<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933</id><updated>2012-01-26T16:40:06.600Z</updated><category term='Angola - a renovação'/><category term='História'/><category term='Os Amigos'/><title type='text'>Africandar</title><subtitle type='html'>Começou por ser um repto, mas pode transformar-se num desafio, num toque a reunir de uma enorme tribo destribalizada mas sobrevivente, num grito de quem reivindica o direito ao passado e, de raízes ao léu, consegue identificar, lá longe, o sítio aonde pertencem.
"Essas raízes não mergulharão noutra terra" - dizia a feiticeira das margens do Cunene</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>318</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-7294568837212660328</id><published>2011-11-18T15:51:00.086Z</published><updated>2011-11-22T15:20:13.152Z</updated><title type='text'>PEDRO PIRES - O SÁBIO QUE DEVE SER ÚTIL A ÁFRICA</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Volto hoje a este blogue, depois de muito tempo não escrever uma linha, para prestar homenagem a um Homem notável, o Presidente Pedro Pires. Publico nesta página uma biografia que me foi encomendada em Agosto de 2011 pelo Africa Cofidential, supostamente para ser publicada por alturas das eleições presidenciais em Cabo Verde, findo o último mandato de Pedro Pires.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;A verdade é que o Africa Confidential, depois de várias promessas e outras tantas ausências de explicações não publicou o texto - até hoje.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;Entretanto, aconteceu que Pedro Pires foi galardoado com o Prémio Mo Ibrahim, uma distinção pela boa governação de Cabo Verde, que ele desenvolveu, como primeiro-ministro entre 1975 e 1991 e como Presidente da República entre de 2001 a 2011.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;" O Comité do Prémio ficou impressionado pela visão do Presidente Pedro Pires em transformar Cabo Verde num modelo de democracia, estabilidade e crescente prosperidade", considerou o presidente do júri, Salim Ahmed Salim.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tenho a honra de me afirmar amigo deste homem notável e não posso deixar de me sentir orgulhoso por, finalmente, a comunidade internacional reconhecer os seus méritos excepcionais. Este reconhecimento a nível internacional deve tam bém ter enchido de orgulho os cabo-verdianos, mesmo aqueles que durante muito tempo o acusaram de coisas incríveis.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pessoalmente acrescento a este contentamente o facto de ter produzido este texto muito tempo antes da atribuição do prémio e por constatar que as suas linhas gerais coincidem com as&amp;nbsp; que foram adoptadas pelo júri&amp;nbsp; do prémio Mo Ibrahim&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;As fotografias que acompanham o texto , com excepção da primeira - retirada da Net - fazem parte do arquivo do Jornal "África"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Kxj2ck37f8M/Tspf3BMtQBI/AAAAAAAAAWA/3hzv0Y2GVtI/s1600/Pedro_Verona_Rodrigues_Pires%255B1%255D.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="380" src="http://4.bp.blogspot.com/-Kxj2ck37f8M/Tspf3BMtQBI/AAAAAAAAAWA/3hzv0Y2GVtI/s400/Pedro_Verona_Rodrigues_Pires%255B1%255D.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;PEDRO PIRES, UM AFRICANO PREOCUPADO&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;LIBERTOU A NAÇÃO&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;CONSTRUIU O ESTADO&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;CONSOLIDOU A DEMOCRACIA&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Por: Leston Bandeira&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Pedro Pires, cujo segundo e último mandato como presidente da República de Cabo Verde termina agora, anunciou em Agosto deste ano a intenção de iniciar de imediato a redacção das suas memórias . Citando o historiador Joseph Ki-Zerbo (1922-2006) , “enquanto os leões não tiverem os seus próprios historiadores, as histórias de caça continuarão a glorificar os caçadores”, o agora ex-presidente, em entrevista à Agência Lusa, explicou o seu respeito pela História e a necessidade de não haver apenas uma versão, permitindo, desse modo, aos historiadores uma informação que contemple todos os lados da intervenção histórica.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Este ano, na passagem do 36º aniversário da Independência do país, a cujas comemorações presidiu pela última vez, recordou “o valor da obra que realizámos de 5 de Julho de 1975 até aos dias de hoje. Este percurso de esperança, de perseverança e de autoconfiança deve continuar a inspirar-nos e a ser o suporte moral que nos assiste na concepção e na execução das pesadas e complexas tarefas que o futuro nos reserva”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Há uma tentativa de “ofuscar o gesto histórico” que foi o dos jovens africanos que fizeram a luta pela libertação da África Lusófona. “Se nós não tivessemos lutado, se Angola e Moçambique, especialmente, não tivessem resistido, a África do Sul seria o que é hoje? Nelson Mandela seria tão elogiado, tão cantado hoje, se nós não tivessemos lutado?” perguntou Pedro Pires, de quem se fica agora à espera de revelações importantes ácerca dos processos históricos em que participou desde a sua juventude. Para os africanos será uma oportunidade de aprendizagem com um homem considerado hoje um verdadeiro &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;SÁBIO.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Ao Encontro de Cabral e da Luta&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;PEDRO&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt; de Verona Rodrigues &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;PIRES&lt;/b&gt; nasceu a 29 de Abril de 1934, no Concelho de S. Filipe, Ilha do Fogo, Cabo Verde, numa família de proprietários. Assistiu ao eclodir das grandes fomes de Cabo Verde, na década de 40 do século XX, provocadas pelas prolongadas secas no Arquipélago e pela pouca ou nenhuma atenção que as autoridades coloniais portuguesas prestavam à então mais pobre colónia do império.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Pedro Pires terminou os estudos secundário no Liceu de Gil Eanes, na Cidade do Mindelo, Ilha de S. Vicente, e seguiu, em 1956, para Lisboa onde se matriculou na Faculdade de Ciências.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Tendo sido chamado a prestar o serviço militar obrigatório na Força Aérea Portuguesa, em 29 de Junho de 1961, juntou-se a um grupo de jovens nacionalistas africanos e fugiu do país. Este grupo foi detido em Espanha, mas pressões políticas exercidas pelos países que já naquela data apoiavam a luta anti-colonial, foram libertos e conseguiram chegar a Paris. Daí segue para o Ghana onde se encontra com Amilcar Cabral , em seguida vai para a Guiné-Conakry, sede do Secretariado Geral do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC). Com a fundação da Conferência das Organizações Nacionalistas das Colónias Portuguesas (CONCP), em Marrocos, parte para aquela capital para representar o PAIGC junto do secretariado da organização.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;De 1962 a 1965 trabalha no Senegal e em França em acções de mobilização de combatentes e, a partir deste último ano até 1968, integra o primeiro núcleo de combatentes cabo-verdianos a receber formação militar em Cuba e na ex-URSS, com o objectivo de iniciarem a luta armada em território cabo-verdiano.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Este projecto não chegou a ser concretizado por razões que, seguramente, Pedro Pires explicitará melhor do que tem sido habitual, nas suas memórias. Nesse texto, aguardado com grande expectativa, não &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;deixará de dar a sua versão da morte de Amilcar Cabral, ocorrida a 20 de Janeiro de 1973, ano em que Pires é escolhido para presidir à Comissão Nacional para Cabo Verde, como membro do Comité Executivo da Luta e do Concelho de Guerra.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Negociador hábil e primeiro chefe de Governo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Além destas funções políticas, no campo militar foi nomeado Comandante de Região Militar, qualidade que detinha em 1974, quando em Portugal ocorre o 25 de Abril, na sequência do qual o governo de Lisboa reconhece a Independência da Guiné Bissau, declarada unilateralmente em 24 de Setembro de 1973, ao mesmo tempo que aceita negociar a concessão da Independência a Cabo Verde. Estas negociações são chefiadas, pela parte cabo-verdiana, por Pedro Pires, que consegue um acordo, assinado em Londres a 19 Dezembro de 1974, segundo o qual a Independência&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;de Cabo Verde teria lugar a 5 de Julho de 1975. Um mês antes é eleito deputado e escolhido para chefiar o Primeiro Governo Independente de Cabo Verde.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Durante mais de 15 anos (Julho de 1975 a Dezembro de 1991) Pedro Pires desenvolveu um plano de governação moderado com o fito de “garantir futuras parcerias no âmbito internacional”. Para que tal pensamento ficasse claro entre os membros dirigentes do PAIGC, dois dias antes do 5 de Julho de 1975 reuniu-se com a direcção do partido para defender que “este não podia ser um partido marxista-leninista”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Todavia, as dificuldades para transformar o sonho de um país independente numa realidade que concretizasse as necessidades de um Povo no interior do qual ainda se morria de fome, eram muito maiores do que as imaginadas pelos homens que assumiram o peso de governar um país “impossível”, nos termos do relatório dos técnicos do Banco Mundial que visitaram Cabo Verde pela primeira vez em 1975/76.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Pires não aceitou a sentença do Banco Mundial com cuja delegação debateu calorosa e habilidosamente as conclusões, acabando por sugerir um relatório diferente: “digam pelo menos que há alguma possibilidade de reabilitação deste país”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Com esta meia sentença de morte, Pedro Pires lançou o seu governo em direcção à cooperação internacional, aproveitando o grande prestígio grangeado pelo PAIGC durante a guerra anti-colonial na Guiné Bissau, &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;junto das Nações Unidas e de países como a Holanda e a Suécia. Foram “as relações internacionais do PAIGC que permitem a afirmação de Cabo Verde como país independente” e, quando os seus ministros chegavam das suas viagens ao estrangeiro e se queixavam de que ninguém os conhecia, Pedro Pires explicava as razões e vaticinava: “um dia nós seremos um exemplo”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-JmfZaUzyuxI/TspgTw9LkFI/AAAAAAAAAWI/iVfJ8pZ-vq0/s1600/PP+planta+%25C3%25A1rvore.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-JmfZaUzyuxI/TspgTw9LkFI/AAAAAAAAAWI/iVfJ8pZ-vq0/s400/PP+planta+%25C3%25A1rvore.jpg" width="262" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Ruptura Com Bissau – PAICV&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Entretanto, os dirigentes do PAIGC estavam divididos pela governação de dois países, a Guiné Bissau e Cabo Verde e, quando, em 14 de Novembro de 1980, Nino Vieira, então Comissário Principal do governo de Bissau deu um golpe de estado contra o primeiro presidente, Luís Cabral, irmão de Amílcar, os cabo-verdianos tiveram que abandonar a Guiné – muitos deles fugindo mesmo a uma perseguição racista que resultou do golpe de estado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Na sequência destes acontecimentos, o braço cabo-verdiano do PAIGC fundou o PAICV, uma ruptura considerada pelo próprio Pedro Pires, em Julho de 2005 como uma decisão acertada, porque também deu “satisfação a alguns cabo-verdianos que não viam com bons olhos a unidade com Bissau sob o lema um partido dois estados”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Foi, de resto, “ a partir desse momento que se começou a pensar no desenvolvimento de Cabo Verde através da liberalização da sua economia e abertura ao Mundo” – acrescentou Pires na mesma oportunidade (comemoração dos trinta anos de Independência).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Foi também a partir desta ruptura que os dirigentes cabo-verdianos começaram verdadeiramente a mobilizar o Povo das Ilhas para a recuperação do seu próprio ambiente. O programa de reflorestação atingiu mais de vinte milhões de árvores nos primeiros dez anos de Independência e as obras de engenharia agrícola levaram à construção de quilómetros e quilómetros de sucalcos, destinados a segurar as águas das chuvas e impedir, dessa maneira, que as terras aráveis fossem para o mar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Neste período, apesar de uma seca prolongada, foi possível multiplicar por mais de três as áreas agrícolas de regadio.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Estes projectos foram interrompidos durante os dois mandatos do MpD (Movimento para a Democracia), o que o PAICV de Pedro Pires viu com &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;enorme desagrado, já que o país abandonbou o seu grande projecto de “ser verde”, como queria Cabral.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Não às Alianças, Sim à Diplomacia&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-uXzqV9HxmFI/TspheqoAe5I/AAAAAAAAAXg/81jkF38nsgs/s1600/PP+c+Felipe+Gonzalez+na+Moncloa.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-uXzqV9HxmFI/TspheqoAe5I/AAAAAAAAAXg/81jkF38nsgs/s400/PP+c+Felipe+Gonzalez+na+Moncloa.jpg" width="260" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Esta abertura ao Mundo, todavia, foi sendo desenvolvida com algumas condições. Por exemplo, o governo de Pedro Pires não aceitava a distribuição gratuita da ajuda alimentar internacional pelas populações. Os géneros eram introduzidos no circuito comercial e o produto da sua venda constituia-se num “Fundo de Reconstrução Nacional” que pagava as obras públicas estruturantes da vida do país, tal como estradas por todas as Ilhas, utilizando mão de obra intensiva. Cada “frente de trabalho” devia ter emprego para pelo menos um membro de cada família da região onde se realizava a obra. E assim, alem de se reconstruir o país, evitava-se a criação de mais um povo assistido e dependente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Esta política foi concretizada e avalizada, inclusivé pelos USA, que faziam muita questão na gratutidade da ajuda alimentar, durante os trabalhos da Primeira Mesa Redonda dos Parceiros do Desenvolvimento de Cabo Verde, designação que substituiu a consagrada expressão “doadores”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Esta reunião, realizada de 21 a 23 de Junho de 1982, contou com a presença de representantes de 22 países, 23 organizações internacionais e oito organizações não governamentais (ONG).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Pedro Pires aproveitou a oportunidade para defender a necessidade do apoio ao desenvolvimento dos países do Terceiro Mundo e, “particularmente daqueles que tinham alcançado recentemente a Independência”. Considerou, na altura, tal apoio como&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;“condição primordial ao exercício da soberania”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;No discurso de abertura, salientou que a via de desenvolvimento escolhida pelo seu país implicava igualmente “o respeito pelas tradições e pelas aspirações do povo cabo-verdiano, a favor da independência, da dignidade, da paz e da justiça social”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;É por isso – enfatizou - que “a despeito de todas as dificuldades que Cabo Verde possa encontrar para concretizar as suas metas de desenvolvimento económico, o governo manterá sem falta a sua recusa em implicar Cabo Verde nos antagonismos militares que dividem o Mundo”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Na primeira grande reunião de carácter internacional, o chefe do governo da Praia aproveitava para se definir como um país neutro acerca das disputas Leste/Oeste e nessa linha, embora criticasse o regime do apartheid sul-africano, nunca impediu que os aviões da South African Airways escalassem a Ilha do Sal, onde, de resto, as tripulações faziam os descansos e respectivas rendições. A Pousada “Morabeza” era o hotel da SAA.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Abertura do Regime, a Caminho da Democracia&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-AWmZ1olYHO4/Tsphz57m-fI/AAAAAAAAAYA/wTTdHMm6kfA/s1600/PP+com+Cavaco+Silva.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="295" src="http://3.bp.blogspot.com/-AWmZ1olYHO4/Tsphz57m-fI/AAAAAAAAAYA/wTTdHMm6kfA/s400/PP+com+Cavaco+Silva.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Enquanto, no plano externo Pedro Pires se distanciava de alianças manietadoras, no plano interno faltava-lhe cumprir a sua intenção de abrir a política à participação popular e foi definindo o partido por forma a contrariar os militantes que o viam &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;não como um partido marxista-leninista, mas lá próximo. Será curioso ler as memórias de Pedro Pires a este propósito, já que a luta interna se acicatou com um seu discurso, na abertura do segundo encontro dos ministro da Justiça de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e S. Tomé e Princípe, em Novembro de 1983 e em que preveniu que “o exercício absoluto do poder ameaça o futuro dos regimes”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Perante uma assembleia mais ou menos surpreendida, Pires disse que “ a História recente de África tem-nos mostrado que o exercício absoluto do poder, traduzido na imposição de modelos não alicerçados no consenso social não garantem nem a paz social, nem a sobrevivência dos regimes”. Para o então primeiro-ministro o Direito era “um motor de transformação social”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;“A África dos golpes de estado, das permanentes convulsões sociais, não terá como fraqueza primeira a inexistência de estados institucionalizados, de um poder realmente enraizado no povo e de um sistema de normas e garantias assumidas conscientemente pela nação?”- perguntou.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-XltfvlFvYRo/TsphiLdMnAI/AAAAAAAAAXo/wIm3MRamqOk/s1600/PP+c+M%25C3%25A1rio+Pinto+de+Andrade.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="263" src="http://3.bp.blogspot.com/-XltfvlFvYRo/TsphiLdMnAI/AAAAAAAAAXo/wIm3MRamqOk/s400/PP+c+M%25C3%25A1rio+Pinto+de+Andrade.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Ao mesmo tempo que, claramente, indicava o caminho da abertura política como o próximo passo, Pedro Pires levou a diplomacia do seu pequeno país ao “atrevimento” de organizar encontros entre Sul-africanos e Angolanos com o objectivo de promover a paz na África Austral. A estes interlocutores juntaram-se, depois, americanos e representantes da SWAPO.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Foi em Cabo Verde, primeiro na Ilha do Sal e posteriormente em S. Vicente (Mindelo), com a sua orientação “discreta” – segundo fontes diplomáticas da época (1982/83) – que se construiram os primeiros passos para a solução da guerra que envolvia Angola a República da África do Sul e Cuba.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Cabo Verde desempenhou este papel, primeiro em segredo total e, posteriormente, com a discrição possível, admitindo, pela primeira vez, em Janeiro de 1983 “ a disposição de tudo fazer para propiciar condições ao desenvolvimento do diálogo que resolva conflitos abertos no Continente Africano”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Esta disposição foi mal entendida mesmo por Cuba, cujo vice-presidente, Juan de Almeida Bosque, esteve na Cidade da Praia pressionando o governo de Pedro Pires, logo a seguir ao primeiro encontro entre angolanos e americanos, no sentido de desistir da iniciativa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Ainda em 1983, durante um período de férias em Cuba, durante o qual se encontrou muitas vezes, informalmente, com Fidel de Castro, Pires disse ao líder cubano que “o sistema de partido único não fazia sentido em África”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Os Estados Unidos, por sua vez, exerceram pressão sobre a República da África do Sul com a mesma intenção: recusa de negociações directas com Angola.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;O Mundo, todavia, não deixou de reconhecer o papel de Cabo Verde, que daí para a frente, ficou conhecido como um “pequeno país com uma grande diplomacia”, ainda que tal ideia não agradasse aos países considerados como “grandes potências internacionais”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Em simultâneo com esta movimentação diplomática e muitos anos antes da divulgação da Perestroika na URSS, era visível, por parte de Pedro Pires, a intenção de abrir o regime com o objectivo de terminar com o partido único. O discurso de Pedro Pires naquele Novembro de 1983 deu origem a um movimento de discussões interessantes acerca dos direitos humanos. Numa dessas discussões, transmitida em directo pela Rádio participou Carlos Veiga, que mais tarde viria a fundar o MpD e, por essa via, chegar ao poder em 1991.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Antes destes sinais de abertura, a oposição cabo-verdiana, primeiro ao PAIGC e depois ao PAICV passava sobretudo pela Igreja Católica, que patrocinava um jornal, o “Terra Nova”, cuja publicação era tolerada pelo regime, e pelos proprietários rurais absentistas, que pretendiam continuar com o sistema de rendeiros. Estes organizaram a 31 de Agosto de 1981, em Santo Antão, um protesto de que se falou durante muito tempo, mas que acabou com a condenação de um individuo por um Tribunal Militar, outra razão para que grupos de intelectuais, nomeadamente juristas, manifestassem o seu desacordo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Primeiras Eleições Livres – a Derrota&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;O descontentamento dizia sobretudo respeito ao facto de a comunicação social ser tutelada pelo Estado, que, por sua vez, recebia indicações do partido. Pedro Pires fez algumas tentativas para abrir o jornal “Voz di Povo” à sociedade, bem como a Rádio oficial, mas a estrutura criada era insusceptível de mudanças. Só a ruptura seria eficaz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;A oposição, que entretanto se foi organizando, passou a recorrer a uma espécie de comunicação social clandestina, produzindo panfletos anónimos em que caluniava os ministros, os principais dirigentes políticos e a população começou a impacientar-se e a desejar a tal abertura política que só acontece em Fevereiro de 1990, quando, no IV Congresso do PAICV, Pedro Pires, ao mesmo tempo que é eleito à liderança, substituindo Aristides Pereira, anuncia a abertura do país ao pluralismo político.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Em Janeiro de 1991 realizam-se as primeiras eleições livres em Cabo Verde e o PAICV é derrotado pelo MpD.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;O então primeiro-ministro, a quem os panfletos anónimos acusavam da corrupção mais ignomiosa, tem que ir viver para casa da mãe – não tinha casa própria, nem carro – .Os seus conterrâneos do Fogo, emigrados nos USA, ofereceram-lhe um.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Pedro Pires é eleito deputado pelo círculo eleitoral da Praia e, ainda nesse ano, no V Congresso do PAICV volta a ser eleito Secretário Geral, cargo que perde para José Maria Neves, actual Primeiro-minsitro, em 1993. Todavia em Setembro de 1997 volta à liderança do partido e leva a peito a sua recuperação. Volta a viajar pela Europa; passa por Lisboa, sózinho, e hospeda-se em hotéis modestos; mobiliza os apoios necessários para que o PAICV ganhe as eleições autárquicas em 2000.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-lJdoJBEEpTc/Tspgv3rofzI/AAAAAAAAAWo/UnTouCciXKQ/s1600/Pedro+Pires+002.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://3.bp.blogspot.com/-lJdoJBEEpTc/Tspgv3rofzI/AAAAAAAAAWo/UnTouCciXKQ/s320/Pedro+Pires+002.jpg" width="237" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;O Regresso Vitorioso&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Nesse ano decide afastar-se da vida partidária activa e em Setembro anuncia a intenção de se candidatar à Presidência da República nas eleições de Fevereiro de 2001, onde vence Carlos Veiga, na segunda volta, com uma diferença de apenas 12 votos. O partido do seu adversário já havia perdido a maioria parlamentar e, por conseguinte, o poder, nas eleições legislativas de Janeiro desse mesmo ano.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Pedro Pires ganha as eleições e tem um governo do PAICV, chefiado pelo jovem que o havia derrotado na disputa partidária em 1993, José Maria Neves. As diferenças entre os dois são, todavia, apenas geracionais. José Maria é um produto do PAICV, enquanto construtor da sociedade cabo-verdiana, que o Banco Mundial considerou em 1975/76 como um “país impossível”. José Maria Neves foi adjunto de Renato Cardoso, o homem que iniciou a reestruturação da administração pública de Cabo Verde para a transformar num motor de progresso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;As relações entre os dois homens não terão sido as mais amistosas, mas, do ponto de vista institucional, José Maria teve sempre o apoio de Pedro Pires. Por exemplo, quando em Março de 2002 o Presidente da República promulgou o Orçamento Geral do Estado (OGE) contra toda a oposição parlamentar que argumentava&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;com a necessidade de uma maioria qualificada para a sua aprovação na Assembleia Nacional (AN). Ora o PAICV tinha apenas uma maioria simples. Pedro Pires não hesitou, “mesmo correndo o risco de ser mal compreendido”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Para ele, o essencial era que o Governo pudesse cumprir os seus compromissos e, entretanto, defendia alterações na Constituição que resolvessem, no futuro, aquele paradoxo constitucional.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-HKikQyhPsos/TsphNXqT75I/AAAAAAAAAXY/p-oOxKsO2ng/s1600/Pedro+Pirs+na+TSF.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://4.bp.blogspot.com/-HKikQyhPsos/TsphNXqT75I/AAAAAAAAAXY/p-oOxKsO2ng/s400/Pedro+Pirs+na+TSF.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Apesar desta colaboração, que irritou a oposição, já que perdeu uma oportunidade de colocar o Governo contra o Presidente da República, Pedro Pires não se demitiu das suas funções e, no mesmo mês, em que promulgou o OGE (Março de 2002) fez uma análise às Forças Armadas e defendeu a sua reforma, “tendo em conta os novos conteúdos que conceitos como a defesa e segurança adquiriram nos tempos modernos”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Nesse mesmo mês dá posse ao governo remodelado elogiando a actuação do anterior, por ter sabido “conter a tentação da busca da popularidade fácil, enveredando por medidas nem sempre populares, mas que se impunham”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Outro Sonho : a Nação Global&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Ainda nesse ano (Abril) durante a realização do III Congresso de Quadros Cabo-verdianos na Diáspora, não deixou de teorizar sobre a natureza da condição da nacionalidade cabo-verdiana: “ a nação cabo-verdiana tem de encarar de frente a sua natureza «disporizada» e assumir a dispersão pelos quatro cantos do Mundo como a sua verdadeira arquitectura. Nesse mesmo dia propôs o levantamento de um monumento ao “emigrante anónimo” e chamou a atenção dos quadros presentes no Congresso para a necessidade de não perder para a caboverdianidade os membros da segunda geração de emigrantes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-u0PIF4tJCDI/TspgegId_aI/AAAAAAAAAWQ/CTmrWfe-uqU/s1600/Pedr+Pires+007.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://2.bp.blogspot.com/-u0PIF4tJCDI/TspgegId_aI/AAAAAAAAAWQ/CTmrWfe-uqU/s400/Pedr+Pires+007.jpg" width="258" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;A 5 de Julho desse mesmo ano concretiza de forma objectiva a sua preocupação com a diáspora e vai comemorar a data da Independência Nacional aos Estados Unidos, com um programa especialmente dedicado às comunidades cabo-verdianas, embora – como sempre fez – não deixasse de aproveitar a oportunidade para se encontrar com individualidades norte-americanas, sobretudo ligadas aos apoios económicos a países como Cabo Verde.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Notoriamente houve uma estratégia concertada entre o Governo e a Presidência da República, já que José Maria Neves passou o 5 de Julho em Lisboa, junto das comunidades cabo-verdianas emigradas em Portugal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;À partida para os Estados Unidos, Pedro Pires disse aos jornalistas que ia “levar uma mensagem de caboverdianidade e homenagear e incentivar aqueles que sempre contribuiram para o desenvolvimento do país e para o bem estar de milhares dos seus familiares e amigos”. É a ideia na “Nação Glogal” que vai fazendo o seu caminho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;E, por isso, não pode deixar de cuidar dos interesses do Estado- Arquipélago e em Junho de 2002 discute com o presidente da Mauritânia, Maaouia Ould Sid Ahmed Taya, as fronteiras marítimas comuns. Na mesma altura assina um acordo aéreo que permite “às companhias de ambos os países voarem nos respectivos espaços aéreos sem muitas restrições e, além disso, transportar passageiros e carga para o espaço de uma e de outra e daí para países terceiros”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Ainda em Junho, durante as comemorações do “Dia do Ambiente” volta a lembrar Amílcar Cabral, “agrónomo de profisssão” e que sempre foi guiado pela “utopia de restaurar ecologicamente o Arquipélago e de o fazer verdadeiramente verde, honrando-lhe o nome”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Ora dentro, ora fora, Pedro Pires não deixa de acompanhar o Mundo e no ano de 2002, no dia de África saúda a restauração da paz em Angola, para a qual tinha contribuído na década de oitenta do sec. XX. Nessa saudação não se esquece de recomendar que Angola “tem necessidade de um período de transição para a resolução dos problemas humanitários e a criação de um clima de confiana entre os vários actores políticos”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Antes, em Abril, durante a sua primeira visita como chefe de estado a Portugal, defende, em Lisboa a introdução de curriculos escolares &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;sobre a cultura e história dos estados membros da CPLP, “para que a CPLP ande mais depressa”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Um Africano Optimista mas Preocupado&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-LbZH9PxR4rA/Tspgq_leWGI/AAAAAAAAAWg/jYOntsWXj7E/s1600/Pedro+Pires+001.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-LbZH9PxR4rA/Tspgq_leWGI/AAAAAAAAAWg/jYOntsWXj7E/s400/Pedro+Pires+001.jpg" width="291" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;O seu olhar não se fica, contudo, apenas pelos seus parceiros de língua e em Agosto de 2003 acha “prematura” a realização de eleições na Libéria “já em Outubro”, explicando que os liberianos precisam, “de um período de transição de pelo menos de dois anos”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;O exemplo da Libéria e outros dão-lhe força para no dia da comemoração do 28º aniversário da Independência do seu país afirmar que “em 28 anos mudámos completamente a face do nosso país” e assinala a “forma cívica” como se fizeram “as transições políticas em 1991 e em 2001.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Antes, em S. Tomé, já tinha chamado a atenção dos seus “irmãos” para o facto de “a estabilidade governativa e coesão social, bem como a governação capaz, constituem variáveis cruciais da equação da consolidação do regime democrático”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Todavia, não se ficava pelos conselhos aos outros. Na sua terra, a 1 de Março desse terceiro ano como presidente, convocou extraordinariamente a Assembleia Nacional para apelar “à contenção dos principais partidos políticos”, envolvidos em acusações mútuas de comportamentos fraudulentos em eleições passadas, na expectativa das autárquicas que se avizinhavam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Em Dezembro, na saudção de fim de ano, lembra que “ a consolidação do regime democrático” implica “ a tradição de que as instituições realizem os seus fins e cumpram integralmente os mandatos para os quais foram eleitos”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;“A virtude dos cidadãos é o fundamento de uma boa Republica” – acrescentou - e nesta altura alguém se lembrou das suas preocupações de Outubro de 2002 acerca da qualidade da democracia: “tem sido mais de partidos e menos de cidadãos”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Diplomacia para o Futuro&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Em 2004 dois acontecimentos internacionais marcam a presidência de Pedro Pires: pela primeira vez, depois de muitos anos de recusas, aceita participar na Cimeira da Organização da Francofonia (OIF) em Ouagadougou, capital do Burkina Faso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Em Abril faz uma viagem relâmpago à Guiné Bissau para se inteirar da situação e no regresso faz a afirmação que há muito quereria proferir:&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;”não sou só amigo da Guiné Bissau, sinto-me guineense também. A Guiné é a minha segunda pátria”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Em Janeiro de 2005, Pedro Pires volta a insistir na “garantia de uma maior eficiência das instituições do Estado de Direito, dotá-las de normas que garantam estabilidade, melhor governabilidade e removam factores geradores de bloqueios”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Em Fevereiro defende a participação do Zimbabué na Cimeira União Europeia-África, a realizar em Lisboa. ”Por princípio” é contra o isolamento.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;O Pedro Pires diplomata reaparece em força em Abril deste ano e, em Washington volta a discutir cooperação militar com os USA e a NATO, ao mesmo tempo que joga para a mesa das negociações a ajuda norte-americana através da “Conta do Depósito Milénio”, ao abrigo da qual Cabo Verde passa de “PMA” (País Menos Avançado) para País de Desenvolvimento Médio (PDM), o que determina mais dificuldades na obtenção de ajuda externa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Nessa mesma altura – Abril de 2005 – discute o Exercício Naval da NATO, marcado para 2006 nas águas territoriais de Cabo Verde e o treino de forças especiais cabo-verdianas por unidades de fuzileiros navais dos USA.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Em Julho, no habitual discurso de comemoração da Independência – os 30 anos – Pedro Pires condenou “a negligência face ao trabalho e a indiferença face ao bem público”, mas não deixa de apelar ao orgulho cabo-verdiano: “Cabo Verde ganhou a Independência e afirmou-se como estado credível” (estaria a pensar no primeiro relatório do Banco Mundial…).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Estado de Direito, Um Apelo Permanente&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-ciukZUlT1bQ/TsphJuTMRzI/AAAAAAAAAXQ/UvjaEiY66Mk/s1600/Pedro+Pires+c+Rui+Parracho.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="292" src="http://3.bp.blogspot.com/-ciukZUlT1bQ/TsphJuTMRzI/AAAAAAAAAXQ/UvjaEiY66Mk/s400/Pedro+Pires+c+Rui+Parracho.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Entretanto, o desenvolvimento do país em sectores importantes começa a levantar problemas novos e o Presidente Pires, durante uma visita à Universidade de Coimbra (Portugal), em Setembro, onde vai solicitar ajuda para a instalação da Universidade Pública de Cabo Verde, é confrontado com uma série de reivindicações de estudantes cabo-verdianos ligadas às dificuldades de sobrevivência sem apoios e à incerteza de trabalho no país aonde desejam regressar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;“É muito mais fácil formar pessoas do que criar emprego”, desabafa, acrescentando que “o Estado Cabo-verdiano tem reforçado a aposta na educação a uma velocidade que não é acompanhada pelo desenvolvimento económico”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Recandidatura e Nova Vitória&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Já na Cidade da Praia, na abertura da X Conferência dos Ministros da Justiça da Comunidade de Países de Língua Ofial Portuguesa (CPLP), diz que “os tribunais independentes são o aliado moral dos Estados de Direito”. Esta é a sua última intervenção pública antes de anunciar a sua recandidatura ao cargo de Presidente da República. Em Dezembro de 2005 faz o anúncio, afirmando que o seu nome “projecta uma imagem de honestidade” para um projecto de “credibilidade e desenvolvimento”, iniciado em 2001. Evoca igualmente a sua condição de “combatente anti-colonial” , a sua experiência como primeiro–ministro durante 16 anos e o seu contributo durante os últimos cinco anos como Presidente da República. Classifica-se a si próprio como “um homem de bom senso e construtor de consensos”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;A sua recandidatura, de novo contra Carlos Veiga, sai vitoriosa, desta vez por mais 3.500 votos e a sua missão de presidente defensor do estado de direito, da necessidade de África se entender sem necessitar de terceiros, bem como a construção de uma noção de caboverdianidade que abarque o Mundo tem mais cinco anos à frente. Esquece as habituais acusações de fraudes eleitorais e em Maio de 2006 está presente na IV Conferência de Tóquio sobre o Desenvolvimento em África.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Para ele, esta preocupação do Mundo com o desenvolvimento africano significa que África “está a ganhar visibilidade e interesse no plano internacional”, um continente “até há pouco tempo condenado”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Todavia, não perde de vista outras realidades, outros possíveis aliados e no mês anterior recebe o Presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, que visitou Cabo Verde acompanhado de uma comitiva de empresários e a quem diz que é necessário “desenvolver as relações com os Açores para uma vertente económica”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Movimentos Migratórios Ilegais, Outra Preocupação&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Ainda em Abril volta-se, de novo para a diáspora, cujos quadros se reunem no seu IV Congresso. Mais uma vez apela ao orgulho da caboverdianidade, explicando que o PIB per capita, em três anos multiplicou por sete, passando de 200 dólares para cerca de 1.500. Todavia, para ele, a “cultura é o primeiro factor de união dos cabo-verdianos espalhados pelo Mundo, a manutenção do cimento unificador dos cabo-verdianos” e exprime o seu “grande apreço pela forma empenhada como as comunidades cabo-verdianas exercem o seu direito de cidadania nas eleições, um dos actos de maior significado na vida de um país”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Em Junho recusa participar na reunião Cimeira da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) porque as propostas de Cabo Verde para incluir na agenda a discussão da emigração ilegal não foi considerada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Mas, em Julho, na VII Cimeira da União Africana (UA), realizada em Banjul, na Gâmbia, é criado um Centro de Estudos e Pesquisa sobre Migrações em África, o que, segundo Pedro Pires permitirá “um conhecimento mais profundo do fenómeno”, que preocupa particularmente Cabo Verde, já que o seu território, mercê das suas extensas fronteiras marítimas, funciona como plataforma para os movimentos migratórios clandestinos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Ns2KPwFWwJw/TsphEYa9wPI/AAAAAAAAAXI/nqCrhrZlpVA/s1600/Pedro+Pires+006.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-Ns2KPwFWwJw/TsphEYa9wPI/AAAAAAAAAXI/nqCrhrZlpVA/s320/Pedro+Pires+006.jpg" width="235" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;O mesmo tema é abordado com o Presidente da Região Autónoma das Canárias, Adam Martin, em visita à Cidade da Praia, em Setembro. Ambos reconhecem ser “necessária uma gestão dos fluxos migratórios e não permitir que se façam de forma caótica, descontrolada. Devemos discutir, negociar e estabelecer as regras”, concluiram.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Testamento Político&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Ainda neste mesmo mês, Pedro Pires como que faz um testamento político e diz que “gostaria de deixar no espírito das pessoas uma vontade convergente de um país que ultrapasse as suas fronteiras e criar um futuro comum com todos os cabo-verdianos que se encontram espalhados pelo Mundo – uma &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;Nação Global “. &lt;/b&gt;Faz esta declaração em Lisboa, quando perguntado sobre o que gostaria de deixar ao seu país.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;No ano seguinte – 2007 - , em Maio visita a China, “um parceiro importante de Cabo Verde e de toda a região africana”, reune-se com o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao e visita, em Xangai, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Ao mesmo tempo que vai tentando abrir mais caminhos para o desenvolvimento de Cabo Verde não deixa de olhar para o gande espaço africano. A 25 de Maio, no dia de África, que assinala a fundação, em Adis-Abeba, em 1963, da OUA (Organização de Unidade Africana) Pedro Pires regozija-se com o “crescimento do investimento directo estrangeiro” em África, que “cresceu 200 por cento entre 2000 e 2005. Além disso era possível nesse ano afirmar que o peso da dívida externa africana tinha diminuido: “A Nigéria, principal devedor africano, pagou toda a sua dívida”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;O crescimento “das exportações africanas em 25 por cento, em média, nos últimos três anos”, foi outra razão de contentamento para Pedro Pires.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Em Novembro, Pedro Pires defende na 34ª Conferência da FAO a produção de biocombustíveis, “desde que não concorram com a produção agrícola para a alimentação humana, não ponha em causa a segurança alimentar para todos, sem contribuir para a destruição das florestas primárias e se faça com as devidas precauções sociais e ambientais”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Angola e França, Defesa da Emigração Cabo-verdiana&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Em 2008 faz duas visitas importantes: a França, onde se encontra com Sarkozy, que salienta as “relações privilegiadas entre os dois países” e sugere a divulgação da língua francesa nas escola cabo-verdianas. Quanto ao “avanço das relações de Cabo Verde com a Europa, falou da necessidade de se “criarem condições para que haja uma emigração cabo-verdiana legal”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Em &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Dezembro, visita Angola, acompanhado de uma grande comitiva de empresários.. Em Luanda considerou que os cabo-verdianos a viver em Angola “são angolanos de ascendência cabo-verdiana” e assina um primeiro acordo de Segurança Social com as autoridades de Luanda, que beneficia os trabalhadores cabo-verdianos a trabalhar em Angola.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;No plano externo junta-se a Angola e defende a “necessidade de reformas” nas organizações de que ambos os países fazem parte: CPLP, ONU e UA&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-GvlKvnGRHD0/Tspg1fObn6I/AAAAAAAAAWw/1BLoDO5hIJg/s1600/Pedro+Pires+003.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="293" src="http://4.bp.blogspot.com/-GvlKvnGRHD0/Tspg1fObn6I/AAAAAAAAAWw/1BLoDO5hIJg/s400/Pedro+Pires+003.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Em plena crise, dentro do país, vira-se para a questão energética e defende a ideia de que o Sol e o Vento devem ser utilizados na produção de energia para que o país “fuja à dependência do petróleo”, ao mesmo tempo que, perante a crise que assola o Mundo considera que “não são possíveis soluções improvisadas, individualistas ou de um grupo de pesssoas ou  interesses” e aponta as “revoltas contra a vida cara” e os “prenúncios de fome” como avisos. “Não podemos correr o risco de ver perder-se o que foi conseguido ao longo de três décadas”- afirma Pedro Pires aquando da visita à maior central do Mundo de energia fotovoltáica, na Amareja, Alentejo, Portugal.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Reforma da ONU e Cooperação Inter-Africana&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Em Setembro, na Assembleia Geral da ONU, tinha exigido a “modernização e aumento da produção e produtividade agrícolas” com o “envolvimento dos países ricos e tecnologicamente avançados” e requer o “apoio dos organismos internacionais”. Sugere ainda formas de “compensação financeira” aos países “mais lesados” com a subida do preço dos combustíveis. “estou a pensar no meu país e no Continente Africano”, esclareceu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;As suas procupações com África tinham voltado a manifestar-se em Maio deste mesmo ano, sobretudo com a Somália, “um país que há vinte anos não tem Estado” e que, por isso “é o caso que merece as maiores preocupações no Continente”, que, segundo disse, “está melhor do que muitos pensam”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;É ainda a preocupção da defesa de uma África capaz de se entender que o leva a defender em Moçambique, durante uma visita de estado que ali realizou em Novembro de 2010, “um aprofundamento da relação Sul-Sul” e uma “cooperação inter-africana reforçada. É concerteza a mesma preocupação que o leva a insistir na necessidade de reformas das Nações Unidas e do seu Conselho de Segurança, “para que todos os países se sintam representados nesse órgão”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Principais distinções recebidas por Pedro Pires:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;De Cabo Verde – Ordem Amílcar Cabral&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Da Guiné Bissau – Medalha Amílcar Cabral&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Do Senegal – Ordem Nacional do Leão&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;De Portugal – Ordem Infante D. Henrique&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Do Reino de Espanha – Colar da Ordem das Ilhas Canárias&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-size: 14pt; mso-ansi-language: EN-US;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Da Gambia – Rank of Grand Commander of the National Order&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Da República de Timor Leste - &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Grande Colar da Ordem de Timor-Leste.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;O agora ex-presidente de Cabo Verde também foi distinguido com os seguintes títulos académicos:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;DOUTOR HONORIS CAUSA pelas Universidades do Ceará, no Brasil, Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa e Universidade Lusófona.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-7294568837212660328?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/7294568837212660328/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=7294568837212660328' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/7294568837212660328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/7294568837212660328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2011/11/pedro-pires-o-sabio-que-deve-ser-util.html' title='PEDRO PIRES - O SÁBIO QUE DEVE SER ÚTIL A ÁFRICA'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-Kxj2ck37f8M/Tspf3BMtQBI/AAAAAAAAAWA/3hzv0Y2GVtI/s72-c/Pedro_Verona_Rodrigues_Pires%255B1%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-7849099927701890920</id><published>2010-11-14T12:35:00.001Z</published><updated>2010-11-15T11:36:17.054Z</updated><title type='text'>14 de Novembro na Guiné Bissau</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A 14 de Novembro de 1980, há trinta anos, pela madrugada, uma força militar saiu à rua, os seus chefes meteram Nino Vieira, que era o Primeiro Ministro do Governo de Luís Cabral, num carro blindado e foram ao palácio presidencial dar um golpe de estado; mataram José (?) Buscardini, o chefe da segurança, prenderam Luís Cabral e ditaram uma nova era para o país onde se desenvolveu uma luta de libertação vitoriosa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Libertaram alguns presos políticos, entre os quais Rafael Barbosa, que foi imediatamente à Rádio Nacional e, apresentado como um " dos melhores filhos da nossa terra", fez um discurso violento contra os soviéticos, mas, sobretudo, contra os cabo-verdianos, que, na verdade, tinham dirigido a luta de libertação e, na prática, governavam o país.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Luis Cabral, irmão de Amílcar, era cabo-verdiano, o secretário geral do PAIGC, que controlava a Guiné Bissau e Cabo Verde, era cabo-verdiano, o mesmo acontecia ao secretário geral-adjunto, Pedro Pires.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era aqui que estava a verdadeira questão do golpe, a mesma que tinha estado por detrás da morte de Amílcar Cabral, a 20 de Janeiro de 1973.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era, afinal, uma razão previsível para quem estava suficientemente afastado do processo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era também a razão que justifica o facto de a Guiné Bissau ser hoje um estado falhado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Amílcar foi, de facto, um sonhador de um sonho impossível. Basta constatar a diferença entre os dois estados que o "seu" partido governava há trinta anos&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-7849099927701890920?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/7849099927701890920/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=7849099927701890920' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/7849099927701890920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/7849099927701890920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2010/11/14-de-novembro-na-guine-bissau.html' title='14 de Novembro na Guiné Bissau'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-7276418775430707431</id><published>2010-10-16T20:36:00.000+01:00</published><updated>2010-10-16T20:36:03.530+01:00</updated><title type='text'>A" Morte" de um Blogue</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Hoje, um leitor deste blogue deixou um comentário sob a forma de pergunta: "este blogue morreu?". Confesso que a pergunta me perturbou embora entenda as suas razões: de facto, nem eu nem os outros dois autores deste artefacto temos aparecido muito. Nos últimos tempos, diria mesmo que é raro. O tempo não é muito para lhe&amp;nbsp;dedicar algumas horas livres e, para além disso, para um jornalista há sempre a questão do "feed-back" e ele não muito entusiasmante. Mesmo assim , aqui fica a afrimação de que o "Africandar" não está morto e de que eu, pelo menos, aqui voltarei mais vezes. Nem que seja para dar a conhecer textos que publiquei noutras alturas e noutros órgfãos, nomeadamente no semanário "África", tal como que se segue, escrito ainda nos anos oitenta, mas que, embora com algumas diferenças ainda se pode considerar actual.