quinta-feira, outubro 20, 2005

SUD FM

Atulhado na preparação de um dossier sobre os 250 anos do Grande Terramoto de Lisboa, não tenho dado grande conta sobre se, lá fora, o mundo desaba. Temo, às vezes, que inquietar-me possa desencadear uma qualquer ignição - arreda, teoria do caos ! - passo os olhos velozes pelas gordas e pelo letreiro do "talho", não vá a gripe das aves ter chegado ao bairro.
E assim explicada a ausência, ancoro desculpas para eventual chuva no molhado. Mas não creio que que isto mereça cuidados das páginas especializadas em "media", é sul a mais para merecer desnorte.
Ocorre que acabo de ler na allAfrica.com (que cita boletim de um qualquer departamento das Nações Unidas) a notícia de que a primeira rádio privada do Senegal esteve fechada esta segunda feira, por ordem do ministro do Interior. Durante 10 horas, a programação da Sud FM, em Dakar e nas antenas regionais associadas, foi interrompida, o director detido e todos os trabalhadores ouvidos pela polícia, na sequência de uma entrevista a um dirigente da rebelião de Casamance.
Faz agora dois anos, também a correspondente da RFI, Sophie Malibeaux, foi posta no aeroporto por ter entrevistado um dirigente da insurreição
Casamance é um tabu para o poder em Dakar. Mas estes incidentes revelam não apenas a frágil autonomia de uma rádio privada num país como o Senegal, mas o quão inconsistente parece ser a paz assinada há uns meses entre Wade e os insurrectos. Casamance é um chão pouco firme, há duas décadas.
Regresso ao Grande Terramoto.

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