domingo, outubro 30, 2005

O algodão não engana?

O que parece claro é que o Burkina Faso e os vizinhos da fileira do algodão não podem estar com pezinhos de lã, neste mês de apertadas negociações antes da Conferência Ministerial da OMC, em Hong Kong.
O Burkina é já o primeiro produtor africano de algodão. A campanha de 2004/2005 rendeu 631 mil toneladas. As experiências com o algodão transgénico são animadoras e parecem estar a ser conduzidas com ponderação. Se a próxima campanha confirmar as melhores expectativas, o Burkina passará a ser o 5º exportador mundial, atrás dos Estados Unidos, do Uzbequistão, da Austrália e do Brasil. Mas "desgraçadamente", diz um dirigente da Sofitex ( a Sociedade de Fibras Têxteis do Burkina, cujo processo de privatização foi concluido o ano passado), "os preços da fibra de algodão nunca foram tão baixos, nos últimos 30 anos".
Os africanos têm vindo a pressionar a OMC para que barre as subvenções que os países industrializados mantêm em vigor, de modo a evitar que a "durabilidade" da fileira do algodão no continente seja ameaçada. Mas esta campanha tem tido pouco eco fora da imprensa africana.
E se consultarmos os documentos da própria OMC constataremos que esta considerou, há meia dúzia de meses, "ilegal" a política de subvenções dos Estados Unidos para o algodão. Valeu de muito, valeu...

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