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pensar África em África&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O papel das superpotências em todo o processo de Independência em África ainda não foi completamente analisado e, certamente, só muito mais tarde o será de forma exaustiva e sistematizada, uma vez que tal tarefa competirá aos historiadores africanos. Ora, a verdade é que, actualmente, tal iniciativa parece estar longe das suas preocupações, sobretudo porque o factor ideológico ainda está demasiado vivo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não é difícil, contudo, perspectivar já um novo caminho para África, cada vez mais interessada nos seus próprios problemas e no modo como descobrir uma maneira africana para os resolver.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assiste-se, presentemente, a uma certa euforia quanto à evolução política de África,vaticinando-se a concretização de um objectivo: a institucionalização de democracias representativas na grande maioria dos Estados africanos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se atentarmos mais detalhadamente nas reacções africanas a esta perspectiva poderemos facilmente constatar que a euforia é de fora para dentro. Não há grande entusiasmo no interior de África quanto a esta evolução.Também não é indiferença. Há, isso sim, um olhar mais atento sobre a realidade sócio-política do Continente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cada vez aparecem mais vozes a clamar pela institucionalização de regimes políticos que traduzam as preocupações mais profundas das populações e que correspondam às suas formas de organização social, nunca destruídas pela colonização europeia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A prática democrática da gestão dos negócios dos vários grupos africanos é de há séculos, mas não assenta nos mesmos princípios que orientam as formações políticas europeias. È essa a verdade que está a vir ao de cima no actual debate sobre a democracia. Um debate, que, mais uma vez, está a ser conduzido de fora para dentro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um debate que, sobretudo, está a ser pressionado de fora para dentro. De facto, o processo de Independência de África criou, à partida e de maneira quase indestrutível, dependências inultrapassáveis, gerou alianças políticas manietadoras e aprisionou a imaginação dos intelectuais africanos, submetidos à pressão de análises e padrões industrializados e, por isso mesmo, incapacitados de analisar as realidades dos seus povos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esta circunstância ampliou as análises rácicas, à sombra de falsos conceitos de igualdade, delimitou campos de actuação política ee conómica, marginalizou, numa palavra, a verdadeira África.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como consequênica imediata desta influência das superpotências no processo de Independência de África, temos todo um continente a respirar por um pulmão intelectual artificial.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com a perspectiva de este vir ser desligado – o que está a acontecer agora – verifica-se o atrofiamento do pulmão natural e o resultado é um pouco o pânico, a desorientação, a procura de caminhos às apalpadelas. O Continente está, de certo modo, a ser telecomandado, com a aparência de estar a executar movimentos próprios.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um dos exemplos mais flagrantes desta situação diz respeito ao ensino, à preparação de quadros, até agora dependente, em grande parte, das bolsas de estudo fornecidas pelo estrangeiro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estas bolsas serviram para formar milhares de quadros africanos à luz de princípios e de uma realidade perfeitamente desajustados dos enquadramentos profissionais dos educandos logo após a conclusão dos seus cursos, que, em última analise, serviam apenas de suporte a reivindicações de estatuto social e consequente aumento dos aparelhos administrativos dos Estados, transformados, na maior parte dos casos, em olimpos de reconhecimento para os militantes mais fiéis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É evidente que o desajustamento é agora mais do que visível e a verificação de que, pelo menos uma geração de quadros está praticamente queimada, conduz a uma maior perturbação, para além de colocar problemas graves ao nível da formação das gerações seguintes. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como consequência, em África procura-se uma alternativa, que passa pelos esforços de muitos dos Estados em criarem os seus próprios sistemas de formação, que, naturalmente conduzirá a definições e escolhas que leve a Juventude Africana a aprender ao mesmo tempo o saber e a cultura universais e a realidade das suas terras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A concretizar-se, este objectivo ajudará a que os africanos se reencontrem e possam, no futuro, juntar às actuais concepções de vida, uma outra, a africana, sem que ela signifique xenofobia, racismo, à mistura com o culto dos valores estrangeiros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;﻿&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-7276418775430707431?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/7276418775430707431/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=7276418775430707431' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/7276418775430707431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/7276418775430707431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2010/10/morte-de-um-blogue_16.html' title='A&quot; Morte&quot; de um Blogue'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-1763592658608108927</id><published>2010-09-02T16:33:00.000+01:00</published><updated>2010-09-02T16:33:08.828+01:00</updated><title type='text'>As Organizações Internacionais</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: large;"&gt;Hoje apareceram-me duas jovens voluntárias da UNICEF a convidarem-me para aderir à campanha "AMIGO DA UNICEF". Simpáticas, convictas, ouviram com alguma surpresa a ideia que eu tenho das organizações internacionais, a começar pela ONU: que os dinheiros angariados desta e doutras maneiras vão, na sua grande parte, para pagar altos salários a funcionários da ONU, da UNICEF, da FAO, Do Alto Comissariado para os Refugiados e toda a sorte de outras pequenas e grandes organizações.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Expliquei-lhes que, por exemplo, o que está a acontecer em Moçambique e que, seguramente, virá acontecer noutras latitudes, também é responsabilidade de todas estas organizações internacionais, completamente desligadas das realidades que dizem querer proteger.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/TH_DI6X1fxI/AAAAAAAAAVI/s3aVarK5Zzk/s1600/cuahnama.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ox="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/TH_DI6X1fxI/AAAAAAAAAVI/s3aVarK5Zzk/s320/cuahnama.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Estas organizações exploram de forma miserável a boa vontade dos jovens voluntários, muitos dos quais têm que pagar as suas próprias passagens para viajar para os países onde vão prestar todos os serviços que os "funcionários" efectivos não fazem, que têm de pagara a sua própria alimentação, etc. , etc.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Todavia, para premiar o esforço e a boa vontade destas duas jovens que, em vez de estarem encostadas numa esplanada qualquer a fumar e a beber, dedicam o seu tempo livre a uma causa que entendem justa, resolvi aderir à causa. A partir de hoje sou, portanto, "AMIGO DA UNICEF". Era bom que as notícias começassem a dizer alguma coisa diferente sobre a actuação oficial e oficiosa dos agentes responsáveis por esta orgenização.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Vou acompanhar com mais interesse e também com maior sentido crítico. Afinal, o Mundo está como está porque todos nós cruzamos os braços perante os engravatados poderosos,&amp;nbsp; que passam pelos miseráveis e&amp;nbsp;pela miséria de nariz tapado e olhos baços.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-1763592658608108927?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/1763592658608108927/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=1763592658608108927' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/1763592658608108927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/1763592658608108927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2010/09/as-organizacoes-internacionais.html' title='As Organizações Internacionais'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/TH_DI6X1fxI/AAAAAAAAAVI/s3aVarK5Zzk/s72-c/cuahnama.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-6352959308317529631</id><published>2010-08-17T23:28:00.000+01:00</published><updated>2010-08-17T23:28:29.823+01:00</updated><title type='text'>Notícia, a Referência angolana de uma imprensa activa</title><content type='html'>Publicamos a seguir uma série de textos que, mais do que recordações, representam um trabalho( a investigação possível) de António Gonçalves, o Chefe de Redacção mais activo e criativo dos bons tempos do "Notícia"., uma revista angolana que começou a ser publicada nos anos 50 e acabou com&amp;nbsp;o 25 de Abril.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O António é colaborador deste blogue. Alguns dos textos mais interessantes, pelo humor pela crítica certeira, pera referência atempada, são dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia sugeriu a ideia de fazer um trabalho de investigação sobre a Revista "Notícia", o jornal do Charula, depois do Fernado Fernades - " A Chuva e o Bom tempo" - mas, seguramenmte a paixão do António Gonçalves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, trabalhava ela na RDP, convidei-o para chefe de Redacção do Jornal África - depois de ambos termos feito uma viagem a Angola e em que lhe vi correr lágrimas grossas pelo rosto, quando o avião bateu na pista do aeroporto de Luanda,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou ele surpreendido e todo o pessal que então trabahava no Semanário África. Houve mesmo algumas "revoltas na Bounty", mas ele, com a minha confiança total, assumiu a chefia da redacção com a mesma dedicação com&amp;nbsp; que o tinha feito no "Notícia",&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tivemos problemas ?&amp;nbsp; Alguns! Mas nunca de confiança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convidei-o depois para fazer parte deste blogue e a sua colaboração é saborosa, sábia, o testemunho e alguém que&amp;nbsp; viveu vidas e vidas...e vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os textos devem ser lidos com dois cuidados: primeiro: o António não os reviu; segundo, inverti-lhes a ordem, o que, para quem lê blogues quer dizer que o fim da história não está no primeiro texto, mas no último.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um outro apontamento: tentámos tudo para ter imagens que falassem das várias fases aqui retratadas do "Notícia", a "televisão angolana dos anos sesssenta". Não o conseguimos, pelo que a leittura dos textos, a " seco" pode parecer maçadora, mas eu, pessoalmente, peço aos leitores que não desistam: vão ficar a conhecer episódios interessantes de um verdadeiro fenómeno de comunicação nos tempos da " antiga senhora".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-6352959308317529631?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/6352959308317529631/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=6352959308317529631' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/6352959308317529631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/6352959308317529631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2010/08/noticia-referencia-angolana-de-uma.html' title='Notícia, a Referência angolana de uma imprensa activa'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-7617332350987763307</id><published>2010-08-17T21:35:00.001+01:00</published><updated>2010-08-17T21:35:39.209+01:00</updated><title type='text'>+N+ Era e Foi-se</title><content type='html'>O «notícia» foi sempre,desde o início, um semanário ilustrado. Saía, sim   senhor, enquanto eu lá estive, aos sábados. Pois sim, mas...Era   impresso à quinta-feira, ao fim da tarde. Nessa mesma noite seguia de   maximbombo para o Lobito. Pelo caminho ia despejando, aqui e ali, o   jornal, como sempre lhe chamámos. Até à Cela era pão com manteiga, mas   quando se começava a descer o morrro da Gabela, já não era brinquedo!&lt;br /&gt;Eu  sei porque fiz uma vez a viagem no camion!&lt;br /&gt;Do  Lobito, o jornal  prosseguia a viagem para o Leste, de combóio. Não me  lembro exactamente  até onde, até onde durasse a sexta-feira, porque ao  sábado estaria  disponível em toda Angola.&lt;br /&gt;Em Luanda procurava-se  retê-lo de modo a  ser exposto para venda ao sábado. Mas nas noites de  sexta-feira já se  via gente a folhear o «jornal», como nós, os que lá  trabalhávamos,  sempre dissemos.&lt;br /&gt;O nosso «jornal» saiu do nada, por  iniciativa do  proprietário de uma oficina gráfica, da qual se fez ele  próprio cliente.  Angola não parecia dizer muito ao entusiasmado Simões.  Era um sítio de  portugueses. E «estes» careciam de saber melhor o que  fazia o Benfica ou  o Sporting e evidentemente o Porto, sem perder de  vista as idas e  vindas do senhor governador ou até dos ministros e  secretários de estado  que fossem aparecendo.&lt;br /&gt;Vou rever a matéria,  aprender o «Jornal» que  só conheci quando desembarquei em luanda nos  idos de 64. Antes de chegar  ao +N+ estagiei no «Comércio». Era um  diário, um daqueles que «saía»  todos os dias. O director estava doente,  em Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Fumar pode  ser funesto para o bébé», manchete de  l959! Bom, era já de Dezembro,19  mais exactamente,mas quase que podia  ser de hoje!, Outra, garantia que  Costa Pereira se evidenciara no  Sporting-Benfica! Na pág. 14, uma  formidável interrogação: «O que é  afinal o Mercado Comum?. Na pág. 22  repete-se a pergunta. Pequena  gaffe?&lt;br /&gt;Devo salientar que o Hotal  Mombaka, de Benguela, aparece evidenciado como terceiro&lt;br /&gt;hotel  portugês!&lt;br /&gt;No  número seguinte, Costa Pereira volta à evidência: «Nós,  os  ultramarinos somos tão acarinhados como se tivessemos nascido nos   Restauradores. O campeonato português de Portugal fez parte da notícia,   como se calcula: «Benfica, à frente, seguido do Sporting. Depois o   Guimarães e a seguir o Belenenses. Depois, ainda, o Covilhã e a   Académica e só então (7º) o Porto! Aquilo é que eram tempos!...&lt;br /&gt;É no   terceiro número, já em 1960, que encontro Angola, com o título: «Morreu  o  "Cunha" da Quibala». Ergueu um hotel famoso, que espantou o  governador  de então:Um tal hotel, numa terra que não tinha nem cem  habitantes!!! (O  que é que o governador entenderia por habitantes?!).  Passei por cima  «Do Minho ao Algarve»; mirei duas colunas sobre futebol  angolano, mas as  duas fotos eram jogo Porto-First de Viena...&lt;br /&gt;Finalmente  o núnero 4  tem um destaque «nacionalista»: +Angola de Lés a Lés+. Duas  páginas  inteiras, duas!Logo seguido de uma entrevista com Santos e  Sousa - «é  antes demais um profissional da Rádio».&lt;br /&gt;Lá isso era e continuou a  ser.&lt;br /&gt;Deliciosa  a capa do nº5, com a posse do novo governador-geral,  dr.Silva Tavares,  distinguindo-se entre os assistentes à posse diversos  militares de  alta patente, o ministro Rui Ulrich, que tutelava as  Corporações, a  Justiça e o Interior. Coube, claro, ao ministro do  Ultramar, Lopes  Alves, dar posse.&lt;br /&gt;Na edição seguinte: «sua excelência  o Senhor  Governador-Geral cumprimenta o representante do +N+, com o  sorriso que a  imprensa angolana lhe merece!&lt;br /&gt;Mas, no interior, o  primeiro choque  emocional: Carlos Fernandes, «o moço artista» ganhava o  1º Prémio da  «Cultural». Natércia Freire iniciava a sua colaboração no  semanário  angolano.&lt;br /&gt;No fim de Janeiro anunciava-se o «circuito da  Fortaleza».  Era bem a mania das corridas de automóveis a impôr-se. E  como antologia  de grandes reportagens optou-se pelo ataque japonês a  Pearl-Harbour!&lt;br /&gt;O  «Pica-Pau» fez aparição a 20 de Fev., com uma  história infantil e uma  foto nos «amigos do». Ocorreu-me que quando  entrei no +N+ o chefe me  ter dito, com um sorriso de gozo: «...e tens de  fazer o pica-porrra»!»&lt;br /&gt;Ainda  reli o anúncio a avisar a malta que o  +N+ se vendia em Lisboa nas  livrarias Bertrand, Portugal e Barata, bem  como na delegação, à rua  Edison, que não faço a mínima ideia onde seja  ou tenha sido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-7617332350987763307?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/7617332350987763307/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=7617332350987763307' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/7617332350987763307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/7617332350987763307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2010/08/n-era-e-foi-se.html' title='+N+ Era e Foi-se'/><author><name>António Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06906448610116824524</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-6547848037312808834</id><published>2010-08-17T21:34:00.001+01:00</published><updated>2010-08-17T21:34:21.405+01:00</updated><title type='text'>+N+ ERA E FOI-SE (2)</title><content type='html'>Faço uma pausa para sublinhar o meu apego ao «jornal» onde cresci como jornalista.&lt;br /&gt;O  +N+ apareceu e marcou o seu espaço. Reflectia o meio ambiente onde  evoluia. Improvisava, claro, mas buscava colaboração dos melhores. E sem  querer aferir da qualidade dos leitores luandinos, talvez que nos  finais de 59 se desse preferência ao Baile Trapalhão, no Estoril; ou aos  filhos princeses, Carlos e Anne, de Isabel fascinassem mais as jovens  senhoras!Os olhos, hoje, são outros. Em Abril de 60 o dr. Salazar irá  completar 72 anos e ainda lhe sobravam uma data deles por fazer. As  notícias eram essas e eram assim. E como «Eles» não eram muito bons, as  notícias reflectiam: «Chinos e portugueses vivem amigos nas ruas  apertadas e populosas de Macau. E, vejam lá, o Tribunal de Haia  reconhecia o direito de Portugal na Índia!&lt;br /&gt;Por essas e outras é que aconteciam as notícias.&lt;br /&gt;«Vamos ou não perpectuar em Angola a memória do Infante»? - perguntava Jerónimo Ramos&lt;br /&gt;nesse Abril.&lt;br /&gt;Sei lá! Teria eu dito se lá estivesse...&lt;br /&gt;E  o décimo (número) saiu (ainda) branco. Sem fulgor, quero dizer. O  regresso do governador-mór a Luanda ocupa a capa, deixando um niquinho  para o nascimento do terceiro filho de Isabel II.&lt;br /&gt;O número seguinte  surge visivelmente melhor arrumado, mas sem assumir-se como jornal  angolano ou luandino. No entanto, Agnelo Paiva comenta: «Produzimos  azeitonas...mas importamos azeite!» Claro que importavam! Mas de onde?.  Ora, os de «onde» não queriam saber de desgraças. A mesma questão  voltaria a ser colocada, uns anos depois, por mór das uvas e do vinho  que poderia fazer-se, mas não se fez porque, de Lisboa, não deixavam...&lt;br /&gt;E  duas páginas inteiras (ou quase) ao Carnaval no Muceque. Devem ter  «gamado» um pouco de espaço, uma coluna, para referir a visita do  ministro Teotónio Pereira à Índia (lusitana), a que se seguiria um pulo a  Luanda!&lt;br /&gt;O nº 13 deu azar e estragou um pouco a pintura. Um desenho  sombrio improvisa o terramoto de Agadir e o texto de Couto Rodrigues um  desalento de impotência por falta de Informação. Com horários, as  oficinas eram implacáveis! Pior ainda o insulto da agência que fornecia a  notícia: «apenas alguns milhares de mortos»!&lt;br /&gt;Mas também (e  finalmente) uma imagem africana, angolense e luandona,os pescadores da  Ilha e o título: «Enquanto a cidade dormia»...&lt;br /&gt;No fim de Março a capa  não aparece a preto e branco. Não é ainda a cores, mas com um fundo  avermelhado, já sobressai... Abril ressurge a preto e branco, com duas  misses europeias, em bikini, no Mussulo. A reportagem sobre elas parece  um tudo nada saloia, mas como Salazar aparece também a fazer os já  citados 72 anos, fica tudo a condizer... E um texto giro sobre crise que  não era crise ou de crise escondida com rabo de fora, com graça e bem  feito não é assinado. Cautela e caldos de galinha são precauções como  outras quaisquer...Mas era, vamos lá o princípio de usar o jornal  (semanário) angolano para falar preferencialmente de Angola, ainda que  para insinuar uns tropeções! Angola ganha espaço, desperta! Ainda sobra  muito pr'os portugas e a cohabitação parece possível.No fim de Abril,  Ernesto Lara aparece a asinar um delicioso texto, onde se vislumbra bem o  que ele quis dizer com o seu azulejo para Brasília...&lt;br /&gt;A 14 de Maio,  finalmente um africano, pequenino é certo, mas escuro que baste, sentado  num alguidar,olha em frente, como se olhasse para mim, sereno. Na  altura, as notícias davam conta de que Portugal venceu a Jugosláviapor  2-0.Também se podia ler o Ernesto (Lara, claro!) a relembrar o  «Canivete» e a fazer do +N+ o que sempre quisemos que fosse, mas ainda  não era...&lt;br /&gt;E, em Maio, o destaque à estrondosa vitória portuguesa no  mundial de Madrid, em hoquei patinado tinha razão de ser:o peso  ultramarino: Moreira, Adrião, Velasco e Bouçós! Foi obra!&lt;br /&gt;(continua)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-6547848037312808834?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/6547848037312808834/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=6547848037312808834' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/6547848037312808834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/6547848037312808834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2010/08/n-era-e-foi-se-2.html' title='+N+ ERA E FOI-SE (2)'/><author><name>António Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06906448610116824524</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-3371982077162495049</id><published>2010-08-17T21:33:00.003+01:00</published><updated>2010-08-17T21:33:55.942+01:00</updated><title type='text'>+N+ (3)</title><content type='html'>A monotonia não era muito insistente,mas mesmo se o clima convidava à  sonolência, África trepidava e os africanos viam-se incentivados a  exigir a libertação, muito mais que geográfica - a condição humana. Não  era dos europeus o culto da generosidade, especialmente os europeus de  posses colonizadas. Surdos ao troar do vento acabaram por ouvir da pior  maneira.&lt;br /&gt;O Congo, deixado de ser belga, mas pouco pacificado, ainda  mexia. Em Angola, a administração portuguesa cuidava de baixar o som. A  expressão popular «...não disse nada, só falou...» assentava como uma  luva.&lt;br /&gt;A morte rondou quando a automotora de Malange descarrilou e  tombou.Temeu-se o pior. A tragédia rondou, rondou, lá isso rondou, mas  disse nada. Não houve mortes. Só material para a sucata,acabou o +N+ por  reconhecer.&lt;br /&gt;A atenção às coisas mais ou menos sérias advertianos em  Junho de 60.Uma delas dava conta que o campeão de Angola conquistou o  direito de representar o Ultramar na Taça de Portugal! Estava em crer,  juro mesmo, que tal «honraria» se ficara a dever a causas que chegariam  no ano seguinte. Lapsos, eu sei, o mau carácter das criaturas revela-se  nos mais reconditos pormenores.Que me desculpem os ofendidos...&lt;br /&gt;Outra  capa de Quim Cabral, do Cita (o palácio Foz lá do sítio),e uma  reportagem sobre Luanda à noite comprovavam que Angola ia ganhando  espaço. Um espaço onde,por vezes, se intrometiam supresas, como quando o  governador de Macau teve uma calorosa recpção. Fui espreitar (ler) para  saber onde.Ora, a recepção calorosa foi, imaginem, em Macau! E vindo de  onde? Ora! De Lisboa, pois claro...&lt;br /&gt;Mas não demorou a surgir uma reportagem da casa:A caça ao crocodilo. Animada, bem disposta e com bonecos sugestivos!&lt;br /&gt;Problema  novo gera reportagem curiosa: «A gorgeta chegou a Luanda». Um  engraxador (não sei se fica bem dizer preto?) mais para o escurinho que o  dr. Obama, a receber cinco tostões de gorja! Mas também o servidor de  cafés, o taxista,o barbeiro, e o arrumador no cinema, todos brancos,  lembro-me.&lt;br /&gt;Ocorre-me uma tirada,creio que de Lopo do Nascimento, muito posterior, mas muito&lt;br /&gt;apropósito,  numa animada discussão:(...Porra, meninos! Agora, em Luanda, até o gajo  do cemitério que nos vai enterrar é branco!»...&lt;br /&gt;Não só por ser  branco, digo eu, agora. Era por se estar em Angola, naquela altura.  Angola ficava a meio do caminho, quer dizer metado do preço, da viagem  até Moçambique. Isso por si, já constituia uma selecção natural entre os  que emigravam...&lt;br /&gt;Luanda foi crescendo. E as fotos do Quim iam disso dando conta. Mas outra capa&lt;br /&gt;do +N+ com miudas giras e loiras dá conta de problema vizinho, no ex-Congo Belga.&lt;br /&gt;Refugiados chegados do inferno!O assunto foi tratado, evidentemente, como se nada daquilo estivesse no nosso horizonte...&lt;br /&gt;As  capas da revista perdem-se por vezes nos tons escuros, até letras a  vermelho ficam baças e obscurecidas e o +N+ vai perdendo nesses dias um  pouco de vivacidade.&lt;br /&gt;Lina Vaz (?) surge na capa, fotografada no  Mussulo, ao lado de um senhor aparentemente idoso e muito escuro, tanto  que o rosto nem se vislumbra...&lt;br /&gt;Pelos fins de Agosto surge uma capa  algo previsível: um desfile militar, na magnífica Marginal de Luanda.  Comemorou-se o 15 de Agosto...&lt;br /&gt;Em Setembro,o Quim volta a ilustrar uma reportagem, aparentente a Marginal de Luanda,&lt;br /&gt;mas na realidade a reportagem é sobre ele mesmo, a brincar com a noite ea sua maquineta mágica!&lt;br /&gt;E  uma extraordinária sequência de fotos sobre piranhas.O sacrifício ao  vivo, do «velho» da manada, para que os «seus» atravessem em paz o rio!  Nem fotos, nem texto aparecem assinados,na reportagem, com pena minha...&lt;br /&gt;Já  em Outubro, uma reportagem engraçada: «Turismo em Macau» permite notar  que em Hong Kong tudo é novo e reluzente, mas,em Macau, com 400 anos de  História,está repleto de cativantes encantos de outros tempos... &lt;br /&gt;Já em Novembro eis que a Palanca Negra restou paciente todos estes anos, na capa,&lt;br /&gt;à minha espera, para que a mirasse a olhar na minha direcção,na capa triste,já em Novembro.&lt;br /&gt;E,  de novo, Joaquim Cabral com fotos a preto e branco de uma luta tremenda  entre rinocerontes. Para luta tão empolgante deviam ser rinocerontes  profissionais. Pelo menos tanto quanto o fotógrafo! O texto da  reportagem,tornado ilegível por&lt;br /&gt;paginação infeliz, mas as fotos dispensam a leitura de texto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-3371982077162495049?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/3371982077162495049/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=3371982077162495049' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/3371982077162495049'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/3371982077162495049'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2010/08/n-3.html' title='+N+ (3)'/><author><name>António Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06906448610116824524</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-7798783975447081579</id><published>2010-08-17T21:33:00.001+01:00</published><updated>2010-08-17T21:33:30.332+01:00</updated><title type='text'>+N+4</title><content type='html'>Grande farra é o assunto do primeiro +N+ de 61.Uma hábil montagem de Joaquim Cabral,&lt;br /&gt;ainda a reflectir o lado colonial do território, apesar de já promovido a «província ultramarina».&lt;br /&gt;Rui  Romano, desagradado com o rumo, comenta: «Nesta Luanda das bunganvílias  e das palmeiras cresce, com a própria cidade, o mau costume da  prosápia»...&lt;br /&gt;Não era ainda o tempo das mulatinhas acontecerem no  Jornal,onde lá estavam as do costume, como a Margarida inglesa, triste e  de vago sorriso principesco; Farah Diba, a patinhar a gravidez  insuficiente; Marylin Monroe, ainda por morrer e sem marido à ilharga;  vivo ainda Kennedy, um que sabia como fazer as coisas, coisas que o  marido da activa, e provavelmente vencida,candidata não parece ter tido  jeito!&lt;br /&gt;ASR Albuquerque continuava a figurar como director da  publicação, na qual o manda-chuva é descrito como administrador. Malhas  que o Império tecia...&lt;br /&gt;Aparece o Minho, mas por mór da Casa Regional,  em Angola; Sarita Montiel aparece sentada, mas de modo a exibir  aliciantes pedaços de coxa, no intervalo de filmagens&lt;br /&gt;algures na Europa. Nada, pois, a ver com Angola ou cercanias.&lt;br /&gt;Cabinda,  ainda sem petróleo surge como milagroso pedaço de terra portuguesa,  como outrora terá sido Olivença! Cruz Leal não sabia, ou não quis dizer,  que Cabinda, quando aceitou o domínio português, não desejava ser  integrada em Angola. Provavelmente Angola desse tempo quereria lá saber  de Cabinda para alguma coisa. Mas, depois apareceu o petróleo!&lt;br /&gt;Miss Holanda tinha rabo bonito. É dos fotógrafos o segredo dos ângulos fotogénicos!&lt;br /&gt;Finalmente uma reportagem sobre faina de pesca, em Luanda, com texto de Brandão Lucas.&lt;br /&gt;E,  como se fosse pouco, duas páginas com a crónica de Ernesto Lara: «O  Salalé da tristeza», sobre jornalismo e jornalistas angolanos; da  passagem dele pelo «Comércio», onde estavam Charulla de Azevedo e Leston  Martins. Evocava outros mais antigos. «Que vocês sejam o que desejei  sempre ser e talvez não tenha conseguido&lt;br /&gt;-jornalistas honestos e exemplares e devotos à sua terra».&lt;br /&gt;Silva  Tavares, governador-geral, perfazia um ano de governo.Foi capa da  revista (agora apeteceu-me mais este termo), com 14 páginas de texto e  fotos do governador, esposa e secretários. Uma festa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas os  tempos estavam prestes a mudar...Entretanto, teatro francês passou por  Angola e Brandão Lucas para explicar, procurou entrevistar Ariane,que  nada sabia de teatro português e não tinha paciência para aturar  repórteres. Depois dessa reportagem, Brandão Lucas aprendeu bastante!&lt;br /&gt;Mas  Angola já ocupava o seu espaço no Jornal.Isso é verdade e notório. As  Pedras Negras de Pungo Andongo, com uma página inteira de texto (não  assinado) e a praia de Moçamedes no mesmo número, é obra!&lt;br /&gt;MATADI-expulsão das forças da ONU -um barril de pólvora em perspectiva!&lt;br /&gt;Joaquim  Cabral, do CITA, Couto Rodrigues,do «Comércio», com o cineasta Perdigão  Queiroga,do SNI, vão ao Congo e contam no semanário,juntamente com as  fotos.&lt;br /&gt;Depois,na Cela, o magnífico mundo novo da Cela, um imenso celeiro, um desafio ao futuro (ganho, aliás).&lt;br /&gt;A25  de Março,uma capa sugestivamente montada empresta à Revista um toque de  creatividade que despontava e não era ainda acompanhado pela paginação.&lt;br /&gt;E a um de Abril passo pela notícia sem dar por ela.Um título vago,numa página&lt;br /&gt;entre  outras e sem despertar atenção: «Luanda Protesta». Não se depreende  nada.Um edifício discreto é suposto ter vidros partidos. Nada que  suporte com curiosidade&lt;br /&gt;a «dor do povo».Depois percebo. Era aquilo. E  aquilo era a contestação. Mais. Era o princípio do fim da província  ultramarina e o princípio de outra nação. Mas ainda&lt;br /&gt;não o aceitamos.  Precisamos,os dois lados, de treze longos anos para entender que os  caminhos da História são determinados e implacáveis.&lt;br /&gt;A notícia saiu como foi possível, como a Censura permitia e ela não era muito dada a permitir.&lt;br /&gt;Em Lisboa Salazar ergueu a voz: «Para Angola/Depressa e em força»!&lt;br /&gt;Outro  clima se instalava.Barcos e soldados chegavam uns atrás de outros.  Tornou-se trivial. Depois serenou.A vida retomou o seu curso com outra  vivacidade.&lt;br /&gt;A nove de Abril a capa do +N+ tem menina com mamas salientes. Uma tal Jane Mansfield.&lt;br /&gt;Aconselham-se férias na Africa do Sul.&lt;br /&gt;Em  Maio, finalmente uma jovem angolana que nem deixava por isso de ser  portuguesa,à beira-rio,na capa. Na semana seguinte é um desfile militar a  militarizar a Marginal que surge na capa do Notícia. A guerra já não  estava escondida, mas, no interior do jornal «falou-se da guerra em  Cuba»!&lt;br /&gt;Em Junho um garoto negro é capa e a foto do Quim não podia ser  mais expressiva sobre a guerra, qualquer guerra! No interior a  reportagem com soldados e civis e vítimas...&lt;br /&gt;A guerra assume espaço no +N+.Em Julho o governador-geral tenta confortar uma cidadã&lt;br /&gt;angolana.Não  sei hoje se tal conceitojá era assumido,mas a senhora de luto era bem  um sinal de mudança, respeitado pelo militar governador-geral. E pelo  +Notícia+, bem&lt;br /&gt;entendido, que andara um longo ano a deixar África e os africanos guardados na gaveta!&lt;br /&gt;Mas Ernesto Lara,esse,nunca os esquecia e não ignorou, não os esqueceu, como se viu e leu no +N+...&lt;br /&gt;Na  Baixa de Luanda começava uma nova actividade bolsista,quer  dizer:cambista. Trocar angolares por escudos ou vice versa. Um cambio  formalmente clandestino,mas efectuado&lt;br /&gt;às claras. Eram os militares  os grandes animadores do novo mercado e por serem militares havia que  moderar a fiscalidade. Deixou de ser negro. A par da tragédia,&lt;br /&gt;de  soldados que vão chegando, de novo governador, as mais belas pernas de  Hollyood. Espanto-me de ver Shirley McLaine entre vamps. Bom! Espanto-me  agora, na altura nem daria por isso, se já lá estivesse! É ainda Lara  (filho), de Nova Lisboa, a dar conta da «colecção Bailundo», albergue de  poetas e de plásticos, de que reuniu na primeira edição alguns poemas  de Alexandre Dáskalos, que além de poeta era médico veterinário.&lt;br /&gt;Tão  importante como incentivar os militares a combater o «terrorismo»  aparece o espantoso novo ciclo no Ensino.A vaga de populações deslocadas  para Luanda e outras cidades mais seguras e tranquilas. Escolas  existentes e outras adaptadas encheram-se de alunos e alunas. Todos  juntos e misturados, sem politiquice, sem grama de  separatismo.Só isso.  Crianças juntas naturalmente. O preconceito de facto não nasce com a  criança. Mesmo com adultos, pode ruir com a guerra de proximidade.Isso  mesmo foi acontecendo com os jornalistas,com os jornais e na Rádio (TV  não havia e não houve até ao fim).Talvez por isso a Imprensa e a Rádio  mantiveram a sua influência.O Notícia tornava-se definitivamente  angolano, bem notório a preto-e-branco!&lt;br /&gt;A 19 de Agosto aprendo que  Salvador Correia de Sá e Benevides era brasileiro e que a 15 de Agosto,  313 anos antes, reconquistou Angola aos holandeses.(continua).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-7798783975447081579?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/7798783975447081579/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=7798783975447081579' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/7798783975447081579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/7798783975447081579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2010/08/n4.html' title='+N+4'/><author><name>António Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06906448610116824524</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-6312218260426557407</id><published>2010-08-17T21:32:00.004+01:00</published><updated>2010-08-17T21:33:15.603+01:00</updated><title type='text'>+N+5-</title><content type='html'>Em Setembro,Joaquim Cabral surge comuma espectacular reportagem sobre um  festival de paraquedismo. O repórter estava, como sempre, onde os  reporteres são precisos...&lt;br /&gt;Três atletas de atletismo idos de Benguela  à «Metrópole» ganham provas, regressam a Luanda, e são recebidos pelo  governador-geral.Mas os seus, deles, nomes ficaram no tinteiro... Coisas  que acontecem...&lt;br /&gt;Aconteceu, de resto, na semana seguinte:a foto de   uma jovem angolana a cavalo com a legenda a assegurar que se trata de  moça da nossa sociedade. Mas nome não. Nem dela nem do cavalo. Uma  simples referência assevera que a foto é de Brandão Lucas!&lt;br /&gt;O mesmo  Brandão Lucas assina depois uma reportagem bem disposta com artistas  brasileiros, de teatro de revista, no Mussulo.E Cruz Leal assina  reportagem sobre o Cacuaco o dito Cacuaco estava para Luanda, como o  Ginjal de Cacilhas estava para Lisboa!&lt;br /&gt;Talvez!Conheço mal o Ginjal,  mas para lá chegar ia-se de barco... Depois Ruth Soares alguém, sim  senhor, que "mexia" no Rádio Clube. Pobre dela, paginada, com legendas e  foto mutiladas pela dobra da página. Não era de Simões, boss da  Neográfica, consumir&lt;br /&gt;dinheiro com paginadores experimentados!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-6312218260426557407?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/6312218260426557407/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=6312218260426557407' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/6312218260426557407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/6312218260426557407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2010/08/n5.html' title='+N+5-'/><author><name>António Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06906448610116824524</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-6740739646421848689</id><published>2010-08-17T21:32:00.003+01:00</published><updated>2010-08-17T21:32:52.033+01:00</updated><title type='text'>N+6...</title><content type='html'>A 30 de Setembro um alegre bando de catraios enche a capa do nº 84: «  Serão talves estes, e outros garotos como estes a julgar amanhã os  nossos actos de hoje!» Ah! Como&lt;br /&gt;eu, hoje,gostava de conhecer a sentença!...&lt;br /&gt;Brandão  Lucas assina outra reportagem repleta de mulherio a jogar foot. Adorava  ter lido a reportagem. É uma das que não se pode por mór da coluna  colocada no meio das&lt;br /&gt;duas páginas, mas o Brandão Lucas sabia  escolher o trabalho. De resto ele conclui que o lugar mais apetecido num  jogo como aquele era o de massagista&lt;br /&gt;Em Outubro a capa sai mal,  apesar de muito bonita. Demasiado escura e baça, deixa o ballet na  sombra. No interior a reportagem sobre a estadia, em Luanda, de 4  estrelas do Ballet de Paris é um bom trabalho, com boas imagens. E foi  justamente no princípio&lt;br /&gt;de Outubro que se voltou a ver  correr o  Circuito da Fortaleza, a festa dos velozes automóveis. Em Lisboa, Juca  substituia Otto Glória, com a mesma facilidade que usava o senhor  Oliveira para substituir governadores gerais ou afins...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E fotos  dolorosas, ainda assim as possíveis sobre a guerra e o absurdo dos  alvos, gente humilde, sem qualquer comprometimento político, como duas  plácidas crianças.&lt;br /&gt;Chocante!Por mais comum que começasse a ser...&lt;br /&gt;Em Novembro, um avião sinistrado é capa da revista. Foi no Chitado. Dezoito vítimas no acidente.&lt;br /&gt;Marisol ilustra a capa seguinte.A jovem actriz cantou e encantou Luanda. Nem custa  crer que sim...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-6740739646421848689?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/6740739646421848689/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=6740739646421848689' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/6740739646421848689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/6740739646421848689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2010/08/n6.html' title='N+6...'/><author><name>António Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06906448610116824524</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-3979038501449540100</id><published>2010-08-17T21:32:00.001+01:00</published><updated>2010-08-17T21:32:23.180+01:00</updated><title type='text'>+N+ 7</title><content type='html'>Para 62,o +N+ anuncia-se mais desenvolto. Fico a saber que Rebelo  Carvalheira é coordenador. Desconheço se já seria bancário ou até se já  existiria o BCA. Presumo que ainda, o que em angolano se deveria  entender por não.Não se entende bem que género de coordenação.Sabia-o  mais ligado ao desporto!&lt;br /&gt;Na revisão do ano findo descortinou-se que  «Luanda protestou» anunciara efectivamente o início das hostilidades em  Angola.Com  aparente indignação acusaram-se algumas potências  estrangeiras (nossas aliadas em diversos interesses ou em outros&lt;br /&gt;conflitos) de apoiarem a «acção criminosa» dos nossos inimigos.&lt;br /&gt;A  edição seguinte inclui uma página assinada Bettencourt Faria, o  teimoso,persistente e fabuloso criador do Observatório da Mulemba. O  assunto versava, imagine-se!, poesia popular:«O Antão era pastor»!!!&lt;br /&gt;O  62 não arrancou grande coisa, no que toca a temas, e a imagem do +N+  não agarrava. A 20 de Janeiro esbarro com uma graçola de nível: Júlio  Castro Lopo assina uma crónica soberba sobre Afonso Costa, cuja memória,  entendia o cronista, devia ser melhor preservada  e que seria de  premente justiça ligar o seu nome à toponímia da cidade de Luanda.&lt;br /&gt;Mas o assunto quente era já a curiosidade em saber onde iria ficar instalada  a mui desejada Universidade de Angola!&lt;br /&gt;Foi  Charulla de Azevedo, aliás, o primeiro jornalista a farejar a  iniciativa do governo e a pô-la em letra de forma, no «Diário de  Luanda». Ele próprio defendeu no&lt;br /&gt;jornal a opção por Nova Lisboa,capital do Huambo, onde Sebastião Coelho, chefe&lt;br /&gt;de produção do Rádio Clube tentava, debalde, montar uma cadeia de televisão.&lt;br /&gt;No  que toca à Universidade a localização continuou indefenida e cada vez  mais sujeita a pressões. Avançou-se apenas com uma data provável:  Outubro.&lt;br /&gt;Uma reportagem da época, ainda em Janeiro, mostra a pacificação agrária, no Uige.&lt;br /&gt;Destaque  ainda para interessante crónica de Virginia Redinha sobre a visita ao  Museu do Dundo, acompanhada pelo Soba Sakamanda, para avaliar o culto  dos ancestrais, no Museu, verdadeira pérola diamantífera...&lt;br /&gt;Entretanto  confirmou-se que o Banco de Angola mudava a sede para Luanda. E onde  pensam que era antes? Não se matem a adivinhar. Era em Lisboa,  evidentemente!&lt;br /&gt;Menos de um ano, após o início das hostilidades,surge  uma questão:soldados querem ficar!João Azevedo assina a reportagem,aliás  magnífica sobre o Uige. Repovoamento e sementeiras; a enxada a passar  para a mão que empunhou a espingarda,apesar de, na serra do Cananga  ainda haver indícios guerrilheiros. Uma terra bendita, promissora...&lt;br /&gt;A  24 de Março,uma reportagem caseira e bem esgalhada,com três páginas  acaloradas com praias de Luanda, visitadas pelos repórteres Alberto  Santos(?) e Ricardo Mesquita, fotógrafo do Cita.&lt;br /&gt;E uma interrogação  pasmática:«Teria sido Cristo um insurrepto político?- perguntava  Jerónimo Ramos,um mui desconfiado cronista do Cita. Investigou, comentou  e concluiu&lt;br /&gt;que sim!&lt;br /&gt;Outro problema, complicado de aceitar surgiu  em Abril: os condenados a penas de reclusão recusam-se a sair da Cadeia  de S. Nicolau, no final da pena!&lt;br /&gt;Nada de conflito prisional ou  judicial. Querem ficar em S. Nicolau,ponto final parágrafo!. Bom clima.  Chão generoso. E tranquilidade.E continuaram a trabalhar o chão, em  barracas pitorescas, com as mulheres e filhos, obtida licença ficaram.&lt;br /&gt;Júlio  Castro Lopo merece estudo à parte. As suas crónicas com tipo de letra  minúscula, por mór do espaço, que é sempre curto e escasso.São lições de  História,  de humanismo, lições políticas ou actos de ternura e de  coragem, um tudo nada perdido nas páginas folclóricas da revista.É  premente recuperá-las!&lt;br /&gt;Tremenda zanga entre o +N+ e o «DL» (Diário de  Luanda).A falta de clarificação sobre quem é quem nos jornais deu pano  para mangas, dava, de vez em quando. O +N+ entendia&lt;br /&gt;defender um indefeso ex-colaborador;os do diário (orgão do Estado) tinham prosápia&lt;br /&gt;e, bem entendido, uma polícia política por trás...&lt;br /&gt;De repende dou por Carmo Veiga a coordenar o desporto.Foi sempre um excelente camarada.&lt;br /&gt;Sobre  a morte do prof. Egas Moniz, nem por isso benquisto entre os  salazareiros,escreveu Júlio Castro Lopo, a relembrar o notável cientista  e prémio Nóbel.Um texto de admiração e simpatia. Um texto corajoso,  considerando os antecedentes!&lt;br /&gt;Nas edições seguintes surgem controversos textos, de diferentes personalidades,&lt;br /&gt;sobre como e onde situar a futura Universidade. Eu,por acaso já sei, mas não digo...&lt;br /&gt;A morte de Alda Lara chocou-me hoje, tanto ou mais,do que há 40 e picos anos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«À prostituta mais nova&lt;br /&gt;do bairro mais velho e escuro&lt;br /&gt;deixo os meus brincos lavrados&lt;br /&gt;em cristal límpido e puro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E cito apenas a frase  do irmão Ernesto: «...creio que foi por ela ser muito boa e muita pura, que Deus ma tirou»...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O petróleo de rompante na capa.E lá dentro o próprio Charulla a pegar no assunto, quatro páginas!&lt;br /&gt;Sem  cor o +N+ não é ainda o Semanário que conheci, mas neste segundo  semestre melhorou a olhos vistos.A ficha técnica, vista agora, à  distância, é obscura, quase ridícula.O director não dirige;o editor não  edita;Espera-se melhor perfomance&lt;br /&gt;em 63...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-3979038501449540100?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/3979038501449540100/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=3979038501449540100' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/3979038501449540100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/3979038501449540100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2010/08/n-7.html' title='+N+ 7'/><author><name>António Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06906448610116824524</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-6974332364397064527</id><published>2010-08-17T21:31:00.004+01:00</published><updated>2010-08-17T21:32:03.672+01:00</updated><title type='text'>+N+ - 8 (1963)</title><content type='html'>No começo de 63 a ficha técnica repete: director A.S.R. Albuquerque. O  dito Albuquerque dirigia tanto como um conhecido engenheiro desta praça  engenhava projectos covilhanenses! Era director de cruz, mas por  exigência burocrática&lt;br /&gt;do regime político.Na ficha constava igualmente o sr. Simões. como fundador, editor&lt;br /&gt;e  administrador. A malta da escrita, ou da reportagem não tinha lugar na  ficha. Nada da daquilo era invulgar. Os jornais e revistas da época não  se davam muito ao trabalho de divulgar as bases, as redacções. Mais do  que um reparo é um amuo por não saber quem era quem nas Redacções&lt;br /&gt;Podia  presumir-se que alguns dos textos fossem de colaboradores eventuais,  tal como as fotos, mas haveria decerto escrevinhadores efectivos.&lt;br /&gt;Uma  crónica enorme,mas com tipo de letra minúsculo, de Manuel Galhós, uma  rubrica aberta, segundo parece.E extensa,lá isso era. Dizia pouco, mas  ler que o Papa, de então, estivesse em fim de carreira deve ter causado  alguma perplexidade...&lt;br /&gt;Logo a seguir apareceu algo que me interessou  mais: João Azevedo a argumentar que «os chineses não têm o exclusivo das  coisas bem feitas»! E dito isso revela: «Temos em Luanda o único  Preventório Anti-tuberculose de toda esta parte de África»! Não é (foi)  um mero comentário. Era sobretudo uma notícia. Ficou a saber-se que  Luanda dispunha de um valioso instrumento para travar a tuberculose  infantil. É preciso hoje ter-se muitos anos para recordar o doloroso  pesadelo daqueles tempos! Não se tratava de mera obra de fachada e  talvez por isso estivesse obscurecida!&lt;br /&gt;A rúbrica «Semana vai/semana  vem» continua a não ser assinada, mas tem sumo e o tom não engana. Há  alguém no escuro a fazer o trabalho de casa...&lt;br /&gt;Um tal Alberto Santos  aparece com o Observatório da Mulemba e, por acréscimo, com Betencourt  Faria. O assunto tinha que se lhe diga e teve pano para mangas, como se  diz por cá, que mangas lá tinham outro sabor!&lt;br /&gt;Ainda na primeira  quinzena, um «assalto» às estações de Rádio. A reportagem confraterniza  com os homens (e senhoras) da Rádio. Brandão Lucas, ele próprio um  radialistae Raul Moreira, fotógrafo, encarregam-se datarefa, facilitada  para o repórter, que bem conhecia os cantos das casas... Bem como  quantos por lá falavam ou moldavam o som. Tem graça, «ver» à distância,  sobretudo alguns dos que das leis da vida se foram borrifando. E lembro  que nessa parte do Globo, onde se falava português não havia TV, daí que  os «radiosos» colegas atraissem alguma curiosidade, entre os quais  contei mais tarde alguns bons amigos...&lt;br /&gt;Alguèm no Jornal o esteve a  pôr por ordem. Gente interessante foi aparecendo com textos giros. A  reportagem rebuscava. Mas os comentários críticos ou culturais revelavam  também uma Luanda a mexer. Pena que o +N+ se perdesse um pouco nas&lt;br /&gt;limitações tipográficas.&lt;br /&gt;Em Fevereiro, o semanário aparece apertado no mal da época: excesso de Pub...&lt;br /&gt;Não  resisto a relembrar uma delas: três páginas, três, com fotos de pessoas  mais ou menos popularizadas, nas diferentes artes e ofícios e  identificadas como fumadores ou fumadoras, para destacar a chegada ao  mercado de nova marca...&lt;br /&gt;E, finalmente, a 9 de Fevereiro, a ficha  indica que João Charulla de Azevedo ingressou no +N+, como redactor  principal; Brandão Lucas fica como adjunto e Raul Moreira, fotógrafo  principal. Curioso é que não era indicado o Chefe de Redacção!Charulla  assume a liderança e determina a orientação:«Concordamos,mais ou menos,&lt;br /&gt;com a política do governo, todos e cada um de nós tem a obrigação de opor a vida, por amor de Angola»...&lt;br /&gt;Tornam-se  mais frequentes reportagens com imagens de guerra e de soldados nela  empenhados, a puxar o jornal para um natural populismo.E, por acréscimo  verbera-se asperamente a intervenção da ONU no Katanga, acusam-se os  soldados do «sr. Uthant» de excesso de violência sobre populações  indefesas e de violação de mulheres...&lt;br /&gt;Na semana seguinte, a crónica de Charulla é um completo blá-blá-blá,suficientemente explícito sobre prepotências da Censura.&lt;br /&gt;«Os  últimos defensores do Katanga» foi uma reportagem expressiva sobre o  rumo que a História ia tomando. Mostrou Denard, frustrado, a entregar,  na fronteira, as armas a Fialho Prego, oficial português.Denard, como  qualquer outro militar francês batido na Indochina, na Argélia ou  corrido do Congo! O jornalista comentou, crente de existir alternativa à  submissão da ONU! A lição estava dada.Quem não quis,ou não soube sair a  tempo, fê-lo empurrado,expulso, derrotado!