sábado, novembro 26, 2005

Incompetência, impotência, conivência

A máxima instância judicial senegalesa já se afirmou "incompetente" para resolver o caso Hissene Habré. E, por isso, recusou a sua extradição para julgamento na Europa.
O homem que, no tranquilo exílio de Dakar, dorme, há quinze anos, com quarenta mil esqueletos, voltou a casa e Wade, sabendo que todos se viram agora para a sua "competência" presidencial, optou por consultar a União Africana. É uma maneira de empatar o processo, pois sabe-se que o presidente do Senegal não se tem querido associar ao primeiro julgamento de um ditador africano. Em fundo, escuta-se já o inevitável rumor de uma perseguição com fundamentos racistas. Como se os 40 mil mortos e os 200 mil torturados de um regime abominável se tivessem tornado incolores... Mas o advogado senegalês que preside à Federação Internacional dos Direitos do Homem não está com meias palavras. Para ele, "o Senegal consagra a impunidade de Hissene Habré".
Por que é que tudo isto era previsivel?

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