quarta-feira, novembro 23, 2005

Air Zimbabwe

Ninguém deu grande vento à notícia que chegou, de manhã, na asa da France Presse ( que a colheu no jornal estatal "The Herald"): a companhia aérea do Zimbabwe imobilizou toda a sua frota, por falta de combustivel. Todos os voos foram suspensos. O presidente de admnistração da Air Zimbabwe foi mandado para casa. O aeroporto de Harare era, desde ontem, um lugar de errância de centenas de pessoas impedidas de partir para Joanesburgo, Singapura ou Kampala.
O principal aeroporto de um país pode ficar paralisado por uma tormenta, por uma greve, por uma revolução. Mas neste lugar de pesadelo cada nova notícia é um voo picado para o abismo.
As notícias dos últimos meses sugerem um manual de destruição de um país nas mãos de um louco. Uma destruição metódica, sistemática, persistente.
The Herald conta o espanto dos estrangeiros no país sem check in. O país que não consegue pôr um avião no ar, tal a penúria. O mesmo país de onde , há alguns meses, levantou, com destino ao Dubai, um avião de 200 lugares com um só passageiro a bordo. E não era Mugabe. E não era um delírio autocrata, um luxo de nababo, apenas o retrato de uma gestão caótica num quadro de gestão de linhas raiando o absurdo.
O caso da Air Zimbabwe é a metáfora do impossível golpe de asa. O Zimbabwe de Mugabe é um país de asas no chão.

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