&lt;br /&gt;Mas isso levou o seu tempo a ser entendido, de forma dramática e, claro, sem alternativa!&lt;br /&gt;E  havia as praias de Luanda e os domingos nas praias de lazer,onde o que  não fosse festa ficava para trás...O aniversário do Rádio Clube  festejado naturalmente.Desde agora(de então!),  Angola e os angolanos  não faltam no semanário. Brandão Lucas brinca a sério com os meninos  engraxadores,novidade importada do «puto». Mas, atenção, há um angolano  escuro a ser devidamente engraxado!&lt;br /&gt;E foi penas que as fotos de J.V.  não possuirem grande expressão nem impressão suficiente para a nocturna  reportagem  de um aparatoso abate de quatro toiros tresmalhados, género  de ocorrência que em Luanda se pensava só ser possível em Vila Franca.  Dois dos animais foram abatidos a tiro.Um dos quais acabou por morrer no  mar, junto à praia!&lt;br /&gt;Em Março, Brandão Lucas desaparece da ficha  técnica, presumivelmente assoberbado por afazeres de radialista.Na ficha  aparece uma inovação: Manuela Carregado, maquetista!&lt;br /&gt;A seguir uma  capa,pelo menos inesperada: três rapazotes nus lavam os rostos, num  enorme lavatório. Dentro,percebe-se: «homens de amanhã», na reportagem  sobre a Casa Pia de Luanda!&lt;br /&gt;Se Alberto Santos é quem eu penso, duas  páginas para o lutador Carlos Rocha e companheira foi excessivo. Menos  foi o incidente no muro de Berlim, que ainda separava os alemães, como  separava o Ocidente do Leste. Também lá não se colocava a questão de  saber quem era o bom, qual o mau. O problema estava na força. Cada parte  exibia o seu apoio.Quando um deles fraquejou, o muro caiu. Mas para  isso ainda faltavam alguns anos.E enquanto isso, os incidentes que  ocorriam eram ocidentalmente explorados, como a reportagem evidenciou!&lt;br /&gt;Mais  preocupante a fuga de civis africanos, naturais do Katanga. Fugiam à  chegada dos militares africanos da ONU! Mulheres, com crianças de colo  (nas costas)e cestos à cabeça fugiam deles alucinadas, procurando abrigo  em Angola. Eram  os novos e pragmáticos sinais do tempo,  incompreendidos até pelo autor do texto-legenda! Noutro comentário, o  comentarista, o já citado Galhós, avisava que «estavamos como os  espanhois estiveram até 1640! Ou, depois, quando das invasões francesas:  tivemos de os expulsar»!&lt;br /&gt;Surge nova seccão, que vai perdurar:«Isto tornou-se Notícia».&lt;br /&gt;A  23 de Março comenta-se a Reunião promovida pelo Movimento Panafricano  Central, Ocidental e do Sul de ameaçar invadir Angola, caso Portugal não  acatasse as deliberações de Leopoldville, até ao fim de 1963.&lt;br /&gt;O  efeito Charulla ia dando resultados. A 30 de Março,uma página dá curso  ao Correio dos leitores. E a seguir um fait-divers permitiu-lhe um texto  soberbo sobre violência policial, nos Coqueiros, que passou pela  Censura, mercê de argúcia, muito necessária naqueles tempos: começa  porlembrar que o jornal tem divulgado repetidas vezes factos  demonstrativos do bom nível a que guindou a PSP...&lt;br /&gt;...Mas o  comportamento dos agentes da PSP, em serviço no Estádio dos Coqueiros,  testemunhado por milhares de pessoas; «e estes milhares de pessoas  pensariam que a Imprensa  está sob coacção se, nos jornais, não vissem o  incidente devidamente verberado!»&lt;br /&gt;Censor nem sempre tinha tomates...desta não cortou, não senhor, o arraial de porrada&lt;br /&gt;aos  assistentes, bem como aos fotógrafos, um dos quais foi detido; obrigado  a revelar as fotos e a ficar sem algumas. Foram frequentes,  naturalmente os choques&lt;br /&gt;com a severidade do regime imposta pelos censores e, em África, muitos desses censores eram militares no activo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-6974332364397064527?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/6974332364397064527/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=6974332364397064527' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/6974332364397064527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/6974332364397064527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2010/08/n-8-1963.html' title='+N+ - 8 (1963)'/><author><name>António Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06906448610116824524</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-2896976979967169841</id><published>2010-08-17T21:31:00.003+01:00</published><updated>2010-08-17T21:31:40.032+01:00</updated><title type='text'>+N+ 1963/2</title><content type='html'>De Lisboa, Rola da Silva comenta futebol.Admite que contra o Milão o  Benfica vai sentir dificuldades, na final de Londres, mas... se marcar  primeiro...&lt;br /&gt;Lá marcar primeiro,marcou,mas ganhar não ganhou...&lt;br /&gt;De guerra se falava cada vez menos, mas aparecia com frequência no +N+.Tornou-se tradição e respeito pelos militares.&lt;br /&gt;Raul Aires -Indipo - escreve no +N+. Faz de repórter dele próprio, com caracter, com limpeza, com História...&lt;br /&gt;Teresa  Gama,jovem e desinibida, aparece a 6 de Julho a dar conta do seu  desembaraço, em plena mata, ao serviço do Instituto de Investigação  Científica de Angola. Colocada na Huila, não parou de escrever, nem de  pintar, nem, claro, de confraternizar com amigos das tintas e das  letras, pelo que, no Jornal, aparece num assomo de graciosidade  desenhada por Neves e Sousa...&lt;br /&gt;O caso Profumo também apareceu  badalado no +N+. Em tom sarcástico, é bom de ver, mas um tudo nada  assaloiado. Há sempre alguém que desdenha as quecas dos outros...&lt;br /&gt;O  Povoamento foi seguramente uma das políticas que depois de 61 mais e  melhor foi promovida e apoiada e com reconhecimento das populações  rurais.O primeiro e mais significativo reconhecimento e elogio que ecoou  pelo país todo, tardou dez anos e foi formulado por Francisco Balsemão.  Lá chegaremos. Nunca mais aprendo a fechar a boca! Em 63, as fotos de  Teles Tavares pouco reflectiam o que começava a acontecer e foi  continuando, enquanto posssível...&lt;br /&gt;E a 20 de Julho Artur Peres é capa  do +N+.Ele fazia tanta coisa que é difícil imaginar o porquê na  capa.Fazia Rádio e apresentava um programa de variadades num cinema de  Luanda,nas tardes de sábado.Mas o motivo foi outro:integrou-se numa  coluna militar para incluir a operaçãp numa reportagem para a Rádio. A  operação correu mal. A colunafoi atacada com rara violência.Houve baixas  de ambosos lados. Peres esteve à altura e fez o seu trabalho. E passou a  ir todos os anos juntoda campa dos que caíram e a jantar com os que  escaparam.&lt;br /&gt;Quem aparece também é Acácio Barradas. Não no genérico,  mas num bem divertido remoque de Neves e Sousa, artista plástico de  renome, ao modo como os jornalistas olham os artistas...&lt;br /&gt;Crocodilos  caçados.Crocodilos mortos.Crocodilos magníficos,impressionantes. Mortos.  Era tempo.Hoje fez-me pena olhar os pobres bichos abatidos. Se ainda os  houver porlá&lt;br /&gt;guardem alguns ou guardem todos. De preferência no rio,nos rios...&lt;br /&gt;Interessante  trabalho reportado sobre as estradas que começavam a desbravar Angola,  «alargando» o país (desculpem não dizer colónia!), tornando possível  viajar, visitar, conhecer para melhor reconhecer e acompanhar o  desenvolvimento que se...&lt;br /&gt;desenvolveu!É bom lembrar, neste domínio,o muito que se fez por Angola e que por lá se deixou...&lt;br /&gt;Uma história demoníaca chega ao +N+: um aluno interno numa escola de Nova Lisboa&lt;br /&gt;(Huambo)  foi remetido para casa dos pais, na Cela, três meses depois das  férias;com menos 25 quilos de peso e manifestamente doente.Morreu dois  dias depois, no hospital.&lt;br /&gt;A única pessoa não referenciada foi  justamente o director do colégio. Um pormenor curioso e que de algum  modo parecia, então, prática corrente: mostrar a vítima e esconder o  vilão.&lt;br /&gt;Outra do género, semanas depois, envolve uma quadrilha de  garotos, desmantelada pela PJ. Não seria muito anormal se não tivesse  uma página com fotos: o chefe Fonseca, de costas,e o director da PJ, tão  de lado, tão que mal dava para ver os óculos! Quem eram os miudos não  se disse, o que era natural. Estranho é que sendo «miudos» ficassem  dependentes do Tribunal Militar!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-2896976979967169841?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/2896976979967169841/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=2896976979967169841' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/2896976979967169841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/2896976979967169841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2010/08/n-19632.html' title='+N+ 1963/2'/><author><name>António Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06906448610116824524</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-513942966024827281</id><published>2010-08-17T21:31:00.001+01:00</published><updated>2010-08-17T21:31:14.551+01:00</updated><title type='text'>+N+ -1963 (3)</title><content type='html'>No mês seguinte, em Agosto,o director do Colério João de Castro, de Nova  Lisboa, escreve ao +N+ a dizer que era um director do caraças, sempre  muito preocupado com os alunos, e que o aluno que morreu era um aluno  detestável, bera como tudo.E que toda a gente que disse mal dele,  director,se havia de lixar, no tribunal. Claro que disse o que quis  dizer por outras palavras, presumivelmente adocicadas pelo senhor seu  advogado.&lt;br /&gt;Marilyn Monroe ilustrou a capa da semana seginte. A sujeita,mesmo em capa a preto e branco iluminou a página. Fabulosa criatura!&lt;br /&gt;Charulla  de Azevedo é de facto o redactor principal. Conta ou zurze no que vê e  ouve. De algum modo carrega o Jornal e torna-o uma referência em Angola.&lt;br /&gt;Em Setembro tudo na mesma. Os mesmos nomes de topo.&lt;br /&gt;Os  mercados de café em Bula Atumba é uma reportagem, de Charulla, tipo  estaladão. Só com texto.Palavras escritas,palavras duras,escritas a  sorrir.Um belo texto...&lt;br /&gt;Américo Tomás veio a Angola reconhecer. Muita  gente antes, e alguma depois, também. Em Angola,porém, reconhecia-se  melhor o Presidente do Conselho de Ministros! Mas as reportagens da  visita de Tomás são, sobretudo, um magnífico registo, não apenas da  estadia mas também a imagem da realidade de Angola. Essas imagens, no  princípio de Outubro mostravam, a quantos quisessem ver,um tipo de vida  bem melhor do que o que se vivia na Metrópole! E não era, nunca foi, por  condescendência de Lisboa.&lt;br /&gt;Ainda com Tomás nas páginas do +N+,  Charulla de Azevedo escreveu: «... sempre arranjamos,nestes três  abençoados anos,maneira de melhorarum pouco a nossa vida e,  principalmente, de garantir a dos nossos filhos!» As coisas não  acabariam assim. Mas isso ele nunca soube...&lt;br /&gt;Charulla vai à Alemanha e  Acácio Barradas fica a substituí-lo,na ausência.É anunciado o «Café da  Noite»,o programa de rádio, que se tornaria o mais popular em Luanda,  com Sebastião Coelho.E um texto fabuloso, a servir de título:&lt;br /&gt;«ÀS 7 DA MANHÃ MORREU a PIAF.&lt;br /&gt;ÀS 8 OS PARISIENSES ESCUTARAM NA RADIO&lt;br /&gt;O ELOGIO FÚNEBRE,ESCRITO E LIDO POR JEAN COCTEAU.&lt;br /&gt;ÀS 13 MORRIA JEAN COCTEAU...&lt;br /&gt;Fez-me  impressão, confesso.E,agora,talvez mais. A 26 de Outubro leio que a  «consagrada» Comissão de Censura resolvera punir com suspensão o  NOTÍCIA. «A pena aplica-se a uma única semana».Logo não haveria +N+a 2  de Novembro.Entretanto dava-se conta da entrada de Tavares da Silva.Mas a  16 não lhe vi, nem na ficha técnica.&lt;br /&gt;A 23 João Charulla de Azevedo  passa a figurar como Director-adjunto e Acácio Barradas entra no  genérico como Chefe de Redacção, que efectivamente já devia ser.&lt;br /&gt;O Quim Cabral, esse, ia aparecendo de vez em quando,continuando «amarrado» no CITA.&lt;br /&gt;Duas páginasinteiras, sem pub, com fotos de Sophia Loren a fazer strip tease,bem até certo ponto. O que apetecia ver não se viu.&lt;br /&gt;Via-se, isso sim, Jack Ruby disparar sobre Lee Oswald, e o adeus dos Kennedy ao irmão defunto...&lt;br /&gt;Capa, capa mesmo, a 7 de Dezembro, a bébé às costas da mãe.Um estilo de vida, com título saboro:&lt;br /&gt;«Mãe:a mulher que toda a gente adora». Claro está que a mãe negra é um trabalho excelente de Joaquim Cabral...&lt;br /&gt;Segue-se  outra capa das arábias: cinco fotos, cinco, de lata amolgada. Carros  tramados, mesmo os de luxo, por um cilindro tractorizado...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-513942966024827281?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/513942966024827281/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=513942966024827281' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/513942966024827281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/513942966024827281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2010/08/n-1963-3.html' title='+N+ -1963 (3)'/><author><name>António Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06906448610116824524</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-8273932789016905378</id><published>2010-08-17T21:30:00.003+01:00</published><updated>2010-08-17T21:30:52.142+01:00</updated><title type='text'>+N+ - 64/1</title><content type='html'>O primeiro de 64 sai a 4 de Janeiro, ainda a festejar o novo ano.Na capa uma menina&lt;br /&gt;(onde andará,ela, agora?) com duas bonecas.&lt;br /&gt;Um  texto violento, como aliás o assunto merecia,perde força e razão por  não estar assinado, ainda que tal responsabilizasse o director, que,  como sabem, nem era quadro activo no semanário.Mas voltemos ao assunto:o  despedimento do enfermeiro-chefe da Casa de Saúde de Luanda terá sido  manifesta prepotência do «alguém» da Direcção sindical.Mas o texto  também não aponta o responsável. Foi pena.&lt;br /&gt;A ficha técnica mantém-se:  Charulla como director-adjunto e Acácio Barradas,na chefia da  redacção.No sumário descortina-se que Rola da Silva colabora a partir&lt;br /&gt;da «Metrópole» (o termo sugere «colonialismo», não sugere?) com informação desportiva.&lt;br /&gt;E  não é que descortino Sócrates (?) a brincar, numa secção futurista!... E  duas páginas, duas, para o casamenteiro Porfírio Rubirosa a dar o nó  com uma jovem bem interessante! Entre as cinco que ficaram contavam-se,  prestem atenção: Danielle Darrieux, Zsa Zsa Gabor e a multimilionária  Bárbara Hutton...&lt;br /&gt;Festa Brava em Luanda contou com cobertura séria: Joaquim Cabral e António Sequeira, mas com deficientepaginação.&lt;br /&gt;Uma  nota solta dava conta que o jovem Fernando Farinha, que cumpria serviço  militar em Silva Porto,era citado como colaborador do semanário, estava  de passagem por Luanda.&lt;br /&gt;Na semana seguinte, João Charulla de Azevedo  foi assistir à Assembleia do Snecipa dado o estranho silêncio dos  directores do organismo sindical, a propósito do abusivo despedimento,  acima citado. Como seria de prever o assunto ficou esbatido sob «o manto  diáfano da fantasia». Ao jornalista não restou senão recomentar o abuso  e por aí se quedar...&lt;br /&gt;Mas na página do sumário e ficha  técnica,Tavares da Silva é apresentado como redactor principal. Acácio  continuava a chefiar a Redacção...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-8273932789016905378?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/8273932789016905378/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=8273932789016905378' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/8273932789016905378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/8273932789016905378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2010/08/n-641.html' title='+N+ - 64/1'/><author><name>António Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06906448610116824524</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-5803511921745681140</id><published>2010-08-17T21:30:00.001+01:00</published><updated>2010-08-17T21:30:19.481+01:00</updated><title type='text'>+N+ 64/2</title><content type='html'>Um caso de bigamia enche quatro páginas da revista. Muito texto e pouca uva. Uma&lt;br /&gt;foto  apenas: a da primeira esposa. Os restantes personagens citados não  aparecem nas imagens. Nem sombra do vilão. O Acácio Barradas,que virei a  conhecer uns anitos mais tarde, ter-me-ia dado cabo do caneco, se eu  apresentasse a caldeirada semjindungo...&lt;br /&gt;Quiminha:a água da sede  deLuanda mostra o outro Acácio Barradas: o que arruma o jornal eo  empurra para a rua,para o campo, para junto das pessoas, à procura de  Angola, estivesse onde estivesse...&lt;br /&gt;E já pode chover em Luanda.É o  título mais desejado na cidade, menos de um ano após o dilúvio, que  arrasou uma parte de Luanda.Esta excelente notícia, em forma de  reportagem, não aparece assinada. Injusto! Era uma grande notícia, de um  assunto caro aos luandinos, como mostraram as fotos de Raul Moreira,  sobre um passado, então recente, de triste memória.&lt;br /&gt;E foi um Tavares da Silva, pronto a disparar, que irrompeu no +N+ e deve ter provocado alguns temores.&lt;br /&gt;Xico  Orta, desenhador, ilustrador, entra no Semanário. Com Charulla, o  jornal cresce e ganha força. Melhora emqualidade e grafismo. Um tal  Palácios vilipendia a Câmara de maneira planfetária, mas bem  disposta.Valia o que valia. Fazia sorrir de coisas tristes.&lt;br /&gt;TavaresdaSilva  acompanhou o G.G. à Lunda e depressa concluiu que lá, na Lunda «não há  homens ao de cimo da terra»! Pois, pois, demasiado rica nas  entranhas!...&lt;br /&gt;Quem quisesse ser artista podia vir a sê-lo ou não, mas foto no +N+, ah! isso sim,&lt;br /&gt;era só pedir!&lt;br /&gt;Tavares da Silva brinca, a brincar com coisas ditas sérias; Xico Orta baba-se de gozo! Que posso eu, ainda hoje, senão rir?&lt;br /&gt;«Falta  ao Benfica uma mão forte e competente para guiar a nau»! Não resmunguem  comigo. Foi o que Rola da Silva escreveu. Ele não era visionário. Deve  ter sido mera coincidência. Além de que  só tinha a ver com o Serafim ou  com o Pedras; com o Zé Augusto ou o Simões! E nem o Eusébio escapou.&lt;br /&gt;Aquitandeira era bem a capa que faltgava e deixou de faltar!&lt;br /&gt;Nem faltaram títulos marginais como:&lt;br /&gt;«Luanda está errada como capital de Angola»      -Água&lt;br /&gt;- Charula a defender a tese de Lisboa-a-nova...  vai para sanzala&lt;br /&gt;                                                -também por lá faria falta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma  jovem senhora, Alieta Cotovio surge como colaboradora, com temas  destinados a estudantes. Charulla, esse, queria mudar-sepra Nova  Lisboia, levando com ele a capital.Foi persistente tal tese. Já depois  de ser país,Angola haveria de ouvir Troufa Real a perfilhar a mesma  teses, mais tesa ainda: queria a capital geodésica algures no centro.&lt;br /&gt;Afinal, a água tem ido tranquilamente para as sanzalas e em diferentes distritos. Fotos dessa realidade foram exibidas.&lt;br /&gt;Um título inusitado assusta-me:«O Plano Financeiro» - por Sócrates»!!! À cautela&lt;br /&gt;não leio, apesar de ilustrado a vermelho!&lt;br /&gt;O  nº 217 calhou no primeiro de Fev. e anuncia na capa que o «Caso Bolou  ainda não foi resolvido», capa esta que insere o bonito rosto de Jane  Fonda! -porquê?&lt;br /&gt;O caso  Bolou de facto não foi resolvido. Não havia  da parte do manda-chuva da direcção do Sindicato vontade de abordar o  assunto,diante dos sócios sindicalistas, que incluiam, vejam lá, os  jornalistas!. Um excesso de autoridade que assentava na convicção que as  bases não podiam exercer qualquer pressão democrática, cuja dita não  era, então, reconhecida, nem tolerada, pelo poder político.&lt;br /&gt;Dada a  época que então se vivia, o artigo de Bettencourt Faria teria que fazer,  como fez, natural furor:«Mensagens de Marte são recebidas na Terra há  mais de três anos»... Em foto, um texto de gatafunhos indecifráveis  teria chegado de Marte de Eustaquio Zagorsky.&lt;br /&gt;Desde então nãomais li nada sobre o dito Zagorsky, nem sobre as tagarelices marcianas, , mas tinha piada na altura.&lt;br /&gt;Rola da Silva nãoparava de escrever sobre o futebol do «puto», um tipo de foot que Rola não parecia apreciar muito...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-5803511921745681140?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/5803511921745681140/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=5803511921745681140' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/5803511921745681140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/5803511921745681140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2010/08/n-642.html' title='+N+ 64/2'/><author><name>António Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06906448610116824524</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-4934645509155234211</id><published>2010-08-17T21:29:00.005+01:00</published><updated>2010-08-17T21:29:59.692+01:00</updated><title type='text'>+N+ 64/3</title><content type='html'>Uma fadista em Luanda,mas à moda alfacinha, fotografada à noite, em  vielas mouriscas ou se preferirem, passeava por Luanda, como se o faria  em Lisboa.Só que «o faria» nãp foi para aquichamado. Foi usado como  verbo de encher...&lt;br /&gt;O arranha-céus de Luanda estava prestes a  elevar-se. Manuel Vinhas prometia um «monumento da nossa fé inabalável  nos destinos da Pátria». E fez-se. Dele se fez banco. Haveríamos de  aprender que a «Pátria» não dependia da fé,mais oumenos teimosa,  dependia dos militares e, eles, optaram por uma pátria mais acanhada, é  verdade, mas também mais de acordo com a moral vigente...&lt;br /&gt;O carnaval  irrompeu vistoso e alegre, em Lourenço Marques. Ao dito assistiu Acácio  Barradas.Descreveu a alegria a rodos e a notória «falta de  preconceitos»...&lt;br /&gt;Mais do lado de chefe de família, Joaquim Cabral fez imagens expressivas do austero museu do Dondo...&lt;br /&gt;E  a poucos quilómetros do Chinguar uma locomotiva e um comboio de  mercadorias chocaram de madrugada.O maquinista da locomotiva sossobrou,  aparentemente de propósito...&lt;br /&gt;Mais apelativo à curiosidade dos  leitores,o «dossier divisas» foi caso que valeu página realçada a  vermelho. Após ler-se uma explicação difusa percebe-se logo um caso de  fuga ao Fisco. Pronto: já sabemos quando começaram!...&lt;br /&gt;Marisol passou  por aqui... quer dizer passou,passeou e cantou. Cantou e depois de  encantar, abalou...Duas páginas adiante assevera-se haver ballet em  Luanda. Parecia um daqueles, sim, pois, há de tudo como na farmácia.  Chega de bocejar e de fazer o chato. O ballet, mais do que um  espectáculo «cabaretero» era uma escola e uma escola notável de  modernidade. Com alunos de todos os tamanhos (quero dizer: idades!).  Bastante promissora.&lt;br /&gt;E um fenómeno no Cacuaco(?)! O dito merece, e  tem (teve) o adjectivo de estranho. Não discuto fenómenos. Sou um  descrente benévolo. Não discuto,já disse, mas estou mais pronto a  acreditar que se tratou deum estratagema do Quim Cabral para aparecer,  ele, nas páginas do jornal...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-4934645509155234211?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/4934645509155234211/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=4934645509155234211' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/4934645509155234211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/4934645509155234211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2010/08/n-643.html' title='+N+ 64/3'/><author><name>António Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06906448610116824524</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-4025265268559050606</id><published>2010-08-17T21:29:00.003+01:00</published><updated>2010-08-17T21:29:37.479+01:00</updated><title type='text'>+N+ 64/4</title><content type='html'>O Rola insiste em confundir-me. Diz que o Benfica é (era)como o Porto!!!  Ganhava que se fartava e já era campeão, mesmo sem ter vencido um  grande! Oh!Pá! «esse» Benfica devia ser outro...&lt;br /&gt;Peyroteo voltou a  Angola como monitor desportivo, ainda rotelado de «maior goleador  português e o mais implacável dos cinco violinos».&lt;br /&gt;Cruzeiro Seixas  doou à Cuca a sua colecção de Arte Humilde. Uma colecção extraordinária,  cuja dita, espero eu, tenha sido preservada!&lt;br /&gt;Rola da Silva  continuava visionário e mandou para Luanda  crónica intitulada: «Um Real  Madrid, que ressurge das cinzas e um Benfica cuja vantagem é ter  extremos. Vamos lá explicar ao Rola: o único extremo do Benfica joga em  Espanha;e o Real de Madrid ser posto fora da Europa!...&lt;br /&gt;A morte de Kennedy em forma de folhetim.Ainda assim faz impressão, quase meio Século&lt;br /&gt;dpois...&lt;br /&gt;Francisco  Relógio esteve em Luanda, a caminha de Moçambique,onde ia terminar um  mural para o novo edifício do BNU. E a responder ao +N+, decerto  inquirido por Tavares da Silva, dada a familiaridade do tom da  entrevista. Os pintores grosso modo pintam. Raramente escrevem. Mas  falam! É pena! Relógio disse que em Angola não havia pintura. Disparate.&lt;br /&gt;A  meio de Março era o Cubal a justificar a capa militarizada. A  reportagem com os militares é de Emílio Filipe e devem ter sido dele  também as imagens distribuidas por oito páginas de excelente reportagem.  Na mesma edição o «Diabo» defendia o direito de não estar personalizado  e divertia-se com algumas alusões que poderiam ser ou não do criativo  criador...&lt;br /&gt;Mas a 24 de Março, Tavares da Silva some-se da ficha  técnica. Charulla de Azevedo   mantinha-se como director-adjunto e  Acácio Barradas, como chefe de redacção.O mesmo Acácio haveria de  assistir à queda do avião que deveria tê-lo transportado se...&lt;br /&gt;Há  sempre um destes «ses», mais ou menos milagrosos! E o Acácio foi capaz  de contar, quero crer que com lágrimas nos olhos, o trágico acidente e  guardar na memória as vítimas que ele esteve prestes a acompanhar...&lt;br /&gt;Uma  página com título sobre Malangatana não era, na realidade, sobre o  pintor moçambicano, mas uma forma atrazada e atabalhoada de retorquir às  asneiras do "Xico das Horas" (Francisco Relógio) sobre não haver  pintura em Angola.&lt;br /&gt;A 28 de Março, e num texto não assinado,  especulava-se sobre se Jacqueline Kennedy poderia, ou não, vir a ser  presidente ou,no mínimo, vice-presidente, dos states. Era cedo ainda.  Blá-blá puro e simples. Seguiu a vida dela. Voltou a casar, viu-se  grega, por assim dizer. Voltou a enviuvar e ficou bem  na vida, até  perecder...&lt;br /&gt;Três páginas com Brigitte Bardot, quase vestida, de  férias no Brasil! Já em Abril.Por cá (lá) José Trincheira assegurava a  «Festa Brava» em Luanda. Um +N/Juvenil+, com duas páginas, surgia como  uma aposta.&lt;br /&gt;A transportadora francesa U.T.A. trouxe (levou) a Luanda  um grupo de turistas.Podia, então,entender-se como o reconhecimento  externo da segurança, o suficiente para usufruir férias tropicais.Os  turistas diveriram-se e abalaram satisfeitos. Outros estavam na calha...&lt;br /&gt;...E  Mocâmedes esteve em foco durante três semanas de festejos.Fogo de  artifício iluminou a noite de S. Pedro. O enorme Fernando Chaves  entregou ao +N+ «bonecos»  bem esgalhados. E uma história que de cor de  rosa nada teve.Uma menina de 4 anos, vendida pelo pai, africano, devia  ser entregue ao «cliente» aos 14.Educada num convento, escreveu cartas. E  por ela se escreveram outras cartas. Deus sabe para onde. De Espanha  veio resposta. Foi pago o «resgate» (uns vinte contos!) e uma bolsa de  estudo,oferecidos pelo genro de Franco! Que merda de Censura era aquela,  que deixou publicar tal vergonha? Oh! É como dar carta a quem atropele  crianças! Censor e juiz torna-se uma correlecção!&lt;br /&gt;Capa alegre, com Sylvie Vartan a iluminar o tom escuro à sua volta...&lt;br /&gt;E,  afinal, Diamantino Viseu e José Trincheira viram-se aflitos para sair  da Praça, onde não tourearam, porque o empresário nãolhes oagou a tempo e  horas. E horas tristes se seguiram! O empresário não cumpriu;nem os  toureiros.Uma vergonha para todos...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-4025265268559050606?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/4025265268559050606/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=4025265268559050606' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/4025265268559050606'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/4025265268559050606'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2010/08/n-644.html' title='+N+ 64/4'/><author><name>António Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06906448610116824524</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-1896145710502113494</id><published>2010-08-17T21:29:00.001+01:00</published><updated>2010-08-17T21:29:14.146+01:00</updated><title type='text'>+N+ 64/5</title><content type='html'>Crime tinha quase sempre reportagem especial no +N+. Robi Amorim, que me  surpreende no semanário,descreve um crime, aparentemente sem castigo,  como tantos outros, que hoje em dia vão ocorrendo por aí...&lt;br /&gt;No melhor pano tombam nódoas. Quatro páginas do namoro desfeito de Johnny Halliday com Sylvie Vartan cheira a saloiada...&lt;br /&gt;As capas, essas, melhoram substancialmente, ainda a preto e branco. Carol Backer aparece deslumbrante.&lt;br /&gt;E choveu. E da chuva se fez notícia. Se pôs em causa a segurança apregoada e as medidas em curso.Sem motivo.&lt;br /&gt;Aconteceu  uma revolução no Brasil. Pois, mas não me lembrava. Li e gostei.Pena  que a reportagem não fosse de casa.Muita as fotos (reproduzidas) e texto  amorfo.&lt;br /&gt;Na edição de 25 de Abril (dez anos antes!) dá-se conta. «O  primeiro Oscar para um negro», o cujo dito era (acho que ainda é) Sidney  Potier. Verdade se diga (e o +N+ disse ) que já antes, em 39, uma  actriz escurinha,Haltie Mac Donald, tinha arrecadado uma estatueta, mas  para o melhor papel secundário.&lt;br /&gt;Em Maio, Sarita Montiel foi capa. O  semanário estava a perder embalagem. Muita agência e pouco trabalho de  casa. O segundo trismestre adormece na forma  e no conteudo. São as  meninas do cinema, os Beatles, mais cinema, algum teatro. Johnny  Halliday verus Sylvie, relido hoje faz bocejar. Carol Backer com cabelos  loiros na capa. Se tinha mais alguma coisa, não se vê na foto!&lt;br /&gt;Choveu e da chuva se fez inundações e a dúvida: "...com que então já pode chover!?"&lt;br /&gt;Por acaso já, já podia chover.A cidade inundou aqui e além, mas não ruiu, como antes...&lt;br /&gt;Num  Portugal-Inglaterra perderam os melhores e ganharam os que jogaram  melhor(!?) - título, com chamada na primeira página! Traduzindo a versão  patriótica de Rola da Silva: os melhores eram, como todo o mundo sabia,  Portugal, dos portugueses! Os estúpidos que jogaram melhor eram  ingleses... Que saudades!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-1896145710502113494?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/1896145710502113494/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=1896145710502113494' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/1896145710502113494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/1896145710502113494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2010/08/n-645.html' title='+N+ 64/5'/><author><name>António Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06906448610116824524</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-6191016115119779929</id><published>2010-08-17T21:28:00.001+01:00</published><updated>2010-08-17T21:28:16.126+01:00</updated><title type='text'>+N+ 64/6</title><content type='html'>No fim de Maio, Charulla «matou» Neru, sem só nem piedade. Goa magoava o  orgulho nacional. A pátria inamovível perdia-se. Excessos de  patriotismo toldavam o espírito.&lt;br /&gt;A inevitável história com final  feliz de um caçador das Terras do Fim do Mundo, «caçado» por uma bonita  jovem britânica, com a qual deu o nó, serviu para «Isto tornou-se  Notícia», mesmo ao lado de  «uma jovem pianista angolana» a&lt;br /&gt;triunfar  em Paris. A jovem dava pelo nome de Maria Emília Leite Velho e se é quem  eu penso, fez carreira notável, com mais um apelido chegado do  matrimónio.&lt;br /&gt;Chegados a Junho, duas páginas para evocar Max Jacob e  aconchegar o «bando de Picasso». É giro, mas um tudo nada a  despropósito. Jacob morreu em Março de 44. Nem o texto está assinado,  nem a proveniência da foto. Coisas que aconteciam nos toques eruditos.&lt;br /&gt;Grande  baile da Imprensa e da Rádio. Muito concorrido. Foi imensa a multidão  de «ouvintes» ou de «leitores». Gente da Informação propriamente dita  não se deu muito por ela, mas com fotos encheram-se duas páginas.&lt;br /&gt;Rebocho  Vaz, então governador do Uige, gozava de bastante popularidade entre os  jornalistas angolanos, particularmente os do Notícia.&lt;br /&gt;A Missão  Católica do Vouga possuia um dos mais míticos hospitais de Angola. E se  alguém quiser fazer o favor de explicar o fenómeno, que só conheci de  ouvir falar, bem que lhe agradeço. Da Missão só retenho a devoção (e  gratidão) exibida por quantos&lt;br /&gt;por lá passaram. Se fora hoje já  estaria encerrada e os deficientes visuais ou outros que tais, teriam de  desviar-se e caminhar até Barcelona ou mais para cima, um tudo nada...&lt;br /&gt;+N+  Manteve sempre respeito e admiração pelos militares que defendiam o  princípio unilateral do Portugal indivisível. Lá mais para o fim,  problemas laborais, de carreira, de promoções e outras questões,  haveriam de pesar mais...&lt;br /&gt;A angiografia cerebral de Egas Moniz foi  realizada pela primeira vez portuguesa em Angola.Os médicos  militarizados eram jovens e de formação recente. Deixaram de lado a  pouca simpatia do governo salazareiro e avançaram com a técnica  revolucionária do ilustre cientista e prémio Nóbel, mas já rotineira nos  centros científicos de quase todo o mundo.&lt;br /&gt;Já em Julho, inseriu o  +N+ uma reportagem excepcional, desaconselhável às almas sensíveis,  efectuada por jornalistas franceses, Da sua publicação traduziu-se para o  português de então (sujeito a limites políticos ou patrióticos) o texto  que relatava casos de escravatura execrável,medonha ou simplesmente  reles, em diferentes regiões de países africanos.&lt;br /&gt;Estavamos limpos,naquela altura mas...&lt;br /&gt;A  África foi desde sempre um mercado de escravatura. Toda a África.  Presumivelmente ainda não encerrou esse capítulo triste da  humanidade.Fora de África também existiu&lt;br /&gt;e subsiste em sultanatos  orientais ou na reeducação dos deslocados dos novos países do Leste.  Melhor será não pensar nisso e dormir descansado.&lt;br /&gt;Castro Lopo evoca uma das figuras míticas de Angola: Alves da Cunha.Ainda hoje vale a pena ler.Eu li,mas não conto...&lt;br /&gt;Angola vem a Lisboa representar-se na Feira das Industrias. A Cuca fez sensação e uma fábrica de malas também...&lt;br /&gt;Depois «crescemos» e Angola criou a sua Feira de Industias e quem quisesse que fosse lá. E foram. E ainda assim bastantes!&lt;br /&gt;Tornou-se  hábito, com a propósito ou sem ele, inserir imagens de Angola  turística, para o caso de por lá chegar o turismo. O Duque (as quedas  do) e outras paisagens deslumbrantes. Pequenos recantos, como o de  Salazar, explicado como Dala Tando, fez-me lembrar as velhas piadas, no  bar do Felix, que nos levavam, sempre a explicar melhor: António  Oliveira Dalatando ou Oscar de Fragoso Uige!...&lt;br /&gt;Refeitório no Bungo  (Luanda) fez furor. Pudera! Refeições a cinco paus, caramba!Uma festa e  muitas bichas. Conclusão do repórter: «É preciso espalhar por Luanda  inteira&lt;br /&gt;outros refeitórios iguais»!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pantera negra da Broadway à solta na Quiçama...&lt;br /&gt;Mas  onde mais podia ser? Louise Michelle chegou de Paris, onde não nasceu,  nem cresceu o bastante.Fê-lo nos «stats», onde aprendeu a cantar o  suficiente para singrar na vida. E chegou para actuar num clube  nocturno, vulgo cabaret, onde fez enorme sucesso e apareceu no «Chá» E  haveria de ir espreitar as feras, lá, onde as feras faziam o seu  programa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um texto imenso sobre Cruzeiro Seixas  espantou-me(evitei escrever «comoveu-me» cá por coisas), e o seu riso,  definido com tocante requinte por Cesariny.&lt;br /&gt;Divertido mesmo foi ler  um apontamento sobre a vinda de jovens estudantes do Sudoeste  (africano), de Windhoek,mais exactamente. Sorridentes e bem dispostos,  apesar da viagem em camiões de carga, mais usado no transporte de gado!  Percorreram as principais cidades angolanas e divertiram-se à fartazana.  Regressaram satisfeitos. A reportagem deu conta da manifesta boa  disposição dos alunos e alunas, criteriosamente brancos,é bom de ver!  Mas é bom saber que as coisas já não são assim, já não são como eram...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo  Cardoso era novidade.Recém chegado, estava na Emissora  Católica.Depressa se impôs e grangeou prestígio.Havemos de cruzar  algumas vezes como seu trabalho recheado de profissionalismo brilhante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-6191016115119779929?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/6191016115119779929/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=6191016115119779929' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/6191016115119779929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/6191016115119779929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2010/08/n-646.html' title='+N+ 64/6'/><author><name>António Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06906448610116824524</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-6391572944471001908</id><published>2010-08-17T21:27:00.003+01:00</published><updated>2010-08-17T21:27:32.718+01:00</updated><title type='text'>+N+64/7</title><content type='html'>Ir a Carmona (no Uige, meus senhores) de carro dava gozo. Estradas era  na altura uma consequência do conflito armado. O governo da Província  respondeu a essa carência com invulgar celeridade. No entanto, a estrada  mais directa ao Uige tinha de atravessar os Dembos, zona pouco segura e  só possível, com coluna militar. A safa era ir por Salazar.Fez-se um  rali por aquelas bandas e o +N+ foi reportar. Uma das fotos apanha  Rebocho Vaz, então governador do Distrito, mas que haveria de assumir a  chefia da Província, no seu todo.&lt;br /&gt;Um crime! Contado e desvendado por  Castro Lopo. Sem foto de inspector ou de viuva.Uma intrigalhada,  minuciosamente descrita.Um crime sem castigo ou uma história&lt;br /&gt;de aventais...&lt;br /&gt;Duas imagens paradisíacas, fascinosas, porra, giras pra caraças, Kalunga?, Katunga?,&lt;br /&gt;gaita,Kalunga, pois, Kalunga! Mas onde era (é) isso?... Quem souber faça o favor de me dizer. Mas que é lindo, lá isso é!&lt;br /&gt;Emílio Filipe foi ao Quiçama, mas disse pouco. A mim nada me disse. Mas eu sei, eu&lt;br /&gt;fui  lá, depois dele. Também dormi em cubatas redondinhas. Devia ser  proíbido estar ali e dizer «apartamentos» ou coisas do género. Naquele  ambiente do mato fica melhor soprar cubata, barraca ou similar. Claro  que é de pedra, que tem cama com lençois e cadeiras e casa de banho.  Talvez tenha dito bem, o Emílio, mas eu não gosto. A Quiçama era de  sonho, mas ia-se lá, sobretudo para ver os bichos, elefantes,leões e  quejandos. Era isso que nos levava à Quiçama. Terá graça recordar  aprimeira vez que lá estive. Fui na comitiva do senhor aqui de cima, o  de Carmona, esse mesmo, Rebocho Vaz, o cujo dito foi o único  governador-geral a visitar o Distrito que habitava: Luanda!&lt;br /&gt;A 18 de  Julho, o +N+ exibe uma capa fabulosa.Não sou crítico de arte, nem sei se  o autor do desenho vingou na arte. O pintor Avelino Rocha saltou das  Escola de Belas Artes, do Porto, para a linha da frente, em Angola, como  alferes.Por esses tempos, muitos jovens estudantes, do «puto»  exilavam-se para evitar a guerra. Anos mais tarde,seriam as famílias a  mandar os filhos para as Faculdades da Universidade&lt;br /&gt;de Angola, de maneira a cumprir o serviço militar, onde a guerra era menos intensa,&lt;br /&gt;menos perigosa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas  «Notas Várias» Charulla comenta de Moçambique uma situação já  conhecida.O regime racista sul africano.O regime de Pretória era  assumidamente racista, mas os sul-africanos brancos não era todos  racistas. Pelo menos uma parte significativa deles não o era. Charulla  viu-os em Lourenço Marques, especialmente na Rua Araujo,onde a noite  era, como eram as noites do antigamente no Bairro Alto ou na Mouraria e  sei lá mais onde.&lt;br /&gt;Viu-os, dizia, por ali com meninas de cor.As  mulheres, esposas, deixadas no Hotel, também não se perdiam e,  algumas,as mais afoitas, pescavam especialidades escuras mesmo no no Bar  do Hotel ou pelas cercanias...&lt;br /&gt;A noite laurentina comos turistas sul-africanos era bem divertida e a reportagem oportuna, até para separar as águas&lt;br /&gt;Voltamos a «casa».Benguela festejava o aerodromo novinho em folha. A teimosia&lt;br /&gt;da  sua gente, que deu material e suor para ter a sua «estação» dos aviões.  E sobretudo para deixar de se sujeitar a ter de ir ao Lobito (ali tão  perto) apanhar&lt;br /&gt;o avião. Rivalidade é rivalidade. Até com o comboio  eles discutiram. Para o Leste, o comboio passou a arrancar de duas  estações. Metade de Benguela e a outra meia, do Lobito. E entroncavam  uma na outra, na Catumbela e seguiam rumo ao Moxico, no Leste. Era bem  um comboio do antigamente. Mas era manifico. Um serviço de restauração  excelente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Castro Lopo retoma «Angola no passado» dele, o seu  tema preferido, que descreve com discreta ironia, envolta em comovente  ternura, personagens,os mais diversos e, frequentemente inesperados como  este, que só o título faz arrebitar as orelhas: «Estatística dos burros  do concelho de Luanda»... Simplesmente magnífico&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-6391572944471001908?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/6391572944471001908/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=6391572944471001908' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/6391572944471001908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/6391572944471001908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2010/08/n647.html' title='+N+64/7'/><author><name>António Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06906448610116824524</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-7104473744916618709</id><published>2010-08-17T21:27:00.001+01:00</published><updated>2010-08-17T21:27:12.697+01:00</updated><title type='text'>+N+8</title><content type='html'>«Ameaça» logo no início de Setembro:o Governador Geral propunha-se  governar a Província de Angola apartir de Nova Lisboa, capital do  Huambo,mas...duante duas semanas! No entretanto, as«organizações Almeida  Campos» escolheram o momento para inaugurar, na mesma Nova Lisboa,o  primeiro super mercado angolano.O facto levou o +N+ a sugerir: «talvez  fosse boa ideia ir lá alguèm da capital (Luanda!),para contar que coisa  estranha é essa! Portuguesmente falando,o supermercado era novidade. Se a  memória não me trai, o primeiro que apareceu em Lisboa foi um  "minúsculo"na rua Primeiro de Dezembro, e ainda lá mora, alargado e com  outro nome. Em Luanda, e decerto noutras cidades angolanas, o sistema já  funcionava, em circuito fechado, digamos assim. Na Cuca, por exemplo, a  cantina era um super tal e qual, ainda que destinado apenas aos  trabalhadores da empresa. Mas havia habilidades:o pessoal do BCA, banco  privado, cuja administração era maioritáriamente a mesma da Cuca, usava a  cantina sem limitações. Outras grandes empresas dispunham, estou em  crer,de recursos semelhantes...&lt;br /&gt;Tshombé sublinhava por si só a  qualidadedo organismo africano, que superentendia nos asuntos dos países  do continente.Começaram por recusar acento a Moisés Tshombé, ao qual  dariam pouco depois importância desmedida,para espanto dos jornalistas e  seu respectivos orgãos de informação. Resolveram o dilemam com o senso  habitual africano: eliminaram o político de vez!A África não melhorou,  bem entendido, nem ficou pior. Tranquilamente na mesma! Nos dias de  hoje, no que foi a Rodésia, há quem espere e não falta quem desespere...&lt;br /&gt;A  morte de Craveiro Lopes, que tinha saído pelo seu pé e pela vontade  expressa pelo então primeirisssimo ministro, foi assunto da imprensa em  geral e de três páginas do +N+, na particular.&lt;br /&gt;Júlio Castro Lopo é  quase demoníaco a falar de bananas para zurzir, sem se dar por isso, a  administraçao pública da Província!A não perder, diriam hoje os colegas  da TV...&lt;br /&gt;Do alto do Café Paladium alguém caiu e Saint Maurice logo  perguntou: acidente ou crime? Não respondeu. Preferiu que cada leitor  tirasse conclusões...&lt;br /&gt;Joaquim Cabral patinhou por Lisboa. Descobriu a  Feira da Ladra, as fontes do Rossio e as flores ornamentais.O Quim era  meio introvertido, falava pouco ou nada, mas a máquina fotográfica  gritava pelos dois e só não «ouvia» quem não estivesse para isso...&lt;br /&gt;Franco Nogueira passou por Luanda, de esposa à vista. Eram poucos, então,os políticos&lt;br /&gt;que possuiam caras metades dignas de expor à curiosidade popular.&lt;br /&gt;Saint  Maurice volta ao caso do morto tombado do alto do prédio do café  Paladium, interpelando um presumível suspeito, o qual, como qualquer  presumível suspeito seja do que for, se declara inocente, absolutamente  inocente, e muito desejoso que a verdade venha à tona. Não raro, as  verdades pesam como chumbo e apodrecem submersas...&lt;br /&gt;Em Setembro, a  ficha técnica repetia os nomes do administrador,queria dizer: patrão, o  director,que significava doutor ou equivalente, director-adjunto,  director, o autêntico, o que superentendia na feitura do jornal, e o  chefe de Redacção, cujos artifícies, mais ou menos anónimos, não  constavam da ficha, cuja dita mostrava António Sequeira, fotógrafo do  CITA e colaborador eventual!&lt;br /&gt;Um artigo inédito de André Maurois,por  acaso interessante, só não se compreende bem porque diabo é inédito?! O  artigo disserta sobre o «Novo Romance» na perspectiva temporal,  lembrando que Balsac e Stendhal desconcertaram tanto os seus  contemporâneos&lt;br /&gt;que a maioria dos críticos optou por ignorá-los!&lt;br /&gt;O citado António Sequeira apresenta uma porção de fotos sobre o Mosteiro da Batalha.&lt;br /&gt;Angerino de Sousa improvisa um texto mais ou menos épico, algo histórico e basto patriótico...&lt;br /&gt;André Maurois volta às páginas do+N+, mas desta feita o «exclusivo» é só para   Angola!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em  Outubro os Beatles estão na capa, com Tomás Ribas,à esquerda, o «Orfeu  Negro», em baixo.Espaço ainda, em cima, para o maximbombo de gente  pobre! Quem foi que disse&lt;br /&gt;que não se misturam alhos com bugalhos?  Mas a reportagem sobre o maximbombo sem travões, sem portas, sem  letreiro e sem lotação tem piada. O chão do caminho é de areia. Na foto  distinguem-se três maximbombos e gente à espera. Num improvisado banco  de pedra vêm-se cinco mulheres sentadas, duas delas, pelo menos, tão  brancas como eu.&lt;br /&gt;Hoje, no metro,vim ao lado de uma jovem escurinha.Um tipo também escuro,de olho nela, ia de pé. Só não havia fotógrafo...&lt;br /&gt;Mas  o texto de Emílio Filipe mostrava o repórter zangado com a  descriminação. Um desses autocarros espatifou-se uma semana depois, em  pleno musseque. Levava três passageiros. Nenhum morreu...&lt;br /&gt;Um  monumento fabuloso chega-me a 17 de Outubro. Imagens extraordinárias de  arte mabali: as maravilhosas estelas do cemitério de S. Nicolau, no sul  de Angola. É fantástico imaginar que «aquilo» ainda lá esteja e possa (e  deva) ser admirado e&lt;br /&gt;sentido. Oxalá tenha sido (e seja  ainda)conservado e uma qualquer TV pudesse por lá passar, um dia destes e  dar-nos imagens de sonho e de todo inesquecíveis!&lt;br /&gt;Picasso chegava  aos 83 anos! Surge no +N+ fotografado ao lado da mulher, bem mais nova  mas absolutamente digna de um génio.A foto é estranha:Picasso austero,  rosto de perfil, como o da esposa, vestida de negro, com a cebeça tapada  por um lenço preto. Não sugere aniversário, antes um luto antecipado.  Seja dito, contudo, que os dois são bonitos de ver!&lt;br /&gt;Novo exclusivo de Maurois, este sobre Camus e dele lembra o «Homem Revoltado» que se explicava: «Creio que não creio em nada»...&lt;br /&gt;Acácio  Barradas sofre aparatoso acidente de viacção, quando se dirigia de  Catete para Luanda. Foi conduzido prontamente para Luanda e, no jornal,  substituido interinamente por Emílio Filipe, o persistente cronista.&lt;br /&gt;Saint  Maurice assina reportagem sobre o comboio de Malange. Fala pouco do  comboio e da viagem, comove-se e tenta comover os leitores com as  agruras dos passageiros da   3ªclasse; dos assentos de pau e na bicha  para comprar bilhete:um guichet apenas! Nada sobre os passageiros da 2ª  ou da 1ª... &lt;br /&gt;Divertido é tropeçar amiude com Eduardo Nascimento nas  páginas do «N»,frequentemente meio despido,mas é (era!) natural: em  Angola faz calor que não é graça. Quem trabalha à noite desfruta o dia. E  nada melhor do que na praia! Nesta altura integrava um quinteto:  «Rocks» à boa vida. Tinham sucesso ali, e também no «Puto» ou em  Moçambique. Foi giro, depois, muito depois,encontrá-lo a dirigir em  Lisboa, a transportadora aérea do seu País,como mesmo espírito alegre e a  mesma simpatia!.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-7104473744916618709?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/7104473744916618709/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=7104473744916618709' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/7104473744916618709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/7104473744916618709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2010/08/n8.html' title='+N+8'/><author><name>António Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06906448610116824524</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-6796847233372274664</id><published>2010-08-17T21:26:00.001+01:00</published><updated>2010-08-17T21:26:49.296+01:00</updated><title type='text'>+N+ 64/9</title><content type='html'>Em Novembro o assunto em destaque foi Stanleyville: entre sangue,  confusão e ruina. Assunto que nos tocava de perto, mas que evitavamos  extrapolar, mas a foto da capa, com três  cadáveres belgas, na caixa do  camion pareceu excessiva, e igualmente impróprio  destacar na mesma  primeiro página o patrocínio da Cuca à reportagem.&lt;br /&gt;No interior três  páginas soberbas com bicharada:uma foca enorme a patinhar por Moçâmedes e  dois elefantes, tamanho família,a cirandar na Quiçama, acalmam o  crítico.&lt;br /&gt;Koblet morre num desastre de automóvel. Não foi em Lisboa,  nem nos arredores. Koblet além de pedalar muito e bem tinha estilo.  Ganhou a Volta à França e umas quantas à Suiça, além de outro tipo de  provas.Esperou por Fausto Coppi para abandonar o ciclismo.&lt;br /&gt;A situação  em Stanleyville durou algumas semanas mas sangue e barbárie eram uma  constante nos quatro anos de independência que já levava o Congo  ex-belga.&lt;br /&gt;Sofia Loren com espaço no +N+ beija Carlo Ponti e explica que foi ele que dela fez gente!