sexta-feira, abril 14, 2006

Carne para canhão

Idriss Deby tem muito que agradecer a Chirac, com quem falou várias vezes ao telefone nos últimos dias. Tudo indica que a dívida de gratidão do presidente tchadiano (que teve a guerrilha às portas do palácio) vai muito para lá das facilidades logísticas disponibilizadas pelos franceses, no transporte de soldados governamentais tchadianos para as zonas da fronteira com o Sudão.
A força militar francesa no Tchad foi,aliás, reforçada.
Idriss cortou relações com Cartum e tem uma carrada de razões para o fazer.
Mas fez mais do que isso: chantageou as Nações Unidas e a União Africana, ameaçando expulsar os 200 mil refugiados sudaneses do Darfur, dos campos tchadianos cuja situação justificoui, há poucos dias, palavras desesperadas de Guterres.Tal como os senhores de Cartum, o presidente tchadiano não é flor que se cheire. E os refugiados são, mais uma vez, a desprezível carne para canhão num conflito onde há demasiadas cortinas de fumo.

Sem comentários: