconfiado, tanto mais que durante a sua proclamação aos presentes afirmou que toda a gente tinha que aprender a língua M'Huíla.
Alguma coisa se passava e fiquei mais atento.Pouco tempo depois concluí que o confronto entre nitistas e netistas também tinha chegado ao Lubango.
Afinal...
A guerra não tinha acabado: o MPLA ajeitava-se para uma disputa fratricida, que haveria de ter o epicentro a 27 de Maio do ano seguinte. As réplicas prolongaram-se por vários meses e custaram a vida a algumas dezenas de milhar de pessoas. Na sua maioria jovens; muitos deles tinham sido meus alunos, quer no Liceu, quer na Faculdade de Letras. Nessa altura porém já não estava no Lubango: eu também fazia parte das listas negras dos dois lados. Não teria tido salvação...
Mas, aquele 27 de Março foi dia de Alegria. Resolvemos rebaptizar a Escola Comercial e Industrial Artur de Paiva: "Escola 27 de Março", de que era directora a minha mulher, Isilda Arruda.
Naquele 27 de Março, Angola estava oficialmente livre de tropas ocupantes. Voltariam, já não de peito aberto, mas a coberto de acordos espúrios com forças angolanas que também queriam o poder absoluto , corrupto e racista, tal como o construiu o MPLA.
E eu, naquela altura, sem desconfiar ainda do que me esperava, voltei a chorar de contentamento. Finalmente... "a minha terra" estava livre.
sábado, março 14, 2009
Portugal/Angola - Bom Senso Só Ajuda
sexta-feira, março 13, 2009
Prémio Dardos

terça-feira, março 03, 2009
Em Memória de Paulo Correia e Muitas outras vítimas
sábado, fevereiro 28, 2009
Semanário "Angolense"

domingo, janeiro 25, 2009
Obama - O Caminho de Uma Comunidade

terça-feira, janeiro 06, 2009
O Que É Uma Boa Entrevista?
terça-feira, dezembro 30, 2008
Angola e o Futuro
Para quem, como eu, está longe estando perto, os acontecimentos em África tocam campaínhas de alarme por todo o lado. A situação da Guiné - um país que teve apenas dois chefes de estado em cinquenta anos de independência - sendo alarmente, não faz esquecer o Zimbabwé, antigo celeiro de África, transformado agora em campo de morte, doença, ostentação, miséria, corrupção e todos os males a elas associadas. O Povo do Zimbabwé está a ser vítima da ganância dos seus próprios libertadores. Na Guiné, o Povo paga a imaturidade política que os seus dirigentes de cinquenta anos alimentaram.
sexta-feira, dezembro 05, 2008
E os Zimbabweanos, Senhor?

Comandados por um monstro de nome Mugabe atiraram o seu próprio povo, em nome do qual dizem ter lutado contra Yan Smith, para a mais absoluta miséria.
É verdade que hoje Mugabe já é apenas o porta-voz de um grupo que tomou conta do país e continuará, até ao último cêntimo, a roubar o povo mártir do Zimbabwé.
Agora é a cólera que mata todos os dias, que ameaça todo o país. Mugabe pede auxílio e diz que precisa não sei quantos milhões de Euros para fazer face à calamidade pública. Mas quem é que vai confiar dinheiro a este grupo de corruptos?
As notícias vindas de Harare magoam, mas as cumplicidades que se descobrem no suporte a esta situação ferem como golpes de espadas afiadas pela ganância, pela defesa de interesses muitas vezes inconfessáveis, porque pessoais, porque definidores de alianças espúrias.
Por que razão Angola continua a apoiar Mugabe? Terá que ter autorização da China para se juntar aos chefes de Estado da região, e não só, que reclamam que o ditador deve deixar o poder a bem ou a mal?
Onde estão os movimentos cívicos angolanos, agora que parece haver democracia, para reclamarem do seu governo uma posição humanista em relação aos pobres zimbabweanos vítimas de uma ditadura execrável que já ultrapassou tudo?
segunda-feira, novembro 17, 2008
A Síntese de Mia Couto
sexta-feira, novembro 14, 2008
Angola - A Fraude das Empresas Públicas