&lt;br /&gt;Em  Dezembro,o +N+ completava seis anos.A Feira (das indústrias) como  sempre deixou para o fim os arrumos e perdeu a noite a arrumar. Mas, na  hora, tudo bem.&lt;br /&gt;Boa reportagem sobre a outra Leopoldville, «agora» Kinshasa.Cidade grande,mas tranquila.&lt;br /&gt;Das meninas do cinema foi a vez de Carrol Baker, mas sem nada especialmente especial...&lt;br /&gt;Moxico  encantava e apresentou-se ao +N+ como «Turismo à espera de  turistas».Que se havia de fazer? Portuga,portuga mesmo só ia à terra  dele no «puto» E ir ao Luso não era o mesmo que apanhar o barco do  Barreiro, muito embora o comboio do Lobito por lá passasse. E havia  tanto, tanto para desfrutar em Angola!&lt;br /&gt;Um caso claro de abuso de  autoridade abriu o ano novo, ainda que em boa verdade tenha ocorrido no  final do ano de 64.Um acidente de automóvel,à noite, na estrada  Lobito-Benguela, provocou um morto. O corpo da vítima ficou no local do  sinistro,&lt;br /&gt;«como a Lei prescrevia»,sublinhou o +N+.&lt;br /&gt;No dia  seguinte, ao meio-dia, o Rádio Clube do Lobito comentou o caso,  criticando as autoridades por ainda não terem recolhido o cadáver. O  delegado da Procuradoria da República deve ter amuado. Exigiu a gravação  do comentário. Requisitou uma força policial e cercou o Rádio Clube.  Prendeu Carmo Veiga,porque este solicitou autorização para nommear um  advogado! Por alguma razão se dizia do regime, que vigorava, que era  fascista,o regime e alguns bastantes dos magistrados que à sua sombra se  acoitavam.&lt;br /&gt;Paulo Cardoso, responsável, pelo Radio Clube garantiu ao +N+ que Carmo Veiga não se excedeu, ao falar com o Delegado do M.P.&lt;br /&gt;Era assim a vida. Delegado podia ser estúpido,grosso ou parvo, que nada nem ninguém lhe diminuia a autoridade.&lt;br /&gt;Valha-nos Deus, que hoje dispõem de menos autoritarismo e oxalá não seja, como parece, só isso...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-6796847233372274664?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/6796847233372274664/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=6796847233372274664' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/6796847233372274664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/6796847233372274664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2010/08/n-649.html' title='+N+ 64/9'/><author><name>António Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06906448610116824524</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-2465136371338940839</id><published>2010-08-17T21:25:00.002+01:00</published><updated>2010-08-17T21:26:08.278+01:00</updated><title type='text'>+N+ 65 - 10</title><content type='html'>Remodelação intestina é anunciada. Acácio Barradas deixa de figurar na  ficha. Não é indicado quem assumirá a chefia da Redacção.Inesperada,  também, a nota sobre o escudo angolano: a segunda moeda mais valorizada  no Mundo. Ena pá!Mesmo assim  precisava-se de uma porção deles para  adquirir os escuditos de Lisboa e cercanias que se remetiam às famílias  dependentes...&lt;br /&gt;J.Castro Lopo termina a evocação de José Pereira do  Nascimento, o «dr.Maravilhas», asseverando que «a memória será sempre  abançoada entre os portugueses que têm consciência dos verdadeiros e  mais legítimos interesses da Nação».&lt;br /&gt;Em Lisboa o «DN» completava cem  anos e Charula deu relevo no +N+ mostrando Américo Tomás em três fotos,  um busto da Augusto de Castro, director, e dois chefes de redacção: João  Coito e Pereira da Costa. E uma imagem soberba da oficina, com uma fila  enorme de linostipistas. Coisa de fazer saudades!&lt;br /&gt;Janeiro ia ainda a  meio quando o +N+ anuncia que Rebordão Correia assumirá interinamente a  chefia da Redacção. Informava-se também que a anunciada delegação em  Lourenço Marques era adiada.&lt;br /&gt;A pouco cuidada paginação volta a dificultar a leitura de algumas reportagens, mesmo se uma delas é publicitária...&lt;br /&gt;A23  de Janeiro "tropeço"  numa capa com imagem estreita, mas a cor! O resto  da página é uma coisa inóspita sobre um vago concurso.&lt;br /&gt;Mukanda é  suposta ser uma reportagem sobre a cerimónia secreta da circuncisão dos  quiocos jovens. É mais uma da reportagens pouco conseguidas, poucos  reveladora e, azares dos azares, difíceis de ler, devido à tal paginação  com texto na dobra das págínas!&lt;br /&gt;O Maiombe encerrava a magia da  floresta "cerrada"! O grande jardim devassado pelos madeireiros  inebriados pelo odor de madeira requintada. E valiosa!&lt;br /&gt;Se para tudo  há leis, que mais ou menos toleram abates, para lá chegar, mesmo em 65,  ainda escasseavam os acessos.É bem verdade que muitas estradas estavam a  romper muitos quilómetros de acessos,por Angola fora. Talvez menos em  Cabinda, àquele tempo. O Estado temia  pela segurança dos madeireiros,  mas estes borrifavam-se, queriam a madeira e iam em busca dela, impondo a  «sinfonia  dos machados, serrões e traçadeiras», como definiu Emílio  Filipe, que lá foi ver, com o Chaves, que tratou das imagens. E o  reporter acabou por concluir existir risco de exploração excessiva da  riqueza florestal. O que não se sabe hoje é se o Maiombe ainda é rico ou  apenas remediado...&lt;br /&gt;Saint Maurice encontrou mais um crime na Ilha de  Luanda.Um crime comum, como são os homicídios enciumados. Disso disse  pouco. Espantou-se mais com «um agente policial e vários motoristas de  taxis que negaram assistência humanitária a uma das vítimas que,  semi-nua, gravemente ferida e ensanguentada pedia auxílio, em vão...&lt;br /&gt;Duas  páginas com duas fotos,sim, mas... São fotos do Quim Cabral, a mostrar a  regata, ao largo de Luanda, e os dois vencedores: Orlando Sena  Rodrigues e Adriano Silva, angolanos de gema e campeões do todo  nacional!&lt;br /&gt;Afinal, Acácio Barradas foi (tinha sido) despedido. António  A.Simões, proprietário da Neográfica e nessa condiçâo editor do -+N+,  assina uma nota, que não deve ter escrito, mas para se despedir alguém  era preciso ser patrão.&lt;br /&gt;O petróleo de Angola estava a aquecer mas «era nosso» assumia o +N+ a propósito de um&lt;br /&gt;artigo  do «Star» sul-africano levantar algumas questões! Cabindo, por seu  turno, festejava o 80º aniversário do Tratado de Simulambuco, o qual  atribuia a Portugal a administração do território.Portugal entendeu  furar o acordo e integrar Cabinda em Angola e não ganhou muito com isso e  acabou por não deixar os cabindas satisfeitos...&lt;br /&gt;A Barra do Cuanza  ficava a uns oitenta quilómetros de Luanda. Por ali 80 km é pão com  manteiga.Ia-se na calma e voltava-se satisfeito. +N+ foi algumas vezes e  disso deu conta, com imagens soberbas, um pouquinho de cada vez, o  suficiente...&lt;br /&gt;Para fevereiro anuncia-se a primeira reportagem a cores, na imprensa angolana.&lt;br /&gt;Emílio  Filipe volta com Cabinda, desta vez a cores e não apenas a cidade, maso  enclave, mostrando vilórias à beira-rio, em plena floresta. Bonito de  ver...&lt;br /&gt;A cor na capa não resultou muito bem e o +N+ do Notícia tina um fundo de cor maricas!&lt;br /&gt;Júlio  Castro Lopo,para a História, «caçou» António Sérgio e o próprio  confirmou, por escrito, ser filho de António Sérgio de Sousa Junior,  cujo pai, António Sérgio de Sousa, Visconde, tinha sido preceptor  militar do infante D.Luís, depois Rei. O avô do escritor foi o primeiro  governador do distrito de Moçamedes. O fraco pela História tinha, no  entanto, um ponto comum: Angola!&lt;br /&gt;Ernesto Lara, Xico Orta e Angerino  de Sousa, o bando dos duros ouviu  um menino chorar.Na esplanada da  Marginal habitualmente não se chorava. O miudo, aí de uns três anos e  picos, chorava, sim senhor, sentando num carrinho, à beira da mesa da  esplanada. Na mesa sem alguém, vazia, desoladoramente vazia. E o menino  chorava.Mas, de repente, pareciam quatro meninos a brincar, quatro  meninos a rir...&lt;br /&gt;Uma hora depois o trio voltava o ser duro, quando o  pai da criança voltou. Não lhe bateram; só lhe chamaram nomes; e  mostraram o garoto no +N+.Quem contou tudo foi o Ernesto, com a caneta  dele, muito especial. Duas magnificas páginas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente a capa a  cor aparece arrumada, com o +N+ já com  cor decente. A senhora de  óculos, mesmo assim fascinante era Soraya.Fora esposa de Rezha Pallevi,  Xá da Pérsia.Era bonita,lá isso era,mas não fazia criança, não adoçava o  Xá como o Xá precisava! Soraya abalou triste. O Xá, esse, arranjou  açucar adequado, mas de nada lhe valeu a descendência. Os americanos  tiraram-lhe o tapete. E ele caiu. O Irão optou por não aturar mais  Sorayas e outras que tais e muito provavelmente, aqui que ninguém nos  ouve, mandou os americanos à merda! Mas, nesse 65 o grande mau era  Nasser. Uns malandros alemães tinham fabricado para gáudio do Egipto  Bombas «V-2», susceptíveis de arrazar Israel!...&lt;br /&gt;O assunto  mudou,porque anunciava-se que Saint Maurice iria assistir aos dois  Benfica-Real,para a Taça dos Campeões. Começava uma nova era e a  imprensa angolana ia começar a adiantar-se à congénere metropolitana,  tal como  a Emisssora que dava  o salto:reforçava-se de profissionais e  mudava de residência.&lt;br /&gt;Emílio Filipe insistia com Cabinda e a sua  fabulosa mata.«Há laivos de sangue sob o verniz do polimento da mais  bela mobília de mogno»!&lt;br /&gt;«Sabe-o», acrescenta «quem vive em Cabinda». Também nós, os que lemos o +N+,ficamos &lt;br /&gt;a conhecer e recordar a floresta do Maiombe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Benfica, de Coluna e Eusébio venceu o Real de Madrid por 5-1. Naquele tempo era&lt;br /&gt;difícil.  Telefonar vá que não vá,mas mandar  fotos  tá  quieto. Havia sempre  meio de chatear passageiro amigo ou conhecido,para levar envelope.  Tivemos durante muito tempo grande apoio da TAP,que nos facilitou a  vida. A reportagem do jogo saiu,pois, em suplemento, com sucesso. Por lá  só havia Imprensa e Rádio. Mas outro suplemento tornou-se tragicamente  necessário e indispensável:narrava um terrível pesadelo. A morte de 28  crianças de um asilo.Pelo simples facto de lavar a cabeça. Foi quase  absurdo encontrar explicação: um jovem analfabeto,empregado de drogaria,  trocou os tambores e retirou de um deles, sem saber, um produto  altamente venenoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma coluna de texto destaca a morte de um  antigo professor primário, Máximo Conde. Intelectual admirado, foi  iguamente jornalista no «Comércio» e fundador da «Tribuna». periódico  que seria suprimido pelo cap.Agapito da Silva Carvalho, ao tempo  Governador-Geral. O +N+ previne que dedicará uma crónica especial à  figura invulgar de Máximo Conde, e laborada por um categorizado  colaborador permanente!&lt;br /&gt;E fica-se a saber que a suspensão de «O Mundo  Desportivo» terminava e o trisemanário deveria reaparecer na  segunda-feira. No entretanto, o chefe de redacção foi demitido ew  esperavam-se outras alterações no quadro do pessoal. Os da minha idade  devem lembrar-se: foi por mór do «Vale dos Caídos», a propósito dos 5-1  do Benfica ao Real,e porque Franco não achou graça. O dr. Salazar  concordou é bom de ver. Os ditadores eram todos assim: muito respeito  pelos mortos e os vivos que se lixassem!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhar imagens da  Missão do Vouga comove sempre que aparecem, e apareciam muitas  vezes.Hoje, poderá parecer uma lenda, mas aMissão era, pode dizer-se, um  santuário pelo menos tão humanista como religioso. A tese do fazer bem  sem olhar a quem praticava-seali. Não seria um paraíso divino, mas era  um sinal de esperança manifesto!&lt;br /&gt;          «São aos milhares - vêm de todos os pontos de Angola&lt;br /&gt;           em busca de uma assistência, que lhes é prestada&lt;br /&gt;           com amor e carinho» - lia-se sob o título da notícia...&lt;br /&gt;Duas fotos, o dr. Miguel (?), director do Hospital Missionário, e o padre Artur Silva&lt;br /&gt;um dos fundadores do Vouga,&lt;br /&gt;O Vouga, senhores, que pena não ter vindo connosco, quando saímos. Que falta faz&lt;br /&gt;por  aqui uma instituição assim, um género de humanismo que se sumiu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Choveu em Março e choveu bem. Não era novidade. Mas dava fotos e lamútias&lt;br /&gt;Farinha  casou em Silva Porto (Silva Morto era mais popular, tal como com Serpa  Pinto, que virava Serpa Pó)!Era um aviso de que se estava à espera  dele...E não demorou. Ocupou na redacção o seu lugar, que foi seu até ao  encerramento, em 75, imposto pela tropa, que virara de rumo, como  iremos ver...&lt;br /&gt;Vinte anos haviam decorrido desde o termo da guerra na  Europa, (39-45). Reapareceram fotos da tomada de Berlim, de campos de  concentração, e do massacre de prisioneiros.&lt;br /&gt;Pior só depois, quando  tocou a vez aos japoneses de pagar a factura: duas bombas atómicas,  duas. Deve ter morrido muita gente, deve, mas fez-se por esquecer muito  depressa...&lt;br /&gt;Estudantes de Nova Lisboa visitaram a Neográfica, editora do +N+ e tiveram direito a foto de família,para recordar...&lt;br /&gt;Um  menino que morreu. Um horror de história. Morrer aos oito anos!  Atropelado por uma motoreta, que se despistou, Em Sá da Bandeira.&lt;br /&gt;As  mortes dessas não servem para nada. Cada vez há mais veículos que  dizimam vidas. Cada vez andam mais depressa ou com menos cuidado e menos  respeito. Tó Zé tinha oito anos.Enlutou uma cidade. Em vão!&lt;br /&gt;Saint Maurice foi assistir à derrota do Benfica, em Madrid, mas a eliminatória&lt;br /&gt;foi ultrapassada. Muita parra e pouca uva, como era comum com o jóvem repórter, mas já não deu para suplemento extra.&lt;br /&gt;Em Abril BB surge na capa, só, sem chamada de crónica, ou reportagens, no interior.Mas foi uma bela capa, lá isso foi...&lt;br /&gt;Em  Lisboa, Saint Maurice foi ver a Ponte, que seria Salazar durante alguns  anos. A cuja dita ainda não estava pronta, mas já impressionava e as  boas imagens ajudam sempre a reportagem!&lt;br /&gt;Também impressionou (e ainda  me impressiona), ler hoje, a carta de Camilo ao médico.O escritor  acabava de cegar e ditou o grito mais lancinante que se pode escutar...&lt;br /&gt;Chuva e engenharia não pareciam cohabitar em Luanda e as imagens não ajudavam à reconciliação...&lt;br /&gt;Mas não era verdade, como tanto se disse,que o +N+ tivesse sempre gajas na capa. A&lt;br /&gt;24 de Abril o «oo7»encheu a capa de uma edição «reservada às senhoras!»...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-2465136371338940839?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/2465136371338940839/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=2465136371338940839' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/2465136371338940839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/2465136371338940839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2010/08/n-65-10.html' title='+N+ 65 - 10'/><author><name>António Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06906448610116824524</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-7360411559390247135</id><published>2010-08-17T21:25:00.001+01:00</published><updated>2010-08-17T21:25:40.935+01:00</updated><title type='text'>Nº 65 - 11</title><content type='html'>A 2 de Julho, a capa anuncia Humberto Madeira a chegar brevemente a  Luanda, onde veio actuar a convite da Cuca. No interior, três páginas  por mór do desacato numa sessão de luta livre. Era habitual e  costumeiro. E continuou a ser. Era como por pimenta na sopa ou gindungo  no molho. E quanto mais «molho» mais aquece a alma, mais gente volta na  próxima.&lt;br /&gt;Se fosse vaidoso havia de acusar Rola da Silva de me querer  lixar com aquele tipo de letra miudinha. A culpa não era, bem entendido,  dele, que escrevia demais, mas do ponto de vista do paginador, que  tinha de encolher o texto por mór do espaço. Descortinei que era sobre  racismo ou racistas, uma chatice! Sempre houve.Não deixou de haver e a  avaliar pelo que vai acontecendo,lá no fundo da África, não se irradica e  nem precisa de brancos.&lt;br /&gt;Castro Lopo já vai (ia, sim senhor) na  vigésima crónica sobre Paiva Couceiro. Esta enche duas páginas e inclui  duas fotos: D.Carlos e João Franco. Não dá para ler tudo aos pitosgas,  como eu, mas deixo um cheirinho: «...além disso havia certas «forças  ocultas» da oligarquia financeira de «sugadores» do Ultramar, com  assento especialmente nas cidades de Lisboa e Porto, bem como  aventureiros da baixa política, a quem não convinha que Couceiro  voltasse a ocupar o governo de Angola»!&lt;br /&gt;É só para dar um ar da bondade do cronista!&lt;br /&gt;Angerino  de Sousa explica Luanda a alindar-se com curvas e contra-curvas, à  mistura com teorias de urbanização. Ruas amplas, com divisória a meio,  mas, gaita, sem prédios ou edifícios ou lá como isso se chama!. O que é  chato porque, a seguir, aparece Saint Maurice a mostrar Milão, com  enormes casas, mas sem extras, com curvas e contra-ditas. O Scala, a  Catedral ou as galerias do Dômo. Deve ter-se esquecido de um  «teatrito»,que há por ali! Pena que Leonardo Da Vinci apareça tão  minúsculo! Os paginadores são (eram) impiedosos...&lt;br /&gt;Paraquedistas  civis e voluntários, gente comum, saltou de paraquedas e, pela primeira  vez em território nacional,com muito gáudio barrista, tal como a água,  que era do Bengo, e nos foi mostrada exaustivamente. Mostrada e bem  explicada por Angerino.&lt;br /&gt;E Humberto Madeira lá chegou a Luanda, bem avisado. Tanto, que vinha de chapéu...&lt;br /&gt;Carlos Fernandesilustra um texto de Angerino: «Os incríveis». Apetece dizer que devia ter ilustrado muito mais coisas...&lt;br /&gt;Nas  «Linhas e entrelinhas» descobre-se Tavares da Silva a chefiar a  redacção do «Jornal do Congo». É divertido ver por onde andaram os  amigos... E dou pelo «Correiodo coração», numa coluna. Não havia  questões, apenas respostas. A secção acabaria por constituit um sucesso  imenso. Hão-de ver!&lt;br /&gt;A 17 de Julho, a capa insere Sophie Hardy, considerando-a «uma nova estrela». Não me consta que tenha brilhado por aí além!&lt;br /&gt;Quim  Cabral é notícia por ter sofrido um acidente no deserto, quando  acompanhava a   visita do Governador ao Sul. Mesmo com a clavícula  esquerda fracturada, prosseguiu a viagem e fotografou os acontecimentos  que marcaram a visita.&lt;br /&gt;Soraya voltou ao +N+. Nada de especial: um filme com ela ia passar num cinema de Luanda.&lt;br /&gt;Rola  daSilva surge mal disposto na sua página, em desacordo com os pobres  patrões, coitados, que pagavam mal aos seus empregados. Eram tempos. Que  me lembre, hoje, só o Banco de Portugal paga muito bem e aumenta os  ordenados, mesmo a quem lá não trabalhe! Mas, no antigamente não era  assim, não, para angústia do cronista e outros tantos como ele!&lt;br /&gt;Castro  Lopo prossegue com o seu (dele) Paiva Couceiro, que surge em foto,na  companhia do um neto e de um cão enorme,  em duas páginas compactas. O  cronista ameaça prosseguir...&lt;br /&gt;João Fernandes e Fernando Chaves foram a  S.Tomé ver S.Tomé e espreitar, estou em crer, o Príncipe. Por lá viram o  que iam ver: Teatro! Teatro surpreendente, «a mais fascinante  representação do teatro português», acentuou o repórter fascinado com a  «tranquilidade, trabalho e alegria»!&lt;br /&gt;Já sabem que o Governador foi  visitar o Namibe. O Namibe era (ainda será?) uma festa, desta feita  apresentado como o deserto mais habitado do mundo!O Quim&lt;br /&gt;maguou-se,  como sabem,  mas continuou. Estiveram em Moçamedes e Porto Alexandre,que  os surpreendeu, E suprendeu porque sempre tinha motivos para  surpreender. Não sei se foram (porque devia ser obrigatório lá ir) à  Baía dos Tigres, a mais surpreendente&lt;br /&gt;das povoações angolanas. O +N+  há-de mostrar dela, dessa Baía mágica que se foi afastando da costa até  virar ilha. Há-de falar, hão-de ler, eu sei...&lt;br /&gt;Na Itália, Saint  Maurice aproveitou para ver realidades,que não estiveram sempre  interditas: os partidos políticos. Até então, nós, os portugas de aquém e  além mar, não conhecíamos partidos e nem por isso eramos muito  incitados a conhecer. Saint Maurice delirou, mas não se alongou muito...&lt;br /&gt;De  arripiar foi o título de um acidente de viação, numa estrada asfaltada,  novinha em folha.Um morto, quatro feridos graves e o carro para a  sucata. Como todas as coisas,os acidentes de viação banalizaram-se.&lt;br /&gt;Três  criaturas fêmeas na capa. Duas loiras e uma de cabelo acastanhado. São  de Windoek, que ia festejar novo aniversário; e um título de chamada:  «Benjamim o conservador: a história de uma pouca vergonha»! Já conto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-7360411559390247135?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/7360411559390247135/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=7360411559390247135' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/7360411559390247135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/7360411559390247135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2010/08/n-65-11.html' title='Nº 65 - 11'/><author><name>António Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06906448610116824524</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-1644894493846637534</id><published>2010-08-17T21:24:00.000+01:00</published><updated>2010-08-17T21:25:13.388+01:00</updated><title type='text'>ERA E FOI-SE - 65 - 3ºC</title><content type='html'>Com a capa podia acontecer tudo. A 14 de Agosto apareceu Américo Tomás.  Além de sócio do Belenenses, era presidente da República.Nessa condição,  retatado pelo pintor&lt;br /&gt;Eduardo Malta, meu vizinho de infância, na  Victor Cordon, aqui, de Lisboa.Além da capa, encheu uma porção de  páginas patrioteiras.&lt;br /&gt;Júlio Castro Lopo prosseguia com a evocação de  Paiva Couceiroe já ia na 26ª crónica e anunciava a 3ªparte do livro  «Angola», de Paiva Couceiro!&lt;br /&gt;De branco vestido, Tomás erguia os  braços à população, atrás, à sua esquerda Silvino, sorridente. O  título:«Outra vez. Presidente»!&lt;br /&gt;Luanda de hoje ( de 1965!) é  contrastada com Luanda do antigamente, dita pitoresca. A então actual  via-se a cores; a outra meio sumida no cinzento triste do tempo, mas  extasiava os antigos.&lt;br /&gt;Uma transplantação da córnea, a primeira em  Angola,, é salientada numa porção de páginas. Os médicos, esses, era  espanhois. Iam regularmente ao Vouga dar contributo generoso. Os colegas  portugueses não eram lá muito virados para isso,para generosidades  benfeitoras...&lt;br /&gt;Massangano, um dos polos de resistência ao invasor  holandês, ganhou uma estrada de acesso, bem merecida, por sinal. Por lá  ficou sepultado, desde 1589, Paulo Dias de Novais!&lt;br /&gt;Ao serviço da Cuca, Humberto Madeira visitou Nova Lisboa.&lt;br /&gt;A  loucura ensurdecedora dos batuques no danço-congo, em S. Tomé. Acho que  nem tinha como ser descrita aquela festa pagã, popularizada que  enebriava toda a polulação. O +N+ rompe tranquilamente as barreiras e  trás, número a número. imagens da Pátria comum. Do Minho a Macau, de  S.Tomé  a Oliveira daSerra, do Porto à Guiné!Se fosse preciso ir ao  Brasil, por mór da bola, ia-se, pois então! Às corridas de popós na  Africa do Sul, pois então, claro. Vai (ia!) onde houvesse que ir. Isso é  que distinguia o +N+ dos concorrentes de Lisboa e arredores...&lt;br /&gt;O  «Beiral» de Luanda é algo que devia ser revisto todos os semestres ou  trimestres. Paz e Caridade generosa. Obra anónima que os homens de  Angola ergueram e mantiveram. Olhe-se a fachada do edifício, a sala de  refeições, a cozinha, a sala de convívio! Onde encontrar, por aí, nos  nossos dias, aqui ou lá, na Angola petrolífera?&lt;br /&gt;Angerino foi aos Dembos. Caramba! Como aquilo é grande e magnífico e espesso e húmido!&lt;br /&gt;Meninos  alunos fora levados a Massangano fardados de Mocidade Portuguesa.Do  alto olharam os estudantes de Coimbra, idos de passeio. O peso de  História é semelhante a qualquer peso: perde-se ou eterniza-se...&lt;br /&gt;Qui,  Cabral e Angerino de Sousa foram a Porto Alexandre ver a muralha de  casuarinas, um pedaço de Algarve fincado no sul de Angola. Terra de  peixe e de pescadores. O reportagem foi do governador-geral!&lt;br /&gt;(continua)...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-1644894493846637534?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/1644894493846637534/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=1644894493846637534' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/1644894493846637534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/1644894493846637534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2010/08/era-e-foi-se-65-3c.html' title='ERA E FOI-SE - 65 - 3ºC'/><author><name>António Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06906448610116824524</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-8096624797586456121</id><published>2010-06-23T15:20:00.002+01:00</published><updated>2010-06-23T15:25:24.211+01:00</updated><title type='text'>As Ajudas a África</title><content type='html'>&lt;p style="margin-left: 36pt; text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: 'Verdana','sans-serif'; font-size: 13.5pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-left: 36pt; text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: 'Verdana','sans-serif'; font-size: 13.5pt;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;A propósito das notícias que vão referindo várias ajudas a África, talvez valha a pena ler a opinião de um economista queniano, recentemente publicada na revista "Der Spiegle"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-left: 36pt; text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: 'Verdana','sans-serif'; font-size: 13.5pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-left: 36pt; text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: 'Verdana','sans-serif'; font-size: 13.5pt;"&gt;"Pelo  amor de Deus, parem de ajudar a África!",&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-left: 36pt; text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: 'Verdana','sans-serif'; font-size: 13.5pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: 'Verdana','sans-serif'; font-size: 16pt;"&gt;afirma economista  do Quênia&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-family: 'Verdana','sans-serif'; font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-left: 36pt; text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Verdana','sans-serif'; font-size: 16pt;"&gt;&lt;br /&gt;Especialista  explica que a ajuda internacional alimenta a corrupção e impede que a economia  se desenvolva, o que destrói a produção agrícola e causa desemprego, mais  miséria e mais dependência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thilo Thielke, em Hamburgo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O  especialista em economia James Shikwati, 35, do Quênia, diz que a ajuda à África  é mais prejudicial que benéfica. O entusiástico defensor da globalização falou  com a &lt;b&gt;SPIEGEL&lt;/b&gt; sobre os efeitos desastrosos da política de desenvolvimento  ocidental na África, sobre governantes corruptos e a tendência a exagerar o  problema da Aids.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;DER SPIEGEL - Senhor Shikwati, a cúpula do G8 em  Gleneagles deverá aumentar a ajuda ao desenvolvimento da África...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;James  Shikwati -&lt;/b&gt; Pelo amor de Deus, parem com isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;DS - Parar? Os  países industrializados do Ocidente querem eliminar a fome e a  pobreza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shikwati -&lt;/b&gt; Essas intenções estão prejudicando nosso  continente nos últimos 40 anos. Se os países industrializados realmente querem  ajudar os africanos, deveriam finalmente cancelar essa terrível ajuda. Os países  que receberam mais ajuda ao desenvolvimento também são os que estão em pior  situação. Apesar dos bilhões que foram despejados na África, o continente  continua pobre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;DS - O senhor tem uma explicação para esse  paradoxo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shikwati -&lt;/b&gt; Burocracias enormes são financiadas (com o  dinheiro da ajuda), a corrupção e a complacência são promovidas, os africanos  aprendem a ser mendigos, e não independentes. Além disso, a ajuda ao  desenvolvimento enfraquece os mercados locais em toda parte e mina o espírito  empreendedor de que tanto precisamos. Por mais absurdo que possa parecer, a  ajuda ao desenvolvimento é uma das causas dos problemas da África. Se o Ocidente  cancelasse esses pagamentos, os africanos comuns nem sequer perceberiam. Somente  os funcionários públicos seriam duramente atingidos. E é por isso que eles  afirmam que o mundo pararia de girar sem essa ajuda ao  desenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;DS - Mesmo em um país como o Quênia pessoas morrem de  fome todos os anos. Alguém precisa ajudá-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shikwati -&lt;/b&gt; Mas são os  próprios quenianos quem deveria ajudar essas pessoas. Quando há uma seca em uma  região do Quênia, nossos políticos corruptos imediatamente pedem mais ajuda. O  pedido chega ao Programa Mundial de Alimentação da ONU --que é uma agência  maciça de "apparatchiks" que estão na situação absurda de, por um lado,  dedicar-se à luta contra a fome, e por outro enfrentar o desemprego onde a fome  é eliminada. É muito natural que eles aceitem de bom grado o pedido de mais  ajuda. E não é raro que peçam um pouco mais de dinheiro do que o governo  africano solicitou originalmente. Então eles enviam esse pedido a seu  quartel-general, e em pouco tempo milhares de toneladas de milho são embarcadas  para a África...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;DS - Milho que vem predominantemente de agricultores  europeus e americanos altamente subsidiados...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shikwati -&lt;/b&gt; ... e em  algum momento esse milho acaba no porto de Mombasa. Uma parte do milho em geral  vai diretamente para as mãos de políticos inescrupulosos, que então o distribuem  em sua própria tribo para ajudar sua próxima campanha eleitoral. Outra parte da  carga termina no mercado negro, onde o milho é vendido a preços extremamente  baixos. Os agricultores locais também podem guardar seus arados; ninguém  consegue concorrer com o programa de alimentação da ONU. E como os agricultores  cedem diante dessa pressão o Quênia não terá reservas a que recorrer se houver  uma fome no próximo ano. É um ciclo simples mas fatal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;DS - Se o  Programa Mundial de Alimentação não fizesse nada, as pessoas morreriam de  fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shikwati -&lt;/b&gt; Eu não acredito nisso. Nesse caso, os quenianos,  para variar, seriam obrigados a iniciar relações comerciais com Uganda ou  Tanzânia, e comprar alimento deles. Esse tipo de comércio é vital para a África.  Ele nos obrigaria a melhorar nossa infra-estrutura, enquanto tornaria mais  permeáveis as fronteiras nacionais --traçadas pelos europeus, aliás. Também nos  obrigaria a estabelecer leis favorecendo a economia de mercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;DS - A  África seria realmente capaz de solucionar esses problemas por conta  própria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shikwati -&lt;/b&gt; É claro. A fome não deveria ser um problema na  maioria dos países ao sul do Saara. Além disso, existem vastos recursos  naturais: petróleo, ouro, diamantes. A África é sempre retratada como um  continente de sofrimento, mas a maior parte dos números é enormemente exagerada.  Nos países industrializados existe a sensação de que a África naufragaria sem a  ajuda ao desenvolvimento. Mas, acredite-me, a África já existia antes de vocês  europeus aparecerem. E não fizemos tudo isso com pobreza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;DS - Mas  naquela época não existia a Aids.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shikwati -&lt;/b&gt; Se acreditássemos em  todos os relatórios horripilantes, todos os quenianos deveriam estar mortos  hoje. Mas agora os testes estão sendo realizados em toda parte, e acontece que  os números foram enormemente exagerados. Não são 3 milhões de quenianos que  estão infectados. De repente eram apenas cerca de um milhão. A malária é um  problema equivalente, mas as pessoas raramente falam disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;DS - E por  quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shikwati -&lt;/b&gt; A Aids é um grande negócio, talvez o maior negócio da  África. Não há nada capaz de gerar tanto dinheiro de ajuda quanto números  chocantes sobre a Aids. A Aids é uma doença política aqui, e deveríamos ser  muito céticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;DS - Os americanos e europeus têm fundos congelados já  prometidos para o Quênia. O país é corrupto demais, segundo  eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shikwati -&lt;/b&gt; Temo, porém, que esse dinheiro ainda será  transferido em breve. Afinal, ele tem de ir para algum lugar. Infelizmente, a  necessidade devastadora dos europeus de fazer o bem não pode mais ser contida  pela razão. Não faz qualquer sentido que logo depois da eleição do novo governo  queniano --uma mudança de liderança que pôs fim à ditadura de Daniel Arap  Mois--, de repente as torneiras se abriram e o dinheiro verteu para o  país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;DS - Mas essa ajuda geralmente se destina a objetivos  específicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shikwati -&lt;/b&gt; Isso não muda nada. Milhões de dólares  destinados ao combate à Aids ainda estão guardados em contas bancárias no Quênia  e não foram gastos. Nossos políticos ficaram repletos de dinheiro, e tentam  desviar o máximo possível. O falecido tirano da República Centro Africana, Jean  Bedel Bokassa, resumiu cinicamente tudo isso dizendo: "O governo francês paga  por tudo em nosso país. Nós pedimos dinheiro aos franceses, o recebemos e então  o gastamos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;DS - No Ocidente há muitos cidadãos compassivos que  querem ajudar a África. Todo ano eles doam dinheiro e mandam roupas usadas em  sacolas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shikwati -&lt;/b&gt; ... e então inundam nossos mercados com essas  coisas. Nós podemos comprar barato essas roupas doadas nos chamados mercados  Mitumba. Há alemães que gastam alguns dólares para comprar agasalhos usados do  Bayern Munich ou do Werder Bremen. Em outras palavras, roupas que algum garoto  alemão mandou para a África por uma boa causa. Depois de comprar esses  agasalhos, eles os leiloam na eBay e os mandam de volta à Alemanha -- pelo  triplo do preço. Isso é loucura!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;DS - ... e esperamos que seja uma  exceção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shikwati -&lt;/b&gt; Por que recebemos essas montanhas de roupas?  Ninguém passa frio aqui. Em vez disso, nossos costureiros perdem seu ganha-pão.  Eles estão na mesma situação que nossos agricultores. Ninguém no mundo de baixos  salários da África pode ser eficiente o bastante para acompanhar o ritmo de  produtos doados. Em 1997 havia 137 mil trabalhadores empregados na indústria  têxtil da Nigéria. Em 2003 o número tinha caído para 57 mil. Os resultados são  iguais em todas as outras regiões onde o excesso de ajuda e os frágeis mercados  africanos entram em colisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;DS - Depois da Segunda Guerra Mundial a  Alemanha só conseguiu se reerguer porque os americanos despejaram dinheiro no  país através do Plano Marshall. Isso não se qualificaria como uma ajuda ao  desenvolvimento bem-sucedida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shikwati -&lt;/b&gt; No caso da Alemanha, somente  a infra-estrutura destruída tinha de ser reparada. Apesar da crise econômica da  República de Weimar, a Alemanha era um país altamente industrializado antes da  guerra. Os prejuízos criados pelo tsunami na Tailândia também podem ser  consertados com um pouco de dinheiro e alguma ajuda à reconstrução. A África,  porém, precisa dar os primeiros passos na modernidade por conta própria. Deve  haver uma mudança de mentalidade. Temos de parar de nos considerar mendigos.  Hoje em dia os africanos só se vêem como vítimas. Por outro lado, ninguém pode  realmente imaginar um africano como um homem de negócios. Para mudar a situação  atual, seria útil se as organizações de ajuda saíssem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;DS - Se  fizessem isso, muitos empregos seriam perdidos imediatamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shikwati  -&lt;/b&gt; Empregos que foram criados artificialmente, para começar, e que distorcem  a realidade. Os empregos nas organizações estrangeiras de ajuda são muito  apreciados, é claro, e elas podem ser muito seletivas na escolha das melhores  pessoas. Quando uma organização de ajuda precisa de um motorista, dezenas de  pessoas se candidatam. E como é inaceitável que o motorista só fale sua língua  tribal, o candidato também deve falar inglês fluentemente --e, de preferência,  ter boas maneiras. Então você acaba com um bioquímico africano dirigindo o carro  de um funcionário da ajuda, distribuindo comida européia e forçando os  agricultores locais a deixar seu trabalho. É simplesmente loucura!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;DS  - O governo alemão se orgulha exatamente de monitorar os receptores de suas  verbas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shikwati -&lt;/b&gt; E qual é o resultado? Um desastre. O governo  alemão jogou dinheiro diretamente para o presidente de Ruanda, Paul Kagame, um  homem que tem na consciência a morte de um milhão de pessoas --que seu exército  matou no país vizinho, o Congo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;DS - O que os alemães deveriam  fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shikwati -&lt;/b&gt; Se eles realmente querem combater a pobreza,  deveriam parar totalmente a ajuda ao desenvolvimento e dar à África a  oportunidade de garantir sua sobrevivência. Atualmente a África é como uma  criança que chora imediatamente para que a babá venha quando há algo errado. A  África deveria se erguer sobre os próprios pés.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Verdana','sans-serif'; font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-8096624797586456121?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/8096624797586456121/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=8096624797586456121' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/8096624797586456121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/8096624797586456121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2010/06/as-ajudas-africa.html' title='As Ajudas a África'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-5181511272199417706</id><published>2010-05-23T16:12:00.002+01:00</published><updated>2010-05-23T16:19:35.578+01:00</updated><title type='text'>Tive um Sonho</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Estou cansado das mensagens que me chegam com motivos de Angola. Por várias razões: umas porque são um choro pegado, gente que vai aos sítios onde morou, tira fotografias, fala com as pessoas e faz relatos verdadeiramente patéticos do que sentiu ao verificar que os habitante de hoje ainda se &lt;span style="BACKGROUND-COLOR: rgb(243,243,243)"&gt;lembram&lt;/span&gt; dos nomes antigos das ruas, das mesmas ruas que estão lá - agora mais sujas, mas &lt;span style="BACKGROUND: rgb(255,255,255)" class="goog-spellcheck-word"&gt;desorganizadas&lt;/span&gt;, mas as mesmas casas, sem pintura, umas, a cair aos bocados, outras.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="BACKGROUND: rgb(255,255,255)" class="goog-spellcheck-word"&gt;E o&lt;/span&gt; lancinante da saudade da mocidade perdida, dos bons "velhos tempos", do amor que os ligava aquelas terras e aquelas gentes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Muitos deles são os mesmos que antes de 1974/75 debitavam enormes quantidades de amor pelas mesmas terras e pelas mesmas gentes, mas que, ao primeiro sobressalto&lt;/span&gt; , &lt;span style="font-size:180%;"&gt;se esqueceram disso tudo e fugiram sem um gesto, sem uma palavra, revelando a sua verdadeira condição de colonos que até aí negavam.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Agora, muitos deles, para além do choro sobre o leite derramado fazem a apologia do que noutros tempos criticavam, como é, por exemplo, o Reino de &lt;span style="BACKGROUND: rgb(243,243,243)" class="goog-spellcheck-word"&gt;Maconge&lt;/span&gt;. Durante muitos anos fomos poucos os que alimentámos a centelha, as tertúlias, o espírito de grupo e- porque não dizê-lo - as bebedeiras mensais, sem mulheres à mistura.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Aparece cada um a reclamar-se conde ou duque ou mais não sei o quê do Reino de &lt;span style="BACKGROUND: rgb(255,255,255)" class="goog-spellcheck-word"&gt;Maconge&lt;/span&gt;...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Mas, enfim...também estou cansado da Nova Angola dos novos ricos, dos postais tipo &lt;span style="BACKGROUND-COLOR: rgb(243,243,243)"&gt;&lt;span style="BACKGROUND-IMAGE: none; BACKGROUND-ATTACHMENT: scroll; BACKGROUND-REPEAT: repeat; BACKGROUND-POSITION: 0% 0%" class="goog-spellcheck-word"&gt;Dubai&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; atrás dos quais se escondem desgraças sem tamanho.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Por isso, por princípio, e desde há uns tempos, todas as mensagens, que pelo título, se anunciam como formas de falar de Angola passada ou de Angola de novos ricos saloios, vão para o lixo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Hoje, porém apareceu-me uma imagem fantástica, eu diria mesmo milagrosa da mais bela estrada de Angola, da &lt;span class="goog-spellcheck-word"&gt;Leba&lt;/span&gt;. Um Fotógrafo, &lt;span class="goog-spellcheck-word"&gt;Kostadin&lt;/span&gt; &lt;span class="goog-spellcheck-word"&gt;Luchansky&lt;/span&gt;, aproveitou várias circunstâncias improváveis para fazer um retrato de sonho da &lt;span class="goog-spellcheck-word"&gt;Leba&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;É tão bela esta imagem que  devia ser aproveitada para uma campanha de informação sobre a verdadeira Angola, com os seus defeitos e as suas virtudes, sem deitar para debaixo do tapete pedaços de História.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Esta imagem fez-me recordar o sonho que eu tive para Angola, um país com igualdade de oportunidades para todos, com uma lei fundamentada nos princípios mais sólidos das culturas do xadrez das gentes que constituem o seu povo; um comércio a ombrear com o &lt;span class="goog-spellcheck-word"&gt;internacional&lt;/span&gt;, uma indústria com capacidade para transformar as suas matérias primas, uma rede de rodovias e &lt;span class="goog-spellcheck-word"&gt;ferrovias&lt;/span&gt; que transformassem este enorme espaço num sítio fácil de percorrer, onde fosse possível ir do Lubango a Malanje só para ver um amigo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Um Estado diferente - porque a sua gente é diferente - e que pudesse servir de exemplo, não apenas aos seus vizinhos africanos, mas a muitos outros estados, incluindo europeus, convencidos de que são democráticos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="BORDER-BOTTOM: medium none; TEXT-ALIGN: center; BORDER-LEFT: medium none; CLEAR: both; BORDER-TOP: medium none; BORDER-RIGHT: medium none" class="separator" align="justify"&gt;&lt;a style="MARGIN-BOTTOM: 1em; FLOAT: right; MARGIN-LEFT: 1em; CLEAR: right" href="http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/S_gQK4T1T2I/AAAAAAAAATY/rBfri_1MXQc/s1600/serra-da-leba-angola_20004_990x742%5B1%5D.jpg" imageanchor="1"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/S_gQK4T1T2I/AAAAAAAAATY/rBfri_1MXQc/s400/serra-da-leba-angola_20004_990x742%5B1%5D.jpg" width="400" height="300" gu="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="BORDER-BOTTOM: medium none; BORDER-LEFT: medium none; BORDER-TOP: medium none; BORDER-RIGHT: medium none" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Esta imagem fez-me voltar atrás uns anos e voltar a sonhar, a lembrar-me da célebre frase de Luther King: &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;"I &lt;span class="goog-spellcheck-word"&gt;Had&lt;/span&gt; a &lt;span class="goog-spellcheck-word"&gt;Dream&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;". E já agora afirmar que lutei por ele até me convencer de que éramos muito poucos os que o viam.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Leston Bandeira, e Lisboa, 22 de Maio de 2010&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-5181511272199417706?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/5181511272199417706/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=5181511272199417706' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/5181511272199417706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/5181511272199417706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2010/05/tive-um-sonho.html' title='Tive um Sonho'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/S_gQK4T1T2I/AAAAAAAAATY/rBfri_1MXQc/s72-c/serra-da-leba-angola_20004_990x742%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-5119319653410433721</id><published>2010-05-15T16:46:00.005+01:00</published><updated>2010-06-08T19:27:06.509+01:00</updated><title type='text'>15 de Maio</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/S-7O8tpZ_6I/AAAAAAAAATI/3VXU4gERilk/s1600/Ruca+0147.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 307px; FLOAT: right; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5471538139742470050" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/S-7O8tpZ_6I/AAAAAAAAATI/3VXU4gERilk/s400/Ruca+0147.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Oficialmente, em Angola, a estação seca (do cachimbo) principiava - não se se ainda é assim - a 15 de Maio.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O cacimbo anunciava-se antes disso, com a cor das tardes de um amarelo difícil de igualar. Havia, também, lá para as serras, uma brisa, que, de madrugada se transformava em vento gélido, a ponto de, em Junho, as baixas ficarem brancas com a geada que se formava.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era 15 de Maio de 1965 e a meio da manhã, o meu número foi dito aos altifalantes da Escola de Sargentos Milicianos de Nova Lisboa. Devia dirigir-me à cabine telefónica. Fi-lo a correr, estava à espera de notícias. Do outro lado, alguém me disse: " és pai de um belo rapaz, que nasceu hoje às sete da manhã. Está tudo bem."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nada disse, larguei o telefone e fui à procura de um sítio onde pudesse estar sozinho e gozar aquela notícia. Finalmente, o meu filho tinha nascido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E dentro de mim cresceu uma revolta ainda maior do que a que já me enchia o peito, quando o capitão Silva, comandante da 1ª Companhia, não entendeu que aquele fosse motivo para eu poder ir a casa, que ficava a 450 kms. Naquele ano, esses quilómetros demoravam muito tempo a percorrer; não havia asfalto e ter carro era só para gente rica. Eu iria de maximbombo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só consegui licença para ir ver o meu filho três semanas depois, princípio de Junho, com o frio a cortar quem se apresentasse desprotegido nas estradas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Dionísio, que também andava naquela macacada, tinha um mini. Eu e ele juntámos mais três manos e arrancámos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pouco depois da Caconda o carro partiu e eu quase não aguentava a ansiedade. E agora?... Esperamos, foi a resposta unânime. Mas, eu não estava disposto a ficar ali à espera de um qualquer milagre.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aconteceu, o tal milagre: apareceu o Rui Marques Luís com a sua potente moto e ele todo artilhado: calças e casaco de cabedal, botas, capacete, óculos, luvas, enfim, tudo a que um motociclista a viajar por aquelas madrugadas de cacimbo tinha direito.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Parou e logo lhe foi posta a questão de me dar boleia. Olhou para mim, vestido como quem ia dar um passeio no picadeiro e chamou-me maluco. "Vais morrer enregelado, não aguentas, não penses nisso, etc., etc... e todos os outros (mais três, a repetir o coro).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que se danassem, eu tinha o meu filho para ver e não houve quem me demovesse.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A viagem foi um verdadeiro tormento com alguns intervalos, quando encontrávamos uma fogueira que aquecia os pastores e por ali ficávamos a aquecer-nos e a falar do frio, das vacas e coisas assim.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando cheguei ao Lubango não sentia nenhuma parte do meu corpo. O Rui deixou-me em casa e eu fui directamente ver o meu filho: "oh! pá, chegou o teu pai".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acho que não consegui dizer mais nada: meteram-me numa cama, rodeado de sacos de água quente, com todos os cobertores que havia lá em casa ( não sei mesmo se não foram pedir alguns ao vizinho) e puseram-me o rapaz ao pé de mim para eu ir olhando.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para mim tinha começado uma nova vida, eu sentia uma nova responsabilidade e, mesmo quando na tropa tive que suportar provocações de todo o tipo, consegui resistir à tentação de seguir alguns companheiros que, entretanto, se puseram ao fresco noutras paragens.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aquele menino, a quem foi posto o nome de Mário Rui ( a junção do nome do meu irmão mais velho e meu tio mais novo, praticamente da nossa idade) e a quem, não sei porquê alguém, ou eu mesmo, chamou de Ruca, passou a ser a minha responsabilidade absoluta e a minha saudade permanente, já que passei muito tempo sem o ver...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com cinco anos ia comigo à caça das perdizes, com sete/oito anos era um craque na bola na Casa dos Rapazes, com dez anos era um "revolucionário"a quem só consegui "impingir" os "Capitães da Areia" do Jorge Amado como leitura entusiástica: "aqui também tem a revolução..." dizia-me todo empolgado.&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/TA5Dz2QN4PI/AAAAAAAAATg/WjycHotrRS4/s1600/Ruca+00153.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 272px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5480392354572394738" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/TA5Dz2QN4PI/AAAAAAAAATg/WjycHotrRS4/s400/Ruca+00153.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aos onze anos chamava-me "reaccionário de novo tipo" e aderiu ao movimento da Jota MPLA que apoiava o Nito Alves.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com 14 anos juntou-se de novo a mim e apaixonou-se - uma coisa que lhe acontecia muito - mas, desta vez, foi a sério. Com a Vivalda deu casamento. Perguntou-me a uma quinta-feira se eu queria ir ao casamento que seria no domingo seguinte. Disse que não.