domingo, outubro 09, 2005

Zapatero, um gesto

O modo como Marrocos está a abandonar centenas de africanos nos confins do deserto, junto à fronteira com a Argélia, é de uma arrepiante indignidade. Ainda há dias o primeiro ministro marroquino proclamava a urgência de um Plano Marshall para a imigração sub-sahariana, de modo a travar a sangria da miséria extrema que empurra os deserdados para o quintal da Europa. Pardoxalmente, Marrocos porta-se, entretanto, como o cipaio brutal de uma tragédia humanitária de que não nos safamos com arame farpado. Zapatero, não obstante a terceira vala, acaba de ter a ousadia de um gesto, ao ordenar a Moratinos que tratasse de garantir ajuda espanhola aos que são largados no deserto. O gesto de Zapatero não disfarça a terceira vala. Mas vale alguma coisa, gesto simbólico que seja.
Aos que gritam, junto ao quintal da Europa, "mais vale a morte que tal sorte", Zapatero responde com um gesto que não os salva da vala comum. Mas que é , apesar de tudo, uma lição a Rabat.

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