Quando, aqui há umas semanas, questionei a «obesidade governamental», inquietavam-me também algumas «traquinices» daqueles que se auto-intitulando de gestores» de empresas públicas estão a tirar o sono tanto a economistas sérios, como a contribuintes igualmente sérios.
Depois de ter anunciado o saneamento das empresas públicas, o que o Primeiro-Ministro, Paulo Kassoma, terá agora de enfrentar, não são apenas essas «traquinices», mas a difícil caminhada que será necessário empreender para as sanear, de alto a baixo, devolver-lhes saúde financeira, insuflar-lhes capacidade de gestão, prepará-las para a concorrência, num mercado cada vez mais «feroz», e restituir-lhes dignidade moral e empresarial.
O Primeiro-Ministro terá também que promover a descentralização empresarial para criar pólos de desenvolvimento fora de Luanda e da restante orla marítima. Trata-se de uma «cesariana» que pode vir a traumatizar os progenitores de «crianças», que tendo sido momentaneamente «dopadas», encarnaram a força de «elefantes brancos» que, afinal, têm pés de barro e cabeça de tolos. E, de quem é, em parte, a esponsabilidade por essedesvario?
Desde logo, do Estado por se ter imposto no passado, de forma paternalista e demagógica,como o principal «guarda-chuva» de admissões e promoções populistas. Logo, esse mesmo Estado vai ter de assumir agora o despedimento de mão-de-obra excedentária e, na maior parte dos casos, desqualificada, que custa aos seus cofres todos os meses milhões de dólares.
Esse é um desafio inadiável e esperemos que não adormeça à cesta na retórica. Mais do que recomendável, é imperativo que a «purga» se estenda, sem excepção, a todas as empresas públicas e não apenas à TAAG. Essa é, de resto, uma condição essencial para dar o pontapé de saída à moralização de um dos pilares da nossa economia: as empresas.
Mas, sanear o pessoal excedentário dalguns desses «monstros» não é o único desafio que se coloca aos novos governantes, que agora as têm sob a sua tutela. Mais do que isso, será necessário introduzir uma nova e moderna cultura de gestão empresarial. Porquê? Porque há gente, há mais de vinte anos, à frente de empresas que não sabe sequer lavrar um ofício.
Há «gestores-economistas» que argumentam que a «raíz quadrada» nem sempre dá certo! Há ainda empresas que têm, proporcionalmente,tantos trabalhadores quantos «chefes». Há gente, nestas circunstâncias, que não prestando contas ao Estado, também não sabe como fazê-lo, porque nem sequer sabe calcular a taxa de juros de empréstimos contraídos pelas empresas que é suposto gerirem. Custa acreditar, mas a verdade é que «gestores» deste descalabro, sentem-se confortavelmente acomodados…Essa «fraude» nem sequer precisa de ser descodificada.
Os poros dos seus autores, desprovidos, na maior parte dos casos, da mais elementar noção de gestão, destilam má relação com o dinheiro, «ódio» pelas normas administrativas, esbanjamento de recursos e uma crónica incapacidade governativa. As empresas adormeceram à espera de decisões políticas, que nunca chegaram ao destino.
Vítimas de abusos de poder, a única coisa certa nelas é que, afinal, tudo ou quase tudo,estava errado! Resultado: mal educadas e, pior, habituadas ao proteccionismo do Estado, a deriva na maior parte delas é total!
Quem a provocou, como «gestor» público, não pode agora ser desculpado, mesmo porque, depois de ter endossado «cheques em branco» aos contribuintes, as desculpas não se pedem, antes evitam-se!
Agora, só há um caminho a seguir: que Deus nos livre rapidamente desses pseudo-gestores!
Eles que sejam substituídos por gente competente, gente que saiba perseguir a competitividade, a dignificação profissional e o lucro como o «soro» que há-de alimentar as veias da economia de Angola, fora da orlado petróleo e dos diamantes.
O Estado tem de os substituir porque nessas empresas tiveram a «gentileza» de fazer da capitulação profissional e do vazio ético, dois dos símbolos da decadência do seu «modelo» de gestão.
O que estas engravatadas criaturas demonstram saber fazer bem é ostentar fatos Armani,BMW X6, relógios «Rolex», cabelo cheio degel e forjar «viagens em serviço» ao exterior do país com fins turísticos…
Alguns deles, de mediocridade pavorosa, como diria Baptista Bastos, um dos maiores cronistas portugueses, não dão conta sequer de que, mais do que sofríveis, são doentiamente insignificantes! Não estão preocupados com a gestão empresarial mas apenas obcecados com o poder empresarial. Pensam que só sabem mandar. Acontece que, desgraçadamente,não sabem fazer nem uma coisa, nem outra!Não sabem mandar e, pior do que isso, muito menos pensar. E o que o país mais precisa, neste momento, é de gente que saiba pensar e gerir. Gente que saiba formular uma nova ideia de administração empresarial pública, com o concurso de jovens tecnocratas, ávidos por libertar novas competências e modernas técnicas de gestão ou mesmo com recurso a gestores expatriados.
Gente que saiba levar as empresas públicas a ganhar músculo e a perder gordura. Porque o que a experiência comprova hoje, é que, na maior parte delas – e a crítica aqui não deve ser confundida como uma defesa da sua privatização - já só resta a poeira de um império esquelético.
Agora há que projectar «fénix» para sanear primeiro e depois delinear uma nova filosofia de gestão para o sector empresarial público em Angola. Mas, sanear para quê?
Sanear para levantar o tapete, destapar a porcaria nele incrustada e sepultar «mitos».
Sanear para quê? Sanear para pôr ordem na maioria das empresas públicas, que estão
transformadas em autênticas agências «funerárias» de emprego.
Sanear para quê? Sanear para enterrar «cadáveres» que exalam um cheiro pestilento sobre um modelo de gestão miserável.
Sanear para quê? Sanear para «sepultar»também clientelas que se alimentam do tráfico
de influência e da corrupção.
Sanear para quê? Sanear para não sermos contaminados pelo vírus de pseudo-gestores que só sabem exibir incompetência, promover o nepotismo e, pasme-se!, auto-elogiar, em praça pública, a sua irresponsabilidade empresarial, expondo, sem quaisquer pudores, em museus de maus costumes, a arte do…desperdício, do roubo e da imoralidade…presarial pública…
segunda-feira, novembro 10, 2008
As Omissões - Resposta
sábado, novembro 08, 2008
As Omissões da História
sábado, outubro 25, 2008
Há Outras Angolas
domingo, setembro 21, 2008
O Respeito Por Uma Vitória