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando as coisas deram para o torto sabia que podia contar com o pai. Voltámos à relação de camaradagem, voltou a apaixonar-se não sei quantas vezes e houve uma outra a sério -a Valentina , na foto aqui com ele. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Levou-a com ele para o Lubango, para a sua Terra, porque as saudades eram muitas. Fui lá visitá-lo. Estava um perfeito lubanguense. Não perdeu o vício da caça e acho que vivia feliz.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje são 15 de Maio e o Ruca faria 45 anos. A última fotografia mostra-o um homem confiante em si. Eu confiava nele.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-5119319653410433721?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/5119319653410433721/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=5119319653410433721' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/5119319653410433721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/5119319653410433721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2010/05/15-de-maio.html' title='15 de Maio'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/S-7O8tpZ_6I/AAAAAAAAATI/3VXU4gERilk/s72-c/Ruca+0147.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-4736027489311678984</id><published>2010-04-22T14:50:00.003+01:00</published><updated>2010-04-26T15:29:14.888+01:00</updated><title type='text'>Recordar Comparando</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/S9Be-ppuWjI/AAAAAAAAATA/uL8YkNceEmw/s1600/Digitalizar0042.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 274px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5462970778426169906" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/S9Be-ppuWjI/AAAAAAAAATA/uL8YkNceEmw/s400/Digitalizar0042.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sentei-me à frente de um microfone para valer numa Estação de Rádio a sério no dia 20 de Dezembro de 1962. Para nada de especial, fazendo o que todos os princiantes faziam: naquela altura apresentávamos os programas de "discos a pedidos". É certo que nos bastidores íamos fazendo outras coisas, aquilo que permitia a uma emissora como aquela, o Rádio Clube da Huíla, funcionar 18 horas por dia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A paixão pela Rádio não é daquelas que arrefece e se esvai aos poucos;não, aquece e chega a temperaturas insuportáveis, toma mesmo conta de nós, não pensamos noutra coisa. Acho que falo por muitos milhares de noutros "doidos da Rádio".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fui trabalhando com várias pessoas, fui experimentando outras formas de comunicar: jornais, sobretudo, já que, naquela altura as alternativas se ficavam por aí.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lembro-me de ter trabalhado com um radialista fabuloso, o Paulo Cardoso, no Rádio Clube do Huambo. Nessa altura também por lá andavam a voz magnífica da Maria Dinah, o peralvilhismo consequente do Aurélio Alves, o servilismo um tanto amedrontado do Fernando Pereira a descontrção do Ribeiro Cristóvão (simultânamete comercial da Cerveja Cuca), a displicência do Congo e muitos outros, cujos nomes agora não me ocorrem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nessa Rádio aconteceu um episódio digno de ser recordado e que me permite fazer a ligação ao que pretendo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Paulo Cardoso estava na Rádio até às três, quatro da manhã e tinha dias que saía quando a emissão ia reabrir, lá para as seis. Num dia desses, o Paulo estava a caminho do Hotel onde residia, no seu Gordini castanho, a alta velocidade como sempre e com o receptor respectivo ligado. A senhora que abriu a emissão não era profissional, fazia umas horas e proveitava para, enqanto corriam os discos ir fazendo umas peças de tricot. Então, naquele dia, abriu a emissão com o habitual discurso...."bom dia senhores ouvintes....." e quando o acabou esqueceu-se de fechar o microfone e começou a falar com o Orlando, que era o técnico de controlo da emissão e que estava do outro lado do vidro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A senhora, falando da vida, o Orlando a ouvir e a responder e o Paulo a dar meia volta ao automóvel e a entrar porta dentro do Rádio Clube do Huambo, aos berros, com aquele vozeirão que ele tinha. Disse coisas que mais ninguém diria. A senhora enfiou o tricot na mala, passou de lado junto do homenzinho pequenino que era o Paulo Cardoso e foi para casa. Acho que nunca mais quis ver microfones à frente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Paulo Cardoso passava aquele tempo todo à noite no Rádio Clube porque não queria repetir as notícias que toda a gente tinha, provenientes da então Emissora Nacional. Ele queria na sua antena novidades e dava-se ao luxo de, em directo, nos noticiários do Rádio Clube do Huambo, de hora a hora, traduzir do Inglês e do Francês notícias captadas de outras ondas, de outras origens.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para ele era fundamental ser o primeiro, ser original, ter coisas diferentes para os seus ouvintes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E tinha. Com o Paulo Cardoso, nós os profissionais da Rádio daquele tempo, aprendemos quase tudo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por isso, do ponto de vista profissional, da única realidade que tenho saudades é da Rádio. Muitas saudades.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas não são apenas as saudades que me levam hoje a escrever sobre estas coisas. É também a imcompreensão pelo que se passa com a Rádio em Portugal. Todos os postos emissores começam pela manhã a dar - todos - as mesmas notícias, que, ou vão buscar aos jornais, ou à Lusa. Cada um tem os seus comentadores, que comentam, invariavelmente as mesmas coisas; a maior parte das vezes sem grande conhecimento do que estão a falar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Passa-se de Rádio para Rádio e ouvem-se às mesmas horas, as mesmas notícias, redigidas da mesma maneira, às vezes com os mesmos erros. Hoje, por exemplo, a nomeação de um marmanjo com nome de treinador de futebol para o cargo de governador do banco de Portugal (mais um que nos vai dizer que ganhamos mais do que devemos...) chegou a irritar-me.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje voltei a chegar à conclusão de que os homens e as mulheres (ela agora são mais) que fazem o jornalismo da Rádio se espiam uns aos outros com a intenção de dizerem todos a mesma coisa e da mesma maneira. Nenhum deles se atreve a ir buscar notícias a outras fontes a dar informação e a não limitar-se a ser o eco da frequência do lado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje, tal como noutros dias concluí que falta coragem aos homens e mulheres que fazem o jornalismo na nossa terra (afinal nas televisões e nos jornais o fenómeno é o mesmo...). Não se atrevem à diferença. Nelas percebe-se, mas neles, falta-lhes "cojones". Tenho que confessar a minha vergonha por ainda me associar, nem que seja apenas pela saudade a este grupo profissional.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-4736027489311678984?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/4736027489311678984/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=4736027489311678984' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/4736027489311678984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/4736027489311678984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2010/04/comparando-e-recordar.html' title='Recordar Comparando'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/S9Be-ppuWjI/AAAAAAAAATA/uL8YkNceEmw/s72-c/Digitalizar0042.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-5794393873388191769</id><published>2010-04-02T17:26:00.002+01:00</published><updated>2010-04-02T18:22:41.076+01:00</updated><title type='text'>O Povo da Guiné Bissau</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/S7YnpOxb_jI/AAAAAAAAAS4/NukBoNwn98M/s1600/An%C3%BAncio+de+seis+fusilamentos.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 377px; FLOAT: right; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5455591587899506226" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/S7YnpOxb_jI/AAAAAAAAAS4/NukBoNwn98M/s400/An%C3%BAncio+de+seis+fusilamentos.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estive por duas vezes na Guiné Bissau, uma como professor, tendo-me calhado em sorte, porque fui dos últimos a chegar, a tarefa de ensinar português e à noite, aos alunos que tentavam completar cursos. Acabou por ser gratiticante, apesar de alguns problemas , uns relacionados com o alojamento, outros com o próprio funcionamento do Liceu Kwame N'Krumah, cujo reitor era o Manecas, um bem intenciondo, sacrificado, um verdadeiro patriota, que largou o seu próprio curso para ir, a correr, ajudar o seu país nas ingentes tarefas da Independência, mas a quem, evidentemente, faltavam recursos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me de ter uma turma com sessenta alunos, a quem eu dizia: "isto não é uma sala de aulas, é uma sala de espectáculos, só faltam as luzes...", porque, em cima dos sessenta ainda aparecia sempre uma dúzia de assistentes. Gostavam das minhas aulas, o que me lisonjeia, mas não pode fazer com que, analisando a situação, perceba que aquela era uma das dificuldades intransponíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A massificação da Escola traz sempre problemas e na Guiné Bissau, muito mais, já que os dirigentes, os que se apresentavam com o "direito" e não o dever à governação, eram pouco escolarizados e cometiam erros tremendos para plateias de alunos já com alguma preparação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me, por exmeplo, que o Paulo Correia, mandado matar pelo Nino Vieira, foi a uma reunião com estudantes do 6º e 7ºanos da alura para lhes explicar que eles, alunos, tinham a sorte de ter uma Escola que os estava a ensinar porque ele e outros tiveram que abandonar o objectivo da sua preparação pessoal para se dedicarem à tarefa bem mais difícil de lutar pela independência da sua Terra, a Independência, que lhes permitia ter aquela escola, cheia de problemas - é certo - mas uma Escola para Guineenses. Foi aí que Paulo Correia pela adesão com que foi recebido pela Juventude, no fundo, decretou o seu próprio fim. Nino Não perdoava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma outra das minhas dificuldades esteve relacionada com o regresso, já que a vice-reitora, em substituição do Manecas, acrescentou umas regas estapafúrdias às condições de termo dos nossos contratos, porque no baile dos finalistas, um tal Luís Vaz, professor cooperante português foi fazer um discurso que raiava o spinolismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conclusão, fomos todos metidos no mesmo saco, o Buscardini, chefe da segurança, queria que eu fosse lá à polícia buscar o meu passaporte, que, de resto, já tinha sido objecto de chantagem por parte de um aluno que, em pleno exame, de prova escrita, me ameaçou não me entregar o dito se a nota não lhe conviesse...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa altura disse ao embaixador de Portugal em Bissau,Pinto da França, que o "problema " era dele e eu queria o meu passaporte. Consegui regressar a Portugal a 5 de Agosto de 1978. O Luís Vaz ficou por lá mais uns meses...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Analisando a minha actuação como professor naquela ano lectivo longíncuo de 1877/78, acho que cumpri o meu papel. Lembro-me, igualmente, de ter ficado com uma excelente impressão do Povo da Guiné Bissau, desde que fora de Bissau. Na capital andava toda a agente a ver se resolvia um problema, se conseguia um emprego, se obtinha uma promoção, se, finalmente, era nomeado chefe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse tempo fiz várias viagens, a que mais me impressionou foi a que me levou até ao Norte, na fronteira com o Senegal, na antiga estância de turismo das elites coloniais, Varela, onde ainda havia vestígios de água canalizada, quente e fria, nas habitações espalhadas por um perímetro simpático junto à praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, O Zé Nascimento e a Clara Campino divertim-nos com os nossos "hospedeiros", os flupes, islamizados e bons anfitriões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes passámos uma noite em Susana, uma missão católica, dirigida por padres italianos e que, durante toda a noite conversaram connosco e nos explicaram tudo acerca daquela região e da História antiga e mais recente da Guiné Bisssau. Foi nessa noite que eu fiquei a conhecer aquele país e aquele povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Susana para Varela fomos a pé, por caminhos de areia difíceis e penosos de fazer. A Clara, com os seus trinta quilos, lá aguentou a caminhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que ela, tal como eu e o Zé, nos lembrávamos da viagem de canoa de Canchungo para S. Domingos em que vimos as piores condições de transporte possíveis de ver no nosso (dos três) universo. Recordo uma mãe, que, para proteger a filha, viajou durante algumas horas numa canoa feita de tronco de árvore, com as pernas colocadas em tal posição que nos parecia que se tocavam, algures por detrás da cabeça, deixando a resguardo um buraco suficientemente espaçoso para caber a sua filhinha de alguns três anos. Isto, no meio de uma multidão que prometia um afundanço da canoa a todo o momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em S. Domingos confraternizámos com o povo da vila que, não sei por que razão, resolveu fazer um batuque durante toda a noite, até às 9 da manhã; um batuque com um som que ainda hoje permanece na minha memória, feito do ruído de palmas de mãos, com um ritmo irrestível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De S. Domingos alguém nos deu uma boleia para Susana. Depois o luxo acabou. Bem como no regresso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta e doutras viagens ficou-me a memória de um Povo, que naquele tempo tinha muita esperança no futuro. Acreditava sinceramente que a Independência lhe traria grandes benefícios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei em 1981. Em Fevereiro, como correspondente da ANOP, para substituir o Xavier de Figueiredo, que assitiu ao golpe de estado de 14 de Novembro de 1980. Um verdadeiro auto-golpe, já que o Nino Vieira, apresentado como cabecilha da rebelião, era, na altura, primeiro-ministro, isto é, "Primeiro Comissário" do Governo da República da Guiné Bissau, sendo Luís Cabral, irmão de Amílcar, o Presidente do Conselho de Estado, isto é, Presidente da República.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Março - 20 - fui expulso pelo Conselho da Revolução, mas o que presenciei durante estes pouco mais de 40 dias deu para perceber que os caminhos da Guiné Bissau não eram fáceis. Nino, além de dormir com as mulheres dos ministros, viajava e não fazia nada. Vendia as idas à Taywan por um milhão de dólares, depositados na Suiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Povo, o tal povo cheio de esperanças, não existia na sua cabeça, nem na de nenhum dos líderes que com ele existiram, que o substituiram, que ele mandou matar, que mataram a outros. A geração da "guerra de Libertação" é uma geração maldita e, quando ela tiver terminado o país não tem Estado, o Estado não tem país e o Povo tem que ir encontrar outra solução. Por isso, há mais de vinte anos, escrevi: "A Guiné Bissau, como Estado Independente é um PUF histórico".&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-5794393873388191769?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/5794393873388191769/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=5794393873388191769' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/5794393873388191769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/5794393873388191769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2010/04/o-povo-da-guine-bissau.html' title='O Povo da Guiné Bissau'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/S7YnpOxb_jI/AAAAAAAAAS4/NukBoNwn98M/s72-c/An%C3%BAncio+de+seis+fusilamentos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-1870127119579573278</id><published>2010-03-27T11:09:00.005Z</published><updated>2010-03-27T12:08:01.987Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os Amigos'/><title type='text'>Manuel Delgado - Ele detestava a mediocridade</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/S63rfQqveNI/AAAAAAAAASw/fR6nqiw7bW0/s1600/Convite.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/S63rfQqveNI/AAAAAAAAASw/fR6nqiw7bW0/s400/Convite.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5453273646098249938" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ontem, com muito gosto, acedi ao convite que me foi feito para assistir ao lançamento do livro de compilação de textos do Jornalista Manuel Delgado que me foi dirigido pela sua família. A apresentação do "RABIDANTIBUS" foi feita na Associação Caboverdiana, em Lisboa. Foi um prazer voltar aquele ambiente e rever gente que não via há muitos anos. A Clara Seabra, sobretudo,esposa e companheira de muitos anos do Manel. Os filhos, que eu conheci pequeninos lá estavam, mas não tive oportunidade de falar com eles.Também foi um gosto rever o Luís Carlos Patraquim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vim embora a meio da sessão, porque, tal como o Manuel Delgado detesto a mediocridade e a falta de profissionalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas já não estou para polémicas. Aproveito o facto de possuir este blogue para esclarecer algumass coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira diz respeito à personalidade de Manuel Delgado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabo Verde é um país especial porque, de tempos a tempos, tem a sorte de ter entre os seus filhos, gente com especial inteligência. Era o caso do Manel. Ele estava sempre à frente e não percebia,não aceitava que os outros não o acompanhassem. E isso angustiava-o. Ele traduzia o amor pela sua terra com essa angústia de quem sentia que tudo podia ser diferente e contestava.Não era um homem fácil, já aqui o escrevi, mas era um homem particularmente inteligente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque é que, primeiro o PAIGC e depois o PAICV não lhe deram papéis mais activos, mas visíveis, mais de acordo com as suas capacidades? Porque ele detestava a mediocridade e os primeiros tempos de independência em Cabo Verde foram feitos com muita paciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa paciência, a certa altura, faltou ao Manel e ele veio para Portugal para, em conjunto comigo e mais um grupo de pesssoas, fazer o melhor jornal que alguma vez se fez em Portugal sobre África.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei precisar a data em que ele veio para Lisboa, mas não foi, seguramente em 1988,foi bem antes. E o jornal português em que ele mais escreveu foi o jornal "África". Acho mesmo que foi o jornal, que não sendo dele - como mais tarde veio a acontecer com o Paralelo 14 - onde ele se sentiu mais livre. Embora contestando - sempre - desde logo a periodicidade do Jornal. Acho que tinha razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não veio em 1988 para o Expresso para ser copydesk, "um copydesk inteligente". De resto foi uma pena que o tivessem reduzido a essa condição, já que o Expresso nunca teve ninguém que percebesse alguma coisa do que se passava em África e o Manuel Delgado poderia ter sido uma peça importante na Redacção de um jornal que sempre teve uma posição paternalista relativamente aos africanos, mas está sempre à espreita para ver se aproveita qualquer coisa que venha de África.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso também irritava o Manel e, por isso, voltou para a sua terra, onde criou um projecto próprio para, mais uma vez, demonstrar o seu desprezo pela mediocridade pela falta de profissionalismo e pelos jogos pouco claros da política e da economia e outros...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem perdeu-se uma oportunidade de colocar o Manuel Delgado no seu lugar de JORNALISTA, também um "jornalista Caboverdiano", mas, sobretudo um JORNALISTA e não apenas um copydesk inteligente. O Manuel Delgado, mesmo já não estando entre os vivos, ainda assusta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente, o Manel tem uma família que faz os possíveis por demonstrar à sociedade que ele não foi um "qualquer", um "copydesk inteligente".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros, que também tiveram papel de grande destaque na sociedade cabo-verdiana e morreram na flor da idade não tiveram essa sorte. Por exemplo, é muito estranho que ainda ninguém tenha feito uma compilação de textos do Renato Cardoso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-1870127119579573278?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/1870127119579573278/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=1870127119579573278' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/1870127119579573278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/1870127119579573278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2010/03/manuel-delgado-ele-detestava.html' title='Manuel Delgado - Ele detestava a mediocridade'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/S63rfQqveNI/AAAAAAAAASw/fR6nqiw7bW0/s72-c/Convite.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-3695375375711055481</id><published>2010-03-19T15:46:00.003Z</published><updated>2010-03-19T16:35:33.931Z</updated><title type='text'>Limpeza no Lubango  HURRAAAHH!!!!!!!</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/S6OcaNLWkeI/AAAAAAAAASo/A6t2kDGkMjU/s1600-h/IMAGEM+PARA+BLOG.bmp"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 168px; height: 243px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/S6OcaNLWkeI/AAAAAAAAASo/A6t2kDGkMjU/s400/IMAGEM+PARA+BLOG.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5450371948076241378" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega-me, como sempre via net e pontualmente o Novo Jornal - uma excelente publicação de que os angolanos se devem orgulhar. Abro as diversas páginas e descubro numa delas um tema que me interessa paritcularmente por razões de carácter pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Lubango o camartelo saiu à rua para tentar dar ordem ao que, depois de trinta anos de desgoverno, corrupção, laxismo e até actos verdadeiramente criminosos porque atentatórios da qualidade de vida de uma população que não pára de crescer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por detrás do camartelo essteve o Governador Isaac dos Anjos, um homem "com eles no sítio" que, segundo a reportagem do Novo Jornal, não teve o poio nem dos homens que com ele partilham o governo da província. O próprio MPLA, através de um porta-voz, que deve usar gravata e sapatos brancos bicudos e de verniz, veio condenar a acção de limpeza, levada a cabo no cumprimento de legislação aprovada pela Assembleia Nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes últimos trinta anos , cujo poder pertenceu sempre ao MPLA, serviram para construir barracas feias, casas clandestinas em linhas de água, junto às linhas de caminhos de ferro, desenhar estradas e ruas sem rumo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E porque é que aconteceu tudo isto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É simples: os camponeses começaram a invair a cidade porque deixaram de ter condições de vida no mato e foram instalando as suas "bikuatas", semaando as suas lavras; no seguimento, os pequenos burgueses corromperam a administração e inventaram a condição de proprietários daqueilo que, de facto, é do Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mim foram-me chegando fotografias. Nos últimos tempos já faço "delete" sem as ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora chega-me a reportagem do Novo Jornal e as declarações do Sr. Governador Isaac dos Anjos e eu, adorador do Lubango, a cidade onde passei dos melhores anos da minha vida e onde desenvolvi acções importantes em prole do MPLA que chegou ao poder porque houve muita gente como eu, e fico contente pelo facto de haver um homem que diz BASTA de corrupção. Vamos construir uma cidade onde toda a gente se sinta bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bravo Isaac.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não teria ficado mal que o Novo Jornal manifestasse uma ponta de apoio a este homem,que, pelos vistos está sózinho. Aos jornalistas também cabe o papel de verificar se a Justiça Social, mesmo dolorosa, está a ser cumprida. Não se pode prejudicar uma comunidade para proteger grupos de chicos espertos corruptos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-3695375375711055481?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/3695375375711055481/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=3695375375711055481' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/3695375375711055481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/3695375375711055481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2010/03/chega-me-como-sempre-via-net-e.html' title='Limpeza no Lubango  HURRAAAHH!!!!!!!'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/S6OcaNLWkeI/AAAAAAAAASo/A6t2kDGkMjU/s72-c/IMAGEM+PARA+BLOG.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-8393422264894287705</id><published>2009-12-20T12:35:00.004Z</published><updated>2009-12-20T13:04:05.153Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><title type='text'>OS BÓERES NO PLANALTO DA HUÍLA</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Sy4b25xWn9I/AAAAAAAAASY/XlichXo3_Nc/s1600-h/IMG_2118.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 231px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5417298031807995858" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Sy4b25xWn9I/AAAAAAAAASY/XlichXo3_Nc/s400/IMG_2118.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Sy4b2QVTwYI/AAAAAAAAASQ/XchDMamR0JI/s1600-h/IMG_1692.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 209px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5417298020684513666" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Sy4b2QVTwYI/AAAAAAAAASQ/XchDMamR0JI/s400/IMG_1692.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span xmlns=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os meus agradecimentos ao meu amigo António Trabulo que me enviou este texto e também algumas das fotografias da sua colecção particular.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-LEFT: 14pt"&gt;Os bóeres são descendentes dos colonos holandeses que se fixaram no Sul da África, nos meados do século XVII, e dos huguenotes franceses fugidos às guerras religiosas da Europa, que se lhes juntaram, vinte e cinco anos depois.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-LEFT: 14pt"&gt;Criaram raízes na terra. Pretendiam ficar. No entanto, quase século e meio antes da eclosão dos movimentos nacionalistas africanos, já a História os colhera na sua rede. Em 1815, a Holanda viu-se forçada a ceder a Colónia do Cabo à Inglaterra.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-LEFT: 14pt"&gt;Fartos dos ingleses, a partir de 1835 os bóeres começaram a emigrar para Norte. Foi a grande marcha, o &lt;em&gt;Trek.&lt;/em&gt; Fundaram sucessivamente o Estado Livre de Orange, o Natal e a República do Transvaal. Os britânicos não lhes deram sossego e obrigaram-nos a lutar pela liberdade. Os africânderes, como também eram chamados, bateram-se bem, mas foram vencidos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-LEFT: 14pt"&gt;Em 1876 terminou a guerra do Transvaal.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-LEFT: 14pt"&gt;Seiscentas famílias bóeres penetraram no deserto do Calaari, procurando novo local para se instalarem, longe da bandeira inglesa. Viajaram em grandes caravanas que se organizavam, nas paragens, em posições defensivas. Os carrões bóeres eram parecidos com que se vêem nos filmes de cobóis. A estrutura dos veículos era simples: uma caixa grande de madeira assentava em dois eixos. As rodas de trás, maiores, eram fixas. As dianteiras, um pouco mais pequenas, giravam à vontade do condutor. Um bom sistema de travagem tornava seguras as descidas íngremes. O tecto, de lona esticado sobre arcadas de madeira, isolava o interior da chuva e, até certo ponto, do calor, do pó e dos mosquitos. Havia muitas peças móveis que se adaptavam às necessidades. As arcas de arrumação serviam também de assentos. Eram puxados por seis a oito bois, por vezes por mais.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-LEFT: 14pt"&gt;Ao longo do &lt;em&gt;Trek&lt;/em&gt;, os bóeres passaram fome e sede. Sofreram com a seca e com as febres, nas estações das chuvas. Perderam gente, gado e haveres e foram dispersando.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-LEFT: 14pt"&gt;Uns tantos desistiram e voltaram para trás. Outros prosseguiram até ao Sul de Angola e percorreram as margens dos grandes rios Cubango e Cunene. Acabaram por estabelecer contactos com as autoridades portuguesas e obtiveram do Governo de Lisboa a concessão de três mil hectares de terra para se instalarem.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-LEFT: 14pt"&gt;Vale a pena citar uma cláusula do contrato estabelecido entre os representantes do nosso governo e os líderes da comunidade bóer:&lt;em&gt; Terreno cultivado pelo gentio é propriedade deles e não pode ser dado aos colonos que, portanto, não podem tirar-lhes o mesmo. &lt;/em&gt;O documento assinado garantia também, aos que chegavam, total liberdade de culto religioso.&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-LEFT: 14pt"&gt;Em Janeiro de 1881, oitenta famílias bóeres vieram estabelecer-se nas terras altas da Humpata. Além do gado de tracção traziam rebanhos soltos. Eram também caçadores. Jacobus Botha chefiava o grupo. Era o patriarca, à maneira bíblica: chefe religioso, político e militar, experimentado em guerras e sofrimento. Vira mesmo um dos seus criados ser devorado por um crocodilo, quando atravessava o rio Cunene, agarrado à cauda dum cavalo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-LEFT: 14pt"&gt;Os bóeres chegaram e construíram um canal de irrigação de seis quilómetros de comprimento, com uma levada de água para cada casal.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-LEFT: 14pt"&gt;Nessa época, estavam fixados naquela área apenas dois portugueses. Artur de Paiva, jovem alferes, serviu como intérprete de língua inglesa e ficou a comandar o destacamento militar que se estabeleceu no local. Casou com uma das filhas de Jacobus Botha. Boa parte do sucesso de Artur de Paiva nas campanhas de ocupação do Sul de Angola ficaria a dever-se à ajuda prestada pelos cavaleiros bóeres.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-LEFT: 14pt"&gt;Em 1883, foram enviadas para a Humpata seis famílias da falhada colónia Júlio de Vilhena, em Pungo Andongo&lt;strong&gt;&lt;em&gt;. &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;No ano seguinte, fixou-se na região um grupo de colonos madeirenses.&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-LEFT: 14pt"&gt;Os africânderes não gostaram da companhia. Acharam os novos vizinhos atrasados. Multiplicaram-se pequenos conflitos, resultantes da delimitação das propriedades e da distribuição da água de rega. Muitos bóeres venderam os seus terrenos e mudaram-se para a Palanca, a sete quilómetros de distância. Passados poucos anos, mais famílias abandonaram a Humpata e foram à procura de outras terras nos distritos do Huambo e do Bié. Uns tantos ficaram.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-LEFT: 14pt"&gt;Existia, no papel, o Esquadrão Irregular de Cavalaria da Humpata, composto por praças de Caçadores 4. Em 1891, apenas três soldados sabiam montar. Quando eram necessários cavaleiros, contratavam-se bóeres. Traziam armas e montada, eram destemidos e conheciam o terreno. Faziam-se pagar bem.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-LEFT: 14pt"&gt;Os bóeres ao serviço de Artur de Paiva raramente terão ultrapassado a meia centena. Foram determinantes na ocupação de Cassinga e na expedição ao Bié, em 1890, após o suicídio do sertanejo Serpa Pinto. Foi então aprisionado o soba Dunduma e estabelecido o domínio português na região. Algum tempo depois, os cavaleiros contratados colaboraram na campanha do Humbe, após o massacre do pelotão comandado pelo tenente Conde de Almoster.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-LEFT: 14pt"&gt;A segunda guerra dos bóeres, travada com a Grã-Bretanha entre 1898 e 1902 não parece ter influenciado a situação dos africânderes residentes na região.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-LEFT: 14pt"&gt;Em 1927 a África do Sul, pretendendo contrariar a influência eleitoral alemã na árida Damaralândia, desenvolveu uma campanha destinada convencer os bóeres fixados no Planalto da Huíla a regressarem à terra mãe. A iniciativa teve êxito. Em 1928, quase todos os bóeres se mudaram para o território do Sudoeste Africano. Foi um novo &lt;em&gt;Trek&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-LEFT: 14pt"&gt;&lt;em&gt;Quatro famílias apenas ficaram na Humpata. As outras, uma a uma, carregaram novamente os seus carrões. Carrão após carrão rolou terra abaixo pela bem conhecida carreteira que conduz ao vale do Cunene, perto do Chitado. Na margem esquerda do rio, ao avistarem a bandeira sul-africana, reuniram-se todos para cantarem hinos de acção de graças. A pequena colónia constituída por 270 pessoas de raça branca que tinha viajado para o Norte até à Humpata em 1880 cresceu muito, contando agora perto de 2.000 almas. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-LEFT: 14pt"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-LEFT: 14pt"&gt;&lt;em&gt;Referências:&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-LEFT: 14pt"&gt;&lt;em&gt;Estermann, Charles, Etnografia de Angola (Sudoeste e Centro). Instituto de Investigação Científica Tropical, Lisboa, 1983.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-LEFT: 14pt"&gt;&lt;em&gt;Gama, António, Uma história de vida. Blogue Memórias e Raízes, 2009.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-LEFT: 14pt"&gt;&lt;em&gt;Trabulo, António, Os Colonos. Esfera do Caos, Lisboa, 2007.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-LEFT: 14pt"&gt;&lt;em&gt;Fotografias: colecção do autor.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-LEFT: 14pt"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-LEFT: 14pt"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-8393422264894287705?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/8393422264894287705/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=8393422264894287705' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/8393422264894287705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/8393422264894287705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2009/12/os-boeres-no-planalto-da-huila.html' title='OS BÓERES NO PLANALTO DA HUÍLA'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Sy4b25xWn9I/AAAAAAAAASY/XlichXo3_Nc/s72-c/IMG_2118.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-6206563569460248092</id><published>2009-09-17T13:11:00.008+01:00</published><updated>2009-09-17T18:35:23.170+01:00</updated><title type='text'>1910 -  Romance de Antonio Trabulo</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SrJzTdNWebI/AAAAAAAAASE/FKHua-bi9II/s1600-h/IMG_1984.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 330px; FLOAT: right; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5382491282756499890" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SrJzTdNWebI/AAAAAAAAASE/FKHua-bi9II/s400/IMG_1984.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Implicado na revolução republicana ocorrida no Porto a 31 de Janeiro de 1891, o sargento João Madruga foi condenado ao exílio em África.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao ser indultado, trouxe para Portugal a mulher negra e a filhinha mulata. O diálogo que se transcreve foi estabelecido com Susana Madruga, em Lisboa, no ano de 1909.-&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Antes de a conhecer, Benguela tocou-me no nariz. Era de noite e não havia cais para atracar. Tudo o que eu podia ver eram janelas iluminadas ao longe. Cheirava bem. Eu não conhecia aqueles cheiros que adoçavam a escuridão. Soube mais tarde que eram de fruta madura: goiabas, mangas e bananas. Pela manhã, levaram-nos para terra em pequenas embarcações tripuladas por negros. Quando os barquitos encalharam, saltámos para a areia com as taleigas em que guardávamos o pouco que nos tinham deixado levar.- O pai não ia fardado?- Não. Quando nos condenaram ao degredo, também nos expulsaram do exército.- Mandaram-nos para lá para morrerem?- Não foi bem assim. As febres matavam uns tantos. Dos que resistiam, muitos assentavam raízes e faziam-se colonos. Angola precisava de brancos. Pelo menos, era o que se dizia no Porto.- Deram-lhes onde morar?- Enfiaram-nos num casebre com telhado de colmo - lá chamam-lhe capim. Ficava perto da praia. Tinha apenas uma assoalhada, mas era espaçosa. Ali ficámos, até cada um ajeitar a sua vida.- E a terra, era grande?- Seria como uma vila de cá. Em Angola, apenas Luanda era maior. Muitas habitações eram só de um piso. Algumas alongavam-se por um quarteirão inteiro, como carruagens de comboio pegadas umas às outras. Nas casas mais antigas havia grandes quintais com muros altos. Em tempos recuados, prendiam lá os escravos que esperavam barco para o Brasil. Mesmo depois de o tráfico ser banido, os de Benguela continuaram a levantar paredes elevadas que já não serviam para nada.Susana escutava com um ar muito sério.- A minha mãe era escrava? O pai comprou-a?A miúda andava com aquela pergunta debaixo da língua havia anos, com vergonha de a fazer.Madruga sorriu.- Não! A escravatura já tinha acabado. Era uma pessoa livre. Eu gostei dela e ela de mim. Mas tanto a tua avó como a tua bisavó, que ainda conheci, tinham sido libertadas já na idade adulta.- E que é que o pai lá fazia? Como é que ganhava a vida?- Em África, os portugueses tinham essencialmente quatro profissões: padres, soldados, funcionários públicos, e comerciantes. Eu não era padre e fora posto fora do exército. Como não me deixaram ser funcionário, empreguei-me numa casa de comércio. Vendia-se um pouco de tudo e comprava-se cera, borracha, sisal, cereais, couros, gado e marfim. Tudo aquilo vinha de longe, do interior. Em tempos recuados, fizeram-se fortunas com o comércio de escravos. Alguns dos palácios de condes e barões que vês por aí assentam no dinheiro ganho com o aviltamento de seres humanos.- E a comida, como era?- Não passávamos mal. O mar era rico em peixe. Havia hortas com muita variedade de legumes, embora nem todos fossem iguais aos de cá. Criavam-se galinhas, porcos e cabritos. A fruta era boa e muito barata. De vez em quando, comíamos carne de caça. Os negros viviam pior. Alimentavam-se de farinha de milho e mandioca e, claro, de peixe. Gostavam muito de feijão com óleo de palma. O pescado que não se consumia fresco, e que era a maior parte, secava-se. Era vendido em fardos para as terras do interior, que nos compravam também bastante sal.- Que aconteceu aos seus colegas?- Fizeram-se à vida, como eu. O Lameiras, coitado, teve pouca sorte. Morreu com as sezões. Ainda não estava em África há um ano. Benguela ficava no meio de pântanos e lagoas. Abundavam os mosquitos e havia muitas febres. A terra chegou a ser chamada "cemitério de brancos".- E os pretos?- Também adoeciam, mas estavam mais habituados aos males de lá e aguentavam-se melhor. Sabes que Benguela tem uma particularidade diferente das outras terras? - Não. Conte lá...- É a única povoação importante que conheço que mudou de lugar e conservou o nome. E não foi como se os mouros se deslocassem de Lisboa para Sintra. Não! A primeira Benguela, Benguela-Velha, extinguiu-se. No começo do século XVII foi refundada, centenas de quilómetros a Sul. O nome tinha peso na costa africana e o prestígio que lhe estava associado não se podia deitar fora. O rei Filipe II separou o Reino de Benguela do Reino de Luanda e deu-lhe autonomia administrativa. Bem podiam tê-lo aconselhado a escolher um lugar mais saudável...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em 1910, romance histórico de António Trabulo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-6206563569460248092?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/6206563569460248092/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=6206563569460248092' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/6206563569460248092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/6206563569460248092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2009/09/1910-romance-de-antonio-trabulo.html' title='1910 -  Romance de Antonio Trabulo'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SrJzTdNWebI/AAAAAAAAASE/FKHua-bi9II/s72-c/IMG_1984.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-8339888830340668066</id><published>2009-07-21T13:24:00.004+01:00</published><updated>2009-07-25T13:01:18.043+01:00</updated><title type='text'>Renato Cardoso e os Seus Amigos</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SmXCTLifdZI/AAAAAAAAAR0/w6liGKbgzMU/s1600-h/Renato+Cardoso.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 287px; FLOAT: right; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360904566225204626" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SmXCTLifdZI/AAAAAAAAAR0/w6liGKbgzMU/s400/Renato+Cardoso.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apesar dos anos passarem rapidamente, há nomes que não me a&lt;span id="SPELLING_ERROR_0" class="blsp-spelling-error"&gt;bandonam&lt;/span&gt; no meu dia a dia. Renato Cardoso é um deles. Foi um amigo de que me orgulho particularmente. E continuo a estranhar que os Cabo-V&lt;span id="SPELLING_ERROR_1" class="blsp-spelling-error"&gt;erdianos&lt;/span&gt; não assinalem devidamente a sua capacidade de trabalho, a sua &lt;span id="SPELLING_ERROR_2" class="blsp-spelling-error"&gt;inteligência&lt;/span&gt; brilhante e as suas lutas para que o país possa hoje orgulhar-se dos caminhos que já percorreu, do presente notável de que &lt;span id="SPELLING_ERROR_3" class="blsp-spelling-error"&gt;desfrutam&lt;/span&gt; e as esperanças fundadas de um futuro ainda mais risonho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com o passar dos anos fica-se com a impressão de que ainda há quem tenha medo da memória do Renato.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Falo aqui hoje dele porque recebi um e-mail de Alice Sena Mascarenhas, uma colaboradora de Renato Cardoso, sua amiga e sua admiradora porque lhe conhecia as qualidades, já que trabalhava de perto com ele. Pede-me a possibilidade de ler o texto de 20 de Setembro de 2005. Pois ele aqui está reposto. Tem a possibilidade de o comentar. Introduzi o sistema de controlo dos comentários porque houve um tempo em que recebia comentários ofensivos, normalmente anónimos. Não será o seu caso. O seu comentário será muito bem vindo, sobretudo porque perfilho a sua ideia de que o crime que matou o Renato não foi devidamente investigado e há por detrás dessa morte uma premeditação óbvia que tem a ver com a evolução que a política de Cabo Verde teve nos anos seguintes .&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span id="SPELLING_ERROR_5" class="blsp-spelling-error"&gt;Estou&lt;/span&gt; pessoalmente convencido de que se Renato Cardoso fosse vivo o &lt;span id="SPELLING_ERROR_6" class="blsp-spelling-error"&gt;MpD&lt;/span&gt; nunca teria ganho as &lt;span id="SPELLING_ERROR_7" class="blsp-spelling-error"&gt;eleiçõe&lt;/span&gt;&lt;span id="SPELLING_ERROR_8" class="blsp-spelling-error"&gt;s de&lt;/span&gt; 1991. Para além disso - é a primeira vez que faço referência a isto - o Renato pressentia que alguma coisa lhe iria acontecer por aqueles dias. Ele foi assassinado num Sábado e na quinta-feira anterior tinha-me telefonado, pedindo-me para ir à Praia: queria falar comigo, estava com "medo" depois de uma reunião que tinha tido com o Presidente da República de então, Aristides Pereira.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como vê, Alice, já somos dois com o mesmo tipo de informação...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acho que tem razão: teria sido necessário fazer tudo para saber quem está por detrás da morte de Renato Cardoso. Eu acho que ainda hoje vale a pena. Sobretudo os Cabo-&lt;span id="SPELLING_ERROR_9" class="blsp-spelling-error"&gt;Verdianos&lt;/span&gt; deveriam exigir que a sua memória fosse respeitada e &lt;span id="SPELLING_ERROR_10" class="blsp-spelling-corrected"&gt;fizesse&lt;/span&gt; parte da galeria dos heróis nacionais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gostaraia muito que a Alice Sena Mascarenhas partilhasse connosco o seu poema que fez para o Renato.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quanto à data do texto, percebeu: foi para assinalar o 15º aniversário do acontecimento. Mas, a verdade é que eu escrevi muito sobre o Renato, sobretudo no "África" e também noutros jornais. Não o esqueci e não o vou esquecer&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A seguir publico o e-mail de Alice Sena Mascarenhas e o texto de 20 de Setembro de 2005, em que assinalava os 15 anos da morte de &lt;span id="SPELLING_ERROR_11" class="blsp-spelling-error"&gt;Renato&lt;/span&gt; Silos Cardoso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Olá&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Não tive a sorte de ler o artigo que escreveu em 2005 (20 de Julho) sobre o Renato que só hoje me chegou às mãos.&lt;br /&gt;Fui colega do Renato Cardoso no Liceu Gil Eanes e depois como segui para Cabinda (onde vivi dez anos) só em 1975 viria a reencontrar o &lt;span id="SPELLING_ERROR_12" class="blsp-spelling-error"&gt;Paín&lt;/span&gt; (assim era ele conhecido por nós colegas e outros daquele tempo - nome aplicado pelo Dr. Baltasar Lopes da Silva, quando o Renato leu em francês &lt;span id="SPELLING_ERROR_13" class="blsp-spelling-error"&gt;le&lt;/span&gt; &lt;span id="SPELLING_ERROR_14" class="blsp-spelling-error"&gt;paín&lt;/span&gt; em vez de &lt;span id="SPELLING_ERROR_15" class="blsp-spelling-error"&gt;pain&lt;/span&gt; (pão).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe, desde que mataram o Renato, digo comigo mesma que se fosse a mulher dele teria que descobrir quem o matou. As várias &lt;span id="SPELLING_ERROR_16" class="blsp-spelling-error"&gt;versões&lt;/span&gt; aqui impingidas nunca me enganaram. Eu tive o &lt;span id="SPELLING_ERROR_17" class="blsp-spelling-corrected"&gt;privilégio&lt;/span&gt; de ter trabalhado com o Renato nas vésperas da sua morte e sei, porque ele me disse, que algo que estava a atormentá-lo já tinha sido esclarecido. Tinha tido um encontro sobre isso. Ele prometeu vir beber &lt;span id="SPELLING_ERROR_18" class="blsp-spelling-error"&gt;un&lt;/span&gt; &lt;span id="SPELLING_ERROR_19" class="blsp-spelling-error"&gt;Gin&lt;/span&gt; tónico comigo no domingo para comemorarmos &lt;span id="SPELLING_ERROR_20" class="blsp-spelling-corrected"&gt;tb&lt;/span&gt; o projecto sobre administração pública que acabáramos de traçar com um &lt;span id="SPELLING_ERROR_21" class="blsp-spelling-error"&gt;expert&lt;/span&gt; das N.U, &lt;span id="SPELLING_ERROR_22" class="blsp-spelling-error"&gt;Guido&lt;/span&gt; de &lt;span id="SPELLING_ERROR_23" class="blsp-spelling-error"&gt;Weerd&lt;/span&gt; . Nunca me esqueço daquela manhã, do toque daquele telefone (eu ainda deitada) e a voz do meu marido anunciando-me o acontecimento. Os meus soluços continuam vivos aqui no meu peito e sinto não poder dar a vida ao meu amigo.Fiz um poema que nunca difundi porque não sou poetisa e &lt;span id="SPELLING_ERROR_24" class="blsp-spelling-error"&gt;tb&lt;/span&gt; porque as vozes sonoras não pertencem a todos. Não interessa, &lt;span id="SPELLING_ERROR_25" class="blsp-spelling-error"&gt;fi&lt;/span&gt;-lo para ele.&lt;br /&gt;Sei também que o Renato não pode estar feliz pois ele tinha todo um &lt;span id="SPELLING_ERROR_26" class="blsp-spelling-corrected"&gt;projecto&lt;/span&gt; de vida que ele não escondia e que fazia questão de anunciar: eu não pretendo morrer, nem vou imigrar, a não ser que me &lt;span id="SPELLING_ERROR_27" class="blsp-spelling-corrected"&gt;dêem&lt;/span&gt; um tiro e eu não possa fazer nada... foi o que ele dissera quando o técnico lhe disse que o país precisava dele para defender o projecto acabado de assinar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso para lhe pedir: por favor escreva mais sobre o que escreveu, difunda o seu artigo ou então de-nos oportunidade de o comentar.&lt;br /&gt;Mas &lt;span id="SPELLING_ERROR_28" class="blsp-spelling-error"&gt;tb&lt;/span&gt; questionei porque só em 2005? Compreendo mas não entendo.&lt;br /&gt;Um abraço&lt;br /&gt;Alice Sena Mascarenhas&lt;br /&gt;CP 43 Praia&lt;br /&gt;Ilha de Santiago,&lt;br /&gt;Republica de Cabo Verde&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Segunda-feira, Setembro 19, 2005&lt;br /&gt;&lt;a name="112708659191300217"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Faz hoje quinze anos que Renato Cardoso foi assassinado na Cidade da Praia. Daqui, de Lisboa, dedico-lhe o meu pensamento, honro a sua memória e declaro a minha saudade de um amigo bom, de um homem inteligente, dedicado à sua terra e à sua gente.&lt;br /&gt;Daqui, de Lisboa, do mesmo sítio onde recebi a notícia fria da sua morte lamento que um manto inexplicável tenha caído por cima de um assassinato hediondo, cujas razões nunca foram devidamente explicadas. Desta mesma cidade que o viu crescer como jurista de grande conhecimento e sabedoria digo da minha tristeza pelo esquecimento a que os seus votam a sua memória.&lt;br /&gt;De dentro do que mais profundo existe em mim rendo a minha homenagem à sua coragem nas inúmeras lutas políticas que travou e de que resultaram sempre avanços para o progresso do seu povo. Faço vénia ao seu empenhamento na luta pelos ideias da democracia, cujos princípios enunciou antes que outros aproveitassem as ondas &lt;span id="SPELLING_ERROR_29" class="blsp-spelling-error"&gt;internacioinais&lt;/span&gt; para se perfilarem num combate pelo poder.&lt;br /&gt;Neste triste aniversário, como seu amigo, sinto-me na obrigação de informar os cabo-&lt;span id="SPELLING_ERROR_30" class="blsp-spelling-error"&gt;verdianos&lt;/span&gt; que Renato Cardoso, pouco tempo antes de ter sido abatido por um &lt;span id="SPELLING_ERROR_31" class="blsp-spelling-error"&gt;profisisional&lt;/span&gt; que não deixou pistas, tinha sido convidado para trabalhar fora da sua terra, a troco de uma proposta milionária - que ele recusou - porque, como dizia, a sua gente precisava dele.&lt;br /&gt;E precisava mesmo. Só que já passaram quinze anos sobre o som dos tiros assassinos e a sua gente já nem se lembra do dia. Os seus pupilos, aqueles em quem ele depositou as suas esperanças, têm , pelo menos, que honrar a sua memória, a sua honradez de carácter, a sua crença num Cabo Verde para todos os cabo-&lt;span id="SPELLING_ERROR_32" class="blsp-spelling-error"&gt;verdianos&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Publicada por &lt;span id="SPELLING_ERROR_33" class="blsp-spelling-error"&gt;Leston&lt;/span&gt; Bandeira em &lt;a class="timestamp-link" title="permanent link" href="http://africandar.blogspot.com/2005/09/renato-cardoso.html" rel="bookmark"&gt;8:35 &lt;span id="SPELLING_ERROR_34" class="blsp-spelling-error"&gt;AM&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;a class="comment-link" onclick="" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;amp;postID=112708659191300217"&gt;0 comentários&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-8339888830340668066?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/8339888830340668066/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=8339888830340668066' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/8339888830340668066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/8339888830340668066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2009/07/renato-cardoso-e-os-seus-amigos.html' title='Renato Cardoso e os Seus Amigos'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SmXCTLifdZI/AAAAAAAAAR0/w6liGKbgzMU/s72-c/Renato+Cardoso.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-2718522787987361842</id><published>2009-07-14T13:38:00.003+01:00</published><updated>2009-07-14T16:45:27.228+01:00</updated><title type='text'>O "Quintal" da Europa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hoje as rádios , as televisões e os jornais deram com  alarido e sem nenhum sentido crítico a grande notícia: um conjunto de doze empresas alemãs vai levar a cabo um projecto de criação de um complexo de aproveitamento do Sol do Saara para produzir energia limpa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tal energia abastecerá a Europa e suprirá 15 por cento do consumo. Os pormenores acrescentavam que a Senhora Merkel e Durão Barroso estão radiantes com o projecto. Até a Greenpeace exultou e fez um comunicado exortando todo o Mundo a fazer o mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De todas as notícias que ouvi e li não vi nenhuma referência ao papel de África neste projecto que, "só por acaso" vai ser desenvolvido em território africano.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fala-se na criação de 250 mil postos de trabalho, na possibilidade de dessalinizar água do mar para aproveitamento das populações locais, mas mais nada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A Europa, desta vez através do "gigante" germânico, volta a olhar para África como o seu "quintal"...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dirão os mais colonialistas: ..."mas é aqui tão perto!...."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pois. É perto, mas é África e aqui, perto, começa a desgraça de milhões e milhões de seres humanos que sempre foram olhados de cima (e já agora, por cima). Esses muitos milhões foram vítimas do facto de África estar aqui tão perto e ser a zona "natural" de expansão da Europa, mais avançada do ponto de vista tecnológico - tal como agora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E, para além disso, estão a ser vítimas dos seus próprios dirigentes, que, corrompidos pelos europeus, pouco se interessam com a vida dos seus países.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora, este projecto megalómano alemão foi anunciado por europeus, comemorado por europeus e não se ouviu falçar de africanos. Será que vão tomar de assalto o deserto do Saara e instalar lá os painéis solares que hão-de produzir a tal energia limpa para os europeus?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-2718522787987361842?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/2718522787987361842/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=2718522787987361842' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/2718522787987361842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/2718522787987361842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2009/07/o-quintal-da-europa.html' title='O &quot;Quintal&quot; da Europa'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-6190404358345016064</id><published>2009-06-03T11:09:00.003+01:00</published><updated>2009-06-03T11:59:00.172+01:00</updated><title type='text'>Arménio Vieira - Prémio Camões</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SiZXRxCEOYI/AAAAAAAAARs/loNjs0mC6z8/s1600-h/Arm%C3%A9nio+Vieira.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343053970653067650" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 264px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SiZXRxCEOYI/AAAAAAAAARs/loNjs0mC6z8/s400/Arm%C3%A9nio+Vieira.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ontem à noite ouvi a notícia e devo ter ficado tão surpreendido como ele próprio: Arménio Vieira era o Prémio Camões 2009.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fiquei surpreso mas feliz porque se há um poeta em todo o espaço de língua portuguesa que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;merece&lt;/span&gt; este &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;prémio&lt;/span&gt; específico é o Arménio já que ele é um cidadão do Mundo, sobretudo pelo conhecimento. Tal como Camões, Arménio Vieira cultiva o saber como forma de estar na vida e faz da poesia a sua um modo particular de afirmação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Arménio Vieira é Cabo-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;Verdiano&lt;/span&gt; como todos os outros, cultiva o mesmo orgulho das suas raízes, contribuiu com a sua parte para a libertação, não apenas dos seus compatriotas, mas de todos nós, os amarrados por um regime político iníquo, retrógrado e autoritário, mas sente-se um cidadão do Mundo. Sendo um natural de Cabo Verde, a sua obra não se fica pelas ilhas e não pode, por isso, ser considerado um poeta-escritor regional.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esta é, de resto, a sua &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;característica&lt;/span&gt; mais forte. Arménio Vieira, sendo um homem de poucas viagens e de vivências restritas, tem produzido uma obra de cunho universal, revelando influências que vão muito para além das que, inevitavelmente, lhe são transmitidas pelas circunstâncias de vida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas que fique claro para os que, de repente, tendo a obrigação de produzir notícia e comentar acontecimento tão importante, se confrontam com a sua própria ignorância: Arménio Vieira é o maior poeta Cabo-Verdino vivo, mas não é apenas isso. Ele é um poeta que pode e deve ser lido em todo o Mundo. A sua alma de poeta de todos fala.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Oxalá este prémio o tire da penumbra e revele a sua poesia na dimensão que ela merece.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-6190404358345016064?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/6190404358345016064/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=6190404358345016064' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/6190404358345016064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/6190404358345016064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2009/06/armenio-vieira-premio-camoes.html' title='Arménio Vieira - Prémio Camões'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SiZXRxCEOYI/AAAAAAAAARs/loNjs0mC6z8/s72-c/Arm%C3%A9nio+Vieira.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-8716502574411286596</id><published>2009-04-19T11:27:00.004+01:00</published><updated>2009-04-21T22:32:25.778+01:00</updated><title type='text'>Retornados O Adeus a África</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Se4Sn1CkmHI/AAAAAAAAARc/Y1D9O_DD1qc/s1600-h/Digitalizar0002.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5327215884687939698" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 278px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Se4Sn1CkmHI/AAAAAAAAARc/Y1D9O_DD1qc/s400/Digitalizar0002.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;António Trabulo acaba de lançar um novo livro: "Retornados O Adeus a África", uma estória romanceada a partir de vidas vividas em vários tempos e latitudes por gente surpreendida pelas circunstâncias da História que, como um furacão, as sacudiram e fizeram perceber novas dimensões da condição humana.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A acção do romance situa-se em Angola e em Portugal e é construída à volta de dois irmãos gémeos, que, quando nasceram se viraram de costas, o que pareceu à mãe um sinal de mau agoiro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era justificada a preocupação, já que ao longo da vida sempre se encontraram em campos opostos, sobretudo no  da política, onde um, o Gil, imbuído de ideais nacionalistas haveria de aderir a grupos que não aceitavam a independência de Angola, pelo que teve que assitir aos desmandos da UNITA e da FNLA.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gil, tal como o José, cuja adesão ao MPLA também não lhe traria a compensação de ver satisfeitos os seus ideiais de igualdade e fraterinade, acabaram por se incoporar na mole imensa de retornados, muitos dos quais viram Portugal pela primeira vez.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os dois irmãos também disputaram a mesma beldade do Lubango, Lua, cuja estória preenche vári0s tempos e espaços de outros personagens deste romance.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entre este mundo de gente que se encontrou nas mais diversas circunstâncias, há um branco loiro que não consegue deixar de pensar no seu gado, na sua fazenda e não tem uma vida normal entre a sua gente, despojada, em Angola, dos seus bens e em em Portugal, dos seus hábitos, costumes e rotinas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Muíla, assim é conhecido o Sidónio, é verdadeiro anti-herói de mais este romance bem conseguido de António Trabulo, apesar de a sua narrativa ficar um pouco distante do sofrimento indizível dos que, de repente, se viram num outro Mundo, muitas vezes escorraçados, vilipendiados. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em "Retornados, O Adeus a África" não se descobre que a chamada integração eficaz dos regressados se tenha ficado a dever às suas qualidades e não a qualquer golpe de asa das autoridades portuguesas, muito mais interessadas noutras coisas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-8716502574411286596?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/8716502574411286596/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=8716502574411286596' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/8716502574411286596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/8716502574411286596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2009/04/retornados-o-adeus-africa.html' title='Retornados O Adeus a África'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Se4Sn1CkmHI/AAAAAAAAARc/Y1D9O_DD1qc/s72-c/Digitalizar0002.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-5414078668109886170</id><published>2009-04-04T16:36:00.004+01:00</published><updated>2009-04-04T20:51:37.937+01:00</updated><title type='text'>"Balada do Ultramar"</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Sde46OvQGPI/AAAAAAAAARM/1BvKIdKVWkI/s1600-h/Digitalizar0003.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5320924795289737458" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 298px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Sde46OvQGPI/AAAAAAAAARM/1BvKIdKVWkI/s400/Digitalizar0003.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Manuel Acácio, um nome conhecido no jornalismo radiofónico de qualidade - que já vai rareando -acaba de publicar um livro com um título atrevido, "Balada do Ultramar". Este romance é uma narrativa corajosa, não da sua própria experiência, mas do entendimento que conseguiu perceber do sofrimento atroz que foi para centenas de milhares de portugueses (brancos e também muitos negros) o abandono das terras onde muitos deles já tinham nascido. Alguns foram atirados fora da terra dos seus avós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Manuel Acácio revela ao longo &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;das&lt;/span&gt; 221 páginas do seu "romance" um trabalho sério, honesto e difícil de investigação - que lhe permitiu descrever cenas reais, sobretudo de Angola e de Portugal. O resultado é uma conclusão que eu vejo pela primeira vez escrita, anda por cima em bom &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;português&lt;/span&gt;: os portugueses foram expulsos por razões fundamentalmente racistas e recebidos naquela que teoricamente seria a sua terra por gente que os via como invasores do seu espaço pequenino, miserável, sem qualidade e sem perspectivas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Neste livro de Acácio está escrito que também os políticos da época e os que se seguiram, voltaram as costas aos despojados de passado, de presente e sem futuro. Aqui está explicada a razão porque há muita gente a negar que a descolonização portuguesa tenha sido uma operação "exemplar e bem conseguida".&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Sde5-NiYSVI/AAAAAAAAARU/FP-IwVEqSwo/s1600-h/Digitalizar0001.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5320925963198417234" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 264px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Sde5-NiYSVI/AAAAAAAAARU/FP-IwVEqSwo/s400/Digitalizar0001.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A integração mais ou menos pacífica que os chamados "retornados" conseguiram em terras portuguesas foi obra sua, da sua qualidade humana e também das perspectivas abertas de sociedades mais abertas, mais livres e mais solidárias. Portugal beneficiou imenso com esta injecção especial de gente de qualidade excepcional.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao contrário, os países entretanto nascidos desta "descolonização exemplar" sentiram claramente a sua falta. Tanto assim que, dos cinco, apenas o mais pobre (Cabo Verde) beneficiou, objectivamete, o seu povo com o acesso à Independência.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A "Balada do Ultramar", uma edição da "Oficina do Livro" retrata as gentes que fizeram parte do primeiro êxodo. Há, todavia, outros, mais silenciosos, mas igualmente importantes para Portugal e ainda mais devastadores para os países para quem os brancos passaram a ser inimigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao felicitar o Manuel Acácio pelo seu excelente texto, não posso deixar de apontar alguns livros que uma vez por outra aparecem por aí a explorar de forma miserável a saudade dos que ainda se lembram do que deixaram para trás, muitos deles baseados em fotografias dos pais, dos avós e dos amigos, explorando oportunisticamente redes de contactos como prateleiras de hipermercados.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-5414078668109886170?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/5414078668109886170/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=5414078668109886170' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/5414078668109886170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/5414078668109886170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2009/04/balada-do-ultramar.html' title='&quot;Balada do Ultramar&quot;'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Sde46OvQGPI/AAAAAAAAARM/1BvKIdKVWkI/s72-c/Digitalizar0003.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-4009128211512340627</id><published>2009-03-28T10:52:00.006Z</published><updated>2009-03-29T12:49:19.282+01:00</updated><title type='text'>27 de Março de 1976</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Naquele dia foi oficial: as tropas sul-africanas tinham abandonado Angola e, embora tenham ficado estacionadas mesmo ali na fronteira, a poucos quilómetros de Santa Clara e do outro lado das quedas do Ruacaná, para nós foi dia de festa. "A guerra tinha acabado" - foi-nos dito em comício popular na praça que então se chamava " da República".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Lubango vivia momentos de euforia, de reconstrução, de azáfama, de reorganização. Os operários dos Caminhos de Ferro de Moçamedes (CFM) ajudavam os agricultores, fazendo peças para os tractores avariados, noutras fábricas substituia-se o obsoleto sistema de capatazia por métodos de responsabilização na organização da produção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando, a 18 de Fevereiro tínhamos chegado à cidade, no primeiro voo que partiu de Luanda, muitos de nós não contiveram as lágrimas à vista de uma cidade meia destruída. Os retirantes partiram tudo quanto puderam. Os últimos foram os homens da UNITA, já sob a pressão das tropas cubanas, mas à frente dos "bravos" Mucubais comandados pelo Farrusco, que, naquele dia de 18 de Fevereiro nos recebeu no aeroporto num jeep com uma enorme bandeira vermelha que drapejava fortemente ao vento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para muitos de nós - para mim, inclusivé - a guerra tinha terminado naquele dia. Depois foi o arregaçar de mangas: ajudar na reorganização da produção, pôr de pé a Faculdade de Letras, refundar a Rádio Popular de Angola, criar o jornal " A Luta Continua", acorrer aos variados chamamentos, alguns dos quais de madrugada, porque um grupo de "faplas" tinha resolvido fazer das suas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Fevereiro de 1976 a Março do mesmo ano muitas coisas aconteceram naquela cidade, cinclusivamente a instalação de uma intriga forte, uma espécie de veneno trazido de Luanda. A Comissão Política da Huíla começou a integrar gente que não se percebia donde vinha. De um dia para o outro, percebi que o único elemento que tinha legitimidade democrática, porque eleito na primeira Assembleia Geral de militantes do MPLA era eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu não tinha tempo para a intriga e passei a ser olhado, primeiro, como a consciência do grupo. Toda a gente queria falar comigo em privado. Depois o mesmo aconteceu, quando os ministros passaram a visitar o Lubango. Mas, depois, mais tarde, era o "branco", isto é, "português".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia, naquele 27 de Março não deixei de vibrar com a oficialização do "fim" da guerra. Finalmente, Angola podia reconstruir-se e cumprir metas de desenvolvimento que beneficiasse a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve comício com o velho Lúcio Lara. No seu discurso atacou sobretudo a posição de Portugal que ainda não tinha reconhecido o Estado Angolano, proclamado pelo MPLA às 00H00 de 11 de Novembro de 1975.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emílio Braz, entretanto nomeado Comissário Provincial, também botou discurso e, no final, teve uma expressão que me alertou: " Viva o Povo N'Hanheca Humbe" - o Povo da Huíla.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei desconfiado, tanto mais que durante a sua proclamação aos presentes afirmou que toda a gente tinha que aprender a língua M'Huíla.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguma coisa se passava e fiquei mais atento.Pouco tempo depois concluí que o confronto entre nitistas e netistas também tinha chegado ao Lubango.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A guerra não tinha acabado: o MPLA ajeitava-se para uma disputa fratricida, que haveria de ter o epicentro a 27 de Maio do ano seguinte. As réplicas prolongaram-se por vários meses e custaram a vida a algumas dezenas de milhar de pessoas. Na sua maioria jovens; muitos deles tinham sido meus alunos, quer no Liceu, quer na Faculdade de Letras. Nessa altura porém já não estava no Lubango: eu também fazia parte das listas negras dos dois lados. Não teria tido salvação...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, aquele 27 de Março foi dia de Alegria. Resolvemos rebaptizar a Escola Comercial e Industrial Artur de Paiva: "Escola 27 de Março", de que era directora a minha mulher, Isilda Arruda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele 27 de Março, Angola estava oficialmente livre de tropas ocupantes. Voltariam, já não de peito aberto, mas a coberto de acordos espúrios com forças angolanas que também queriam o poder absoluto , corrupto e racista, tal como o construiu o MPLA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu, naquela altura, sem desconfiar ainda do que me esperava, voltei a chorar de contentamento. Finalmente... "a minha terra" estava livre.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-4009128211512340627?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/4009128211512340627/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=4009128211512340627' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/4009128211512340627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/4009128211512340627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2009/03/27-de-marco-de-1976.html' title='27 de Março de 1976'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-6972889629289691889</id><published>2009-03-14T15:40:00.002Z</published><updated>2009-03-14T16:55:39.340Z</updated><title type='text'>Portugal/Angola - Bom Senso Só Ajuda</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A recente visita de José Eduardo dos Santos a Lisboa em programa encurtado no tempo  mas muito expressiva nos objectivos anunciados, trouxe para a ribalta o actual movimento de migração para Angola.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os jornais angolanos anteciparam a análise a esse movimento e valerá a pena ler com atenção o modo como alguns deles - pelo menos o "Angolense" -  o abordam .&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na sua edição de 21 a 27 de Fevereiro deste ano, em texto assinado pelo seu director geral, Graça Campos, o "Angolense" , numa prosa supostamente humorística, aproxima-se do ódio racista contra aqueles que estão a tentar viajar para Angola, partindo do princípio que todos os que fazem as filas às portas do Consulado de Angola em Alcântara, são portugueses.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"&lt;strong&gt;Ó Shô Manel, A Bida Está Difícil?"&lt;/strong&gt; interroga Graça Campos em título para uma fotografia tirada por um telemóvel e em que verifica a existência de uma fila grande de pessoas. A legenda desta fotografia chega a ser grotesca.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Muitos deles serão mesmo angolanos, ou terão nascido em Angola. Podem muito bem ser filhos ou netos daqueles outros portugueses que fizeram fila para - já lá vão mais de trinta anos- fugirem às ameaças, reais ou insinuadas, de que a cor da pele poderia ser um problema. E foi!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os portugueses foram saindo, em várias levas, de Angola, provocando o vazio e uma paragem no processo de desenvolvimento económico - que em 1974 era dos maiores de África.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alguns dos "retirantes" foram importantes na luta pela independência, mas, mesmo assim, tiveram que abandonar a "sua terra" e procurar um exílio em terra de brancos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao fazer piada (de mau gosto) com o título: "Ó Shô...", Graça Campos está a cometer um erro que eu classificaria de má fé porque ele sabe - tem de saber - que os candidatos a ir para (ou a) Angola nada têm a ver com os colonos típicos dos anos 50 e 60. Estes representam gente habilitada, com capacidade para ajudar o projecto de reconstrução do país. E talvez até tenham nos genes a capacidade de ganhar amor à terra que vão ajudar a reconstruir e ter um comportamento diferente daqueles outros a quem GC chama de &lt;strong&gt;"mãos de vaca".&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;E quem são os mãos de vaca?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;São as grandes empresas portuguesas, sobretudo de construção civil, Soares da Costa, Mota/Engil e Teixeira Duarte, que - diz GC - apesar dos "fabulosos lucros" foram, até agora, incapazes de uma acção de filantropia, como por exemplo doarem um "lote de medicamentos a um Hospital Pediátrico".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A propósito destas empresas, GC diz que &lt;strong&gt;"em bom português o que os tugas fazem no nosso país chama-se rapina".&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E desta afirmação violenta e como quem não quer a coisa vai falando na atitude das grandes empresas portuguesas relativamente ao apoio aos órgãos da comunicação social angolana: não se vê um único anúncio delas. E não se fica por aqui, faz a comparação com as grandes empresas brasileiras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Espero que haja em Portugal e em Angola alguém que tenha capacidade para analisar este texto e dar-lhe a devida importância, porque, se por um lado, é injusto e racista, raiando quase o ódio em relação aos homens e mulheres das filas do Consulado de Alcântara, não deixa de ter razão quanto ao comportamento das grandes empresas, algumas das quais estão em Angola mesmo antes da Independência e continuam com a mesma política de não partilhar. Eu acho que são mesmo mãos de vaca.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, a verdade é que se o são têm coniventes -não é verdade GC? - os corruptos com quem eles contam para obter as vitórias nos concursos. Quanto à publicidade: as empresas portuguesas acham que devem trabalhar em África em segredo - basta-lhes distribuir umas gasosas, nomeadamente por aqueles que noutras épocas não aceitaram o amor dos brancos pela Terra Angolana. Nos outros países a estratégia é a mesma: "o segredo é a alma do negócio". Para quê fazer publicidade?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A visita do chefe de Estado de Angola a Lisboa terá sido positiva para ambos os lados, mas "cautelas  caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém", pelo que me parece  não se dever descurar um certo bom senso no desenvolvimento das relações entre os que chegam e os que estão. As contradições são muitas e elas estão bem patentes no texto do Director Geral do "Angolense"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-6972889629289691889?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/6972889629289691889/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=6972889629289691889' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/6972889629289691889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/6972889629289691889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2009/03/portugalangola-bom-senso-so-ajuda.html' title='Portugal/Angola - Bom Senso Só Ajuda'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-8301560732501799693</id><published>2009-03-13T14:32:00.004Z</published><updated>2009-04-10T16:05:53.991+01:00</updated><title type='text'>Prémio Dardos</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SbpyPYKzB0I/AAAAAAAAAQ0/E42UkAKY4WE/s1600-h/premio_dardos%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5312684318948263746" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 211px; CURSOR: hand; HEIGHT: 269px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SbpyPYKzB0I/AAAAAAAAAQ0/E42UkAKY4WE/s400/premio_dardos%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A autora do blogue Diadema de Angola atribuiu o prémio Dardos a este blogue, porque, segundo ela, cumprimos com os pressupostos contidos nas condições de tal distinção:&lt;strong&gt;Com o Prémio Dardos reconhecem-se os valores que cada blogger emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os bloggers, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Aqui ficam os nossos agradecimentos pela distinção. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-8301560732501799693?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/8301560732501799693/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=8301560732501799693' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/8301560732501799693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/8301560732501799693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2009/03/premio-dardos.html' title='Prémio Dardos'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SbpyPYKzB0I/AAAAAAAAAQ0/E42UkAKY4WE/s72-c/premio_dardos%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-8629538643805532257</id><published>2009-03-03T11:39:00.003Z</published><updated>2009-03-04T10:56:02.751Z</updated><title type='text'>Em Memória de Paulo Correia e Muitas outras vítimas</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Sa0XalMMxqI/AAAAAAAAAQs/pRuuJwMgC7o/s1600-h/An%C3%BAncio+de+seis+fusilamentos.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308925281167001250" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 377px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Sa0XalMMxqI/AAAAAAAAAQs/pRuuJwMgC7o/s400/An%C3%BAncio+de+seis+fusilamentos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Foi Há mais de vinte anos - 17 de Julho de 1986 - que escrevi esta primeira página do Jornal "África". Tardou, mas, finalmente, aconteceu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-8629538643805532257?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/8629538643805532257/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=8629538643805532257' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/8629538643805532257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/8629538643805532257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2009/03/foi-ha-mais-de-vinte-anos-que-escrevi.html' title='Em Memória de Paulo Correia e Muitas outras vítimas'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Sa0XalMMxqI/AAAAAAAAAQs/pRuuJwMgC7o/s72-c/An%C3%BAncio+de+seis+fusilamentos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-3065604872602357690</id><published>2009-02-28T15:43:00.004Z</published><updated>2009-03-01T12:28:26.055Z</updated><title type='text'>Semanário "Angolense"</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Sap_B3eQSfI/AAAAAAAAAQk/7Um6ML1tAm4/s1600-h/Angolense.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308194780856994290" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 96px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Sap_B3eQSfI/AAAAAAAAAQk/7Um6ML1tAm4/s400/Angolense.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alguém me enviou pela Net a última edição do Semanário "Angolense", um nome com uma tradição muito forte na imprensa angolana. Fiquei contente com o que constatei: uma visão diferente do país da que é dada por outros jornais - que também não deixam de ser respeitáveis e, em alguns casos com a preocupação importante da independência, como, de resto, também se verifica no "Angolense".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Neste, destaco: a notícia de que Kundy Payama, ministro da Defesa, depois de ter visto ser-lhe negado um crédito bancário, foi falar com "o mais velho" (JES). Não apenas teve o "Kumbu" de que precisava ( já ninguém sabe para que é que ele quer tanto dinheiro - o homem que mais rápido fugiu da invasão sul-africana, em Outubro de 1975, com pasta "007" e pulseira de ouro), como o gerente do banco que lhe negou os "os ferros", foi demitido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outra notícia: a filha de José Eduardo dos Santos , Tchizé dos Santos Pêgo, vai tomar conta do primeiro canal da TPA. Como pormenor, o semanário diz que Fernando Cunha, o seu actual director, será a primeira cabeça a rolar. Não sei se Tchizé tem a mesma capacidade da irmã Isabel e pode transformar a TPA numa "coisa" suportável, mas sei que o Fernando Cunha - não apenas a cabeça, mas todo ele, já devia ter rolado há muito tempo. As emissões internacionais da TPA envergonham qualquer pessoa que tenha relativamente a Angola apenas um sentimento de simpatia, mesmo que cheia de reticências...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outro tema deste "Angolense" tem a ver com o sétimo aniversário da morte de Savimbi. Por um lado, um repórter de guerra, Jaime Azulay, conta os últimos tempos bárbaros de Savimbi, em que ele revelou todo o desiquilibrio mental que os anos de guerra foram aumentando, transformando-o num verdadeiro assassino psicopata.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Simultaneamente, o Semanário que tenho vindo a citar publica um texto de Sousa Jamba em que afirma a pujança da UNITA e a considera a única alternativa de poder ao MPLA.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A UNITA, de facto, é importante para o futuro político de Angola, mas não o pode ser enquanto viver à sombra do fantasma do "fundador". Esse grupo de intelectuais que estão à frente da UNITA, pisada de forma violenta nas últimas eleições, tem que assumir-se com o uma força política nova e fazer "mea culpa" por não ter sabido, não ter conseguido, não ter tido a coragem de derrotar, no campo político, o selvagem que atirou Angola para uma guerra de destruição impensável.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por muito que custe a Sousa Jamba, a UNITA tem um passado de vergonha e não de glória. Para que os seus membros possam ser úteis ao país têm que contribuir para a denúncia dos crimes inomináveis que Savimbi levou a cabo, mesmo entre os seus correligionários. De contrário, terão sempre os fantasmas de Ana (Savimbi), Vakulukuta, Wilson Pessoa, Altino Sapalalo, Antero Perestrelo, a tia de Chiwale, ele próprio salvo da morte certa, por circunstâncias pouco vulgares para Savimbi, e muitos ,muitos outros.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A UNITA é importante para Angola, mas tem que renegar o seu passado, em que o medo sememou a cobardia e ninguém foi capaz de , em nome do povo por quem diziam lutar, derrotar a fera que a si próprio chamava de "Jaguar".&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-3065604872602357690?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/3065604872602357690/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=3065604872602357690' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/3065604872602357690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/3065604872602357690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2009/02/semanario-angolense.html' title='Semanário &quot;Angolense&quot;'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Sap_B3eQSfI/AAAAAAAAAQk/7Um6ML1tAm4/s72-c/Angolense.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-3922399449368789645</id><published>2009-01-25T12:53:00.004Z</published><updated>2009-01-25T16:29:26.879Z</updated><title type='text'>Obama - O Caminho de Uma Comunidade</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SXyTM6G9sTI/AAAAAAAAAQI/UdoR9Fb3rnM/s1600-h/s-SPEECH-large%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5295269111847039282" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 260px; CURSOR: hand; HEIGHT: 190px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SXyTM6G9sTI/AAAAAAAAAQI/UdoR9Fb3rnM/s400/s-SPEECH-large%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Num texto que a todos impressionou pela clareza com que resumiu aquilo que, de uma maneira geral, toda a gente pensava, Mia Couto, logo que Barak Obama foi eleito como presidente dos Estados Unidos, concluia que, se ele fosse um cidadão africano, jamais o seria . Estamos todos de acordo: nem sequer se teria atrevido a candidatar-se, pela simples razão de ter uma mãe branca.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E se este mesmo Barak Hussein Obama vivesse na Europa? Teria sido eleito? Poderia ter-se candidatado?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A resposta é: seguramente, NÃO!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;As condições socio-políticas vividas na Europa, nomeadamente em Portugal, não o permitiriam, já que são, caracteristicamente, de natureza racista, impedindo, ostensivamente, que homens e mulheres com tonalidades de pele diferentes das dos europeus possam chegar a lugares de mando, quer na política, quer noutras actividades.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E não se diga que é por uma questão aritmética - que impõe uma maioria de brancos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Também nos Estados Unidos os negros não representam a maioria e Obama foi eleito com uma vantagem avassaladora.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tentemos perceber a diferença. Como é que numa sociedade - os USA - onde ainda há pouco mais de há trinta anos vigorava um apartheid claro, se chegou à actual realidade em que mais de oitenta por cento dos seus cidadãos apoiam com entusiasmo um presidente negro?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não podemos, todavia, ignorar que parte desse entusiamso atinge níveis de histeria colectiva pouco recomendável e reveladora de perigos próprios de sociedades não totalmente apaziguadas, com zonas de conflitos latentes, susceptíveis de, de um momento para o outro, se transformarem em perturbações aparentemente inexplicáveis.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A actual sociedade dos Estados Unidos parece ter capacidade para ir mais longe na aceitação das suas diferenças e eliminar rapidamente o potencial de conflitualidade que ainda a percorre.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas como chegaram os americanos até aqui?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Através de uma movimentação social, que se iniciou há longos anos, primeiro com a resistência sofrida dos negros perante os abusos dos brancos, mesmo depois de uma guerra civil em que os defensores da abolição da escravatura sairam vencedores.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi já na segunda metade do século XX que o movimento pelos direitos cívicos atingiu proporções nunca antes imaginadas. Luther King foi o herói, não apenas porque assassinado, mas porque, e sobretudo, soube mobilizar não apenas os negros de todo o país, mas também muitos dos não negros que não suportavam a injustiça de uma sociedade que desconsiderava uma boa parte de si mesma.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não pode deixar de se referir que este movimento teve um forte apoio em toda a Europa, sobretudo das correntes políticas identificadas com a esquerda.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O movimento pelos direitos cívicos não terminou, nem com o discurso de Luther King "Eu Tive um Sonho", nem com a sua morte. A bandeira pela igualdade foi erguida por uma consciência de luta muito importante porque deixou de se basear na premissa de que a desigualdade era exclusivamente rácica, mas tinha uma componente de qualificação profissional.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esta tomada de consciência levou os negros norte-americanos a desenhar outro tipo de luta: era necessário disputar a igualdade no terreno das competências, esquecer a cor da pele de uns e de outros. O "black power" não fazia sentido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desde a década de oitenta do Sec. XX essa luta começou a ser visível por toda a parte, mas, sobretudo nas actividades que constituem, desde há quase um século, a principal arma ideológica americana: o cinema e, posteriormente, a televisão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desde há anos que é raro o filme ou a série televisiva produzidos nos Estados Unidos em que não apareça um ou vários actores negros, já não nos costumeiros papéis de marginais, cozinheiros, criados, etc. mas representando personagens sem cor, contracenando com outros actores, igualmente sem cor.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;São muitos anos a ver uma sociedade, que embora fictícia, se organiza com gente da raça humana. Os heróis e heroínas negros multiplicaram-se, ao mesmo tempo que os negros iam conquistando os seus lugares noutros campos de actividade. É verdade que na política ainda são poucos, mas entre esses poucos apareceu um que percorreu todo o caminho e disputou no campo da competência o mais alto cargo do seu país. E o povo acreditou nele.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A pergunta de Saramago, um europeu, pertencente à esquerda, que, seguramente, apoiou os movimentos cívicos nos Estados Unidos, "donde veio este homem?"é fácil de responder: veio de um povo que, apesar de tudo, acredita na igualdade dos diferentes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E a Europa acredita? E Portugal, acredita? Aqui os negros aparecem pouco na televisão, no cinema e, quando acontece são vistos nos habituais papéis de motoristas, cozinheiros...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aqui, em Portugal, na política, não há nenhum negro, embora o seu número não seja desprezível e os seus problemas sociais apresentem características profundamente preocupantes. Desde logo porque os negros em Portugal ainda não entenderam que não podem continuar a exibir a cor da pele como pretexto para reivindicações. Têm que seguir o exemplo da comunidade negra norte-americana e lutar por chegar à luta no terreno das competências, da qualificação. Olhem para as mulheres!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-3922399449368789645?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/3922399449368789645/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=3922399449368789645' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/3922399449368789645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/3922399449368789645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2009/01/obama-o-caminho-de-uma-comunidade.html' title='Obama - O Caminho de Uma Comunidade'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SXyTM6G9sTI/AAAAAAAAAQI/UdoR9Fb3rnM/s72-c/s-SPEECH-large%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-3011203885088327694</id><published>2009-01-06T13:48:00.003Z</published><updated>2009-01-06T14:11:23.652Z</updated><title type='text'>O Que É Uma Boa Entrevista?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hoje desvio-me do tema habitual deste blogue para abordar uma questão que em Portugal não é devidamente esclarecida há anos. Para que se faz uma entrevista, quer ela seja escrita, radiodifundida ou televisionada?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os jornalistas - especialmente os da televisão - quando "promovidos" à condição de entrevistadores transformam-se em actores políticos, com direito a opinião, a apartes, a insinuações a gestos autoritários e outras coisas mais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A entrevista de ontem ao primeiro ministro, José Sócrates, feita por dois jornalistas da SIC, Ricardo Costa e José Gomes Ferreira foi, do ponto de vista profissional, um verdadeiro desastre.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O entrevistado, para se poder fazer ouvir teve que ombrear com a agressividade de dois jornalistas que passaram grande parte do tempo destinado à entrevista a falar de coisas sem importância. No final não tiveram tempo para as perguntas que interessavam, de facto, aos cidadãos portugueses.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ricardo Costa parece um GNR dos anos 50 a interrogar um pobre coitado...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que diabo, o primeiro-ministro foi convidado para ir à SIC e os convidados não podem ser maltratados, ou pelo menos, não devem. Além de maus profissionais aqueles dois jornalistas foram também mal-educados - o que ofende um grupo profissional que ao longo dos anos tem perdido as maneiras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para responder à pergunta do título: meus senhores "jornalistas", uma boa entrevista é aquela em que o entrevistado responde a perguntas que representam as dúvidas do público em geral sem ser interrompido e, eventualmente, confrontado com as contradições que ao longo da conversa existam. Uma entrevista não é um debate político, nem um confronto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-3011203885088327694?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/3011203885088327694/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=3011203885088327694' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/3011203885088327694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/3011203885088327694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2009/01/o-que-uma-boa-entrevista.html' title='O Que É Uma Boa Entrevista?'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-7274152172432811618</id><published>2008-12-30T15:17:00.005Z</published><updated>2009-01-01T14:37:57.110Z</updated><title type='text'>Angola e o Futuro</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SVpRsoc3tFI/AAAAAAAAAPc/X9rZSjlLqjI/s1600-h/Picada.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5285626939887301714" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 323px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SVpRsoc3tFI/AAAAAAAAAPc/X9rZSjlLqjI/s400/Picada.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Para quem, como eu, está longe estando perto, os acontecimentos em África tocam campaínhas de alarme por todo o lado. A situação da Guiné - um país que teve apenas dois chefes de estado em cinquenta anos de independência - sendo alarmente, não faz esquecer o Zimbabwé, antigo celeiro de África, transformado agora em campo de morte, doença, ostentação, miséria, corrupção e todos os males a elas associadas. O Povo do Zimbabwé está a ser vítima da ganância dos seus próprios libertadores. Na Guiné, o Povo paga a imaturidade política que os seus dirigentes de cinquenta anos alimentaram.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se olharmos para a República da África do Sul - apesar da ausência de informação - não é difícil concluir que à dominação económica, com responsabilidade política - sucedeu um regime irresponsável do ponto de vista político e capaz de construir um sistema económico ultraliberal, com a dicotomia entre ostentação e pobreza extrema, a ele inerente. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SVzUKQuP-WI/AAAAAAAAAP0/K2GY7qucxts/s1600-h/Mu%C3%ADla.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5286333335378852194" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 296px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SVzUKQuP-WI/AAAAAAAAAP0/K2GY7qucxts/s400/Mu%C3%ADla.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com a inevitável próxima substituição de liderança na chefia do Estado, tudo se complicará, pelo que não é, de todo, impossível, imaginar que a República da África do Sul, antiga super-potência regional, acabe por nivelar por baixo, atingindo os níveis de desenvolvimento dos países vizinhos, com tendência para ficar abaixo de alguns deles.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora, um deles é Angola, cujo passado se procura esquecer - a meu ver, mal, porque contém muitas lições positivas, mesmo, quando, aparentemente, negativas - para se anunciar um futuro rutilante, para uma cidade - a capital - tipo Barhaine (a doença dos multimilionários angolanos) e o resto do país dependente do que se decidir, agora no Palácio do Governo, ou no Futungo, em tempos de pausa...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao lermos o que se escreve sobre a política angolana rapidamente percebemos a sua dependência do que pensa, do que faz ou do que deseja fazer José Eduardo dos Santos. Tal como em toda a África, tudo está dependente de um homem apenas. Toda a gente em Angola gostaria de estar na cabeça de JES.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Também se percebe que ele está confuso. À media que os anos avançam e as maleitas se evidenciam ele percebe a responsabilidade que lhe pesa nos ombros. Como manter unido um país que foi dividido por diversas guerras e por vários líderes? Como garantir que a sua própria família - numerosa - sobreviva ao seu passamento? Como evitar que a tendência de crescimento e de imposição como Estado líder na África Central e Austral se inverta?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há uma certeza a que os angolanos não podem fugir: o futuro da sua terra está definitivamente ligado ao do seu actual presidente e, por isso, fazem pouca fé as publicações de sondagens e opiniões em que Zé Du, numa eleição presidencial directa, perderia o que quer que seja. Ninguém joga o futuro por uma janela a troco de um capricho. Os angolanos já sofreram muito...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora, se assim é, qual é problema ? &lt;em&gt;(vamos fazer mais como se esse é o problema que estamos com ele -&lt;/em&gt; Mankiko dixit)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O problema é, como em toda a África, a sucessão. Ela não está minimamente assegurada em Angola. No caso de JES, de um momento para o outro ficar incapacitado ou, simplesmente, morrer, assistiremos a outra guerra, ou a outras guerras.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há apenas uma pessoa capaz de evitar isso - o próprio José Eduardo dos Santos, construindo um processo de sucessão inteligente, baseado na competência e não na fidelidade pessoal, construído na pluralidade etnico-cultural e não no monolitismo político, assegurando que um grupo de líderes sejam capazes, depois dele, de se unirem em torno da unidade do Estado Angolano, garantindo a sua diversidade nacional.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se ele conseguir reunir esse grupo de gente - homens e mulheres - também conseguirá cumprir uma das suas actuais evidentes preocupações: que a sua família, cujo estatuto advém, obviamente, da sua condição de parentes do Presidente da República de Angola ( por muito mérito que se encontre aqui e ali) seja respeitada num futuro de uma Angola pacífica, capaz de olhar para as partes sem esquecer o todo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5286330936334923778" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 259px; CURSOR: hand; HEIGHT: 414px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SVzR-nlmuAI/AAAAAAAAAPs/_1_LfFippPI/s400/DSC00299.JPG" border="0" /&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Oxalá José Eduardo dos Santos pense no futuro de todo o País e deixe de se preocupar exclusivamente com o futuro dos "seus".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-7274152172432811618?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/7274152172432811618/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=7274152172432811618' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/7274152172432811618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/7274152172432811618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2008/12/angola-e-o-futuro.html' title='Angola e o Futuro'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SVpRsoc3tFI/AAAAAAAAAPc/X9rZSjlLqjI/s72-c/Picada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-798325645122308780</id><published>2008-12-05T14:09:00.006Z</published><updated>2008-12-10T15:45:48.918Z</updated><title type='text'>E os Zimbabweanos, Senhor?