terça-feira, dezembro 06, 2005

O nome de um homem

António, não carrego, a respeito de episódios antigos que desconheço e que, vagamente, afloras, nenhuma "cruz". O meu ponto é este: um profissional competente é descartado, num tempo de irisão de valores, e eu não fico indiferente. Porque o conheço? Porque sou seu amigo? Não. Nunca falei com o Fernando Cruz Gomes. Respondo assim: porque o nome dele é um nome inteiro, o que ele assina dignifica-o, desenvolvia, com brio, um trabalho importante, é um nome retirado do seu posto por um capricho. Diante deste quadro, é meu dever indignar-me. Este homem é um nome grande do meu ofício e há fortes indícios de pressões de bastidores no seu afastamento. Isso me basta.
Eu não suporto que, neste nosso ofício, tipos mediocres investidos de poder, ousem riscar do mapa os que lhes são incómodos. O Fernando Cruz Gomes, ainda que seja o que tu dizes saber não está sob julgamento de carácter: ao contrário, neste episódio, é ele a "vítima". E ainda que fosse a pior criatura do universo, respondo-te que o Céline era um tipo execrável mas um imenso poeta. Este nome ecoa na minha cabeça, há muitos anos. É suficientemente importante para que o transformem, de forma insidiosa, num nome kleenex.
Um abraço.

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