sexta-feira, junho 16, 2006

Deixar a marca

Como se, nesse sofrimento bom, pudesse rever as fabulosas jogadas do Miau ou do Jordão ou do Seninho (nos tempos do Moxico, haja respeito), estou a gerir a ansiedade a duas horas do Angola-México. Eu não viro a casaca do BI mais íntimo, não podia torcer por Angola no jogo de há dias, ainda que estuporasse, em altos decibéis, os tugas sofríveis. Hoje, não. Que, entretanto, os sombreros tapem o sol e o tino aos mexicanos e Angola possa confirmar a fórmula sábia de Oliveira Gonçalves :"Vamos fazer por deixar a nossa marca em campo". Eu gosto do ar desse "mais velho" que é firme quando é preciso ser firme e tem um tom sereno, sempre. Ele sabe ao que vem e onde está o risco que vale a pena pisar. Ele acredita que África "pode surpreender o mundo". Comentando algum desprimor na apreciação do comportamento dos africanos no Mundial ( quanto a mim, há apenas uma ausência irreparável, a dos Camarões), Gonçalves lembra, acertadamente, que "nenhuma das selecções africanas se deixou, até agora, dominar.. apesar das derrotas". Enquanto escrevo, a Costa do Marfim perde por 2-1 com a Holanda (creio que decorre o intervalo) e, sem ver o jogo, acredito que os Elefantes não deixarão mal o país (para isso, está lá Gbagbo).
No Jornal de Angola de hoje, leio uma frase com asas. Saiu da boca de André Makanga (aquele do remate poderoso, que foi da construção civil para o Arrifanense e daí para o mundo inteiro): "Agora já sabemos o que é jogar o Mundial". É uma frase dita a pensar no jogo com o México. Lá vou eu, rua abaixo. Às 8 estou no café do fundo da rua, os olhos na sportv, o coração no pó do Cassoco ou nas bancadas do "Portugal de Benguela", a desejar que os Palancas deixem uma marca forte em Hanover.

1 comentário:

Anónimo disse...

Acabado o jogo, passado o sofrimento, fica essa frase, ainda humilde, que falta á maioria das selecções "Agora já sabemos o que é jogar o Mundial"
***