segunda-feira, setembro 12, 2005

Tarzan Taborda

Chegou a ser duplo em Hollywood, partilhou o seu naco de glória com John Wayne e com um tal Robert Mitchum e isso não foi pouco. Sei do que falo. Mitchum, que foi vagabundo (aliás, preso por vadiagem) antes de, tantas vezes, me desafiar a que segurasse, a seu lado, com os cotovelos, balcões de saloon, pousara os olhos na viçosa Marilyn, em "River of no Return",no ano em que eu nasci, e já me fizera acreditar que tudo é possível, nas gloriosas matinés do Cine Benguela.
Nessa minha África de salas às escuras, eu era mais de oestes e menos de tarzans. Ainda por cima, o musculoso Albano de Penamacor chegou a Luanda quando eu já folheava o "Notícia" com olhos "entendidos", imitando secretamente o ar falsamente distraido e sonolento do amigo de Wayne. Mas, não obstante ter apanhado de ouvido, na esplanada do Tan-Tan, que "aquilo da luta livre era tudo combinado", fui tocado pelo halo dos deuses, quando o gigante com tanga de leopardo começou a distribuir bifardos em sucessivos focinhos, de cidade em cidade, enchendo estádios e atordoando caluandas e cabeças de pungo, de Luanda a Porto Alexandre. A mistura de Tarzan e Hércules, com sotaque beirão, irradiava a luz de um Olimpo de papelão em quadros de uma tocante "humanidade". Qual Weissmuller! O Taborda, agora desaparecido, o Albano de Penamacor, foi sempre o meu Tarzan. Escolha de instinto juvenil, os cotovelos segurando o balcão do saloon ao lado do sonolento Mitchum que, soube-o mais tarde, foi pugilista profissional antes de fazer cera com o gigante, agora exilado na Fonte da Telha. "Isto a vida dá muitas voltas", diria eu se não parecesse conversa de retornado...

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