terça-feira, janeiro 24, 2006

O ano de Brazza

Ontem, em Cartum, Suas Excelências foram-se deitar, enquanto o anfitrião, o sinistro Bashir, lhes desejava bons sonhos e que sossegassem: em ficando claro que ele, Bashir, fracturava a unidade da União...ele, Bashir, cuidaria de retirar a candidatura à sucessão de Obasanjo. A tremenda farsa acaba de ter um desfecho "feliz": Bashir retira-se e vem à boca de cena o melífluo Nguesso. A cimeira ordinária que deveria tratar da educação no continente (até lá está o director geral da Unesco, o sr. Matsura!) e do conflito entre o Sudão e o Chade e de duas ou três outras minudências, como o Darfur, foi gasta com diplomacia de casa de putas. Assim se chegou a um compromisso: Nguesso (que está no palácio em Brazza alçado a votos mas andou treze anos a coçar o traseiro ao veludo dos cadeirões à conta da baioneta e tem no deve e haver uma guerra civil com dez mil mortos) avança, agora, e Bashir(a quem, ontem, o coro das ONG considerava o putativo rosto de uma "catástrofe para a imagem do continente") assume a presidência em... 2007! Há nisto um se. Tudo isto se concretizará se... neste ano de Brazza, Bashir resolver o Darfur! Está-se mesmo a ver o Bashir, a quem os amigos àrabes do norte enxotaram, ontem, para a casota na própria casa, a garantir a paz ,lá onde tem sido um dos grandes semeadores da violência. Pobre África que não encontra, neste arremedo de UE sem conteúdos para uma política comum, um arremedo de durão sem esqueletos no armário!
Mas está evitada a fractura da União, ainda que o caso Habre (uma das batatas quentes passadas a esta cimeira) tenha ficado para as calendas. Os mais velhos africanos, cujas mãos não estão menos sujas que as do antigo ditador exilado, mostram-se inclinados a patrocinar a criação de uma comissão de juristas. Sempre evitam o precedente que lhes estrague o sono.
E o Tribunal Africano dos Direitos Humanos? Está bem abelha.

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