</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/ST_kGRdYKUI/AAAAAAAAAPU/SOcglIfKyIQ/s1600-h/Imagem1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5278188084718479682" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 358px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/ST_kGRdYKUI/AAAAAAAAAPU/SOcglIfKyIQ/s400/Imagem1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;As notícias que chegam há anos do Zimbabwé arrepiam qualquer pessoa. Um ditador psicopata destruiu um dos países mais prósperos da África Austral, rodeando-se de um bando de crápulas racistas, cuja única missão ao longos dos anos, depois da Independência, foi explorar em seu proveito as riquezas que outros tinham produzido e continuam a criar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comandados por um monstro de nome Mugabe atiraram o seu próprio povo, em nome do qual dizem ter lutado contra Yan Smith, para a mais absoluta miséria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade que hoje Mugabe já é apenas o porta-voz de um grupo que tomou conta do país e continuará, até ao último cêntimo, a roubar o povo mártir do Zimbabwé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora é a cólera que mata todos os dias, que ameaça todo o país. Mugabe pede auxílio e diz que precisa não sei quantos milhões de Euros para fazer face à calamidade pública. Mas quem é que vai confiar dinheiro a este grupo de corruptos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As notícias vindas de Harare magoam, mas as cumplicidades que se descobrem no suporte a esta situação ferem como golpes de espadas afiadas pela ganância, pela defesa de interesses muitas vezes inconfessáveis, porque pessoais, porque definidores de alianças espúrias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que razão Angola continua a apoiar Mugabe? Terá que ter autorização da China para se juntar aos chefes de Estado da região, e não só, que reclamam que o ditador deve deixar o poder a bem ou a mal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde estão os movimentos cívicos angolanos, agora que parece haver democracia, para reclamarem do seu governo uma posição humanista em relação aos pobres zimbabweanos vítimas de uma ditadura execrável que já ultrapassou tudo?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-798325645122308780?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/798325645122308780/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=798325645122308780' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/798325645122308780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/798325645122308780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2008/12/e-os-zimbabwanos-senhor.html' title='E os Zimbabweanos, Senhor?'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/ST_kGRdYKUI/AAAAAAAAAPU/SOcglIfKyIQ/s72-c/Imagem1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-6268093231423051570</id><published>2008-11-17T17:07:00.004Z</published><updated>2008-11-18T10:23:07.813Z</updated><title type='text'>A Síntese de Mia Couto</title><content type='html'>O Jornal moçambicano "Savana" publicou um texto de Mia Couto com o título "SE BARAKA OBAMA FOSSE AFRICANO". Este texto já  chegou ao meu e-mail dezenas de vezes. Este facto é uma demonstração inequívoca do papel que Mia Couto tem como escritor e jornalista. Ele sempre consegue fazer a síntese justa daquilo que os africanos (sem cor) pensam. Daqui envio um forte abraço ao Mia Couto, os meus parabéns, ao mesmo tempo que aproveito para pedir aos dirigentes africanos com cor que eliminem das suas constituições os impedimentos racistas que elas contêm. Assim ficaríamos a saber que esta eleição não é considerada de um ponto de vista racista: "o preto ganhou ao branco", tal como gritava um popular do Quénia no dia da eleição de Obama, correndo ao lado de uma câmara de televisão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-6268093231423051570?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/6268093231423051570/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=6268093231423051570' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/6268093231423051570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/6268093231423051570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2008/11/sntese-de-mia-couto.html' title='A Síntese de Mia Couto'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-1995212055927172196</id><published>2008-11-14T15:14:00.012Z</published><updated>2008-11-15T11:54:50.857Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Angola - a renovação'/><title type='text'>Angola - A Fraude das Empresas Públicas</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SR2rSYjJcMI/AAAAAAAAAOs/MDN8igHM5oc/s1600-h/Paulo+Cassoma.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5268555471409213634" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 166px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SR2rSYjJcMI/AAAAAAAAAOs/MDN8igHM5oc/s400/Paulo+Cassoma.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Não resisto a transcrever aqui um texto publicado no NOVO JORNAL de hoje, assinado pelo seu Director-Adjunto, GUSTAVO COSTA, e subordinado ao título "O PRIMEIRO MINISTRO E A FRAUDE EMPRESARIAL PÚBLICA. Por muitas razões: pela verdade retratada, pela acutilância do texto e também porque, de repente, me lembrei que um dia (já lá vão muitos anos), descobri num Conselho de gestão de uma empresa, cujo principal responsável era eu, um analfabeto que me havia sido imposto pela estrutura partidária...&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quando, aqui há umas semanas, questionei a «obesidade governamental», inquietavam-me também algumas «traquinices» daqueles que se auto-intitulando de gestores» de empresas públicas estão a tirar o sono tanto a economistas sérios, como a contribuintes igualmente sérios.&lt;br /&gt;Depois de ter anunciado o saneamento das empresas públicas, o que o Primeiro-Ministro, Paulo Kassoma, terá agora de enfrentar, não são apenas essas «traquinices», mas a difícil caminhada que será necessário empreender para as sanear, de alto a baixo, devolver-lhes saúde financeira, insuflar-lhes capacidade de gestão, prepará-las para a concorrência, num mercado cada vez mais «feroz», e restituir-lhes dignidade moral e empresarial.&lt;br /&gt;O Primeiro-Ministro terá também que promover a descentralização empresarial para criar pólos de desenvolvimento fora de Luanda e da restante orla marítima. Trata-se de uma «cesariana» que pode vir a traumatizar os progenitores de «crianças», que tendo sido momentaneamente «dopadas», encarnaram a força de «elefantes brancos» que, afinal, têm pés de barro e cabeça de tolos. E, de quem é, em parte, a esponsabilidade por essedesvario?&lt;br /&gt;Desde logo, do Estado por se ter imposto no passado, de forma paternalista e demagógica,como o principal «guarda-chuva» de admissões e promoções populistas. Logo, esse mesmo Estado vai ter de assumir agora o despedimento de mão-de-obra excedentária e, na maior parte dos casos, desqualificada, que custa aos seus cofres todos os meses milhões de dólares.&lt;br /&gt;Esse é um desafio inadiável e esperemos que não adormeça à cesta na retórica. Mais do que recomendável, é imperativo que a «purga» se estenda, sem excepção, a todas as empresas públicas e não apenas à TAAG. Essa é, de resto, uma condição essencial para dar o pontapé de saída à moralização de um dos pilares da nossa economia: as empresas.&lt;br /&gt;Mas, sanear o pessoal excedentário dalguns desses «monstros» não é o único desafio que se coloca aos novos governantes, que agora as têm sob a sua tutela. Mais do que isso, será necessário introduzir uma nova e moderna cultura de gestão empresarial. Porquê? Porque há gente, há mais de vinte anos, à frente de empresas que não sabe sequer lavrar um ofício.&lt;br /&gt;Há «gestores-economistas» que argumentam que a «raíz quadrada» nem sempre dá certo! Há ainda empresas que têm, proporcionalmente,tantos trabalhadores quantos «chefes». Há gente, nestas circunstâncias, que não prestando contas ao Estado, também não sabe como fazê-lo, porque nem sequer sabe calcular a taxa de juros de empréstimos contraídos pelas empresas que é suposto gerirem. Custa acreditar, mas a verdade é que «gestores» deste descalabro, sentem-se confortavelmente acomodados…Essa «fraude» nem sequer precisa de ser descodificada.&lt;br /&gt;Os poros dos seus autores, desprovidos, na maior parte dos casos, da mais elementar noção de gestão, destilam má relação com o dinheiro, «ódio» pelas normas administrativas, esbanjamento de recursos e uma crónica incapacidade governativa. As empresas adormeceram à espera de decisões políticas, que nunca chegaram ao destino.&lt;br /&gt;Vítimas de abusos de poder, a única coisa certa nelas é que, afinal, tudo ou quase tudo,estava errado! Resultado: mal educadas e, pior, habituadas ao proteccionismo do Estado, a deriva na maior parte delas é total!&lt;br /&gt;Quem a provocou, como «gestor» público, não pode agora ser desculpado, mesmo porque, depois de ter endossado «cheques em branco» aos contribuintes, as desculpas não se pedem, antes evitam-se!&lt;br /&gt;Agora, só há um caminho a seguir: que Deus nos livre rapidamente desses pseudo-gestores!&lt;br /&gt;Eles que sejam substituídos por gente competente, gente que saiba perseguir a competitividade, a dignificação profissional e o lucro como o «soro» que há-de alimentar as veias da economia de Angola, fora da orlado petróleo e dos diamantes.&lt;br /&gt;O Estado tem de os substituir porque nessas empresas tiveram a «gentileza» de fazer da capitulação profissional e do vazio ético, dois dos símbolos da decadência do seu «modelo» de gestão.&lt;br /&gt;O que estas engravatadas criaturas demonstram saber fazer bem é ostentar fatos Armani,BMW X6, relógios «Rolex», cabelo cheio degel e forjar «viagens em serviço» ao exterior do país com fins turísticos…&lt;br /&gt;Alguns deles, de mediocridade pavorosa, como diria Baptista Bastos, um dos maiores cronistas portugueses, não dão conta sequer de que, mais do que sofríveis, são doentiamente insignificantes! Não estão preocupados com a gestão empresarial mas apenas obcecados com o poder empresarial. Pensam que só sabem mandar. Acontece que, desgraçadamente,não sabem fazer nem uma coisa, nem outra!Não sabem mandar e, pior do que isso, muito menos pensar. E o que o país mais precisa, neste momento, é de gente que saiba pensar e gerir. Gente que saiba formular uma nova ideia de administração empresarial pública, com o concurso de jovens tecnocratas, ávidos por libertar novas competências e modernas técnicas de gestão ou mesmo com recurso a gestores expatriados.&lt;br /&gt;Gente que saiba levar as empresas públicas a ganhar músculo e a perder gordura. Porque o que a experiência comprova hoje, é que, na maior parte delas – e a crítica aqui não deve ser confundida como uma defesa da sua privatização - já só resta a poeira de um império esquelético.&lt;br /&gt;Agora há que projectar «fénix» para sanear primeiro e depois delinear uma nova filosofia de gestão para o sector empresarial público em Angola. Mas, sanear para quê?&lt;br /&gt;Sanear para levantar o tapete, destapar a porcaria nele incrustada e sepultar «mitos».&lt;br /&gt;Sanear para quê? Sanear para pôr ordem na maioria das empresas públicas, que estão&lt;br /&gt;transformadas em autênticas agências «funerárias» de emprego.&lt;br /&gt;Sanear para quê? Sanear para enterrar «cadáveres» que exalam um cheiro pestilento sobre um modelo de gestão miserável.&lt;br /&gt;Sanear para quê? Sanear para «sepultar»também clientelas que se alimentam do tráfico&lt;br /&gt;de influência e da corrupção.&lt;br /&gt;Sanear para quê? Sanear para não sermos contaminados pelo vírus de pseudo-gestores que só sabem exibir incompetência, promover o nepotismo e, pasme-se!, auto-elogiar, em praça pública, a sua irresponsabilidade empresarial, expondo, sem quaisquer pudores, em museus de maus costumes, a arte do…desperdício, do roubo e da imoralidade…presarial pública… &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-1995212055927172196?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/1995212055927172196/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=1995212055927172196' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/1995212055927172196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/1995212055927172196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2008/11/angola-fraude-das-empresas-pblicas.html' title='Angola - A Fraude das Empresas Públicas'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SR2rSYjJcMI/AAAAAAAAAOs/MDN8igHM5oc/s72-c/Paulo+Cassoma.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-2696136578652469408</id><published>2008-11-10T11:38:00.002Z</published><updated>2008-11-10T11:48:56.579Z</updated><title type='text'>As Omissões - Resposta</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um Leitor deste blogue, Rui Moio,  faz-me algumas perguntas a respeito do meu último texto. Tenho todo o gosto em o informar de que o NOVO JORNAL é um Semanário que se publica em Luanda. Vai no seu nº 43. Ainda não está na Internet, mas jugo saber que a sua direcção está a fazer todos os possíveis para que tal possa acontecer brevemento. O apelido do Amável é Fernandes e, ao tempo da invasão de Angola pelas tropas sul-africanas, era comissário político das FAPLAS. Há um depoimento seu no dossier que refiro no texto anterior, em que relata alguns factos da altura e refere algumas pessoas, sem, todavia, ter tido o cuidado de enquadrar devidamente as circunstâncias dos factos e o comportamento dos citados e de não referir outros nomes, cujas responsabilidades a História não pode esquecer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-2696136578652469408?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/2696136578652469408/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=2696136578652469408' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/2696136578652469408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/2696136578652469408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2008/11/as-omisses-resposta.html' title='As Omissões - Resposta'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-220956273681241318</id><published>2008-11-08T16:55:00.002Z</published><updated>2008-11-08T17:03:30.345Z</updated><title type='text'>As Omissões da História</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O Novo Jornal publicou ontem um dossier bastante interessante sobre os 33 anos de independência de Angola, com alguma relevância para os primeiros tempos e para as guerras que se foram sucedendo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tenho apreciado o esforço desta publicação no seu alinhamento com um jornalismo que podemos classificar de referência.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não se podia exigir certamente que o Jornal referisse todos os acontecimentos importantes destes últimos 33 anos. Todavia, o Amável poderia ter lembrado alguns pormenores das fugas da Huíla, de Benguela e de outros locais, o comportamento de alguns dos dirigentes de então, responáveis pela morte de muitos milhares de jovens.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não foi apenas em Katengue - e mesmo esse massacre ficou a dever-se à ignorância das direcções político-militares, tanto da Huíla, como de Benguela.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só há um herói desses dias, o Comandante Kassange e o Amável sabe disso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-220956273681241318?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/220956273681241318/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=220956273681241318' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/220956273681241318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/220956273681241318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2008/11/as-omisses-da-histria.html' title='As Omissões da História'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-4062163631225150540</id><published>2008-10-25T15:44:00.002+01:00</published><updated>2008-10-25T16:08:06.331+01:00</updated><title type='text'>Há Outras Angolas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Os meus dois textos anteriores versavam as eleições angolanas e os respectivos resultados - alguma esperança também ( porque não dizê-lo, embora os "angolanos puros" me neguem esse direito ?).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tenho acompanhado com muito mais interesse a evolução política angolna dos últimos tempos, convencido de que havia mudanças a acontecer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Devo confessar que estou desiludido. A começar pelas regalias que continuam a ser concedidas aos parlamentares eleitos...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, isso é a questão menor. A mais importante tem a ver com a constituição do novo governo. E não falo da qualidade, refiro a quantidade - o que, à partida, significa uma concentração enorme d em Luanda de um poder, que,na maioria das circunstâncias é perniciosos, porque apenas vai significar a existência de um maior número de pessoas a querer enriquecer e a favorecer os amigos e os conhecidos ...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Continua-se a pensar Angola como um país pequeno, igual a tantos outros e nunca mais se esquece a matriz colonial - uma das razões por que o racismo continua cada vez mais evidente e, em alguns casos, mais violento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Trinta e cinco ministros e sessenta vice-ministros representam uma máquina ingovernável, incapaz de pensar o país. Todos eles vão apenas olhar para si próprios e para os mais próximos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seria inteligante perceber que o país é enorme e diverso, que não há apenas um povo, mas vários, e que é necessário, com todos esse povos, construir um Estado unitário.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pensando desta maneira, o esforço que se está, erradamente, a desenvolver num governo altamente concentrado, faria mais sentido se fosse canalizado para um programa de descentralização, tendente  uma verdadeira regionalização, capaz de governar cada região, de acordo com as suas caracteristicas próprias, com as suas idiossincrasias culturais e outras, dentro de um programa comum de unificação de um Estado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Este seria o princípio para a constituição de um Estado Federal, tal como os Estados Unidos e de modo a evitar futuras tentações de separações autonómicas - que vão acontecer mais dia menos dia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esta oportunidade que o MPLA tem, depois de uma vitória eleitoral esmagadora e sem contestação significativa, não pode ser desperdiçada no esmagamento de pequenos adversários ou na construção de um poder faraónico. O MPLA tem - agora - a obrigação de perceber o país que governa -um país que tem um milhão de formas de organizar - e esquecer, de uma vez por todas, o medo de ser neocolonizado. É que essa neo-colonização já conteceu: foi efectuada pelos dirigentes do MPLA que têm estado no poder desde há trinta anos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Este governo, com trinta e cinco ministros e sessenta vice-ministros, daqui a quatro anos é uma presa fácil de um grupo político que tenha alguma capacidade de organização e perceber que não tem que cumprir a agenda política do MPLA. Não estou a falar da UNITA, que, do ponto de vista político nunca foi nem é nada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-4062163631225150540?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/4062163631225150540/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=4062163631225150540' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/4062163631225150540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/4062163631225150540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2008/10/h-outras-angolas.html' title='Há Outras Angolas'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-4194355074053761341</id><published>2008-09-21T12:43:00.005+01:00</published><updated>2008-09-21T19:32:46.954+01:00</updated><title type='text'>O Respeito Por Uma Vitória</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SNaTMHCob1I/AAAAAAAAAKM/ggf8QOSJPpk/s1600-h/Amigos+029.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5248544252004691794" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SNaTMHCob1I/AAAAAAAAAKM/ggf8QOSJPpk/s400/Amigos+029.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há um poema do Manuel Rui - as crianças do Huambo - que me faz sempre lembrar a minha infância. E ouço-o muitas vezes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Recordo-me a mim e ao M. Rui ( o Cantinflas), no tempo em que éramos duas crianças felizes porque, entre outras coisas, quando olhávamos para o céu, nas noites estreladas do Huambo, éramos capazes de vislumbrar, para além das constelações e o Cruzeiro do Sul , barcos perdidos, anjos que nos acenavam. Também contávamos as estrelas que caíam e acompanhávamos os seus movimentos rápidos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois criávamos as nossas próprias estórias sobre os locais onde elas iriam cair. Éramos felizes, nós e os outros da nossa idade; não havia violência nas ruas, toda a gente que por nós passava era nossa amiga. Todos nos conheciam. E,quando íamos para o Colégio falávamos dos nossos sonhos, do futuro, do que queríamos que fosse a nossa vida, trocávamos confidências sobre aquilo que imaginávamos ser já o amor...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esta balada, que o Paulo de Carvalho canta como ninguém no CD do meu carro e que se chama os meninos do Huambo, leva-me sempre áqueles tempos em que os senhores todo poderosos viviam longe , em Lisboa, e nós éramos felizes e não posso deixar de ficar a pensar na frustação do Cantinflas ao ouvir o Paulo de Carvalho, cuja voz, inevitavelmente, lhe lembra os sonhos de há trinta anos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;OH! Rui! é que foram exactamente as crianças que mais infelizes ficaram quando os todo-poderosos dessa nossa terra ficaram perto delas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Repara: estragaram-lhes as escolas, destruiram-lhes as casas, mataram-lhes o pai e a mãe, atiraram-nos para os caixotes do lixo à procura de alguma coisa para comer, roubaram-lhes o brilho dos olhos, fizeram das crianças da nossa terra adultos à força e meteram-lhes armas na mão. Para muitas das crianças, que deviam estar à fogueira a ouvir as estórias, matar passou a ser uma rotina e as estrelas jamais seriam do Povo...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu sei que o poema é do começo em que tudo era esperança - depois, tem a utopia do poeta...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu sei...mas também sei que o sonho do poeta pode e deve ser respeitado e cumprido se os todo-poderosos de agora resolverem ter respeito pela vitória eleitoral que o Povo lhes conferiu, na esperança de que as suas crianças possam voltar a ser felizes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se essa gente que passou grande parte deste tempo, que para ti e para mim foi de sonho e angústia, a conspirar para entrar no mundos dos ricos, resolver respeitar a vitória que lhes manteve o poder, talvez um dia destes possamos, com as nossas cabeças brancas ir ouvir os meninos do Huambo cantar a sua própria canção, debaixo de um céu estrelado, sem ameaças.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tu, Rui, que estás aí, lembra-lhes a obrigação do respeito - também por ti, pela tua utopia e por nós todos que fomos crianças felizes na Kalumanda.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-4194355074053761341?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/4194355074053761341/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=4194355074053761341' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/4194355074053761341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/4194355074053761341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2008/09/o-respeito-por-uma-vitria.html' title='O Respeito Por Uma Vitória'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SNaTMHCob1I/AAAAAAAAAKM/ggf8QOSJPpk/s72-c/Amigos+029.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-3105641568503242056</id><published>2008-09-09T15:35:00.002+01:00</published><updated>2008-09-09T17:04:14.127+01:00</updated><title type='text'>MPLA - Uma Vitória Respeitável</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Os números são eloquentes e as declarações dos observadores internacionais também: o MPLA ganhou as eleições legislativas com um score impressionante (mais de 8o por cento dos votos expressos) e, ao contrário daquilo que muitos previam ,não há notícia de qualquer irregularidade, embora tivessse havido algumas falhas de organização, perfeitamente normais num país que há 16 anos não organizava um evento desta natureza.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Embora haja em Angola, particularmente em Luanda gente que não goste que os estrangeiros, quer dizer, os brancos, se debrucem sobre a sua realidade já que, no dizer de um jovem intelectual bem posto que eu vi um dia destes na TPA Internacional, os portugueses "estão com dor de cotovelo porque a guerra acabou...etc, etc" e mais uns disparates do género, mostrando o seu saber contido em livros de Kissinger e não sei mais de quem e, ao mesmo tempo, afirmando que viveu e estudou em Portugal...embora ainda permaneçam essas cabeças, apesar dos professores...sempre arrisco uma análise política aos resultados eleitorais angolanos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estes mais de 80 por cento obtidos pelo MPLA, em eleições livres, significam, antes demais, a possibilidade de se concretizar uma unidade nacional muito ameaçada com as perspectivas tribais da UNITA e da FNLA. Esperemos que estes 80 por cento permitam corrigir as atitudes claramente racistas de uma certa elite do MPLA.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O resultado atingido permitirá igualmente ao MPLA pensar na democracia económica e social, já que a democracia política lhe concedeu uma legitimidade impressionante.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando falo em democaria económica significo que é tempo de acabar com os benefícios escandalosos atribuídos a círculos políticos e militares que abusaram ao longo dos últimos anos do poder que a proximidade das altas esferas lhes atribuiu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Também quero significar que é necessária uma abertura clara ao investimento estrangeiro sem que as decisões tenham que passsar por um "general" já reformado mas ainda sequioso de dinheiro e que, em alguns casos, nem sequer sabe administrar, acabando por cair nas mãos dos que estão a "correr" para Angola à espera de um bom negócio de um general analfabeto e de bolsos cheios.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando falo em democracia social estou a lembrar a necessidade de acorrer urgentemente às zonas mais longincuas, mais afastadas dos grandes centros urbanos e salvar o que ainda há para salvar das famílias de agricultores, de criadores de gado, promovendo um desenvolvimento que se reja por uma modernidade adaptada à tradição angolana.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não é possível que o MPLA possa deixar que continuem a ser desenvolvidas práticas atentatórias da estabilidade social dos povos do Sul, onde aparecem os "grandes senhores" de Luanda a pagar os "casamentos" com as jovens a quem visitam de vez em quando, sem ligarem aos filhos que entretanto vão nascendo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esta vitória, aparentemente exagerada, tem que conduzir Angola ao clube dos países cujas leis têm em conta os direitos fundamentais de todos os individuos, ao aparecimento de uma informação capaz de estar de todos os lados, defendendo, sobretudo, os interesses do povo anónimo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esta vitória do MPLA tem que significar o início de uma nova era para Angola e para o seu povo, ou antes, para os seus povos. Que todos eles consigam rever-se nas instituições de um Estado que a todos representa mas que a todos respeita. Um só Povo, uma só Nação é um slogan perigoso que sugere um centralismo autoritário. Um Estado para várias nações é mais conforme à realidade angolana - o futuro o dirá.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por último: era bom que esta vitória do MPLA tivesse efeitos positivos na comunidade internacional e que Angola começasse a ser olhada com outros olhos, sobretudo pelo esforço que vai fazer para mudar o que, evidentemente, está mal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já agora: que os mais de 80 por cento do MPLA tranquilizem os funcionários dos consulados angolanos no estrangeiros e comecem a sentir-se como fazendo parte de uma comunidade com mais de duas centenas de estados, cujos cidadãos viajam cada vez mais, sem que essas viagens tenham sempre que ser consideradas perigosas...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-3105641568503242056?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/3105641568503242056/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=3105641568503242056' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/3105641568503242056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/3105641568503242056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2008/09/mpla-uma-vitria-respeitvel.html' title='MPLA - Uma Vitória Respeitável'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-7332822800137302318</id><published>2008-09-05T13:49:00.002+01:00</published><updated>2008-09-05T15:32:45.456+01:00</updated><title type='text'>Um dos Tabus da Nossa História</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Uma questão prévia: há anos que não compro o jornal Expresso. Razões? São várias, mas a principal é perceber neste semanário um jornal de aldeia em que meia dúzia de saloios obedecem, de olhos e ouvidos tapados, às ordens dos sucessivos donos do poder, isto é, do dinheiro.&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não ler o semanário que se transformou numa espécie de instituição e vive à sombra dessa condição e de outras coisas menos definíveis , não me faz diferença nenhuma (não deixo de ser menos informado por isso).&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um dia destes alguém insistiu comigo para eu ler na Revista daquele semanário um texto sobre os acontecimentos de Março de 1961 no Norte de Angola. E o amigo, que entende a minha posição, resolveu ir mais longe: passou cá por casa e deixou-me a revista de 30 de Agosto para eu ler o texto: "Sobreviventes e ignorados".&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fiquei surpreendido com o nome da autora, Valentina Marcelino, que se iniciou nas lides do jornalismo - já lá vão muitos anos - no Jornal África, de que eu era director. Era uma época em que se formavam jornalistas com a ideia de que de nós se esperava uma atitude de controlo e crítica. Éramos o "quarto poder" e nunca "aliados" dos outros poderes.&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;O texto revela uma história importante, alicerçada em factos reais, contada por um homem, um administrador de Concelho dos velhos tempos coloniais, Custódio Ramos, que, além de contar o que viu em dois relatórios, agora encontrados no espólio de um antigo homem do regime, teve ainda a oportunidade de esconjurar o seu apoio ao regime fascista, do qual acabou por ser vítima.&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vítima porque o teor dos seus relatórios não convinha à ideologia do momento já que evidenciavam uma facto "horroroso": o regime tinha abandonado miseravelmente os portugueses do "ultramar" depois de uma parte importante dos brancos que habitavam o Norte de Angola ter sido chacinada por terroristas absolutamente tresloucados.&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;E, como se não bastasse, mais tarde resolveu incluir num relatório de inspecção levada a cabo por si no Golungo Alto actos de corrupção, de cumplicidade em práticas de escravatura e abusos de poder da PSP. Também não convinha ao sr. ministro do ultramar, Silva Cunha.&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao acabar de ler o texto da Valentina fiquei perplexo e mais se arreigou em mim a  justieza da minha decisão de continuar a não comprar tal jornal.&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;É que a estória pedia mais. Não sei quem foi, mas aposto que não foi a sua autora, porque conheço os princípios em que foi formada, deitou fora a oportunidade de começar a esmiuçar a sério um dos grandes tabús da nossa História.&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;E porquê? Pela mesma razão que levou o regime fascista a castigar o administrador de posto, posteriormente promovido à condição de intendente e ainda de inspector, Custódio Ramos.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ao Expresso e à comunicação social portuguesa de uma maneira geral não convém mexer neste passado. O que convém a todos é a ideia de que os portugueses "africanos"eram todos uns bandidos e uns exploradores de escravos e, por isso, as acções de terrorismo a que foram sujeitos não foram nada disso, constituiram o começo de uma guerra justa, embora iniciada contra uma população pacífica e desarmada.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Aos donos de hoje, que mandam nos saloios, convém manter essa versão dos acontecimentos para não correrem o risco de lhes cortarem o acesso aos negócios milionários e pouco claros da chamada "elite" angolana, a  proceder à "acumulação primitiva" de capital.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Os "donos" de hoje conhecem a História de 1961; alguns deles provocaram o descontentamento em cima do qual se desenvolveu a ideia de massacrar os brancos - "o inimigo".&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Os "donos" de hoje também já regressaram a Angola e estão a aproveitar da "acumulação primitiva" de meia dúzia de corruptos para reassumir, ainda que de forma mais discreta, mas mais rentável, a posição de outros tempos, dos tempos em que - eles sim - promoviam a escravatura na mais rica "provincia ultramarina"do império salazarento.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Estes dois relatórios podiam ser o ponto de partida para que os portugueses soubessem parte da verdadeira História dos portugueses de África e percebessem, de uma vez por todas, que os crimes do regime fascista não se ficaram pelas prisões arbitrárias, pelos assassínios políticos e pelo controlo absoluto da informação.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O regime colonial fascista português negou aos portugueses a possbilidade de viverem noutras paragens, em harmonia com toda a gente,  promovendo o desenvolvimento e o bem estar para todos, no respeito dos direitos de todos.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Hoje ninguém quer saber disso. Já lá vão quase cincoenta anos e a verdadeira exploração só agora principiou.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;É por isso que "Sobreviventes e Ignorados" é um texto seguramente incompleto e deixa aquele sabor " a pouco"...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-7332822800137302318?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/7332822800137302318/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=7332822800137302318' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/7332822800137302318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/7332822800137302318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2008/09/um-dos-tabus-da-nossa-histria.html' title='Um dos Tabus da Nossa História'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-5723266509295513591</id><published>2008-08-25T16:14:00.002+01:00</published><updated>2008-08-25T23:57:04.747+01:00</updated><title type='text'>Chiwale, um Homem à Procura do Seu Lugar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Samuel Chiwale publicou há pouco tempo uma autobiografia com o título "Cruzei-me com a História".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O livro, editado pela Sextante Editora é a descrição de uma série de factos relacionados com a guerra de Angola, de que Chiwale foi um elemento muito activo, sempre ao lado de Savimbi, mesmo quando este o humilhou e lhe mandou queimar uma tia sob a acusação de feiticeira.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É uma pena que o livro não tenha um fio condutor e não se percebam muito bem os seus obejctivos. A narrativa dos seus primeiros anos de vida explica, de certo modo, o seu racismo, porque é reveladora da sua realidade pequena. Ele só conhecia o seu pequeno mundo onde os pequenos senhores se transformavam em grandes ditadores.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A sua vida dedicada à guerra, que ele, um pouco à maneira europeia, diz que foi feita para libertar a pátria (qual pátria?), foi, afinal, dedicada a expulsar os brancos. Foi, de resto, o objectivo de todos eles. E a política em Angola - em diria em toda a África - tem ainda como grande motivação esse ódio rácico.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No caso de Samuel Chiwale ele é muito evidente, sobretudo quando, tentando contrapor ao slogan do MPLA "Um só povo uma só Nação" ele diz que a UNITA considerava todas as etnias como tendo direito a governar o seu país. Mas... os brancos não faziam parte... para ele, os brancos eram o inimigo. Com duas excepções: os madeireiros com quem a UNITA negociou o transporte de abastecimentos e a venda dos seus produtos a troco da exploração das madeiras e em 1975, quando precisaram do dinheiro dos empresários portugueses para se instalarem no país.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As primeiras páginas do livro sugerem um texto de um candidato a candidato à Presidência da República, mas, depois, o texto fica tão confuso que se percebe como o grito de alguém à procura de um lugar a que se julga com direito (e certamente terá) mas a quem já ninguém reconhece autoridade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na descrição um pouco atabalhoada de combates e marchas, de intrigas e alianças, há uma outra grande preocupação: a defesa de Savimbi e da UNITA como movimento político, embora se perceba que Chiwale reconhece que a UNITA sempre foi um movimento militar. Daí que neste momento ninguém considere o ex- comandante geral das FALA como uma personalidade. Hoje é o tempo dos políticos. Os generais vitoriosos - os do MPLA - vão fazendo pela vida enquanto é tempo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele também não se deve queixar, não deixará de ter um bom carro, uma boa casa e um bom dinheiro para gastar. O Presidente da República sabe tratar do "seu povo".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-5723266509295513591?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/5723266509295513591/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=5723266509295513591' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/5723266509295513591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/5723266509295513591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2008/08/chiwale-um-homem-procura-do-seu-lugar.html' title='Chiwale, um Homem à Procura do Seu Lugar'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-4931822398650453959</id><published>2008-08-21T11:14:00.004+01:00</published><updated>2008-08-21T11:25:18.426+01:00</updated><title type='text'>Uma Estória de Maconginos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A 6 de Novembro de 2005 publiquei aqui uma "Estória de Maconginos". Quem a quiser ler basta ir ao arquivo do blogue.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um dia destes, uma leitora fez o seguinte comentário a esse texto:" dei, por mero acaso -a investigar outra matéria com este artigo...lamentavelmente com muitos factos distorcidos e erros históricos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pena!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Anabela &lt;strong&gt;de&lt;/strong&gt; Araújo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Reconheço o estilo, adivinho as motivações e com um e outras avivo memórias: uma boas, outras más.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pena! que o comentário não seja mais explícito e indique quais os factos distorcios e os erros históricos e  se fique por esta afirmação definitiva de quem é senhora e dona da verdade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pena!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-4931822398650453959?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/4931822398650453959/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=4931822398650453959' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/4931822398650453959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/4931822398650453959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2008/08/uma-estria-de-maconginos.html' title='Uma Estória de Maconginos'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-8703252099874947622</id><published>2008-07-25T13:23:00.003+01:00</published><updated>2008-08-01T16:37:15.625+01:00</updated><title type='text'>Parabéns</title><content type='html'>Exmo. Sr. Leston Bandeira,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serve o presente para lhe dar os parabéns pelo blogue «Africandar».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atentamente,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Associação Portuguesa de Cultura Afro-Brasileira&lt;br /&gt;Herdade Sesmaria Velha R. Primavera n.º 28&lt;br /&gt;Coutada Velha 2130 - 010 Benavente, Portugal&lt;br /&gt;(+351) 263 580 379&lt;br /&gt;&lt;a href="mailto:apcab.cultura@gmail.com"&gt;apcab.cultura@gmail.com&lt;/a&gt; &lt;a href="mailto:apcab@mail.org"&gt;apcab@mail.org&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://apcab.net/"&gt;http://apcab.net/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui ficam os nossos agradecimentos pelo reconhecimento do valor do nosso Blogue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leston Bandeira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;António Gonçalves&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Alves&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-8703252099874947622?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/8703252099874947622/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=8703252099874947622' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/8703252099874947622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/8703252099874947622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2008/07/parabns.html' title='Parabéns'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-2540188011143998360</id><published>2008-06-15T15:19:00.003+01:00</published><updated>2008-06-15T15:30:40.159+01:00</updated><title type='text'>Uma Verdade que Dói</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Não resisto à tentação de transcrever aqui um texto publicado no "The Times", no dia 26 de Maio de 2008 e assinado por uma mulher sul-africana: Nom Fundo Xulu&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;XENOFOBIA&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para onde iremos quando a África do Sul estiver destruída? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Houve uma altura na minha vida em que procurei desesperadamente uma empregada doméstica porque não conseguia dar resposta ao trabalho, ao bebé e às tarefas domésticas.&lt;br /&gt;Dirigi-me ao quadro de anúncios de uma loja de conveniências da vizinhança e anotei alguns contactos. Telefonei a um certo número de mulheres e marquei encontros com seis.&lt;br /&gt;Uma delas, sul-africana, não apareceu, mas mandou-me um kolmi. Quando lhe liguei, perguntou-me se podia ir buscá-la, porque não tinha dinheiro para o transporte.&lt;br /&gt;Disse-lhe que outras cinco mulheres, que não eram sul-africanas, tinham conseguido chegar a minha casa à hora marcada. Uma delas até veio com uma criança às costas, na neneca.&lt;br /&gt;Esse episódio, entre muitos outros, mostrou-me claramente que nós, sul-africanos, achamos que temos direito a tudo. Achamos que o mundo nos deve alguma coisa.&lt;br /&gt;Isso é sobretudo verdade para os negros. Não me levem a mal, mas, directamente ou indirectamente, pensamos que o apartheid é uma coisa a que nos podemos agarrar para podermos ser vistos como vítimas, e que tudo nos devia ser facilitado.&lt;br /&gt;E aqui estamos nós, 14 anos após o início da democracia na África do Sul, ainda agarrado a 1976.&lt;br /&gt;Muitos de nós não conseguem aproveitar o acesso à educação nem a oportunidade para aprender mais e marcar a diferença. Por isso abusámos de pessoas que estão simplesmente a fazer os possíveis por ganhar a vida.&lt;br /&gt;Os recentes ataques contra estrangeiros são a prova de que somos uma nação estúpida.&lt;br /&gt;"Roubam-nos os empregos e violam-nos as mulheres", dizem os responsáveis por centenas de crianças inocentes estarem agora a viver em tendas com as famílias.&lt;br /&gt;Como é que alguém pode tomar em mãos o seu destino quando os sul-africanos, no velho estilo dos bairros negros, se sentam todo o dia a apanhar sol, na má língua e a queixarem-se dos estrangeiros que lhes roubam os empregos?&lt;br /&gt;Como é que uma pessoa que se esforça tanto por arranjar emprego e por exercê-lo bem merece ser espancada e até queimada?&lt;br /&gt;Não percebo como fomos engendrados como sul-africanos. Sei que não temos todos a mesma mentalidade, e que há cidadãos instruídos que são completamente opostos a tais actos. Mas a rapidez com que esses ataques se espalharam é uma vergonha nacional.&lt;br /&gt;Porque é que não participamos de forma tão rápida e colectiva em actividades de construção nacional? E porque estamos tão dispostos a participar quando se trata de coisas que não só destroem vidas humanas como também a economia e a credibilidade do país?&lt;br /&gt;Dizemo-nos uma nação civilizada? Tenho vergonha de ser sul-africana.&lt;br /&gt;Somos uma nação bárbara, e o nosso pior pesadelo.&lt;br /&gt;Pergunto-me o que acontecerá quando finalmente atingirmos o objectivo de arruinar por completo o país - a economia, a credibilidade e os valores sociais - e precisarmos da ajuda dessas mesmas pessoas que andamos a matar.&lt;br /&gt;Será que esperamos que esses países cuidem dos nossos filhos como fizeram no tempo do apartheid para regressarem à África do Sul como dirigentes instruídos, sábios e capazes?&lt;br /&gt;Ou será que esses países também têm o direito de espancar os nossos filhos, de os queimar vivos e de os escorraçar como se fossem criminosos?&lt;br /&gt;NOMFUNDO XULU&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In The Times, 26/5/2008&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-2540188011143998360?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/2540188011143998360/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=2540188011143998360' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/2540188011143998360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/2540188011143998360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2008/06/uma-verdade-que-di.html' title='Uma Verdade que Dói'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-8101057034096337810</id><published>2008-05-22T16:54:00.028+01:00</published><updated>2008-12-08T23:42:57.331Z</updated><title type='text'>Vergonha...Vergonha...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SDbwiUA0afI/AAAAAAAAAJ8/BJx8aiVVSTQ/s1600-h/Casal+de+velhgos+no+Chiange.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SDbwiUA0afI/AAAAAAAAAJ8/BJx8aiVVSTQ/s400/Casal+de+velhgos+no+Chiange.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5203610891751549426" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Há muitos dias que aqui não venho. Por uma única razão: não tenho bons motivos. África, a minha África, aquela que me viu crescer e onde eu aprendi a amar a Natureza e os Homens está a transformar-se num pantanal, num lodaçal pestilento, onde imperam a ganância, a ambição e o desprezo pelos semelhantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;África, a Terra que me temperou o carácter, me moldou a coragem para vencer as dificuldades que me foram surgindo na vida, me tornou forte dando-me a conhecer as minhas fraquezas é, nos jornais, nas televisões e nas informações privilegiadas que me vão chegando,um mundo de podridão, onde nem já as imagens de extraordinária beleza da sua natureza privilegiada conseguem atenuar.É uma terra de Vergonha&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SDbw_0A0agI/AAAAAAAAAKE/2scCUeS7gHU/s1600-h/5.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SDbw_0A0agI/AAAAAAAAAKE/2scCUeS7gHU/s400/5.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5203611398557690370" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A África que eu aprendi a amar, cujas histórias me encheram os sonhos de criança, fizeram despontar as utopias de adolescente, me alimentaram o entusiasmo da juventude e me pediram o sacrifício das minhas ambições pessoais, povoou-se de mostrengos e assombra-me as noites com pesadelos repletos de abutres que se multiplicam na mesma proporção das serpentes que se plantam no meu caminho - estreito para os meus chinelos de borracha e dedos de fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São as notícias de Lisboa - que falam de África - : a filha do Presidente JE dos Santos comprou no Alto da Barras três casas. Uma para ela, outra para família, outra para o corpo de segurança e a cave de uma delas foi transformada em cofre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São as notícias que vêm de Luanda: a mesma senhora, filha do mesmo senhor dá uma festa de aniversário milionária, que envergonha as muito faladas festas dos capitalistas (colonialistas) portugueses do tempo da outra senhora, dadas em Cascais. &lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SDbTe0A0aeI/AAAAAAAAAJ0/4FbYc-C3vsM/s1600-h/1.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SDbTe0A0aeI/AAAAAAAAAJ0/4FbYc-C3vsM/s400/1.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5203578945784801762" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa da senhora tem como enquadramento exterior uma multidão de pobres, miseráveis, a quem o pai da aniversariante e outros prometeram a abastança, a prosperidade, a felicidade, com casas, escolas e saúde para todos.&lt;br /&gt;"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://Casal+de+velhgos+no+Chiange.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5203538912394635698" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, as casas e as escolas; a saúde, a prosperidade e a abastança não podem ser para todos, porque, meia dúzia tomaram tudo entre mãos - mesmo os que, noutros tempos, quando se falava na justa luta de libertação estavam do lado dos chamados "exploradores" e se colocaram agora no papel de super-exploradores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não apenas estes, mesmos os que eram, de facto, os exploradores, os que fomentavam o trabalho escravo, os que dominavam as fazendas do café e do algodão, os que se serviam do estado colonial e viviam à grande em Lisboa, mandando atirar granadas defensivas sobre trabalhadores descontentes, mesmos esses estão, mais uma vez, e agora de forma ainda mais descarada, a usurpar as escolas, a saúde a prosperidade e a felicidade dos não sei quantos milhões de esfomeados, que há trinta anos acreditaram que teriam uma vida melhor. Eles acreditaram e transmitiram essa esperança aos filhos, aos netos. Alguns já morreram, abençoando a hora do fim...