terça-feira, setembro 09, 2008
MPLA - Uma Vitória Respeitável
sexta-feira, setembro 05, 2008
Um dos Tabus da Nossa História
E porquê? Pela mesma razão que levou o regime fascista a castigar o administrador de posto, posteriormente promovido à condição de intendente e ainda de inspector, Custódio Ramos.
Ao Expresso e à comunicação social portuguesa de uma maneira geral não convém mexer neste passado. O que convém a todos é a ideia de que os portugueses "africanos"eram todos uns bandidos e uns exploradores de escravos e, por isso, as acções de terrorismo a que foram sujeitos não foram nada disso, constituiram o começo de uma guerra justa, embora iniciada contra uma população pacífica e desarmada.
Aos donos de hoje, que mandam nos saloios, convém manter essa versão dos acontecimentos para não correrem o risco de lhes cortarem o acesso aos negócios milionários e pouco claros da chamada "elite" angolana, a proceder à "acumulação primitiva" de capital.
Os "donos" de hoje conhecem a História de 1961; alguns deles provocaram o descontentamento em cima do qual se desenvolveu a ideia de massacrar os brancos - "o inimigo".
Os "donos" de hoje também já regressaram a Angola e estão a aproveitar da "acumulação primitiva" de meia dúzia de corruptos para reassumir, ainda que de forma mais discreta, mas mais rentável, a posição de outros tempos, dos tempos em que - eles sim - promoviam a escravatura na mais rica "provincia ultramarina"do império salazarento.
Estes dois relatórios podiam ser o ponto de partida para que os portugueses soubessem parte da verdadeira História dos portugueses de África e percebessem, de uma vez por todas, que os crimes do regime fascista não se ficaram pelas prisões arbitrárias, pelos assassínios políticos e pelo controlo absoluto da informação.
O regime colonial fascista português negou aos portugueses a possbilidade de viverem noutras paragens, em harmonia com toda a gente, promovendo o desenvolvimento e o bem estar para todos, no respeito dos direitos de todos.
Hoje ninguém quer saber disso. Já lá vão quase cincoenta anos e a verdadeira exploração só agora principiou.
É por isso que "Sobreviventes e Ignorados" é um texto seguramente incompleto e deixa aquele sabor " a pouco"...