&lt;br /&gt;JPG"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SDbSv0A0adI/AAAAAAAAAJs/cAMijKbfG-Q/s400/25.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5203578138330950098" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...Mesmo esses estão, de novo, instalados, com bancos, com operações imobiliárias, explorando(de novo) o café, metidos nos diamantes, nos negócios dos generais. E, de novo, a assobiar para o lado. Que lhes interessa a miséria que campeia? Eles nem sequer a vêem..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De resto, têm a certeza de que a sua reputação jamais será manchada - tal como noutros tempos . O poder actual está a encarregar-se de montar um sistema de comunicação social insuperável; uma televisão e uma rádio nacionais, dois jornais e duas revistas semanais, um jornal diário e a assistência imprescindível dos donos da intriga em Portugal, os que sabem como se compram jornalistas. Assim, tanto o poder como eles têm "boa" imprensa lá e cá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, olhando o resto de África ficamos admirados por não ser de Angola que chegam as piores notícias. Elas vêm do Zimbabwé, onde a senilidade de Mugabe serve de campo fértil para os ambiciosos e gananciosos da ZANU, que, na perspectiva de perderem o velho e decrépito ditador, se aprestam a assegurar o futuro deles, esquecendo que transformaram uma dos países mais ricos de África num pântano de desgraças, palco de morte por doença e fome.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SDavnkA0acI/AAAAAAAAAJk/dXeG387reMA/s1600-h/Cedida_por_Caluanda.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SDavnkA0acI/AAAAAAAAAJk/dXeG387reMA/s400/Cedida_por_Caluanda.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5203539513690057154" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os que fogem à fome e à doença do Zimbabwé e procuram a República da África do Sul, a tal que teve a solidariedade do Mundo inteiro para se ver livre de um regime político injusto porque se servia da cor da pele das pessoas como critério para as dividir, esses mesmos, quando chegam junto dos libertados da segregação, são recebidos com tochas, com balas, mortos e queimados ao som de risos alarves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mortos porque acusados de roubarem o trabalho aos que, noutros tempos, no tempo da segregação, sempre o tiveram , bem como saúde e educação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo acontece aos moçambicanos que foram em busca de melhor situação no país vizinho, fugindo à ambição e à ganância de todos os guebuzas que por lá existem e noutros tempos implantavam campos de reeducação para os reaccionários. "Eram reaccionários, sim!" - dizia ARMANDO. "basta olhar para eles, são brancos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi este mesmo que há uns meses lançou um grito alarve de contentamento: "Cahora Bassa é nossaaaaa...!!!!" Oxalá saiba cuidar dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São também as notícias que chegam do Quénia, com as tribos em pé de guerra, querendo exterminar-se uns aos outros e o horror de Darfour a que nada consegue pôr cobro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque será que os americanos não se preocupam com esta gente do Darfour, que está a ser exterminada só porque tem outra cor e outra religião. Lembram-se do pretexto utilizado para invadir o Iraque e enforcar o Sadam Hussein? Porque havia armas de destruição massiva ( que nunca se encontraram) e porque o ditador atacou com gaz um grupo grande de curdos, seus adversários políticos - e hoje adversários dos americanos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-8101057034096337810?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/8101057034096337810/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=8101057034096337810' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/8101057034096337810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/8101057034096337810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2008/05/vergonhavergonha.html' title='Vergonha...Vergonha...'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SDbwiUA0afI/AAAAAAAAAJ8/BJx8aiVVSTQ/s72-c/Casal+de+velhgos+no+Chiange.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-93972818409965192</id><published>2008-04-24T14:26:00.008+01:00</published><updated>2008-12-08T23:42:57.420Z</updated><title type='text'>Zimbabwé, Uma Vergonha para África</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SDW3mEA0aaI/AAAAAAAAAJU/gBaNiLBWEQQ/s1600-h/Reuni%C3%A3o+em+Harare.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SDW3mEA0aaI/AAAAAAAAAJU/gBaNiLBWEQQ/s400/Reuni%C3%A3o+em+Harare.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5203266809036564898" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O que está a acontecer no Zimbabwé com Robert Mugabe a fazer de ditador palhaço, prenunciando com a sua estratégia de manutenção do poder, mais um banho de sangue em África, é, em primeiro lugar, uma vergonha para os próprios zimbabweanos, já que não são capazes de lutar contra um tirano com a cor da sua própria pele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                    &lt;strong&gt;&lt;strong&gt;Reunião em Harare, nos tempos em que ainda se                                                                          creditava que era possível uma democracia     &lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para eles a tirania era a dos brancos.&lt;br /&gt;Mugabe será sempre o "freedom figther" contra Ian Smith, mesmo qeu tenha destruído um dos mais próperos e lindos países da África Austral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundo lugar é uma enorme vergonha para toda a África, que, mais uma vez, não consegue, através da sua organização continental, a União Africana, resolver um problema que é sobretudo um ataque aos direitos fundamentais do Homem. Mas, essa vergonha é maior ainda para os países vizinhos do Zimbabwé, que se reuniram, para, no final, com o seu silêncio, confortarem as posições de Mugabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ESte silêncio tem, obviamente, uma explicação: todos eles se sentem iguais a Mugabe, quer pelo passado longíncuo e recente, mas também pelo presente e, alguns, até, pelo futuro próximo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-93972818409965192?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/93972818409965192/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=93972818409965192' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/93972818409965192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/93972818409965192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2008/04/zimbabw-uma-vergonha-para-frica.html' title='Zimbabwé, Uma Vergonha para África'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/SDW3mEA0aaI/AAAAAAAAAJU/gBaNiLBWEQQ/s72-c/Reuni%C3%A3o+em+Harare.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-1218762153846209596</id><published>2008-04-21T14:53:00.002+01:00</published><updated>2008-04-21T15:01:56.724+01:00</updated><title type='text'>Hugo Azancot de Menezes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Muitos dos textos publicados ultimamente - e não só - neste blog têm comentários de um anónimo a dar conta do percurso de Hugo Azancot de Menezes. Nada tenho contra esta estratégia, embora me pareça pouco eficaz para aquilo que me parecem os seus objectivos: fazer lembrar alguém que teve importância política no movimento de libertação de Angola mas de que ninguém fala, porque não se lembram ou porque - o mais certo - não querem lembrar-se.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A este anónimo (não lhe fica bem não assinar) gostava de sugerir outra forma: por exemplo, envie-me para o meu e-mail um resumo biográfico de  Hugo Azancot de Menezes e eu terei muito gosto em o publicar, nem que seja em episódios. Valeu?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Deste modo ficaríam os comentários para os que desejem, de facto, comentar as matérias tratadas nos textos publicados.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-1218762153846209596?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/1218762153846209596/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=1218762153846209596' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/1218762153846209596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/1218762153846209596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2008/04/hugo-azancot-de-menezes.html' title='Hugo Azancot de Menezes'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-9152034032284511969</id><published>2008-04-03T15:30:00.004+01:00</published><updated>2008-12-08T23:42:57.718Z</updated><title type='text'>Mugabe - o FIM?</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/R_Tv00gx0BI/AAAAAAAAAJE/y6UN44Yy_90/s1600-h/Mugabe.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185032761738645522" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/R_Tv00gx0BI/AAAAAAAAAJE/y6UN44Yy_90/s400/Mugabe.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apesar das dúvidas que ainda se levantam através dos jornais afectos a Mugabe e à sua pandilha, parece certo que Mugabe vai deixar de escravizar o seu povo e de povoar a cabeça do resto do Mundo com os números de uma independência que envergonha quem a defendeu e quem por ela lutou - incluindo o próprio Robert Alibabá -.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apesar das dúvidas, não podia deixar de vir aqui expressar a minha enorme alegria pelas pespectivas de uma nova libertação de uma parte de África que caiu no inferno indiscritível de uma escravidão perpetrada por um facínora sem nome e sem classificação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apesar das dúvidas, aqui estou saudando a vitória da democracia contra a fraude, da vontade de mudança contra o desejo de continuidade de algumas dezenas de aproveitadores da senilidade de um homem que, podendo passar à História do seu país como herói, vai passar como o maior ladrão que por lá passou e, agora, seguramente, não saberá, sequer, para onde ir.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-9152034032284511969?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/9152034032284511969/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=9152034032284511969' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/9152034032284511969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/9152034032284511969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2008/04/mugabe-o-fim.html' title='Mugabe - o FIM?'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/R_Tv00gx0BI/AAAAAAAAAJE/y6UN44Yy_90/s72-c/Mugabe.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-2299312881718068354</id><published>2008-03-08T19:53:00.002Z</published><updated>2008-12-08T23:42:57.841Z</updated><title type='text'>Miguel Lemos</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/R9MM1vs2JgI/AAAAAAAAAI8/w4F2InYYMI4/s1600-h/Miguel+Lemos.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175494514255996418" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/R9MM1vs2JgI/AAAAAAAAAI8/w4F2InYYMI4/s400/Miguel+Lemos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Hoje, logo pela manhã, o telefone trouxe-me a notícia: morreu o Miguel Lemos. A morte é sempe uma violência, mas, se inesperada e de alguém que fez parte da nossa vida, é-o ainda mais. Eu e o Miguel Lemos conhecemo-nos, fomos e éramos amigos, travámos lutas políticas juntos. Tínhamos divergências. Algumas delas exprimia-as aqui neste blogue. Perante o seu passamento fica apenas a saudade , a recordação de um companheiro e a tristeza por uma parte da minha vida ter ficado mais pobre.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-2299312881718068354?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/2299312881718068354/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=2299312881718068354' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/2299312881718068354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/2299312881718068354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2008/03/miguel-lemos.html' title='Miguel Lemos'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/R9MM1vs2JgI/AAAAAAAAAI8/w4F2InYYMI4/s72-c/Miguel+Lemos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-5134312425151001514</id><published>2007-12-21T11:40:00.000Z</published><updated>2008-12-08T23:42:58.060Z</updated><title type='text'>Manuel Delgado</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/R2upWs8f2hI/AAAAAAAAAI0/svXLM1oy5mI/s1600-h/Celestino+da+Costa+c+Manuel+Delgado.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5146393206688045586" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/R2upWs8f2hI/AAAAAAAAAI0/svXLM1oy5mI/s400/Celestino+da+Costa+c+Manuel+Delgado.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A notícia chegou hoje de manhã. Fria como o dia, cinzenta como o céu: morreu o Manuel Delgado. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Jornalista cabo-verdiano, com um talento notável para a escrita, o Manuel Delgado tinha, para além disso, uma capacidade de análise política ímpar, o que fazia dele um elemento importante na sociedade cabo-verdiana, tendo, ao longo dos anos, desempenhado o papel de conselheiro político do PAICV.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Conheci o Manuel Delgado em Cabo Verde, quando lá estive como correspondente da ANOP. Não era um homem fácil.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mais tarde, quando fundei o jornal "África", o Manuel Delgado veio trabalhar comigo e a sua colaboração revelou-se importante, também pelos contactos que tinha.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Com o fim do "África" acabou por ir trabalhar para o Expresso, onde não foi devidamente aproveitado, acabando por regressar a Cabo Verde onde fundou um jornal na Net, em que, mais um vez, demonstrava todos os seus talentos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A fotografia que ilustra este texto foi obtida durante um encontro que ele teve com o então Primeiro Ministro de São Tomé e Príncipe, Celestino Costa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para os seus filhos e para a Clara, que tendo deixado de ser sua mulher não deixou de ser sua amiga, um abraço forte.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-5134312425151001514?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/5134312425151001514/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=5134312425151001514' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/5134312425151001514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/5134312425151001514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2007/12/manuel-delgado.html' title='Manuel Delgado'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/R2upWs8f2hI/AAAAAAAAAI0/svXLM1oy5mI/s72-c/Celestino+da+Costa+c+Manuel+Delgado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-7266008773959995751</id><published>2007-12-15T15:10:00.000Z</published><updated>2008-12-08T23:42:58.239Z</updated><title type='text'>Ame-a ou Deixe-a em Paz</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/R2P2HxfSErI/AAAAAAAAAIs/aggbyCUDG24/s1600-h/Fragata2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5144225812791300786" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/R2P2HxfSErI/AAAAAAAAAIs/aggbyCUDG24/s400/Fragata2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já recebi dezenas de vezes no meu e-mail uma série de fotografias de Angola com o título "Angola, ame-a ou deixe-a em paz".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Devo dizer que a tal mensagem me irrita por duas razões fundamentais: a primeira é que as imagens são, na sua grande parte, muito pouco significativas. Por exemplo, o rio Cunene parece uma mulola.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E o que querem dizer com a expressão "deixe-a em paz"?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Devemos esquecer a cleptocracia, a miséria, a doença a indignidade do povo? Devemos esquecer que Angola é um país de recursos inesgotáveis que poderiam propiciar a toda a sua população uma vida decente, com altos padrões de qualidade e que em vez disso, enquanto os dirigentes ocupam fazendas, compram carros e aviões, viajam para todo o Mundo, são sócios de todas as grandes empresas, se empenham em dificultar os investimentos que não passam pelo seu controlo, o povo morre de cólera, de tuberculose, de paludismo, não tem escolas para os filhos, não tem comida para se alimentar?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É isso que querem que esqueçamos?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Todos, mesmo aqueles que , ingenuamente, contribuiram para entregar o poder ao MPLA e depois foram expulsos ou, pura e simplesmente, para não serem abatidos, tiveram que fugir?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que se pretende com esta campanha, que, aparentemente, tem a intenção de revelar um país de imagens belas e surpreendentes - ainda que o não consigam porque quem coleccionou as imagens não conhece - seguramente- o país?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quem me quer tirar o direito, de modo definitivo, ao meu passado?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quem está preocupado com a minha ( e milhões de outras) memórias? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por exemplo, do Fragata, filho do enfermeiro Fragata do Lubango e que, seguramente para não ver a desgraça que vai acontecendo na sua terra, preferiu ir viver para Cabo Verde. A sua fotografia, a ilustrar este texto representa uma homenagem a todos quantos não estão dispostos a atirar o passado para o caixote do lixo e também não estão dispostos a fazer o papel cortesãos de uma classe possidente sem classe, sem cultura e sem escrúpulos e disposta a pagar a bom preço uma palmada nas costas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outra das razões que me leva a não fazer circular o e-mail é que tudo o que lá está, ou é natural , ou foi construído ainda no tempo da colonização. Este poder, com mais de trinta anos só destruiu e enriqueceu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-7266008773959995751?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/7266008773959995751/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=7266008773959995751' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/7266008773959995751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/7266008773959995751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2007/12/ame-ou-deixe-em-paz.html' title='Ame-a ou Deixe-a em Paz'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/R2P2HxfSErI/AAAAAAAAAIs/aggbyCUDG24/s72-c/Fragata2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-3436265618429780282</id><published>2007-12-11T16:51:00.000Z</published><updated>2007-12-12T11:34:35.073Z</updated><title type='text'>A Cimeira Espectáculo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A Presidência Portuguesa da União Europeia está radiante com o sucesso da Cimeira Europa-África.O próprio presidente da Comissão da UE demonstrou a sua felicidade pelo êxito que a reunião alcançou. Dos africanos também vieram manifestações de regozijo que importa salientar, sobretudo da Unão Africana e do presidente da respectiva Comissão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Será, de resto, muito difícil afirmar o contrário. A Cimeira foi, de facto, um sucesso: do ponto de vista mediático, espectacular, cumpriu a rigor. Os chefes africanos fizeram em Lisboa o que fazem nas sus terras: quando se deslocam incomodam toda a gente e não se importam com o mal estar que geram.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os objectivos enunciados foram todos alcançados - acrescenta-se.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E que objectivos eram esses? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Falar de igual para igual, "olhos nos olhos", abordar a questão da má governação e dos direitos humanos, numa "cimeira sem tabus": criar uma estratégia conjunta para a solução de alguns dos principais problemas africanos, nomeadamente no campo da saúde e do desenvolvimento "amigo do ambiente", com a preocupação de travar as mudanças climáticas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fácil! Nada de concreto, tudo conversa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A questão da má governação e dos direitos humanos foi atirada para cima de Mugabe e, em parte, para Kadhafi. Os outros passaram todos por cumpridores dos direitos humanos e bons governantes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Todavia, se analisarmos as relações Europa-África sob outros pontos de vista, diferentes dos inerentes à imagem e às expectativas dos grupos que a organizaram, depressa constataremos que ainda estamos muito longe de um real entendimento entre africanos e europeus. Tudo irá permanecer na mesma.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A primeira razão é esta: não se trata de normalizar relações em pé de igualdade entre africanos e europeus, mas sim entre negros e brancos. Seja lá, seja cá. O que é necessário é deixar de considerar que os africanos são negros e os europeus, brancos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nos anos 60, o slogan era " África é dos negros". O movimento de Independência, que tinha começado logo a seguir ao final da II Guerra Mundial e cuja concretização se iniciou com a Independência da Guiné Conacry, com o célebre "NON" de Sékou Touré, aprofundou o slogan e, na prática, as guerras de libertação foram alimentadas com o ódio racista de negros contra brancos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com as independências conseguidas, na maior parte dos países africanos assitiu-se a uma verdadeira expulsão sistemática dos brancos de África. Há países que só recuperarão desta expulsão (que o prof. Agostinho da Silva comparava à expulsão dos Judeus de Portugal e da Espanha) daqui a muitas gerações.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apesar disso, os teimosos (os brancos que continuam nesses países) não têm um tratamento de igualdade. Pelo contrário: na maior parte das vezes são mesmo descriminados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O ódio racista ainda se manifesta em algumas declarações de certos chefes de estado, como por exemplo, Robert Mugabe, para quem os brancos são os culpados de tudo. Kadhafi - outro exemplo - afirma que o mal de África foi o colonialismo e que, portanto, agora, a Europa deve pagar para que África possa ter a mesma qualidade de vida dos europeus.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na verdade, o quotidiano da maior parte dos países africanos é vivido tendo como pano de fundo esse ódio racista, de que vão aproveitando os dirigentes para, quando as coisas correm pior, o alimentarem ainda mais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora, a verdade é que os colonos criaram e desenvolveram países cheios de potencialidades - que as independências destruiram. Muitos deles, mais de trinta anos depois ainda não conseguiram, nem sequer manter esquemas de ensino ou reparar as redes viárias, enquanto, por outro lado, as fortunas escandalosas se multiplicam. Os povos africanos já foram mais espoliados pelos seus governantes em cerca de meio século do que pelos brancos em quatro ou cinco séculos de colonização.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em resultado do que aconteceu em África após as independências, a Europa começou a ser invadida pacificamente pelos africanos (isto é, pelos negros). Inclusivamente, inciou-se um movimento de emigração clandestino de cujos resultados catastróficos, um dia destes, os Europeus , isto é, os brancos, serão acusados.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E esse movimento continua, porque os negros preferem vir passar, muitas vezes, grandes sacrifícios em terras que - convenhamos - também lhes são hostis, do que viver situações de miséria irreversível entre a sua gente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Será que esta Cimeira abriu o caminho para numa próxima reunião se possa considerar "África não é dos negros", assim como a Europa "não é dos brancos". Que cada um tem direito à terra onde nasceu e deseja viver?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ou, pelo contrário, esta cimeira abriu mais portas para um entendimento entre os dirigentes africanos e os homens de negócios europeus, donde surgirá mais corrupção, mais miséria para os povos africanos e mais riqueza para quem os dirige, assim  como para os brancos que funcionam como corruptores - é que a corrupção é sempre uma concertação de dois actores...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-3436265618429780282?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/3436265618429780282/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=3436265618429780282' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/3436265618429780282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/3436265618429780282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2007/12/cimeira-espectculo.html' title='A Cimeira Espectáculo'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-7514335402808368173</id><published>2007-12-11T14:01:00.000Z</published><updated>2007-12-11T14:10:17.030Z</updated><title type='text'>Histórias Antigas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Aqui já há uns meses contei neste blogue uma das muitas e velhas estórias luandenses de outros tempos. Nela falava de um desastre de automóvel e de um colega de profissão, o Acácio Barradas, que, entretanto, não conseguiu perceber que, para intervir no dito texto e rectificar o que havia para rectificar, lhe bastava elaborar um comentário. Este é um blogue que os permite.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Acácio tentou contactar com os autores do dito blogue, mas só agora me chegou o respectivo texto, que, com todo o gosto aqui reproduzo, abrindo-lhe a primeira página do Africandar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como o Acácio Barradas facilmente compreenderá, apenas lhe retiro o nome a quem o texto foi dirigido e a quem, seguramente, não chegou, porque, de outro modo teria feito o que agora vou fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não costumo ler blogues. Não tenho nada contra, mas o excesso desmotiva. E como, para encontrar uma pérola, o trabalho é imenso, acabo por lhes passar ao lado. Mas não há regra sem excepção e, assim, eis-me a escrever-te por causa de um blogue de que és colaborador. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dá-se o caso de me terem chamado a atenção para o referido blogue, de seu nome «Africandar», por nele eu ser referido num post de António Gonçalves. O post já é de Novembro de 2005, mas só agora o li. E diz o seguinte:   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«O Acácio Barradas estava internado e com alguma gravidade. O carro tinha caído à baía, vindo da Ilha. Uma senhora também estava internada, mas alguém tinha tirado a folha, do maço das ocorrências. Já tinha alguns conhecimentos no “Maria Pia” e soube o nome, que nada me dizia, mas tinha notícia. E à saída, um tipo emproado chamou-me e disse: “Nada de notícia. Isto não é para publicar”. Disse-lhe que tinha pena, mas não era a mim que ele se devia dirigir.&lt;br /&gt;«Quando cheguei à Redacção, e entretanto tinha recolhido mais informação e sabia que a internada era uma conhecida poetisa local e a causa, além de algum álcool, do acidente, o chefão foi-me dizendo: “Já sabemos. Não percas tempo. Não vamos dar a notícia. O Charula telefonou. Não vamos entalar um colega”. Barafustei e disse-lhe que eles nos iam lixar e dar a notícia. O Araújo não quis acreditar. Explicou-me que o Charula era uma referência e que trabalhou naquele jornal e que era amigo de todos e nós não o íamos deixar mal. E eu teimei: “Olá se vai. Espere-lhe pela pancada”.&lt;br /&gt;«O Notícia fez reportagem com o caso e carregou nas tintas, com nomes e fotos. Charula de Azevedo era bom jornalista e não perderia uma oportunidade daquelas. Ao Araújo deve-lhe ter custado, mas pediu desculpa e no fim do mês vi o salário aumentado.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de ter lido isto, procurei no referido blogue algum mecanismo que me permitisse comentar directamente o escrito. Mas não encontrei nada que o autorizasse, o que a meu ver é um pouco estranho, pois costuma ser regra dos blogues que se prezam aceitar o direito de resposta. Eis porque, em recurso, me dirijo a ti, solicitando que intermediarizes junto do blogue e do autor do texto, António Gonçalves, o meu comentário, que aliás é simples:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O António Gonçalves, com a idade e a natural perda de memória, devia ter algum cuidado na rememoração de factos. Volta não volta (como ele próprio já admitiu no respeitante à gravação pirata de Aznavour por Paulo Cardoso), troca datas e personagens e contribui para lançar uma confusão desnecessária na pequena história luandense. O caso por ele relatado, de um acidente de automóvel que caíu na baía de Luanda, está longe de me ter como protagonista. Pelo contrário, fui eu o primeiro jornalista a dar pela ocorrência, que se verificou de madrugada. E como eu era noctívago e a ilha era um dos meus passeios frequentes, rumo ao Tamar e a outras casas de diversão nocturna, deparei com o acontecimento e chamei de imediato ao local o repórter fotográfico Raul Moreira, que fez a imagem dos «náufragos» e do carro a ser pescado na ponte que liga a ilha à cidade. Como é óbvio, publiquei a notícia, devidamente acompanhada da imagem do carro sinistrado, embora sem as fotografias dos «náufragos». De facto, viajava no carro uma poetisa, que por acaso era também  sócia-gerente de uma grande empresa de Luanda. E como essa empresa dava publicidade aos órgãos de informação, houve pressões para abafar a notícia, visto que não era conveniente saber-se que a dita poetisa andava de noite na boémia com amigos e amigas que não sabiam controlar os copos, ao ponto de saltarem para as águas da baía em plena madrugada dentro de um automóvel. Não foi, portanto, o Charulla que andou a pedir a quem quer que fosse para não se dar a notícia. Aliás, o Charulla, que a par de ser jornalista controlava uma agência de publicidade, tinha o grande mérito de não favorecer a agência à custa da informação. O jornalista, nele, era mais forte que o homem de negócios, por isso ficou imperturbável com a notícia que fiz da ocorrência. Creio até, se a memória não me atraiçoa (como infelizmente acontece ao António Gonçalves) que lhe aplicou uns pòzinhos de ironia, em que aliás era perito.&lt;br /&gt;Mas então, como é que o António Gonçalves me terá envolvido nesta peripécia? Sonhou, apenas? Não, não sonhou. Simplesmente confundiu dois casos distintos e, sob a influência do surrealismo a que foi atreito em Lisboa no Café Gelo, acabou por fazer inconscientemente um «cadáver esquisito».&lt;br /&gt;Realmente, nos primórdios dos anos 60, eu tive um violento desastre na estrada de Catete e fui parar em coma ao hospital, aí sendo submetido a melindrosa intervenção cirúrgica que durou cinco horas. Só acordei passados dois dias, de braço ao peito e perna suspensa. Na altura, eu era chefe de redacção da revista Notícia e tinha-me deslocado, ao volante do meu carocha, a um posto militar localizado nos arredores de Luanda, a fim de me avistar com o «nosso alferes» Xico Orta, a cuja habilidade para o desenho recorria com frequência para ilustrar determinados textos da revista. Já no regresso a Luanda, em plena estrada de Catete, o lusco-fusco do sol posto e os faróis acesos de um camião que viajava em sentido contrário, geraram um cone de sombra no qual mergulhei sem me aperceber que havia um camião estacionado na berma, sem luzes nem triângulo luminoso que me alertassem. O embate foi brutal, tendo o meu carro saltado para a via da esquerda e carambolado no camião que vinha em sentido contrário e que também capotou. Não morri porque não calhou e, vendo o estado em que o carocha ficou, reduzido a sucata, quase seria tentado a pensar num milagre, não fosse estar certo de que nenhum santo ou santa usaria os poderes que eventualmente tivesse em minha defesa.&lt;br /&gt;Tudo isto não teria especial relevância, não se desse o caso de incluir um pormenor algo picante: é que comigo seguia uma senhora da chamada «melhor sociedade local», que tinha a particularidade de não ser a minha «extremosa esposa». Tratava-se, isso sim, da (recentemente falecida) pintora Teresa Gama, então considerada a ovelha ranhosa da família Neves e Sousa, tal como eu era considerado a ovelha ranhosa da família da minha mulher, cujo apelido Pereira do Nascimento evoca desde logo o meu sogro, que era então uma figura de grande gabarito e larga influência. Daí que, por interferência de ambas as famílias, Neves e Sousa e Pereira do Nascimento, tenham sido movidas influências no sentido de abafar a notícia do acidente. Tais influências foram tais e tantas que, mesmo no Hospital Maria Pia, onde eu e a Teresa Gama estávamos internados, havia ordens terminantes para nenhum saber do outro por intermédio dos médicos, das enfermeiras e até dos serventes. A situação era de tal forma aberrante, que tive de recorrer aos préstimos da minha «extremosa esposa». Foi ela, a presumível ofendida pelo suspeito adúltero que eu era, que a meu pedido se prontificou a procurar o quarto onde a Teresa Gama estava internada, certificando-se do seu estado e trazendo-me as informações que ninguém me dava. Isso não significa que tivesse aceite a minha «infidelidade», pois logo que tive alta apercebi-me de que a minha casa passara a ter um único inquilino: eu. Mulher e filhos tinham voado para longe.&lt;br /&gt;Se o Charulla teve ou não teve qualquer interferência nas maquinações para esconder a notícia, ignoro. Mas tudo me leva a crer que o tenha feito, embora de facto não se coibisse de dar a imagem do acidente na revista Notícia, mas sem referir o nome da senhora acompanhante. Tal omissão não a fez certamente por boas razões, mas por ter um ciúme diabólico da Teresa Gama, que ele não compreendia como era capaz de resistir aos seus encantos, preferindo um tipo como eu. Em resultado desta patologia, acabei por ser despedido da revista, sem apelo nem agravo. O administrador da publicação, António Alves Simões, mancomunado com o Charulla, chamou-me para me despedir, invocando a interferência da PIDE nesse sentido. É claro que PIDE não passou de um falso pretexto alinhavado à pressa para substituir a verdadeira razão: «dor de corno». Na sequência deste despedimento – e como era preciso dar alguma justificação do mesmo aos leitores da revista –, foi publicada uma notícia em que se invocavam, sem os especificar, «factos graves». Dirigi-me à revista para exigir explicações sobre esta notícia e o Charulla recebeu-me aos gritos e empurrou-me pela escada abaixo, o que na altura era para mim algo complicado, pois tinha um braço em gesso e um joelho entrapado.&lt;br /&gt;Como é natural, a invocação de «factos graves» para o meu despedimento levou muita gente a querer saber o que de realmente grave eu fizera, pois o mais plausível, na versão corrente, era eu ter assaltado o cofre da empresa, o que eventualmente justificaria a minha vida nocturna e o meu êxito aparente junto das mulheres. Houve, felizmente, um jornalista que não se deixou enredar pelo diz-se-diz-se e, depois de investigar as verdadeiras causas, escreveu e publicou na revista Semana Ilustrada, dirigida por Alfredo Diogo Júnior, uma bem humorada crónica em que, perante o enigma dos «factos graves» que me eram atribuídos, encontrou a solução recorrendo a uma velha expressão francesa: «cherchez la femme». O jornalista que se arvorou em Poirot para chegar a esta sábia conclusão, pondo meia Luanda a rir, foi nem mais nem menos do que o famoso Ernesto Lara Filho.&lt;br /&gt;A história vai longa, mas para ser devidamente entendida achei que não devia poupar pormenores. Resta-me acrescentar que, depois de todas estas bizarrias, o Charulla tornou-se proprietário da revista Notícia e, abafados os velhos ressentimentos, resolveu convidar-me a voltar ao «local do crime». E assim aconteceu, ao que parece com o agrado do António Gonçalves, que a propósito do ambiente que eu instituí na redacção, já me prestou justiça ao escrever no mesmo blogue:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«No “Notícia”, depois, encontrei a grande alegria de viver e um companheirismo exemplar de Acácio Barradas, então Chefe de Redacção, e de Joaquim Cabral, um grande fotógrafo e um bom amigo. Angola viria a seguir. Sem o «N» não teria andado tanto em tão pouco tempo...»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, não há nada como um «happy end», à boa maneira dos velhos tempos de  Holywood.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acácio Barradas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-7514335402808368173?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/7514335402808368173/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=7514335402808368173' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/7514335402808368173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/7514335402808368173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2007/12/histrias-antigas.html' title='Histórias Antigas'/><author><name>António Gonçalves</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-5153528652343613032</id><published>2007-10-13T15:54:00.000+01:00</published><updated>2008-12-08T23:42:58.858Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><title type='text'>O 27 de Maio em Angola</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/RxDmeKa8JVI/AAAAAAAAAH8/aCa9xq43wJQ/s1600-h/27+de+Maio.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5120846182188066130" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/RxDmeKa8JVI/AAAAAAAAAH8/aCa9xq43wJQ/s400/27+de+Maio.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; As edições ASA lançaram no dia 27 de Sembro, em Lisboa, na Sociedade de Geografia um livro assinado por Dalila Cabrita Mateus e Álvaro Mateus, com o título "Purga em Angola - Nito Alves, Sita Valles, Zé Van Dunem o 27 de Maio de 1977".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estive lá, comprei o livro, já o li.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Já exprimi muitas vezes a minha opinião sobre o que aconteceu a seguir à tentativa de golpe de estado do 27 de Maio. Já verberei, inclusivé, que se tente branquear a imagem de Agostinho Neto, falando dos seus escritos - poemas incluídos - para fazer esquecer a sua prática política, marcada pela ignorância, pela soberba, arrogância e pelo institnto sanguinário que o foi acompanhando ao longo da sua carreira política - Hoji Ya Henda, Deolinda Rodrigues, Gika e outros, além das tentativas frustradas de se ver livre de adversários políticos - e que culminou com um massacre  indiscriminado num contra-golpe autenticamente fascista.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Este livro apresenta, todavia, apenas um lado de toda esta trama política e cobre a tentativa efectiva de golpe de estado levada a cabo por um grupo organizado em torno de Nito Alves.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu fui testemunha presencial de muitos acontecimentos anteriores ao 27 de Maio que já denunciavam as reais intenções de Nito,tendo inclusivé, sentido a necessidade de fugir de Angola perante a inevitabilidade de um confronto entre os dois blocos. Ganhasse quem ganhasse o meu fim engrossaria o número dos que agora se contam.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nito Alves e a sua gente, organizada sobretudo no interior da JMPLA, já tinham tomado o poder político e, em alguns casos, militar, em grande parte das Províncias. Por exemplo, na Huíla, cuja capital, o Lubango, foi local de encontro para vários dos conspiradores. Monstro Imortal encontrou-se várias vezes com o Comandante da Frente Sul, o major Evady, que, mais tarde conseguiu sacudir o labéu de "nitista" e veio a ser Comissário da Província.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na Huíla esteve também José Eduardo dos Santos, exactamente no dia 27, em casa de um parente, o então Comissário Provincial, Belarmino Van Dunem. A fazer o quê?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Comandante da CPPA ( Polícia de Segurança), em 1976, um tal Comandante Martinho, natural de Malange e nitista, fez todas as barbaridades possíveis. Foi ele que inaugurou a célebre e tétrica prática de jogar gente na Fenda da Tundavala.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mandava fazer rusgas na casa dos brancos, de madrugada. Um dia mandou chicotear um colono, nos testículos, o Velho Maximino Borges, por ter encontrado numa sua mala, uma bandeira portuguesa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Numa outra altura mandou prender um jornalista da então Rádio Popular, que eu tinha criado, e durante toda a noite os seus lacaios espancaram o Celso apenas porque ele trabalhava na Rádio Popular.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Rxy-VKa8JWI/AAAAAAAAAIE/kUzLIbfx8g4/s1600-h/A+Luta+Continua+003.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5124179746824660322" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Rxy-VKa8JWI/AAAAAAAAAIE/kUzLIbfx8g4/s400/A+Luta+Continua+003.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo a seguir escrevi um texto no jornal " A Luta Continua", que eu também tinha criado, denunciando a ocorrência. Suponho que o tal comandante era analfabeto... mas em Luanda havia muita gente letrada e o jornal que saía às quartas no Lubango, chegava a Luanda às quintas de manhã e logo esgotava, porque nessa altura já se vivia sob a tutebla de um dos mais violentos educadores do povo - este netista - Costa Andrade, o N'Dunduma - director do Jornal de Angola e que só permitia escritos a louvar o partido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois que cheguei ao Lubango, em Fevereiro de 1976, fiz um enorme esforço em todas as áreas onde podia ajudar e mesmo naquelas onde os meus conhecimentos não eram assimm tantos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma das coisas que fiz foi enviar informação via rádio - uma tarefa que me ocupava horas - para o Jornal de Angola.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora, eu não lia o que era publicado e quando, mais tarde, fui a Luanda fiquei surpreendido com o que "tinha escrito". N'Dunduma e os seus lacaios retalharam-me completmente os textos e chegaram a negar afirmações minhas ou a afirmar negações escritas por mim.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando tentei falar com ele para lhe chamar, no mínimo, fascista, não me recebeu. Era um senhor muito importante...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Afinal, os diversos conflitos pseudo-políticos que ocorriam nessa altura em Angola resumiam-se a um facto muito simples: os vários grupos do MPLA, quando chegaram a Angola ficaram surpreendidos com o que encontraram e elegeram como principais inimigos os que tinham construído aquele país que eles não entendiam. Para eles Angola ainda era a mesma de 1950. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De resto, isso ainda acontece hoje: os construtores de Angola, que o MPLA destruiu em apenas dois anos são os verdadeiros inimigos dos dirigentes aburguesados e ignorantes de Angola. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas não só: também são mal vistos em Portugal. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sempre que se fala de algum assunto mais ou menos histórico referente a Angola, enquanto colónia, ou província ultramaria, ou o que quer que seja, nunca se pergunta nada a quem lá viveu, lutou e sofreu para construir um país que tinha condições , já em 1973, para ser , de facto, independente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Até que apareceram os "libertadores", que como disse o Rola da Silva "se mataram uns aos outros como cães".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entretanto, instalou-se na cidade do Lubango, bem como por todo o país, depois de , mais ou menos Maio ou Junho de 1976, um clima de verdadeiro terror, porque, no regresso de Luanda para o Lubango, depois que os sul-africanos abandonaram o território, em 27 de Março, a maior parte dos quadros do MPLA vinham doutrinados pela gente de Nito Alves. Incluia-se neste número o primeiro Comissário Provincial, Sumbo Braz, que principiou a fazer discursos racistas e regionalistas que assustavam. Um homem ponderado ficou, de repenete, desaustinado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Rx0aVKa8JYI/AAAAAAAAAIU/JcJW6-ZDJC8/s1600-h/A+Luta+Continua+-+EditorialDigitalizar0001.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5124280901894415746" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Rx0aVKa8JYI/AAAAAAAAAIU/JcJW6-ZDJC8/s400/A+Luta+Continua+-+EditorialDigitalizar0001.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tive a oportunidade de, durante a abertura do ano lectivo de 1976/77, na Faculdade de Letras do Lubango, ser duro com ele. Já estava a ficar farto de tudo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os nitistas tomaram o poder numa Assembleia Geral de Militantes, realizada do Auditório do ex- Rádio Clube da Huíla de uma forma perfeitamente organizada e &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Rx3-bqa8JaI/AAAAAAAAAIk/5wT0wkeP3bM/s1600-h/Editorial.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5124531702214698402" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Rx3-bqa8JaI/AAAAAAAAAIk/5wT0wkeP3bM/s400/Editorial.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;orquestrada. Começaram por esperar pela minha entrada na sala para pedirem a minha nomeação para a mesa como secretário. Os anti-nitistas ficaram sem a sua principal arma...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois acusaram toda a gente de tudo, remexeram na vida privada dos dirigentes, acusando uns de incesto e outros de coisas ainda piores. No final, o único que ficou, fui eu. De resto, eu era o único que restava da primeira assembleia de militantes realizada ainda em 1974.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não seria, todavia, pacífica a minha continuação como dirigente. Comecei a ser atacado por todos os lados. A Camarada Arlete, por exemplo, numa reunião sobre informação dissse que o jornal " A Luta Continua" não estava dirigido "às massas". Obteve como resposta uma gargalhada: " A Camarada não sabe que as massas são analfabetas?".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tão analfabetas como o comandante da Polícia, ou como um membro do Conselho de Administração da Moagem do Venâncio Guimarães Sobrinho, do qual eu era o presidente. Um dia, descobri que ele tinha um documento ao contrário e fingia um grande esforço de compreensão da sua leitura.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tinha sido lá colocado pelo Santos, outro nitista, delegado do Ministério da Indústria na Huíla. Claro que o mandei para um grupo de alfabetizandos...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Livro de Dalila Cabrita Mateus e Álvaro Mateus serve como denúnica dos massacres horrorosos levados a cabo por uma chusma de sanguinários que seguiram a ordem do chefe : "não vamos perder muito tempo", mas passa completamente ao lado do contexto em que tudo ocorreu, limitando-se a falar do que aconteceu em Luanda e referindo-se ao resto do país apenas para contar os massacres. É pena, porque é mais uma oportunidade perdida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15721933-5153528652343613032?l=africandar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://africandar.blogspot.com/feeds/5153528652343613032/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15721933&amp;postID=5153528652343613032' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/5153528652343613032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15721933/posts/default/5153528652343613032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://africandar.blogspot.com/2007/10/o-27-de-maio-em-angola.html' title='O 27 de Maio em Angola'/><author><name>Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17180416122415305428</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://img150.imageshack.us/img150/1011/retratotino3gv2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/RxDmeKa8JVI/AAAAAAAAAH8/aCa9xq43wJQ/s72-c/27+de+Maio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15721933.post-4356087752762363025</id><published>2007-10-12T15:23:00.000+01:00</published><updated>2008-12-08T23:43:00.186Z</updated><title type='text'>Amilcar Cabral - Uma Biografia</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Rw-O5aa8JSI/AAAAAAAAAHk/8bJO3AO7jwI/s1600-h/amilacar1.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5120468418339546402" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Rw-O5aa8JSI/AAAAAAAAAHk/8bJO3AO7jwI/s400/amilacar1.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;As edições "Tinta-da-China" vão lançar no dia 24 deste mês o livro "O Fazedor de Utopias, uma biografia de Amilcar Cabral", de um escritor angolano, António Tomás.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Bárbara Bulhosa, responsável pela "Tinta-da-China", teve a amabilidade de me mandar um e-mail contendo não apenas alguns elementos informativos como o próprio texto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Fico extremamente agradecido. Não apenas a ela, mas ao António Tomás pela sua iniciativa, já que Amílcar Cabral - quanto a mim o mais lúcido e inteligente lider africano da era moderna - está há demasiado tempo esquecido. Os africanos raramente falam do seu exemplo, dos seus ensinamentos e nunca procuram neles o caminho para a solução de problemas verdadeiramente inacreditáveis - veja-se o que aconte por esta altura na Guiné Bissau, exactamente a pátria que Amílcar libertou.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Deste esquecimento são responáveis os dirigentes da Guiné Bissau para quem Amílcar tinha um "pecado original": era Cabo-verdiano.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Rw-QLKa8JUI/AAAAAAAAAH0/1m8Vx_ftR9o/s1600-h/amilcar2.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5120469822793852226" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_yIexq4CRfJ0/Rw-QLKa8JUI/AAAAAAAAAH0/1m8Vx_ftR9o/s400/amilcar2.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em Cabo Verde também há culpas deste apagamento de Amílcar. Primeiro foi o MpD que tentou apagar a sua memória, já que ela era sempre ligada ao PAICV e depois, o próprio PAICV, que, em vez de nacionalizar e mesmo internacionalizar a imagem do grande lider, fecha-a dentro das suas paredes iedológicas, num processo quase autofágico de uma memória que já devia ser considerada "património mundial".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Oxalá " O Fazedor de Utopias" recupere vigores e capacidades antigos que ajudem África a sair do pântano em que se encontra.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.co
